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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 744

d'oliveira, 06.10.22

 

 

 

Um ateu à porta da igreja

mcr, 6-10-22

 

O título já diz, em parte, ao que venho: carrego em cima do cadáver adiado sessenta anos de absoluta e total indiferença religiosa. Em tempos afirmava que a religião passava por mim como água pelas penas de um pato: não pegava.

Devo, porém, dizer que não faço parte da seita dos ateus furibundos, dos que juraram arrasar igrejas e altares, enforcar a padralhada e pôr os beatos a estudar os iluminados da religião da Razão.

Eu, modestamente, creio que as religiões estão em recuo por toda a parte, incluindo o mundo muçulmano por mai barulho que um par de fanáticos faça. Aliás, os fnáticos são uma arma contra qualquer religião pelo repúdio que a sua acção consegue despertar.

Mais: creio que a sociedade portuguesa fora o baptismo e o enterro religioso, algum casamento de pompa e circunstância, está bastante descristianizada no seu conjunto. Basta ver como há falta de padres (de vocações dizem eles) como há clérigos que “se desfiliam”, como inclusive as vestes sacerdotais mais e mais se civilizam. Se medíssemos o número de crentes pelos que frequentam semanalmente a missa, teríamos um país  à base de incréus ou indiferentes.

Posto isto, vamos ver o que se passa com o bispo de Fátima-Leiria, D. José Ornelas (isto de por “D." num bispo é, de per si, um sinal de velhice, de inadequação à realidade que vivemos e a que nem a Igreja escapa), presidente da conferencia episcopal portuguesa.

Pelos vistos, alguém ou alguns, entenderam acusar o religioso de omitir  ou silenciar uns casos de abuso de menores ocorridos em Moçambique, Pelo que me pareceu, tratava-se de dois missionários ou algo do mesmo género que, nos tópicos entenderam provar que a carne é fraca.  A carne de jovens, ou menores, desconheço o sexo.

Pelos vistos, alegam o bispo e os seus defensores, foi feita uma averiguaçãoo depois da denúncia mas nada se cocluiu. Daí nada ter sido comunicado às autoridades.

Partindo do princípio que isto é verdade, há ainda o facto de, por duas vezes, entidades exteriores à Igreja terem investigado sem, por seu lado, chegarem a qualquer conclusão.

Entretanto, alguém ou alguns, entendeu que ali havia matéria para queixa e eis que denuncia o facto à Presidencia da República e, eventualmente, à Procuradoria Geral.

Pelo que se sabe, a Presidência enviou a denúncia para a PGR

E o bispo terá começado a ser investigado. Neste capítulo, e como é infelizmente regra o acusado é o último a saber. E sempre pela “comunicação social”!

No caso, junta-se a nota infantilmente picante do sr Presidente da República ter (por duas vezes!) telefonado ao bispo por "saber que o prelado estava zangado" . O prelado por sua vez negou a zanga e afirmou nunca ter usado tal expressão ou outra semelhante (de facto não consta das declarações do agora alvo de acusação de omissão, qualquer referencia a essa alegada indignação).

Eu já não me espanto, se bem que me envergonhe a situação,  com o  situação já habitual  de o segredo de justiça ter mais buracos do que um queijo suíço.

Os julgamentos n praça pública lembram a selvajaria da inquisição, as manobras da pide, a infâmia do boato, da mão escondida que atira a pedra. E o modo como as coisas, as investigaçõs chegam por via indeterminada ao conhecimento  geral é, no mínimo uma peçonha que mancha todo o edifício da Justiça

Ao que sei o bispo ainda não foi ouvido e não se sabe quando é que algum senhor procuradores dará a esse trabalho. Ou algum cabo de esquadra, que nisto também serve e provavelmente vle o mesmo.

É claro que, não venho aqui, era o que me faltava!, defender a Igreja (no caso a católica pois presume-se que nas restantes confissões a pureza dos clérigos é imaculada e os apelos da carne castigados, inexistentes, escondidos) pois toda a gente sabe que o celibato dlerical nunca foi coisa especialmente respeitada.

(eu próprio tive uns muito longínquos parentes padres lá nas interioridades alentejanas. De um deles, pelo menos um, sabe-se que houve descendência farta. E que o último filho, o quarto, foi baptizado com o nome de Deusdado Convenhamos que esse longínquo parente tinha imaginação e humor.!)

 

Suponho que não foi o único a maridar-se dom alguma freguesa mais vistosa e fogosa mas tofos conhecem a quadra tao portuguesa:

Não há luar como o de janeiro

Nem lenha como a de azinho

Nem filhos como os do padre

Que chamam ao pai padrinho!

Deixemos, porém esta fagueira excursão  pelos hábitos licenciosos dos nossos pastore de almas  e voltemos ao cado do bispo.

A Igreja portuguesa, como todas as restantes (desde que católicas!) atravessa um período difícil. No que toca ao destapar dos segredos de sempre no que toca a pederastia e restantes abusos sobre menores. Digamos, para simplificar, numa sociedade que durante séculos abusou de alguns menores, seria difícil que um par de sacerdotes também não metesse as mãos na massa.

Andará ainda na lembrança dos portugueses o caso daquele padre brasileiro que no Funchal pintou a manta com o rapazio. E que, uma vez acusado, fugiu alegremente para o solo natal onde, eventualmente continuará a espalhar a fé  e não só.

Eu, outra confissão, nunca percebi o encanto de fornicar um(a) menor mas o defeito há de ser meu. Mas também nunca percebi outras e diversas manifestações de sexualidades ora em moda, pelo que, provavelmente serei apenas um neanderthal que se desconhece, um pacóvio de províncias, um conservador sexual...

Todavia, creio, firmemente, que no caso de menores envolvidos há a falta de liberdade, de discernimento, de conhecimento, que tornam a sedução da criança, do/a jovem pelo adulto em algo infame.

Todavia, isto, se implica mão firme e justa nos abusadores, implica também, pela desqualificação social que acarreta, prudência na investigação (para já não falar na punição severa e legal da difamação).

Andar o nome de uma pessoa, no caso de um bispo, personalidade influente e importante na Igreja portuguesa, nas redes sociais, na tv, nos jornais, quando em teoria (só em vaga, muito vaga teoria) o processo está em segredo de justiça, é algo de profundamente inquietante. Ponhamos: de desonroso!

Eu não conheço nem estou interessado em conhecer o bispo José Ornelas (sem dom mas com uma solidariedade cidadã se é que ele, homem de Deus aceita tal de um desencaminhado dos caminhos do Senhor.

No entanto, os meios dos meios de comunicação que são imensos  já poderiam ter ido a África saber ao certo o que se passou ou não se passou. Erguntar às polícias e procuradorias de lá se há algo de relevante nesta história. E, à cautlela, tentar verificar se não anda por aqui mãozinha de malfeitor malicioso e anti-clerical.

Vi a entrevista do bispo na televisão e, demérito meu, pareceu-me que o homem parecia inocente e decente. Porém da fama de encobridor já não se livra, obviamente. E isso, num prelado é uma condenação ao inferno em vida.

 

Vai esta em memória do padre Cruz, um viciado em último grau no bridge. Em chegando a quaresma o pobre pafre jejuava da cartolina.Fugia das cartas e dos parceiros (entre os quais o meu pai) mas no sábado de aleluia era vê-lo freco e pimpão a rondar a sala de jogos à espera dos parceiros que se fingiam ocupados por outras coisas. No fim lá se amerceavm do padre Cruz e aquilo er um ftote...Capelão militar, afável, bonacheirão, há ter um lugar à mesa de bridge do paraíso  e smpre com boas "mãos"...