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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

estes dias que passam 775

d'oliveira, 09.02.23

Jogos malabares com a semântica

mcr, 9-2-23

 

nunca a conjunção “e” se viu metida em tais trabalhos. Sobretudo quando a querem fazer significar “ou”. 

Não vale a pena tentar ensinar a gramática que dantes se aprendia na escola primária a juízes, deputados, presidentes ou outros (e outros). 

Este é apenas um combate de retaguarda contra uma das “gloriosas” conquistas do progressismo versão lusitana espúria.

Honra seja a quatro juízes do STJ que vieram dizer algo absolutamente óbvio mas “esquecido” pelas deputadíssimas  luminárias que, ao arrepio da maioria da Europa : uma coisa é a natural legalização do suicídio assistido onde é pujante o consentimento de quem deseja morrer outra é o recurso que semre seria residual à eutanásia, Com uma outra diferença que também não terá perpassado pelas cabecinhas pensadoras dos decisores: o suicídio assistido pode mesmo ser considerado um acto médico, algo que nunca sucederá com a eutanásia, sobretudo quando (e isso vai acontecer) é difícil definir quer os termos da sua pertinência quer sobretudo perceber qual é a vontade do candidato a morrer. 

A eutanásia surge neste quadro espúrio e insensato como um meio rápido de fugir a questões fundamentais na saúde pública, na questão do envelhecimento da população e nos meis que o Estado consagra a quem sofre: a falta de dinheiro, a falta de cuidados continuados decentes e em número adequado.  

Já nem vou referir o direito absoluto de qualquer médico a fazer prevalecera sua convicçãoo hipocrática e a razão por que optou pela profissão, isto é salvar vidas, toda e qualquer vida.

É verdade que, pelo expediente natural e práticamente não usado do “testamento vital” qualquer cidadão pode em devido tempo, e em pleno uso das suas capacidades, deixar claro que recusa tratamentos que prolonguem o seu sofrimento, ressalvando apenas o direito a não ter dores, 

É claro que, por este caminho que a AR começou entusiasticamente a calcorrear ainda vamos acabar por ver alguém propor que os cidadãos ,todos os cidadãos, estabeleçam enquanto sãos o seu consentimento claro quanto à hipótese de serem eutanasiados. E mesmo assim nada é seguro porquanto , a todo o tempo, alguém pode arrepender-se.

A guerrilha constitucional levada a cabo pelo sr Presidente da República não surpreende ninguém. Já espanta mais esta insistência numa conjunção copulativa (até prova em contrário).É que o mais alto magistrado da nação é, presume-se, um ex-professor de Direito Constitucional e só por isso até se deveria arrepiar com este “e” a entupir uma triate resolução parlamentar. 

Quando se não pretende discutir os verdadeiros problemas do país, inventam-se estas campanhas laterais. A eutanásia é apenas a última “questão fracturante”. Pelos vistos a discussãoo bizantina dos cisgénero e não cisgénero, a apaixonante saga da minoria trans, a falta medonha de estudos africanos e de africanos  nos postos de comando político, e por aí afora, atira o torrãozinho de açúcar para a mais baixa subcategoria dos países bananeiros e ditatoriais!

É evidente que tudo isto se passa numa pequena bolha que o país ignora ou detesta e que mesmo sem nada mais a acrecentar vai ditando as regras com que mais e mais as pessoas se distanciam da política e dos seus praticantes. Isto para não aventar que estes debates são o pascigo dos extremismos populistas que ameaçam as liberdades e a democracia. De um lado e de outro...

 

No meio desta ruidosa algaraviada, cumpre lembrar que o sr Presidente da República não consegue calar-se dois minutos seguidos. Não sei se Sªa Exªa se dá conta que a sua voracidade afirmativa, a sua continua intemperança destroem continua e crescentemente o seu poder de intervenção, a sua capacidade de gerar consensos claros e úteis e dão a quem nos observa de fora a ideia que também por cá há alguém que tenta por todos os meios (legais, claro) influenciar Governo, Administrações, inteligentsia e tudo o resto. 

Olhando para dois presidentes com poderes de certo modo semelhantes (Alemanha ou Itália) não vejo posturas idênticas e tão estridentes e... tão desadequadas a mester de quem  com calma, ponderação e sem espalhafato público pode e deve dialogar com decisores de toda a ordem. 

O sr dr. Rebelo de Sousa não se chama Macron, muito menos Zelensky (que de resto está em guerra) e felizmente também não vive emparedado e protegido no Kremlin. Todavia, a sua hiperactividade faz pensar, se é que este verbo exprime tudo o que ela me sugere...

Não estou recordado de o ouvir pôr a questão do suicídio assistido versus eutanásia. Também já não importa que Inês é morta e que a AR vai bater o pé.

Convenhamos: nesta batalha que até chamou a semântica a terreiro predem todos. 

E perdemos nós que merecíamos um pouco mais de sol... um pouco mais de azul... para citar um grande suicidado  que ainda por cima era poeta.   

PS que nada tem a ver com isto mas que é regpzojante: o meu amigo Rui Graça Feijó ganhou (ex-aequo) um excelente prémio comum ensaio sobre um dos seus temas de sempre: Timor, ou melhor dizendo, a sua maneira justa e inteligente de ver, sentir, amar Timor. Vi-o crecer, doutorar-se, cumprir. contra ventos e marés, muitos e mesquinhos, toda a carreira universitária e académica. Este é provavelmente o primeiro prémio de vários que lhe auguro e que me enchem de alegria.