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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

estes dias que passam 819

d'oliveira, 30.07.23

A tentação do abismo

mcr, 30-7-23

 

As eleições em Espanha confirmaram um par de suspeitas e , por agora, atiraram para o purgatório os dois grandes partidos de sempre e para o inferno os restantes.Com, entretanto um par importante de diferenças.

Assim, o PP averba 137 deputados enquanto o PSPE fica com 121. É um clara derrota deste último diga-se o que se disser. 

Por outro lado, o Vox tem mais votos e mais deputados (33) do que o SUMAR (31), uma coligação frágil que nada grante que se mantenha, caso não consiga associar-se ao PSOE (e mais alguém...) para manter a ficção de unidade enquanto as coisas correrem de feição. O problema é que uma coligação à esquerda parece tarefa quase impossível, tanto mais que só poderia ir buscar duvidosos aliados a partidos claramente conservadores ( o caso do PNV e dos dois partidos catalães que ao contrário do primeiro levam a exigência da soberania catalã a níveis muito mais alargados e, parece ao observador mais desatento, pouco empenhados num governo "centralista".) Resta o BIDU, que apresenta na sua lista de dirigentes vários ex-terroristas acusados de crimes de sangue  podendo mesmo afirmar-se que não passa de um resquício da ETA (que de resto também conheceu ao longo da sua sanguinolenta existência uma boa meia dúzia de cisões.

Por muito que se pretenda afirmar que o Vox (um partido claramente de Direita  mas com muito pouco a ver com o passado franquista que, de todo o modo, já tem cinquenta anos) teria numa "aliança" com o PP uma força irresistível convém lembrar o seu peso nessa coligação seria sempre menor do que o do SUMAR aliado ao PSOE. Dir-se-á que tal coligação já existiu. Não é verdade. O SUMAR junta os restos do Unidas podemos com outras pequeno grupos que até incluem um fantasmático partido comunista, uma organização moribunda em vias de passamento ou mesmo à espera de certidão de óbito.

Como eventualmente, os leitores saberão, estas eleições foram adiantadas cerca de seis meses, num expediente que toda a gente entendeu como truque do dirigente socialista para limitar perdas e não permitir aos adversários tempo para preparar eleições que(como se viu) se suspeitava que sempre ganhariam,

Não vale a pena especular se o acto eleitoral em Dezembro teria um resultado ainda mais sólido para o PP mesmo que foi essa a premissa que levou ao adiantamento da data. 

A verdade é que um entendimento do PSOE com o catalanismo se afigura difícil senão impossível. De resto até impende sobre Puidgemont um mandato de captura razão pela qual ele vive vagamente exilado na Bélgica. 

Também é verdade que para Feijoo as coisas não parecem fáceis. Quer o PNV que os canários não aceitam um governo apoiado pelo VOX  que tem sobre os nacionalismos e sobre as autonomias uma visão absolutamente crítica senão claramente condenatória. 

Numa palavra, a Espanha está prestes a ter que repetir eleições e não é com os velhos slogans da Pasionária (no pasarán!) que as coisas se resolvem. 

Por cá, nos primeiros momentos, pareceu passar um frémito de entusiasmo por entre os saudosos da Geringonça. Nem sequer fizeram contas aos resultados das quatro maiores formações políticas e tão pouco se aperceberam d natureza especial dos partidos regionais. Tenho mesmo a vaga suspeita que desconhecem quase tudo sobre esse fenómeno espanhol. Há entre a nossa inculta elite política um velho ódio a Castela  e um esfusiante entusiasmo  pelas realidades desconhecidas de Bilbau ou Barcelona (não refiro a Galiza pois, como se sabe o independentismo galego é praticamente folclórico).

Depois, como é sabido, as geringonças servem apenas para dar tempo ao partido dominante para ganhar tempo e assentar o seu poder. Depois é o que se sabe. 

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