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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 861

mcr, 01.12.23

um dia quase como os outros

mcr, 1-12-23

 

"portugueses celebremos 

o dia de Redenção

em que valentes guerreiros

nos deram livre a Nação"

 

 

A quadra pouco inspirada é o começo do Hin da Restauração" criado para uma peça de teatro em meados do sec XIX.  

Desconfio que, hoje em dia, haja mais do que alguns milhares de portugueses capazes de cantar a peça por inteiro (eu apenas me lembro desta quadra e, mesmo assim, tive de dar forte e feio às meninges para relembrar os tempos de escola primária onde a aprendi. Claro que, nessa época, o dia da Restauração era celebrado com farta cópia de festividades, desfiles, medalhas para cidadãos merecedores, sei lá que mais. E discursos, obviamente. Discursos em que gente emproada e esganiçadíssima berrava todas as virtudes do povo, do Governo, do dr. Salazar,  da valentia nacional enquanto se amaldiçoava Castela e Espanha.

 

Ainda muito recentemente referi uma cerimónia "restauradora" em que fui participante involuntário" e que me terá curado para sempre dessa patriótica mania celebrativa. 

Hoje, entretanto, lamentando a esplanada fechada, li no jornal que um cavalheiro, presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal afirmava que, depois de anos de quase desaparecimento, regressava em força a celebração. E citava Elvas e Pedrógão como localidades onde as festas teriam um brilho idêntico ao que previa para Lisboa. Pelos vistos haverá ou houve desfile de bandas filarmónicas pela Avenida da da Liberdade  até aos Restauradores. Desconheço se por aqui também as ruas viram passar lgum cortejo patriótico mas apesar do sol, o dia esteve frio e de longe em longe ameaçou os transeuntes com três pingos de chuvisco, coisa pouca a anunciar a época invernosa que se aproxima a passos largos. 

Convém avisar que não tenho nsda contra os heróis de quarenta, contra a dinastia de Bragança  ou mais prosaicamente contra a independência nacional. Estou confortável enquanto português mas desconfortável quanto â pouca felicidade nacional. 

Hoje mesmo havia um peditório do Banco alimentar à porta do supermercado a que naturalmente dei a minha contribuição, requisitando um mocetão adolescente para me seguir com os sacos necessários para colocar os produtos. É nestas alturas que reclamo contra a falta daqueles vales que dantes havia nas caixas e que podíamos comprar sem ter o trabalho de andar carregados. O adolescente sentiu o peso da generosidade com três fartos sacos carregados  ma, bem educado, aguentou tudo e murmurou que talvez valesse a pena ir buscar um carrinho. concedi-lhe essa benesse e continuamos as compras . Não chegou a cem euros mas saí dali com a sensação de ter feito algum bem. E esqueci-me da lista das compras próprias no entusiasmo de encher os sacos. Lá voltei ao super por chá de cidreira, café para a máquina da CG que não vai nessas modernices do Nespresso. E aproveitei para mais uma bica bem tirada que, no Porto, ainda se chama "cimbali

De todo o modo e para reforçar o meu portuguesismo de esguelha e inconformado, sempre digo que foi bom livrarmo-nos da tutela dos reis espanhóis. Pelo menos não temos um país revoltado contra Castela, como acontece em zonas da Catalunha ou do País basco. Jºa basta os políticos indígenas para ainda por cim lhes juntarmos gentinha como a do Bildu ou o inefável Puiggemont. às vezes da-me vontade de me perguntar como é que um alegado dirigente socialista espanhol militante do PSOE de grandes tradições faz uma aliança espúria com partidos conservadores independentistas . 

Um cavalheiro da Direita espanhola , antes do "generalíssimo" dizia "España antes roja que rota!" Tenho a impressão que a frase é do José António que está (va) estatuado por todos os rincões de Espanha. 

Ao longo desta vida que já vai bem longa, acompanhei, com cuidado a trajectória dos independentistas espanhóis  não me poupando sequer  às criaturas escassas da Galiza. Toda aquela matulagem rescendia e rescende a reaccionarismo brato, a ignorância histórica e, sobetudo, a incapacidade de perceber quanto perderiam se fossem independentes. Para começar as línguas catalã e basca só são (e por vezes mal) faladas nos respectivos territórios. Dei-me ao cuidado de aprender catalão  por cauda dos poetas (Espriu, Marguerit & alia). O resto dos escritores li-os todos em espanhol (ou castelhano como pedem alguns) e suponho que muitos deles nem sequer escrevem nos vernáculos locais. O mesmo ocorre em quase toddos os galegos  que, tirando Castelao ou Rosalia de Castro, estão sempre editaos em espanhol. Há msmo o caso de alguns que nunca permitiram que as suas obras fossem vertidas em galego porque como estavam inçadas de "galeguismos" perderiam a graça, o sabor, a eventual força se  estivessem cercadas de palavras galegas. Isto para não referir a confusão linguística que corre pela Galiza vocabular e não só. 

Portanto, e para abreviar, estou grato aos "guerreiros de quarenta" que nos livraram das confusões autonomistas do outro lado da Fronteira e das repelentes negociatas políticas em que o sr Sanchez mais e mais se enreda  (neste momento, depois de mais uma bravata do "Junts..." eis que socialistas e catalães se reúnem no mais espesso dos segredos para manter de pé um governo mal parido e que vai acabar mal. Ou muito mal...)

tudo visto, contra a celebração só tenho um argumento: o feriado tirou-me o meu sítio matinal onde entre dois ou três bicas leio o jornal e encontro amigos.