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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

estes dias que passam 872

mcr, 08.01.24

o grau zero da patetice crónica

mcr, 8-1-24

 

Televisões, hor nobre, noticiário das 8: depois da longa repetitiva crónica do congresso do PS, eis que a televisão mostra um rapazola a alanzoar um discurso ridiculo e absolutamente incapaz de focar a realidade do momento, afirmando que as notícias sobre o calamitoso estado das urgências hospitalares  ou, para ser ais exacto da maioria delas, é apenas um ponto de vista de certos órgãos da comunicação social. E um ponto de vista redutor, parcial, desinformado e desindformador ou algo no mesmo género.

Pelos vistos, para o junior mal alcandorado à comissão executiva do SNS tudo vai bem ou quase. As 13,15, 18 horas de espera por uma consultade espera que monotonamente se repetem desde há dias nas urgências, o pandemónio que vai pelos corredores com doentes apinhados em macas, em cadeirões ou mesmo no chão, encostados às paredes é um ponto de vista errado e provavelmente inexistente. Há mesmo a sugestão que este quadro negro é fruto apenas da má vontade das televisões que apontam para uma árvore mirrada sem ver a floresta jovem e cheia de força!

Eu não sei, nem sequer me darei ao trabalho, quem é este ovni que parlapia em nome de um organismo que tem a seu cargo a difícil tarefa de orientar o SNS. Todavia, com um saber de experi^rncia feito não deverei errar muito se apostar que a criatura deve ser oriunda de uma qualquer jota, aliás de uma específica jota e que deve a promoção a tão alto cargo por via dos habituais empenhos políticos.

Não seria o primeiro caso, não será decididamente o último dada a cultura aparelhistica que domina as nomeações para o aparelho de Estado. aquilo, a alta função pública de assessores, consultores, rapazes e raparigas para todo o serviço é já uma prática e estamos todos fartos de ver essa rapaziada mal promovida, ansiosa, inexperiente e muitas vezes bem pouco dotada, a fazer asneiras, a dizer barbaridades e a meter o meigo pé em todas as argolas possíveis. 

Contudo, este caso, que sobressaltou até o dr Marques Mendes no seu comentário e o fez mesmo duvidar da capacidade da criaturinha poder continuar a desenvolver a sua actividade na dita direcção do SNS, é ainda mais grave porque toca num aspecto sensível da nossa vida colectiva, a saúde.

Que a saúde anda pelas ruas da amargura é um facto de tal modo evidente que até os políticos, que agora se preparam para medir forças nas próximas eleições, desataram a prometer tudo e mais alguma coisa, como se a simples eleição deles resolvesse um problema que começa na falta de profisdionais, nos baixos salários deles, na desorganização patente dos hospitais, na corrida desenfreda às urgências, nas bichas infames à porta dos centros de saúde, na falta crescente e constante de médicos de família para não falar nos concursos que ficam semi-desertos.  

Eu não vou sequer referir o Ministro, uma pobre diabo que não resiste ao primeiro microfone que lhe apontam para babosar trivialidades e optimismo que decerto farão uivar os pobres pacientes, ou melhor os pacientes pobres.

O SNS está em riscos de se transformar numa coisa para quem é pobre e desprotegido que agora mais de 30% dos portugueses já tem seguro de saúde, recorre aos horrendos "privados" exactamente como fazem os beneficiários da ADSE que, para o efeito vem os seus ordenados agravados de forte percentagem para financiar esta organização baça e fechada. De qualquer modo, é a existência da ADSE recentemente alargada a mais umas centenas de milhar de funcionários que vai permitindo que os hospitais públicos ainda nõ tenham sido atingidos por uma avalancha de doentes que, à cautla, desaguam nos hospitais privados mesmo que isso signifique, e significa, mais um desembolso por vezes vultuoso de euros. 

O SNS está pois colado a uma imagem que, como o retrato de Dorian Grey, se vai paulatinamente degradando. Com a rapazisse esparvoada do ponto de vista, a coisa piorou vários graus e atingiu mesmo o grau zero da obscenidade tola.  

Eu não quero o mal de ninguém, menos ainda enviar um rapaz para a fila do desemprego mesmo se tudo parece indicar que o seu jeito para o trabalho é escasso mas menos ainda quero que alguém com as suas declarações agrave e ofenda o mal de todos os que não tem outro remédio senão acorrer ao hospital público. 

Espero que o sr Presidente da comissão executiva do SNS tenha um momento de lucidez e salve a comissão daquela presença inútil e provocadora.

 

 

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