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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 874

mcr, 12.01.24

este país não é para velhos.

Nem para novos!

mcr, 12-01-24

 

 

850.000 jovens saíram do país nos últimos dez anos! 

É obra! Sobretudo se tivermos em linha de conta que o país que repele os seus jovens (que pelos vistos fazem parte da "geração mais bem preparada de sempre") trata de modo infame os seus velhos atirados para a terra de ninguém das reformas baixíssimas, das casa energéticamente deficitárias, das terras abandonadas do interior onde boa parte dos serviços já não funcionam, bem que temos um retrato que contrasta violentamente com a imagem prazenteira que o dr costa vai mostrando agora correndo de inauguração em inauguração, de pré inauguração em outra pré que pode mesmo ser pré-pré, num esforço de mostrar que fez obra  (até o tgv em bitola portuguesa. valha-nos Deus...) que de tão feita nem se vislumbra.

O destino dessa juventude que desanda daqui para fora e encontra na Europa e no Canadá perspectivas de emprego que cá não se encontram (até na Noruega onde o frio é de rachar, ou no Reino Unido que está fora da UE) é indubitavelmente tornarem-se estrangeiros com uma vaga lembrança da língua do país onde nasceram, cresceram mas não encontraram trabalho decentemente retribuído nem casas a preço acessível.

É verdade que desde, pelo menos, o seculo XVIII, Portugal foi país de emigrantes que fizeram o Brasil, mais tarde outros países americanos, depois as colónias e finalmente descobriram as franças e araganças. todavia, na maioria dos casos estes emigrantes saíam do campo sáfaro e pobre, de famílias pobres, analfabetas e numerosas. Algumas vezes os que estavam a mais nas zonas menos ricas conseguiam empregar-se nas cidades do litoral ou nas zonas que se ima industrializando lentamente. 

Porém no final do século XX e nestes vinte e tal anos do XXI  foi o interior que quase morreu, e, apesar  de a fixa litoral ter crescido populacionalmente, houve excedentes importantes que tiveram de "dar o salto" de fugir, de emigrar, de com isso fazer a natalidade baixar desmesuradamente ( e não vale a pena vir anunciar triunfalmente que este ano findo nasceram mais quase 2500 bebés pois muitos deles sairam da emigração de desgraçados ainda mais pobres do que nós, vindos de países longínquos, Nepal, Bangladesh ou de África onde governos indignos atiram populações inteiras para os braços de guerrilhas impiedosas ou para o mar mediterrâneo quando não é para o Atlântico onde é cada vez maior a quantidade de barcos miseráveis a aportar miraculosamente nas Canárias. 

Portugal corre o sério risco de se transformar numa espécie de entreposto. manda embora os seus e substitui-os por outros damnés de la terre ainda menos agraciados pela sorte e que vão enchendo os campos alentejanos ou os subúrbios da grande Lisboa.

Os novos ghettos florescem, a pobreza mantem-se ou piora, o racismo espreita e, claro, a direita mais radical explora a situação, enquanto uma esquerda absurda discute o sexo já não dos anjos mas de minorias pequeníssimas  ou aponta o dedos aos efeitos mas nunca às causas de algum ressentimento popular . Um desastre casa vez mais próximo e cada vez mais ameaçador.

Em boa verdade, os velhos lá vão cuprindo o seu papel de morrer por aí, um pouco ao Deus dará ou graças à gripe (registam-se nestes ultimos tempos, acréscimos significativos de óbitos cujo número já começa a ser comparado ao da pandemia. 

Morrem mais velhos fogem mais jovens mas as autoridades e quem com elas convive só tem olhos para o turismo que cresce também ele desordenadamente e graça ao baixo preço comparado com outros destinos mais exóticos e, agora, temporariamente, menos tranquilos.