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Incursões

Instância de Retemperação.

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estes dias que passam 876

mcr, 18.01.24

As eleições estão já a rodar

mcr, 18-1-24

Quando digo eleições quero apenas referir a este período febril antes de se ir meter o voto na urna, ou seja à desenfreada corrida ao voto que os partidos, todos eles, sem excepção, levam a cabo.

Sou pouco dado a referir o Chega organização que deu forma clara a um profundo sentimento que em Portugal como na Europa sempre existiu e se vai engordando graças as tropeções dos partidos democráticos e também, e muito, da extrema Esquerda.  

E se cito esta é porque ela é responsável por uma frenética corrida para a frente e de olhos fechados para ultrapassar a lenta mas constante "reforma" a que ela antepõe a "revolução".

De nada serve tentar usar o argumento sólido e irrefutável do progresso das sociais democracias, maxime, das escandinavas que modificaram expressivamente as mentalidades, a qualidade de vida, o grau de segurança, conforto, felicidade  de países que nunca foram ricos e que sempre suportaram condições desfavoráveis. 

É claro que lá, também, a direita mais radical consegue aparecer mas nunca sob o fácies grotesco e ameaçador das suas congéneres da Europa ocidental.

No caso português, andou-se por aí a jurar que udo o que estivesse vagamente "à direita" do PCP era fascista anti popular, anti espírito do 25 de Abril , sei lá que mais. 

Todavia, mas ao mesmo tempo, jurava-se que o "fascismo", a herança da longa noite de quarenta e oito anos, estava desaparecida, sepultada graças ao bom senso popular, às "conquistas de Abril" (muitas delas entretanto e na altura da sua proposição foram combatidas por pífias e contra-revolucionárias). Salazar estaria morto e enterrado, mesmo se, num inquérito popular,  realizado há um par de anos, fosse votado como o mais o mais popular. 

O aparecimento do Chega só surpreendeu quem nunca olhou a sério para a restante europa. O fenómeno não se restringiu à França ou à Alemanha mas alastrou por todos os retantes países par já não falar nos "ex-socialistas" onde quase se pode dizer  que a Direita substituiu aquela espécie espúria de Esquerda que desapareceu sem deixar rasto ou, melhor dizendo, deixando um rasto de ineficácia económica e de pobreza que só alguns exaltados distraídos não reparavam. Os adeptos do paraíso socialista eram de uma miopia extraordinária logo que saíam da fronteira portuguesa. 

Entretanto a direita mais radical só esperava um porta-voz e o sr Ventura apareceu, bem falante, doutorado, inteligente e completamente despudorado. 

só assim se explica que na "convenção" tenha prometido tudo e mais alguma coisa desde o bacalhau a pataco até á promessa de fazer os bancos pagarem todas as benesses com que acena. Nisto, nesta súbita ojeriza ao capital tem farta companhia. ao ouvi-lo só consegui lembrar-me do célebre slogan "os ricos que paguem a crise" que na sua infinita verborreia juntava os banqueiros, qualquer criatura que tivesse alguns escassos bens.

Eu não sei se este argumentário terá sucesso no público que mais vota no Chega e que, pelos vistos, é menos instruído.

De todo o modo nem sequer a educação, os estudos, garantem votantes capazes pois em certos pequenos círculos educados a tentação de votar p mais à esquerda possível releva do mesmo desconhecimento da realidade nacional. dos anseios da generalidade da população e das possibilidades que se oferecem a quem aqui vive. 

como os últimos dados revelam uma enorme sangria de portugueses jovens que nos últimos anos emigraram à procura de melhores condições de vida e como muito certamente esses expatriados ou não votam cá dentro ou votam nos círculos da Europa, temos que neste campeonato duvidoso sejam os partidos mais populistas, os candidatos mais vociferantes que angariarão os votos.

Resta-me aguentar estes dois meses tremendos e tapar tanto quanto possível os ouvidos.