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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 883

mcr, 16.02.24

Something in the air

mcr, 16-2-24

 

"cal the instigators

because there's something in the air

..................

brcause the revolution's here...."

.

O sr director da Polícia Judiciária  saiu do silêncio onde melhor e mais sensatamente estaria  para vir dizer um par de coisas que não tendo a ver directamente com as tropelias do MP acabam por ser uma esfarrapada defesa da mesma instituição. 

Eu não sei o que é que durante tantos anos a PJ e o MP andaram a coligir como provas mas pelos vistos o juiz de instrução considerou todo esse trabalho inútil ou mal amanhado.

Depois, e sempre, obrigatória e legalmente, com essas tremendas provas eis que 200 inspectores invadem a Madeira para angariar ainda mais provas igualmente tremendas. 

Pelos vistos ao deserto anterior juntou-se mais deserto e ao fim de 22 dias eis que três arguidos saem dos calabouços da PJ para a tranquilidade desfeita dos seus lares.

Eu não vou dizer ao sr Diector da PJ o óbvio, isto é que 22 dias hum cárcere são uma boa receita para obter confissões. Seguramente que o distinto funcionário policial repudiaria tal acusação que, de resto, não fiz,

Porém, lembraria aos mais desatentos que numa outra época, num outro regime, uma polícia também outra, fazia exactamente o mesmo. Ou o que aparentemente parece ser o mesmo: primeiro prende-se e depois logo se verá.

Claro que nesses inditosos tempos os "detidos" podiam sofrer tratos de polé e nunca conseguiam ver a cara do advogado corajoso a que recorriam.

No entanto, a situação vivida era a mesma: presos, sem liberdade, sem saber do dia seguinte, sem conhecer tudo o que a polícia encontrava ou inventava, sem ter sequer ideia se amigos, colegas, familiares ou conhecidos tinham ou não colaborado com as !autoridades. Depois, entendo que é ao MP e não à PJ que compete falar do que se passou. Neste caso a polícia foi meramente instrumental ou pelo menos assim o  esperamos. 

É ao MP e à sua preclara Procuradora Geral que competiria vir explicar aos cidadãos eleitores e pagantesc dos impostos o que é que aconteceu, como aconteceu e por que raio de razão um juiz manda para o caixote do lixo acusações, factos(?),  situações(?) e pedidos de prisão preventiva.

Um qualquer inimigo da Democracia e da Liberdade, duas palavras que deveriam ser maiúsculas para todos e especialmente para os membros do MP, diria que há por aí uma qualquer conspiração justicialista, um comboio sem maquinista, um atropelo aos direitos mais elementares do cidadão. 

Cm uma desagradável experiência de estadias na cadeia e de saídas dela sem processo à vista, direi que talvez conviesse indagar se estas personalidades sabem o que é a privação de liberdade nem que seja por apenas 24 horas. É que dá a ideia que não sabem, E, hipótese pungente, não querem saber nem estãrão para isso, para essa maçada de pensar.

Nem sequer vou perguntar se esta marcha de valquírias sombrias sobre a ilha  (e uso a palavra valquíria com todas as suas trágicas possibilidade e efeitos) não terá sido marcada inoportunamente mesmo que eu desconfie (gato escaldado...) que não se tratou de um mero acaso ou de uma tremenda urgência. 

O MP está sob fogo. Jurista de formação, fui durante anos defendendo a difícil situação dos seus membros mas algo me diz que o que é demais, é realmente demais. Alguém tem de ser responsável, alguém tem de responder pelo que poderá parecer uma exacção. 

Não basta vir afirmar que da decisão do juiz há recurso; que o processo não foi arquivado, que continua no seu mais que acidentado trajecto.

Por outras palavras: à mulher de César não basta ser honesta. Tem de parecê-lo-

O Estado não pode, a seu bel prazer, prender e desprender cidadãos, tratá-los como lixo ou como criminosos. É que ao fazer isso, ou ao parecer fazer isso, a confiança do público desvanece-se e o resultado é o regresso a qualquer coisa que se poderia chamar tragicamente Novo Estado ou Estado Novo, esse mesmo onde juízes e procuradores prosperaram viveram subiram na carreira e nada, antes ou depois do dia 25 de Abril, lhes aconteceu.

 

O título recorre a uma  canção de Tunderclap Newman