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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 910

mcr, 04.06.24

A verdade possível e eventualmente transitória

mcr. 4-6-24

Escrevi anteontem um post sobre a imigração- Mal eu sabia que no dia seguinte, o Governo apresentaria as linhas gerais de uma tentativa de solução para o que se passa ou que António Vitorino, um velho amigo, iria dizer sobre a demolição do SEF.

entretanto um leitor (desconhecido) deixou na caixa de comentários a declaração que transcrevo. Regra geral, respondo dentro da mesma caixa mas este leitor sem tocar no problema principal vem "acusar-me" de ser manipulado pelos meios de comunicação e de não conseguir perceber o que realmente esses meios não dizem.

Eis p texto em questão

Diz algumas coisas mas mostra desconhecer uma das mais importantes ."Sob pena de sermos todos cúmplices do que a televisão nos mostra e nós consentimos". Nem você nem os outros jamais poderão mostrar a sua indignação em relação ao que a televisão (ou outros) NÃO nos mostra. Já tinha pensado que é controlado/formatado pelos media pois eles determinam o que deve saber?Também os que são cúmplices de várias coisas serão muitos porque em geral ninguém quer saber dos problemas dos outros.

Percebo que o leitor tentou sumariar o que queria dizer de modo a caber num comentário. Porém, fica-se por uma afirmação genérica sobre a opacidade da comunicação social e, de certo modo, quase afirma que esta "conspira" contra todos quantos se interessam pela coisa pública. 

Eu sou pouco (mesmo nada) dado a teorias de conspiração e tenho por certo que sem comunicação social livre não há democracia que subsista. Que haverá orgãos de imprensa, rádio ou televisão que tentem manipular os factos e os leitores é uma verdade de  La Palisse. Sempre houve e a imprensa nasceu muito com jornais claramente enfeudados a partidos, movimentos, crenças religiosas, poderes facticos e outros que estavam ao serviço não da verdade abstracta mas de interesses bem definidos. 

todavia, o simples facto deles existirem permitiu igualmente a existência de outros meios de comunicação que os contraditavam, que discutiam que apresentavam outras e diversas opiniões. 

E é isso que permite, apesar de tudo, tentar perceber a realidade tendo sempre em linha de conta a eventual possibilidade de erro, de má percepção, de opiniõ ou crença de tal modo enraizada que pode modificar a a percepção da realidade. 

Eu venho de uma época de pensamento único, balizada pela existência de uma Censura estatal que não permitia perceber o país (Portugal) tal qual era ou, pelo menos como também era. Nesses meados do sec. XX a Europa em que apesar de tudo estávamos inseridos estava dividida política, económica e socialmente. Havia uma coisa que Churchil com hábil felicidade baptizou de "cortina de ferro" onde numa das partes  também havia um regime censório bem mais brutal que o português e que destilava também ele uma verdade única  que o dia a dia contradizia sem quaisquer dificuldades. 

Tive oportunidade de conhecer alguns dos países do leste europeu e de verificar que lá, como cá havia cidadãos que, pura e simplesmente, não acreditavam em nada que os jornais (todos dependentes do Estado ou das estruturas controladas pelo Estado) narravam. 

É verdade que, os países demo-liberais também tinham jornais (e outros meios de comunicação) que falseavam tanto quanto podiam sem escândalo evidente, a realidade quotidiana.

A diferença entre uns e outros era que, para cá da cortina de ferro havia possibilidades de contradita coisa inimaginável do outro lado. 

Sou um leitor de jornais e revistas, vejo tantos noticiários televisivos (em várias línguas) e, mesmo sabendo que a verdade absoluta é inalcançável , considero que consigo aperceber-me do estado das coisas.

Tenho, aliás, uma clara propensão para não me deixar embalar por primeiras sensações e sou pouco dado a crer em unanimidades de qualquer espécie.

No caso em apreço, a imigração e o medonho panorama a que temos assistido  e que as televisões não se fartam de testemunhar fez-me escrever o post em causa.

Não estou na posse da verdade ou de tda a verdade mas que as coisas não correm de feição é indubitável.

Mesmo não pondo a criatura Ventura ou os seus oponente da extrema esquerda na mesma balança, é evidente que há um descontrolo na recepção e "acolhimento" de imigrantes que os torna vítimas  de tod e espécie de canalhadas. 

Também é verdade (pelo menos parcial) que as condições de vida, habitação e recepção de muitos dos recém chegados poderão eventualmente ser fonte de problemas  (e eles serão seguramente as primeiras vítimas)

As alminhas gentis que protestam contra as medidas agora anunciadas em nome de uma estouvada ideia sobre a bondade humana (e as afirmações sobre a famosa "declaração de interesse onde, pelos vistos, há um larga percentagem de papéis vazios) dõ meros tiros de pólvora seca num programa que provvelmente poderá ser melhorado mas que, apesar de tudo, mostra uma tentativa real de resolver um problema que, é bom assinalar, é todo ele herdado do(s) anterior(es) Govrno(s) e que foi crescendo ao longo de todo este século

E por aqui me fico. Não acredito em verdades absolutas mas recuso-me a aceitar passivamente a ideia de que somos uma espécie de títeres, mesmo se eventualmente os haja em doses mais ou menos importantes consoante a curiosidade própria, a educação, a idade ou a cultura de cada um