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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 912

mcr, 11.06.24

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lembrar alguns factos

ou 

o nariz de Cleópatra só funcionou uma vez

mcr,9-6-24

 

As comemorações do Dia D, tiveram na infeliz expressão da jornalista  Ana Sá Lopes (na sua coluna dominical anacrónica) um vencedor da 2ª guerra mundial apagado da fotografia

Trata-se do senhor yossip Visarionovitch Djugatchvilli, conhecido no século por Stalin-

Comecemos pelo princípio como dizia um imortal professor da Faculdade de Direito: A segunda guerra mundial 

Pouco antes do inicio da guerra, a Alemanha e a URSS aliam-se, assinando o famoso pacto Ribentropp-Molotov mais conhecido como pacto germano soviético. Este pacto que deixava a Alemanha com as mãos livres a leste dada a aliança russa, de resto complementado por um vantajoso acordo comercial, permitiu aos nazis invadir a Noruega, a Dinamarca, a Bélgica, a Holan,da, o Luxemburgo e a Jugoslávia. Todavia mesmo antes destas façanhas, a Alemanha e a URSS invadiram a Polónia   (17 setembro1939) que dividiram. Logo a seguir a URSS invadiu a Finlândia, parte da Roménia bem como os países bálticos com plena aquiescência dos nazis. 

Finalmente a França foi invadida e ocupada pela Alemanha. Todas estas "intervenções armadas" e concomitantes ocupações militares, tiveram lugar antes da invasão da URSS pela Alemanha.

Isto dito, significa que (e aqui vem o nariz de Cleópatra à baila) talvez as invasões descritas que tocam grande parte da Europa não teriam eventualmente sucedido se a infsm aliança não existisse Todavia, sucederam perante  a apatia do grande "irmão" soviético que em questões de anti-fascismo falava de mais e fazia de menos, de muito menos. 

Porém, há pior: o Komintern, verdadeiro dirigente oculto dos grandes partidos comunistas ocidentais, também não permitiu que estes, mesmo vendo os seus países invadidos, se mobilizassem contra o ocupante.  Há até episódios trágicos ou vergonhosos desde a corajosa oposição de Nizan, à miserável tentativa de Duclos (do CC do PCF) de tentar negociar a saída de "L'Humanité" no território ocupado!!!

 A Resistência francesa começou com conservadores, radicais, socialistas e uma contada meia dúzia de comunistas. 

Estes só se mobilizaram depois da invasão da URSS.

É verdade que, a partir dessa data os pc se consagraram à luta anti-alemã que, no caso, era também uma luta-anti-fascista. 

Portanto, e para começar, Stalin, o todo poderoso ditador da URSS, foi obviamente um aliado de Hitler durante os dois primeiros e cruciais anos da guerra.  E, ao mesmo tempo, foi o carrasco da Polónia, da Roménia, da Finlândia e dos países bálticos.

A segunda questão que é sempre atirada para a discussão é o número de vítimas civis e militares dos contendores. 

É verdade que a URSS perdeu mais de vinte milhões (e o agressor alemão também sofreu uma tremenda sangria não só militar mas civil devido sobretudo aos dois últimos anos de guerra) mas provavelmente o país que teve a mais alta percentagem de mortos terá sido a Jugoslávia (recorde-se a terrível descrição de Malaparte sobre os horrores da campanha anti-guerrilheira levada a cabo por alemães e aliados croatas   onde se enchiam cestos vindimeiros de olhos de inimigos).

Por outro lado, o poder soviético tinha sobre os direitos humanos dos seus soldados uma posição infame: eram mera carne para canhão e eram enviados para as frentes de batalha de qualquer modo. Leiam-se as descrições de algumas das principais batalhas, sobretudo a de Stalingrado (e cito Eremenko um dos primeiros generais soviéticos a relatar esta dramática vitória russa onde os soviéticos poderão ter perdido mais gente do que o famoso VIº Exército alemão de von Paulus bem como os restantes exércitos seus aliados nesta frente.)

É verdade que os alemães também não ficaram conhecidos por qualquer especial ternura pelos seus combatentes (basta aliás lembrar de novo a sorte do exército acima citado que poderia ter-se retirado sem grandes perdas assim Hitler o permitisse)

Os aliados ocidentais, pelo contrário, tinham as respectivas opiniões públicas alertadas a todo o momento pela imprensa e pela rádio pelo que tentavam poupar tanto quanto possível os seus soldados. Nada do que se passava na frente era ocultado (e aqui seria bom lembrar o caso de Patton que na Sicília esbofeteou um soldado  traumatizado tendo como consequência perdido o seu comando que só terminou já a invasão da Normandia  tinha semanas. Patton, provavelmente o melhor general desta 2ª Guerra Mundial, esteve destacado à frente de um exército fantasma cuja missão era enganar Hitler. quando finalmente lhe foi confiado um comando, logo se revelou como um fino estratego e as suas tropas somaram vitória sobre vitória  entrando na Alemanha  e quebrando a resistência dos defensores alemães.

É também, já no cenário alemão, que variam as baixas de aliados e soviéticos. contra os alemães. Mesmo as paupérrimas forças que defendiam Berlin (crianças e velhos, "Volkdturm") resistiram com especial tenacidade (só na capital do Reich terão infligido 300.000 baixas ao  adversário...

Esta feroz resistência, palmo a palmo, não tem paralelo com o que se passou nas rentes ocidentais  onde, sobretudo já em território alemão, as rendições se aceleraram, a tal ponto que os exércitos ocidentais tiveram de se deter para não entrar em Berlin antes dos russos.

Conviria ainda, relembrar que o ataque alemão à URSS se operou em três linhas  que sumariamente se poderiam definir pelos três grandes alvos Leningrado (que esteve cercada 1000 dia) Stalingrado no sul e Moscovo no centro. Um simples relance geográfico permite verificar que foram a Bielorrúsia e a Ucrânia as suas repúblicas soviéticas mais destruídas e as respectivas populações mais vitimadas. 

(um aparte: na Ucrânia houve, a princípio algum colaboracionismo local devido sobretudo à terrível repressão levada a cabo pelo poder soviético durante o período da "grande fome ucraniana" (3 a 5 milhões de vítimas para além das centenas de milhares de deportados).

Convém, porém, recordar que que terão ascendido a mais de 30% as baixas militares ucranianas o que, quanto mais não fosse, justificaria a presença de Zelensky nas comemorações deste ano.

É verdade que, no passado, houve, pelo menos, uma comemoração do dia D com convidados russos (Putin, exactamente) mas basta olhar para o que agora se passa para perceber que nenhuma opinião pública europeia, americana ou mundial aceitaria um agressor encartado na cerimónia.

Isto para não referir que, no caso concreto do Dia D, não houve qualquer participação soviética.

Poranto, ao invés do que a jornalista Ana Sá Lopes afirma, aqui não há qualquer apagamento de um dos dirigentes militares da 2ª Grande Guerra, a saber, Stalin que, esse sim, apagou que se fartou. E não só em fotografia, que o diga o fantasma de Trotsky, um entre milhares de revolucionários comunistas importantes que desapareceram assassinados na voragem da grande repressão.

Está na moda, tentar ressuscitar alguns piedoso mitos soviéticos ao mesmo tempo que não se evocam as duríssimas verdades que, desde o dia primeiro tingiram de sangue a revolução, desde a tomada manu militari do congresso dos soviets, à repressão de todas as outras correntes revolucionárias ou o aniquilamento de Kronstadt. Logo que Stalin assumiu o controlo do partido e do governo a coisa refinou e contam-se por milhões as vítimas que, convém lembrar nem sequer se limitaram ao território soviético mas alastraram em todos os lugares em que os partidos da 3ª Internacional puderam,  ou foram obrigados, eliminar dissidentes ou militantes considerados suspeitos. O relatório de Krutschev ao XX congresso é apenas um exemplo do que afirmo. Até em Portugal se tentaram apagar pessoas, basta recordar Pavel (que há um par de anos foi recordado por um livro de Edmundo Pedro com o sugestivo titulo, "Pavel, um homem não se apaga")

Para terminar, eu lembraria a algumas criaturas distraídas que, no primeiro ano da invasão da URSS pela Alemanha, ingleses e americanos forneceram uma gigantesca ajuda militar  em armas, munições, aviões, veículos militares de todo o tipo que foram absolutamente essenciais. E conviria ainda referir que para além da Europa houve mais frentes de guerra (desde o Médio Oriente e a África do Norte, sem falar da guerra do Pacífico onde os EUA, a Austrália e a Nova Zelândia defrontaram o Japão. É possível que só isso e a louca ambição de destruir o poderio naval americano , tenha impedido os japoneses  de voltar a repetir a campanha de 1905. Mais uma vez o nariz de Cleópatra não serve para pensar numa outra hipótese histórica que, entretanto, convém também recordar, assustou, e muito, o poder soviético. De todo o modo, as campanhas chinesa e manchu poderão ter impedido uma acção militar contra os territórios soviéticos do Pacífico norte.

Longede mim, e seguramente de qualquer democrata, tenar apagar Stalin da História. 

Bem pelo contrário, e à semelhança de Hitler (e mais uma centena de tiranos recentes e de variadas procedências ideológicas), convém, mantê-los bem visíveis para que a História não se repita. 

Stalin deve permanecer vivo como um slogan imbecil do PREC proclamava (Stalin está vivo nos nossos corações, uma estupidez uivada por militantes de pequenos grupos maoístas, desaparecidos, por mérito própria há um bom par de décadas. 

na gravura Stalin sorridente abençoa o pacto germano soviético