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Incursões

Instância de Retemperação.

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estes dias que passam 913

mcr, 13.06.24

eleições, vitórias derrotas & desaparições

(variações contra o mainstream comentarístico)

mcr, 12, 6-24

 

(quarta feira é um bom dia para deixar uma pequena lágrima por Françoise Hardy, uma rapariga do meu tempo de que não fui especial admirador, recordar Camões a quem  há muito perdoei ter, durante o 5º ano, sido obrigado a dividir  a dividir orações no texto dos Lusíadas, o que originou em muitos adolescentes uma fatal ojeriza ao poema e ao autor,  e sonhar sem grande esperança num volte face nas próximas eleições francesas. )

 

Algumas verdades sobre as últimas europeias: 

a afluência às urnas aumentou ligeiramente; 

o PAN, desapareceu para parte incerta: 

o Livre falhou a eleição mesmo aumentando a sua pequena percentagem eleitoral

PC e BE perderam metade dos deputados que 2019 lhes concedera

A AD manteve o mesmo número de deputados que em 2019 se dividiam por PSD e CDE. E aumentou a sua percentagem de votantes

O PS obtém o maior número de votos mas perde um deputado em relação a 209 embora garanta mais um deputado do que a AD

O Chega e a IL entram no PE cada um com dois deputados. De salientar que de 2019 até hoje a IL dá um salto gigantesco multiplicando prodigiosamente os seus votantes e obtendo mesmo mais vozes do que nas recentes legislativas nisto se diferenciando do Chega que "afocinhou" perdendo 800.000 votantes.

 

Conviria porém, ir um pouco mais longe na análise destes resultados  porque nem tudo é óbvio, sequer razoável

Assim, primeira questão: para onde foram os três deputados (PC, BE, OAN ) a que conviria acrescentar o desaparecido do PS?

Não é natural que tenham sido comidos pela abstenção a qual, entretanto, teria libertado idêntico número para a Direita à direita da AD.

O voto na Esquerda é normalmente um voto militante que poderá permitir desvios graças ao voto útil em partidos próximos, fronteiriços mas jamais  a organizações que se situam nos antípodas.

Isso mesmo terá ocorrido nas legislativas anteriores  em que foi notória a transferência de votos destes partidos para o PS possibilitando a maioria absoluta que este aliás esbanjou insolitamente como se viu.

Na altura, falou-se, com alguma razoabilidade, em castigo do BE e do PC pelas suas tontices quanto à manutenção do Governo socialista. E digo tontices para não dizer clamoroso erro político como na altura assinalei.

É verdade que o Governo PS foi um desastre, prenhe de casos e casinhos, de demissões por mau comportamento. Parecia que um largo grupo de protagonistas andava a brincar aos quatro cantinhos e ao jogo do sisudo na altura travestido em jogo do mais burro... 

Todavia, essas transferências de votos eram entendíveis. Houve claramente uma deslocação da extrema esquerda para a Esquerda moderada enquanto a Direita que se estilhaçava pela chegada do Chega, pela queda estupidamente provocada do CDS. Fundamentalmente um gigantesco e natural voto de protesto  vinha castigar uma opoiçõ inoperante e, sobretudo, um CDS perdido na vertigem O PSD parecia já nõ reunir todos os votos de cetro e direita moderada e o seu natural parceiro afundava-se sob a batuta de um jovem ignorante, presunçoso e notoriamente incapaz

Quero, também, afirmar que não misturo alhos com bugalhos  (sem desprimor para o jovem cabeça de lista da AD que, de resto, me surpreendeu positivamente, o que não significou o meu voto, diga-se já)

Todavia, também não rejeito liminarmente o facto de em eleições quase seguidas não se perceber que os eleitores (que não são parvos nem assim tão manejáveis)  poderem e deverem ser tomadas em linha de conta no que toca a tendências, humores, modas, contaminações que não se devem, sem mais, desprezar.

Assim sendo, gostaria de salientar que a hipótese mais fácil e mais razoável é a que nesta eleição houve uma deslocação para a Direita ao mesmo tempo que nesse campo o desvario radical se acalmava, retrocedia  mesmo se, em se tratando de eleições europeias, os votantes que ofereceram 50 lugares a Ventura possam não se terem sentido obrigados a um novo voto de protesto. 

Bruxelas é longe, o PE não tem iniciativa legislativa, os candidatos escolhidos são, mesmo misericordiosamente, tão medíocres quanto seria possível se é que não era o sonho de qualquer pessoa de Esquerda, de Centro ou de direita civilizada.

Na questão europeias, Ventura, sempre ele, queria ganhar. Ganhar aos dois primeiros partidos, enfim, uma miragem que  nada justificava mas que ele, outro mitómano radical à  semelhança de alguns históricos antecedentes,

 

E é isso além do péssimo cabeça de lista  que torna a derrota (relembro que é a primeira entrada no PE...) um falhanço mais violento.

Exactamente ao contrário do que sucedeu com a IL. A começar pelo cabeça de lista, Cotrim de Figueiredo, de longe o melhor candidato, o menos popularucho e, seguramente, o que mais se esforçou por europeizar o seu discurso.

Se algum partido se pode afirmar vitorioso  é este. Não ó em relação à sua primeira tentativa europeia mas mesmo no facto de nesta votação ter sido  premiado pr uma subida de votantes em relação a qualquer outra votação anterior 

Numa rápida análise sobre as campanhas  percebe-se bem a derrota do PAN com um candidato perdido  e sem ropostas mobilizadoras sobretudo sem conseguir destrinçar as agitções efémeras dos militantes ecologistas radicais e uma sensata proposta  que convencesse os cidadãos que este pequeno partido  tinha algo a dizer em questões que começam a sentir-se em Portuga.

No Livre assistiu-se ao abandono do infortunado e indesejado candidato. Durante meia campanha, a criatura andou por aí só e desamparada. convenhamos o Livre  tem um mantra, a unidade de toda a Esquerda, sem jamais perceber que tal unidade nunca existiu (excepto à força com violência bem ilustrada no passado século  durante setenta anos de poder ilimitado mas limitador soviético. Depois, enquanto os seguidores de Tavares são, dizem, europeístas e verdes, os seus parceiros distinguem-se por algum eurocepticismo quando não recusam freneticamente A Europa, o euro, a gressão russa, perdidos na saudade do "sol da terra" , 

órfãos de uma ideia e de uma ideologia marxista por fora e profundamente conservadora por dentro.  

Aliás, nem o PC representa todo,  a maioria, ou mesmo uma fracção importante do "povo trabalhador"(ou ó o povo, como agora afirma)  nem este se sente representado por ele. Há na corrida para o abismo visível desde há um bom par de eleições e mandatos, uma espécie de autismo politico, social e económico que parece incurável.

De resto foram as grandes freguesias urbanas que  salvaram por um pelo  ambos os partidos. isso foi sempre verificável no BE mas não é menos verdade no PC.

A campanha do PS  foi eficiente mesmo se ninguém tivesse dado pelas presenças de Catarina Mendes ou de Assis. Judiciosamente, o partido apostou todas as fichas na senhora Temido e no populismo inenarrável que ela pratica com talento, entusiasmo e descaramento.

quanto a temas europeus apenas foram pressentidos. Queira-se ou não, Pedro Nuno Santos precisava de uma vitória por curta que fosse . Teve-a mesmo perdendo um deputado, coisa em que ninguém reparou ou quis reparar.

Como diz Montenegro, ganha-se ou perde-se por um voto. E mesmo por "pouco, poucochinho, o PS averbou mais votos do que a AD. As festividades ainda não pararam mesmo que se possa perguntar a razão de tanta alegria e foguetório-

A AD cumpriu os mínimos ,Subiu a votação, manteve os mesmíssimos sete lugares e não conseguiu atrair nenhum ou poucos dos votantes que abandonaram (momentaneamente?) o Chega. O jovem cabeça de lista, fez mais do que se esperava para um neófito na chamada politica politiqueira de rua. 

Não vale a pena, outra vez!, vir perguntar o que teria acontecido com alguém mais conhecido do público. Para alguém que apenas declara 28 aninhos mas muita ambição, io resultado é francamente consolador.

Acusou-se o Governo de se ter imiscuído na campanha. A pergunta que se poderia fazer é apenas esta: que Governo não tenta o mesmo? Ou, de outra maneira (mais simpática...) deveria o Governo fazer greve de governação e de anúncios para manter a campanha  no seu notório nível comicieiro e redutor?   

Finalmente, e a luz dos resultados gerais e europeus em que é que fomos diferentes?

Em pouco: o bloco conservador ligado ao partido maioritário europeu manteve-se bem. O bloco socialista registou como noutras partes, um pequeno decréscimo, a extrema esquerda e os verdes perderam deputados e votantes, Todavia, pelo que toca a Portugal, não se pode dizer que a Direita radical tenha averbado um triunfo, sequer um resultado satisfatório e os europeístas continuam com uma boa vantagem Os "russistas" e os seus aliados objectivos da Direita radical  não atingiram qualquer objectivo sequer sofrível. 

É verdade que o futuro mapa do PE é diferente do actual mas não se prevê nenhum especial desconforto nas grandes opções até agora prosseguidas. 

Por cá, parece começar a afastar-se a hipótese de crise imediata e o golpe de mestre do anúncio de apoio a António costa poderá impedir alguns excessos pedronunistas. A linguagem poderá não mudar mas, na prática, é provável que doravante haja mais diálogo entre os dois grandes partidos centrais O gerigoncismo já tem atestado de óbito não só pelas perdas de influencia de PAN, BE e PC mas também porque, apesar de tudo a Direita teve mais deputados europeus  mantendo, de resto, a mesma maioria consagrada nas legislativas.

 

Agora, mas isso é outro e mais formidável combate, resta-nos esperar que na França seja contida a onda lepenista e que na Alemanha o SPD perceba porque razão  é ultrapassado pela AFD (que aliás não surpreendeu ninguém ao obter grande parte dos seus votos nos antigos territórios da República "Democrática" Alemã). Também aqui como em alguns ex-membros do Pacto de Varsóvia se verifica  a verdadeira natureza do antigo regime criado pelo poder soviético. 

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