Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 591

d'oliveira, 07.10.21

Ninguém protege o consumidor

mcr 7.19.21

 

 

Fui á dias comprar um Iphone 11. O motivo era simples: queria poder aumentar à vontade as letras coisa que o anterior, ainda em óptimo estado, não fazia ou não fazia com eu desejava.

O vendedor da apple, atencioso e cuidadoso, tratou de tudo, ou seja tratou de mais. 

Quero com isso dizer que não só me fez um seguro como, por acréscimo, me tornou cliente de duas empresas que devem ser maravilhosas, fornecer coisas extraordinárias mas que a mim nada me dizem, Parece que essas duas empresas vem de arrasto com a seguradora.

Eu, já o disse várias vezes, faço parte dos neanertais telemovisticos que usam o diabo do aparelho para trocar breves mensagens e pouco mais. Não quero música (que não sai tão bem quanto nas aparelhagens sofisticadas e caras que há muito tempo escolhi), não quero jogos (ainda por cima em ecrã pequeno) não quero o what+s up (de que não necessito). Portanto para mim chega um aparelho fiável que me faça estar em contacto com as pessoas que prezo e nada mais.

Foi isso que eu disse ao jovem e entusiástico vendedor que, entretanto me assegurou que a questão do seguro (primeiro mês gatuito...) era de fácil resolução caso o não quisesse E que para transferir os meus dados do anterior aparelho para o actual, tratar de arranhar uma protecção, era mais fácil aceitar o seguro que, em duas penadas, nos dias posteriores poderia anular.

E que fosseà loja para ele me ajudar. 

Eu estava cheio de pressa, tinha, ainda por cima, de ir almoçar pelo que irreflectidamente  aceitei.

E hoje fui à loja munido com os três folhetos (seguro, hubside e cyrana) onde estavam escritos pelo vendedor uns códigos. 

Primeira, o vendedor não estava, seria o diada sua folga ou entraria ao serviço mais tarde.

Quem o substituía começou por dizer que tinha de ser eu a resolver as anulações.

Obrigou-me, muito a contragosto, a declarar-lhe que era licenciado em Direito e que só aceitara o seguro provisoriamente de acordo com as instrucções do vendedor. Que fora este quem me dissera para voltar à loja para tratar de, eventualmente, renunciar ao seguro. E ameacei ir até à direcção da loja ou onde fosse necessário para resolver uma situação que, em boa verdade, fora criada apenas para facilitar o processo de venda.

Chegados que fomos a esta indirecta ameaça, o rapaz que me atendia prontificou-se a ajudar-me como “mero consultor” a tratar da anulação do seguro. A coisa foi muito menos complicada do que eu temis, sobretudo por que cortei cerce a tenativa de me explicarem as excelências do seguro e os horríveis perigos que ameaçavam o meu novo telemóvel. Também, e de modo cortante, recusei-me a explicar porque não queria o seguro. E Este lá foi anulado. Seguidamente, tive que fazer mais duas chamadas para as empresas hubside e cyrana onde se repetiram os mesmíssimos passos. 

Devo dizer que fui atendido com correcção, que não insistiram demasiadamente no pedido de justificação para não querer as maravilhas que desinteressadamente me prodigalizariam. Em pouco mais de meia hora, fiquei livre destas generosas e bem intencionadas organizações que só queriam o meu bem a troco de uns magros euros. 

Entretanto, o meu ponto é outro.

Sou cliente da apple há mais de trinta anos. Nunca comprei telefones ou computadores de outra marca. Estou satisfeito com a marca, com a assistência (que não é prestada por eles, aliás). Só não entendo como é que esta empresa, uma coisa gigantesca, quase a maior do mundo (ou pelo menos uma das mais lucrativas) se rodeia desta miríade de empresas de serviços que só complicam a vida a quem pretende contratos simples, eficazes, e de serviços indispensáveis mas mínimos.

E sobretudo: não se entende, ou entende-se demasiado bem, esta insistência recomendada aos vendedores para impingirem quase à mão armada, estes serviços aos clientes. 

Não vou ao ponto de afirmar que a mera transferência de dados de um telemóvel  antigo para o recém comprado, seja usada quase como moeda de troca para os contratos acessórios ao de seguro. 

Todavia, tenho verificado que, agora, por qualquer compra deste género, lá vem sempre a ladainha do seguro. E seguida de garantias de tudo fácil e rápido que depois, se queremos denunciá-los se transformam em dificuldade de todo o género.

   

Recordo que uma vez, me deixei tentar pelo facebook. E lá me inscrevi. Ao fim de um par de horas já tinha uns extraordinários pedidos de “amizade” que incluíam até, julgo duas criaturas desconhecidas. Atarantado, achei que o melhor era sair daquela coisa. Demorei umas boas três horas para conseguir desinscrever-me. Ou mais.

Durante anos, fui recebendo tentadoras mensagens para me voltara inscrever. Macaco de rabo pelado, nunca fui nessa cantiga e ainda estou vivo. Nem facebook, nem instagram, nem what’s up com todo o seu cortejo de invasões da vida privada. Nunca percebi qual o gozo de escrever duas tretas e, em troca, receber um “like” como se isso fosse resposta fosse ao que fosse. 

Sei que, mesmo assim, não estou inteiramente fora do sistema, basta-me usar o Google, fazer compras via internet, aceitar (muitas vezes sem escapatória) o uso de cookies, para o meu pobre nome estar lá à mercê de uma caterva de hienas semi-comerciais prontas a retalhar-me o velho e pouco funcional cadáver, para extorquir dele o que ainda puderem roer. 

Este novo mundo, novo para quem já leva muitos anos do século XX às costas, não é assim, a meus olhos, tão exaltante como o pintam. 

Todavia, é o que há e a má sorte um sorriso mesmo se amarelo. 

No entanto, hoje, ao fim desta manhã, sorrio e penso que já ganhei o dia. Menos três percevejos electronicos a comer-me os escassos lombos.  

  

4 comentários

Comentar post