Governar sem limites
“Como é que uma sociedade com transparência e maturidade democrática pode conferir tamanhos poderes a alguém que não foi escrutinado democraticamente", questiona o primeiro ministro e líder do PSD, sem se dar conta que os Juízes do TC foram designados, maioritariamente, pelo PSD, pelo CDS e pela Assembleia da República, que Passos Coelho controla.
À questiúncula do Passos Coelho, bem poderíamos colocar matérias bem mais sérias e profundas. Essas, sim, preocupam os portugueses e exigem uma resposta colectiva. Por exemplo:
Como é que uma sociedade com transparência e maturidade democrática reconhece legitimidade a um primeiro ministro que, apesar de escrutinado democraticamente, governa contra tudo o que disse na campanha eleitoral; afronta as instituições democraticamente constituídas; instrumentaliza o Parlamento e até o Presidente da República?
Como é que uma sociedade com transparência e maturidade democrática a aceita um primeiro ministro que se prepara para aprovar leis com o único fito de “testar” a posição do Tribunal Constitucional?
Como é que uma sociedade com transparência e maturidade democrática pode aceitar um Presidente da República que aceita ser instrumentalizado pelo Governo que ele, enquanto Presidente, deveria supervisionar no plano legislativo?
