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Incursões

Instância de Retemperação.

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homem ao mar 39

d'oliveira, 20.05.21

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Liberdade vigiada 17

Os “desastres” de Costa

mcr, 20 de Maio

 

Presumo que a maioria dos leitores (a menos que sejam “arqueológicos” como eu próprio) não conhecerá a sr.ª condessa de Ségur, aristocrata russa tornada francesa pelo casamento com o conde de Ségur, mari volage que, apesar disso lhe terá feito oito filhos. A referida senhora, deu em escritora já tardiamente e os seus livros foram considerados muito educativos mesmo se nem sempre a perversidade esteja ausente dessas páginas em que Sofia foi a heroína preferida. De todo o modo, “os desastres de Sofia” tiveram uma longa vida e, era eu rapaz, ainda se vendiam bem.

Dito isto, passemos ao nosso Costa, homem hábil e inteligente que, porém, como muitos da sua igualha, não se sabe rodear senão de cortesãos. Estes, além de terem uma espinha demasiado flexível, não são conhecidos por especial discernimento mas antes por acreditarem piamente na vulgata ideológica fornecida pela Jota, ou pelas jotas concorrentes.

E foi assim que, sem perceber por que ínvios caminhos se iria meter, que costa embarcou em dois elefantes brancos, a TAP e a saga do BES.

Comecemos pela primeira, uma herança pesada e pomposa que só teve razão de ser durante o Estado Novo mais exactamente durante o período colonial que vai de 1950 a 1974. Sobretudo nos últimos anos, quando boa parte do espaço aéreo estava vedado a Portugal, a TAP era o modo mais rápido de ligar a “Metrópole” às colónias africanas, sobretudo Angola, Moçambique e Guiné.

Com o fim do “Império” boa parte da razão de ser da TAP desapareceu. Claro que houve logo quem, apressadamente, se lembrasse das “comunidades” portuguesas, da diáspora lusitana. Seria bom recordar que, no caso das comunidades na Europa, todos os anos, pelas férias de Verão se assiste a uma gigantesca ponte automobilística entre a Suíça, França, Alemanha, Benelux e a pátria. O avião, e nesse capítulo, a TAP competia – desfavoravelmente – com outras companhias europeias. Quanto à diáspora extra-europeia (Brasil, Venezuela, EUA ou PALOPS) convenhamos que, mesmo aí, o papel da TAP antes da privatização era menor, para não dizer mínimo.

A mediocridade que se pretendia progressista entendeu que a TAP devia ser nacional, nacionalizada, nossa. O resultado foi o que se viu. O accionista principal saiu com uma centena de milhões e o homenzinho português que só lá estava como adorno ficou por puro “patriotismo”. E veio a derrocada que a pandemia ampliou descomunalmente. Porém, a derrocada era evidente, iminente mesmo antes. Agora, o Tribunal Europeu ou algo do mesmo género, considera que os cacaus entregues à TAP não são exactamente legais. E mandou, pediu, solicitou (usem o que mais vos convier) informações que permitam validar tais adiantamentos. Por cá, finge-se que a coisa é com a Comissão Europeia e que se trata de uma mera formalidade. Não é, como se irá ver brevemente mesmo se esta ajuda possa passar como o camelo pelo buraco da agulha.

 

O 2º desastre tem a ver com a saga BES. Só que este caso é indissociável de uma situação muito mais ampla e com fortes repercussões políticas. Tomemos o exemplo do BP. Já alguém pôs em causa algum outro Governador que não fosse o dr. Carlos Costa. Mas este só exerceu dois mandatos, E antes, quem era? Quem foi o Governador do Banco de Portugal a partir, digamos de 2000? Eu não quero maltratar o dr. Constâncio mas recordo-me, ah memória malvada!, de já nessa altura haver quem o achasse demasiado obsequioso com a família Espírito Santo. Mas não só Já antes de 2010 havia, na banca portuguesa, um largo par de flibusteiros que se movimentava com um à vontade excessivo (e pelos vistos criminoso). Gente que comprava acções com empréstimo do próprio Banco, gente que obtinha empréstimos sem prestar as garantias necessárias e suficientes, gente que chegava às administrações de outros bancos ( o caso da CGD é paradigmático) sem saber ler nem escrever. E por í fora.

O dr. Constâncio foi para a Europa e a herança dele caiu em cima do dr. Costa (Carlos). O dr. Costa desandou mas o negocio da venda do BES, do banco bom e do mau (e ninguém fala do péssimo que, por coincidência e graçola, é chamado “bom” também teve o actual Governador na altura na pele de ministro das Finanças.

De toda esta fossa comum os portugueses só sabem que a coisa já custou cerca de quatro mil milhões. E que vai inexoravelmente custar mais.

O dr. Costa jura a pés juntos que esse dinheiro é de um Fundo de Resolução e não dinheiro dos contribuintes. Eu, que não percebo nada disto, mas que já vi muito, tenho uma certeza. Quem vai pagar a factura é o mexilhão. E esse chama-se povo português. Aliás, nesta comissão de inquérito que tem ouvido uma série de grandes devedores com falta de memória (ou de escrúpulos?) houve um cavalheiro que afirmou que o dinheiro do dito fundo era, e cito, “público”!

Os leitores que aqui esforçadamente chegaram perguntarão se isto, estas historietas mal contadas chegam para abater um Govrno. Num país normal chegariam mas não estamos num país normal. Estamos na terra dos Cabritas, dos Galambas e uma pobre deputada que foi ministra e acha que Cravinho está “tótó” (Melhor dizendo, talvez não ache mas, à cautela, deixa, a ideia no ar... )

Este Governo aguenta-se por duas razões: uma chama-se Rui Rio e o seu PSD. Outra chama-se “geringonça”. Esta acha detestável Costa e a política “de direita” do PS mas na altura devida, ampara o homem e permite-lhe governar. Por duas razões: está em perda declarada de eleitores e precisa desesperadamente de os reconquistar. Ora isso só é possível com Costa a aceitar dar mais uns bónus ditos sociais que os outros reivindicarão como seus. Costa, que, é inteligente, também sabe que se isso trava ligeiramente a queda dos aliados também lhe traz para o regaço mais eleitores.

Ao contrario daquele slogan (anti mpla?)”de vitória em vitória até à derrota final”, Costa ensaia um outro: “de desastre em desastre até à vitória eleitoral”

Esta é, pelo menos, e de momento, a minha tese. Mas não ponho a mão no fogo por ela. E isto é apenas um blog...

 

 

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