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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

homem ao mar 44

d'oliveira, 25.05.21

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Liberdade vigiada 22

Arrombar portas escancaradas

mcr, 25 de Maio

 

Comecemos por um pedido de desculpas. Ontem, quando referi os jovens ocupantes da via pública que exigiam mais ferrovia e menos aviões, não transpus bem o texto (já explico)e faltou-me um parágrafo.

Eu escrevo estas crónicas num rascunho que normalmente, com mais ou menos uma vírgula é rigorosamente idêntico ao texto que depois entra para o blog. Faço-o apenas para não acontecer, como já por várias vezes sucedeu, perder o texto numa das pirotécnicas habilidades computacionais.  Quem, com esforço desmedido e infinita paciência me acompanha desde o início aqui, sabe  como é que um um info-ignorante aqui entrou e por que ínvios caminhos passou. Um desastre devido a ter chegado tarde a este meio e ser de uma repelente preguiça, pecado mortal que cultivo com cuidadosa e fiel observância.

Portanto não perguntem que eu não respondo. Por absoluta ignorância, devo acrescentar.

E o parágrafo era este. “Vir para a rua protestar contra o transporte aéreo quando este é escasso e, sobretudo, quando, finalmente se antevê (e se assiste, já) a um incremento na ferrovia, é um arrobar de porta escancaradas. Até o plano (enfim aquilo a que chamam plano) de gastar o cacau da bazuka afirma, preto no branco (ou africano no europeu...) que se prevê o fim muito próximo de voos com menos de 600 quilómetros”.

E acrescentava “é verdade que não se deve tomar por palavra de bronze a promessa do Governo mas aqui, até o mais acirrado defensor da TAP esbarra numa evidência. É a Europa que vai ditar o fim dos voos de curto alcance. E, será o futuro desenvolvimento do turismo que ditará o local do eventual futuro aeroporto se este se vier a revelar necessário. De todo o modo, e já que Governo, restauradores, operadores turísticos, hoteleiros, rapaziada do tuk-tuk e das lohas de recordações insistem na dependência do turismo, parece que a cruzada desta juventude vai ter um fim idêntico à cruzada das crianças (esc XIII)que, como se sabe culminou na morte de muitas vítimas e na venda das restantes como escravos.

Eu não quero tão tenebrosa sorte para esta rala centena de mancebos tocados pela graça ambiental mas tenho por mim que , causa por causa, poderiam ter ido até às zonas suburbanas onde largos centos de imigrantes sofrem os mesmos tratos de polé que os de Odemira. Claro que teriam de andar mais um pouco mas que era bonito, era.”

 

Feita a retificação, passemos a outro assunto, bem mais grave e mais importante: na Bielorússia, um governo criminoso, autocrático e batoteiro de um punhado de gangsters de alto gabarito, entendeu poder desviar um avião estrangeiro partido de um aeroporto estrangeiro e com destino também noutro de outro país.

A finalidade desta manobra que poderia ter terminado em tragédia, caso o piloto do avião pirateado se recusasse a obedecer às ordens da aviação militar bielorussa, era prender um passageiro que se notabilizara pela resistência ao criminoso e ilegal regime de Lukaschenko. O que foi conseguido com um prémio extra. Prenderam também a namorada do jornalista perseguido que enfrenta todo o tipo de ameaças à sua vida, segurança e liberdade.

Tudo isto pode ocorrer num país limitado pela Ucrania, Polónia russio e pels estados bálticos. Vejamos: a Ucrânia já tem problemas que lhe bastem com a Rússia. Os Bálticos são pequenos países que, mesmo se corajosos, não tem meios de se opor à Bielorussia, estado acossado e capaz de tudo. A Polónia, democracia cada vez mais iliberal se bem que tenha protestado não vê com olhos demasiadamente severos o tiranete de Minsk. à Rússia basta um pretexto para intervir a favor do déspota.

Eu não sei o que vai sair da reunião da União europeia, agora em curso. Claro que poderão reforçar algumas medidas, proibir os voos da aviação civil bielorussa, , vetar a presença de eminentes membros da nomenclatura local n Europa ou cortar-lhe eventuais fundos. Tudo isso não me parece suficiente para libertar o jornalista, sequer a amiga mesmo se esta puder ser usada um pouco como moeda de troca. Temo pela vida do infeliz oponente  e suponho que à Bielorússia de pouco importe que a aviação civil europeia evite o seu espaço aéreo. Enquanto o amigo russo estiver atento, Lukashenco tem o lugar seguro E mesmo se tiver de ser removido, os russos manter-se-ão senhores da situação.

As tiranias, veja-se o exemplo da Birmânia (ou Myamar se preferirem) que ainda agora se deuao luxo de mostrar Suu Khi a detida primeira ministra apeada. Dizem os jornais que a senhora, que governou com demasiada prudência e cuidado para não irritar a irritável Junta militar, arrisca uma pena de prisão longa.

Não vale a pena tentar viajar para outas latitudes, por exemplo a Arábia Saudita cujo governo raptou e eliminou em solo turco um outro opositor. Aliás a Turquia é um bom local para tiranos com se vê desde há anos. E por aí fora. Até no seio ca pretensa comunidade lusófona há um país a Guiné Equatorial onde qualquer ideia de democracia é apenas um sarcasmo.

Fique todavia, registado o protesto deste escriba que é cada vez mais incrédulo quanto à eficácia da opinião pública mundial neste género de questões.

Entretanto, Lisboa contabiliza cada vez mais infecções, Braga (também campeã mas mais moderada) idem. Sempre quero ver se a DGS se atreve a fazer Lisboa recuar no desconfinamento. Vai uma apostinha?

* na vinheta: manifestação em Mnsk     

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