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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

homem ao mar 54

d'oliveira, 05.06.21

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Liberdade vigiada 33

E o trabalho de casa?

mcr, 6 de Junho

 

Sexta à noite, no programa “Expresso da Meia Noite”, SIC notícias, o representante da equipa COVID da Ordem dos Médicos afirmou (e citou com números e nomes) que a exclusão de Portugal da lista verde estava regulamentada pela lei britânica que, por sua vez, fora publicada na internet.

Ou seja, a passagem do verde para o “âmbar” tinha clara regra pública e notória e não poderia nunca ser uma surpresa para as chancelarias estrangeiras, mormente para a portuguesa.

Nem sequer, se é que eles fazem o trabalho de casa, para os operadores turísticos ingleses e portugueses e, fundamentalmente, para os responsáveis portugueses pelo turismo desde o Estado até aos locais.

Na mesma mesa, estava sentado um loquaz Secretário de Estado adjunto do 1º Ministro que “ouviu e calou.

Isto quer dizer que “a surpresa, a indignação, o escândalo” manifestados pelo Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros devem ser tomados pelo que são: uma manobra para português (e não para inglês) ver. Eu não sei, nem sequer tenho competência em temas sanitários, para verificar se os critérios (publicados antecipadamente, insisto) ingleses são bons, sofríveis ou péssimos. São os critérios deles e estão conformes à lei deles.

Não há aqui maquiavelismos, truques, vontade de prejudicar os inocentes portugueses mas apenas, e só (w já chega!) uma lei britânica que se cumpre automaticamente.

É mau para nós? É. E é mau porque desde há tempos que assentámos a nossa economia num gigante com pés de barro: o turismo de massas, barato, pé descalço baseado em sol à fartazana, bebidas baratas, alojamentos baratos.

Dito de outra maneira: enquanto que turismos tradicionais (França e Itália) assentam numa fortíssima componente cultural e tradicional (o grand tour das classes aristocráticas inglesas vem desde o século XVIII) que garante, por exemplo que com sol ou chuva Paris, Florença, Roma ou Veneza vem desfilar nas suas ruas, praças, palácios e museus, uma constante multidão que regressa muitas vezes ano após ano, e garante a subsistência de uma gigantesca, bem apetrechada rede de hotéis e restaurantes que não são baratos mas garantem um rédito constante aos cofres das cidades visitadas e do país em questão.

Queiram fazer-me o favor de apontar no Algarve, atrações que não sejam o mar, a praia e a cerveja a baixo custo! E o “golf” esquecia-me do golf esse sim para criaturas um pouco mais endinheiradas que cá encontram a preço de saldo (para eles) o que na terra deles é caro, muito caro.

Todos nós vemos anualmente no litoral algarvia hordas de turistas low cost que por uma semana tudo incluído pagam menos do que os nacionais, nossos que também querem “sol sal e sul”.

Ainda há dias, aqui, no Porto, foi verem-nos aos ingleses, milhares de ingleses!, na Ribeira, nos Aliados, um pouco por todo o centro citadino a dar forte e feio na cerveja local, a estar de cara nua (ai do “lusíada, coitado” que fizesse o mesmo!) a aviar cervejola após cervejola, berrando cantigas parvas e futebolísticas, insultando algum desamparado adversário, dando-lhe mesmo umas chulipas sem que a polícia (que estava de prevenção) fosse avisada e, mais do que isso, fosse mandada intervir.

A cidade, esta cidade, precisa de libras, adora libras, tem o hábito de esmolar libras xelins e troco miúdo, teve mesmo uma feitoria inglesa em que os nacionais ficavam à porta de mão estendida. Ainda por cá há umas réstias de clubes ingleses, mais selectivos que os portugueses que coitados ainda por cima são menos confortáveis...

O século XIX, por aqui, foi o século dos comerciantes ingleses que vinham pelo vinho do Porto e que criaram boa parte das marcas que ainda hoje existem.

Em casa de meu avô, exportador de vinho do Porto, eram habituais os ingleses, o meu avô por via dos seus negócios, viveu alguns anos em Inglaterra antes de se estabelecer com marca própria exportando obviamente para Inglaterra graças aos contactos anteriormente feitos. Alguém recorda que neste vinho, nascido no Douro (cujo duque é um cavalheiro inglês!)

Há categorias (ruby, tawny) puramente inglesas, o que diz muito também da especial relação entre um punhado de colonos estrangeiros e os aborígenes locais, do Douro, de Gaia e do Porto.

Todavia, nessa época, os ingleses eram um punhado, ricos, cuidadosos, bem educados e discretos. Estes de agora, são exactamente o contrário e aparecem em hordas desenfreadas. Deixam algum dinheiro, claro, mas quero crer que passaríamos bem sem ele  ou, no caso de necessidade que o aproveitássemos mas com algumas regras. Ao fim e ao cabo, o país é, ou parece ser, nosso. As leis que são impostas ao indígena devem estender-se ao visitante desordeiro ou não. E conviria relembrar ao Governo e à patética Federação portuguesa de futebol que a final da champions só ocorreu cá porque os ingleses não a quiseram e os turcos também não. Até os turcos! Santo Deus! Até o Erdogan...

 

Esta FPF é uma coisa caricata e a prova está nesta aliança com os espanhóis. As regras da FIFA impõem para a final e a semi final desse campeonato longínquo a que se candidatam, estádios com lotações que não há em Portugal. Ou seja, os portugueses poderão por esmola, uma vez mais, ver apenas alguns dos jogos menos importantes. Os decisivos serão para Madrid e Barcelona.

Ou então a FPF e alguns clubes matreiros esperam que o Estado pague, mais uma vez!, a reconversão de alguns estádios para poderem ter a lotação mínima necessária...

   Era bom que alguém informasse o Sr Presidente da República deste facto comezinho em vez de ir festejar o anúncio de um eventual campeonato em 2030.

Já agora, deem também uma palavrinha ao dr. Rui Rio que, sensatamente, quer rentabilizar um investimento estúpido e ruinoso mas também desconhece este pequeno pormenor das lotações... A ver se a criatura atina.

Anda muita gente a dizer que nisto de santos populares há dois pesos e duas medidas: em Lisboa nada mas no Porto três espaços festivos.

Que fique claro, clarinho para militar entender: os três espaços do Porto (fechados, com  máscara e medição de temperatura) são uns sítios para comer farturas e andar no carrossel. Nada a ver com a festa gigantesca, genesíaca, total e (porque nãoª) com um toque lascivo que é o S João, o S João na rua, nas ruas, nas praias alta madrugada. O S João é a liberdade livre e não dá para conviver com o vírus filho da puta. Para o ano, se tudo correr bem, poderão ver.

*as vinhetas: "como ia dizendo..."