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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

homem ao mar 61

d'oliveira, 13.06.21

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Liberdade vigiada, 41

À 3ª vez,  a praça ficou deserta

mcr, 13 de Junho

 

Ando comeste título na cabeça há três dias. Retiro-o da linguagem dos leilões e acho-o perfeito para a situação em apreço.

O PS, nacional regional e local está prostrado pela incerteza em relação ao Porto. Há anos, muitos, que não mete o dente na Câmara do Porto, melhor dizendo na Presidência da Câmara.  Em boa verdade, se é que bem recordo, não ganha a CMP desde que o dr. Fernando Gomes entendeu ir dar uma voltinha trágica e sem sentido num ministério em Lisboa que não servia para nada. Quando quis regressar, pensou, ingenuamente, que dado o seu anterior mandato, aquilo, a vitória eleitoral, era favas contadas. O adversário chamava-se Rui Rio, uma criatura que nem entre os seus concitava todas as simpatias. Um amigo meu, parceiro de bridge já falecido, velho amigo desde Coimbra e do CITAC, o João Gama jurava que a candidatura de Rio tenha enchido de felicidade os seus adversários locais “O gajo perde de certeza e isso livra o partido de o aturar durante muito tempo, ou até talvez sempre!”

O diabo é que Rio é teimoso tão teimoso quão Gomes foi fátuo, e ganhou o raio das eleições. Saiu quando já não podia concorrer. E saiu, como de costume: mordendo a canela de um improvisado sucessor que, depois de Gaia, queria ferrar o dente no Porto. Rio, ardiloso, fez-lhe a cama e a CMP caiu nos braços de Rui Moreira, um típico representante da velha e sólida burguesia portuense. A cidade, as suas gentes, não apreciam especialmente os Xicos Espertos. Menos ainda os candidatos que tem um pé fora e outro dentro como foi o caso de escolhidos pelo PS que não davam garantias de ficar na Câmara como simples vereadores se perdessem. E não ficaram como se sabe.

Moreira foi, oportunamente, acusado de tentar auxiliar a sua família no caso Selminho. Esta história eventualmente mal contada, continuou depois de um primeiro arquivamento e há de chegar a julgamento graças a uma reviravolta  judiciária que muitos entendem ter fundamentos meta-jurídicos. Enfim o que for se verá. MAs que há por aí quem aposte numa vitória de secrretaria, ai disso não restam dúvidas...

O PS, portanto, tem estado camarariamente órfão e isso excita profundamente o aparelho local socialista. Desta feita, mesmo com sondagens pouco animadoras, jurou ganhar a Moreira. E atirou para cima da mesa com uma leque de candidatos que incluía pesos pesados da máquina nacional. Todavia, parece que tudo isso eram salvas de pólvora seca. O primeiro candidato (depois de outros nomes terem sido chumbados) apadrinhado por Costa, durou um dia, pouco mais. Tratava-se de um Secretário de Estado em funções que, pelos vistos, ninguém conhecia. Ou conheciam mas não apreciavam. O homem tinha sido uma episódico Presidente substituto de Matosinhos (baluarte socialista) mas a coisa acontecera apenas por ter ocorrido a morte do presidente em funções, de resto ml relacionado com várias facções socialistas locais.

Da sua passagem (que continua, presume-se) pela Secretaria de Estado da Mobilidade (que será aquilo?) não há novas nem mandados. O seu nome não era conhecido  na cidade. Aliás, agora que desistiu ao fim de uma longa candidatura de 24 horas, já sabem quem ele é mas creio que nem por isso o creditem com alguma possibilidade de carreira autárquica sul de Matosinhos.

Depois falou-se numa senhora deputada “independente” de seu nome Rosário Gamboa. Foi sol de pouca dura porquanto, foi a própria que recusou ser lançada Às feras.

Havia, num horizonte pródigo de promessas um nome: o sr José Luís Carneiro. Parece que este cavalheiro, secretário geral adjunto do PS, acarinhava na sua resplandecente cabecinha, o desejo de se presidente da “Invicta”. Não sei se era verdadeiro esse enlevo autárquico mas, na verdade, a referida criatura providencial fez saber por comunicado que “está indisponível”!

Uma maçada tremenda tanto mais que o tempo urge. Rio, sempre ele, jura a pés juntos que os embaraços do PS são mais um frete a Rui Moreira, esse ingrato que tem toureado e bandarilhado o PPD.

A esquerda tripeira também acusa o PS, mas esta esquerda local também se entre-acusa, e de todo o modo nunca foi mais do que um pião das nicas nas tricas autárquicas. É irrelevante na cidade e pode ainda vir a ter sérios dissabores com o Chega que poderá ter algum pequeno êxito nos bairros mais populares.

No Porto, este campeonato foi sempre entre PS e PPD. Só mais recentemente, como se vê é que apareceu a versão “independentes centro-direita (com eventuais centro-esquerdistas a darem uma ajudinha).

Neste momento, o que se discute, é a proibição de S João à maneira tradicional. O que a Câmara propõe é apenas uma festarola controlada, de máscara, febre tirada à entrada de três recintos fechados, farturas, carrossel e pouco mais. O São João das ruas, a noite encantada, as rusgas, o alho porro e tudo o resto (e nem vos digo nem vos conto de que resto falo, oh saudades absurdas) fica adiado. Mesmo se a cidade não tem os números de Lisboa, nem perto disso, não há quem queira arriscar.

Como também não há já quem arrisque um palpite viável para a candidatura socialista. À falta de melhor porque não candidatam um martelinho de S João. Perdiam à mesma mas a malta livrava-se dessa coisa horrenda...    

* a vinheta: o abominável substituto plástico do alho porro, da erva cidreira, das flores de cheiro.