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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

homem ao mar 62

d'oliveira, 15.06.21

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Liberdade vigiada, 42

De que é que se queixam?

mcr, 15 de Junho

 

Já aqui o disse mas volto a repetir: não fomos vítimas de nenhuma artimanha inglesa mesmo se a “velha aliada” é capaz de tudo nas relações internacionais.

Todavia, no caso do turismo, a verdade é que eles tinham editado um par de regras que deveriam ser conhecidas de toda a gente sobretudo dos operadores turísticos algarvios (e também dos lisboetas, já agora).

Tais regras cuja necessidade não discuto eram claríssimas: acima de um determinado número de infectados no país a visitar impor-se-ia a regra da quarentena no regresso.

Isto era público como a equipa covid da Ordem dos Médicos, pela voz do seu  responsável, revelou num programa do Expresso da Meia Noite (SIC notícias).

Portanto não houve, neste caso, qualquer rasteira, mas apenas a aplicação estricta da lei inglesa em Inglaterra ou, melhor, no Reino Unido. Em Portugal, não especialmente no Algarve, os números passaram a barreira e  a consequência foi o país sair da lista verde.

Por cá foi um coro de virtuosas indignações. Mesmo os “especialistas” saíram a terreiro afirmando que os britânicos eram uns malvados, uns ineptos e, seguramente, ao serviço de uma qualquer internacional anti-lusitana. Estes especialistas lá saberão do vírus mas vê-se que leem pouco, muito pouco...

Uma dúzia de dias depois, qual é a paisagem infecciosa de Portugal? Pois uma alegre curva a subir forte e feio sobretudo na região de Lisboa. Só aí, verificam-se mais de metade das infecções no país.

Aliás, basta ver as reportagens televisivas para perceber  que algo corre mal no reino de Portugal. É o Bairro Alto completamente abarrotado de criaturas jovens, cara destapada, copo em punho; são as praias apinhadas apesar das famosas regras anunciadas, dos semáforos, das bandeirinhas.

Lisboa e a região estão a milímetros da barreira do desandar para trás se é que o Governo tenciona respeitar a sua anunciada vontade. Permitam-me que duvide pois sei como é que estas coisas funcionam e não tenho grandes dúvidas sobre uma eventual moscambilha sanitária. Para atrás anda o caranguejo e mija a burra, dirão os contraventores que já tinham feito o Sporting apesar de um e-mail policial oportunamente perdido nos ínvios corredores camarários. (A Câmara de Lisboa é mais perigosa que o labirinto do Minotauro e ali pode ocorrer tudo , mesmo quando isso possa acarretar violação grosseira da lei. O angélico presidente da Câmara, os inocentes vereadores, a pacífica multidão de assessores e mais um batalhão de burocratas ociosos entretêm-se a verificar se não há teias de aranha nos lustres do salão nobre mas esquecem-se do resto.

Eu não sou dos que dizem que houve delação na entrega À Rússia e antes a Israel, À China e à Venezuela dos nomes de organizadores de manifestações mesmo se o efeito é exactamente o mesmo. Houve apenas desleixo, incompetência, desprezo pelos direitos de cidadãos que se acolhem à proteção dos seus direitos, honra e vida em Portugal)

Agora, num outro sector, em que há várias entidades a responsabilizar temos que houve uma feta de aniversário com quinhentos convidados e cerca de 15% - para já pois não se sabe se houve assintomáticos – de infectados. Casamentos com pequenas multidões e idêntico número de doentes. Baptizados, idem, aspas, aspas.

Ora bem, se já foi possível identificar essas festas de arromba, pareceria natural que organizadores e participantes fossem convenientemente autuados. Conveniente e fortemente autuados, que diabo!

Alguém quer apostar que algo acontecerá?

Ora, os ingleses, que ontem mesmo, adiaram por mais um mês o desconfinamento local, sabem como este país funciona. E sabem de certeza que todos os dias cerca de metade dos novos infectados estão em Lisboa.

E Lisboa, juntamente com Faro é uma das entradas no país. Provavelmente, a principal. Trocado em miúdos, Lisboa prejudica o turismo. E prejudica-se! Ou antes, alguma, bastante, da população de Lisboa, está apostada em lixar o mexilhão porquanto o covid está, de novo e cada vez mais, a bater na rocha.

No meio disto tudo, algo de estranho ocorreu. O Sr. Presidente da República, naquela linguagem sibilina que usa quando lhe convém, asseverou que o desconfianamento não ia voltar para trás! Não sei se ele previu a excepção de Lisboa no caso das piores previsões se concretizarem, se mandou algum recado ao Governo ou se se distraiu, coisa que nele seria surpreendente...

E por falar em surpresa: alguém tirou um coelho da cartola. O PS portuense já tem candidato à CMP: trata-se de Tiago Barbosa Ribeiro, um apoiante de Ana Gomes e pelos vistos do independentismo catalão. Fora isso é o líder da concelhia socialista. Apesar de ser deputado pela segunda vez, não é exactamente uma “personalidade” portuense ou que os portuenses conheçam bem. É a 3ª ou 4ª escolha a sair da confusão em que o PS local parece ter-se metido. O fantasma de Rui Moreira paira sobre o partido mas, pelos vistos, este ex-bloquista  passado ao PS entendeu enfrentá-lo. Não espera a vitória mas lá saberá que está a fazer currículo.

 

 

Entretanto, acabo de saber que hoje, terça feira, ficamos ligeiramente abaixo de 1000 novos casos, sendo que pelo menos 600 se registam em Lisboa. Não são boas notícias, bem pelo contrário. Persisto na minha: enquanto os infractores conhecidos não foram fortemente penalizados, isto irá sempre em crescendo.  

 

(PS: não tenciono esquecer o arraial tonto e desafiador, da IL A seu twmpo, escreverei sobre essa absurda imbecilidade política e sanitária. ) 

* a vinheta: respondendo a um pedido de uma leitora eis uma "maternidade" africana (Congo)