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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

homem ao mar 63

d'oliveira, 16.06.21

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Liberdade vigiada 43

“Portugal dos pequeninos”

mcr, 16 de Julho

 

A Iniciativa Liberal apresentou-se à sociedade como um partido responsável, interessado, em colisão com o excessivo centralismo burocrático português e com algumas ideias arejadas em uso nas formações de centro direita.

A candidatura de um seu militante para Presidência da República permitiu pensar que nesse espaço político havia ideias e combatividade suficientes para fomentar uma discussão pública capaz de interessar quem pretende ver os horizontes políticos alargarem-se e contribuírem para a mobilização dos cidadãos.

Mesmo sem me captar o voto, saudei a IL pela frescura e desembaraço com que vinha pontuar uma discussão fechada e soturna.

Agora, porém, eis que a IL entendeu questionar o Governo com um arraial popularucho que pretendia provar que era possível curto-circuitar um par de regras camarárias e governamentais consideradas demasiado restritivas da liberdade dos cidadãos.

Eu nem sequer vou chamar à colação as declarações, aliás justas e certeiras, sobre a ”festa do avante”, uma colheita de fundos disfarçada de festa político-partidária. Nada me move contra essas jornadas comunistas pois percebo e aceito que os militantes comunistas gostem de se encontrar uma vez por ano à volta de uma sardinhada, de uma travessa de bifanas, de petisqueiras várias. Tudo regado a boa (e menos boa) música, com barraquinhas de “souvenirs” e “recuerdos” vagamente artesanais de partidos “irmãos” e menos irmãos.

É verdade que, pelo meio, há uns discursos fervorosamente ouvidos e aplaudidos mas convenhamos que a “festa (“nã festa como esta”...) serve fundamentalmente para encher os cofres das organizações do “Partido”. Ainda por cima sem gravames fiscais de qualquer espécie! Em boa verdade, também não se conhece, no restante arco político, nada igual em militância, sacrifício, esforço pessoal e trabalho voluntário.

Todavia, no caso que ora nos ocupa, este arraial que, pelo menos na televisão, pareceu um pouco “todos ao molho e salve-se quem puder, não podendo igualar-se às famosas cautelas com que a férrea disciplina comunista impôs na Quinta da Atalaia. Se a IL pretendia provar qualquer coisa, falhou redondamente. As mesas corridas, a malta sem máscara, a falta de controlo à entrada não diferem muito do que pelas noites do bairro alto se vê.

Se era para desafiar a autoridade da Câmara abalada pelo escândalo da entrega de dados de cidadãos a embaixadas de duvidosa fé democrática (ou nem sequer isso...), falhou redondamente o alvo. As criaturas (e serão muitas) privadas das patéticas e pouco inspiradas “marchas populares”, das sardinhas no fogareiro, e de outros divertimentos próprios dos santos populares não perceberam a lição que a direcção da IL, incapaz de compreender o sentimento popular, pretendia dar.

As pessoas indignaram-se, irritaram-se e isso trará frutos que cairão no regaço dos adversários da IL.

AS frouxas explicações do sr. Cotrim de Figueiredo no sentido de justificar a vertente política desta jornada e a comparação feita entre a sua anterior crítica à festa do Avante e a crua realidade deste arraial semi-selvagem são de uma evidência pungente. A seu tempo se verá se daqui deste encontrão de gente sairá ou não mais um foco de infecção a juntar aos que já afligem Lisboa.

Pessoalmente, não sendo adepto da IL, nada daquilo me afectaria não fora a claríssima perda de algum eco discordante na monotonia política que é o nosso triste fado.

A iniciativa da Iniciativa é uma espadeirada na água e ainda por cima com poucos salpicos. Uma oportunidade perdida e, até prova em contrário, uma tola incoerência num partido que precisa de se afirmar.

E uma liberalidade oferecida de bandeja aos seus adversários e detractores...