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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

homem ao mar 74

d'oliveira, 30.06.21

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Liberdade vigiada 55

Até que enfim ou

Obrigado S Pedro 

mcr, 30 de Junho

 

Chegam ao fim os tradicionais festejos dos santos populares. Ou melhores acaba a época deles porque festejos propriamente ditos foi um que lhes deu: népia!, os três santos passaram sem deixar sombra nem rasto.

Alás, nunca entendi bem como é que três santos, a todos os títulos austeros, desde o baptista ao primeiro papa e ao doutor da Igreja, se liga uma tradição orgiástica ou pelo menos de folia generalizada.

Cá por mim, mas que sei eu?, tenho que tudo isto é ainda resto dos grandes momentos pagãos ligados ao solstício do Verão. O povo, todos os povos europeus, julgo, tem isto bem arreigado, às tantas está até no ADN: esta época dos primeiros calores, dos dias longos e lânguidos, da seiva a surdir por todo o lado, incluindo nos humanos, vem dos tempos antiquíssimos pré judaico-cristãos.

É uma espécie de doce vingança do antigo paganismo que a Igreja, na impossibilidade de o jugular inteiramente, travestiu nos três dias dos santos. O cristianismo acaba por ser bem mais sincrético do que se imagina.

Deixemo-nos, porém, destas divagações de um letrado ocioso e mais técnico de ideias gerais do que de outra qualquer e mais sábia coisa,§ e vamos ao que interessa: prenderam o Berardo.

Já ninguém acreditava nessa maravilhosa hipótese mas ontem dia de S Pedro, a criatura foi mesmo “dentro”. Claro que é apenas para ser interrogado mas, com a bênção dos três santos populares pode acontecer que ele amargue mais uma temporada entre grades.

Andávamos todos fartos daquela tosca personagem, vagamente alfabetizada, grosseira e arrogante que jurava não ter nada depois de ter feito desaparecer uma milharda de milhões (isto para já que a procissão ainda vai no adro).

A critura agoirente e sempre de negro, “va de retro!...”,  passeava a sua pífia insolência por toda a parte, jurando nada ter, nada dever, vivendo ao que se supõe de ar e vento, como um golem e retorquindo num vago português primitivo aos que o azucrinavam com umas falácias que nem sequer eram de primeira água.

Mas tinha o controlo de uma fundação que detinha uma imensa fortuna desde a Bacalhoa até à colecção de arte que se expõe em Belém e noutros locais.

E a lúgubre figura, toda de negro lá se passeava cercada de acólitos, de conselheiros artísticos  (que, por esta altura, andarão desaparecidos, cosidos às paredes, fingindo que nada é com eles – nunca é! - que nem conhecem o avejão que lhes pagava pareceres e opiniões) de advogadagem, de guarda-livros peritos em fazer desaparecer o dinheirinho de paraíso fiscal em paraíso fiscal, até se lhe perder o rasto.

A última prestação televisiva foi um escândalo: a criatura ria-se das deputadas e deputados que tentavam saber dos milhões e sempre com o ar deslavado de um urubu dispéptico levantava os membros superiores numa negação silenciosa. A Jujú “Cachimbinha”, uma do nosso velho velhíssimo grupo, botânica de primeira e temível, em seu tempo, jogadora de póquer, jurava que aquilo, aquela imagem na comissão parlamentar parecia a de um cipreste doente a querer levantar voo. Y, por seu lado, jura que tudo isto é milagre de S Pedro. Nos avoengos de Y há gente ligada à pesca do bacalhau, claro. E filho, neto ou bisneto de pescador lá tem a sua especial devoção por Pedro...

Convenhamos,: ontem foi um dia em cheio. Mesmo com a pandemia, com o ministro Cabrita que, desta vez, é desmentido pela “Brisa” quanto ao declarado sobre o atropelamento de um trabalhador de colete reflector, numa via de obras devidamente sinalizadas, ao fim de uma recta. A Brisa desmente S.ª Ex.ª e esta cala-se como uma ostra! Eu, se alguém me desmentisse publicamente, moveria céus e terra para encontrar a pessoa que assim me desfeiteava quanto mais não fosse para a tal bofetada do sr João Soares.

A propósito, o seu sucessor (de Soares)  também terá de explicar uns acontecidos com o museu e situação do espólio artístico. Já ontem alguém, cruelmente afirmava que o dr. Castro Mendes não está acusado de nada, tanto mais que é poeta e por isso facilmente enganado pelo primeiro finório que lhe passe ao alcance de soneto...

Mais sério será o caso dos cavalheiros que (alegadamente) geriam a Caixa Geral de Depósitos) e passaram para a garra do comendador umas centenas de milhões apenas fiados (?!?) na sua palavra. Essas mesmas criaturas acabaram na direcção do BCP graças à queda da anterior direcção quando o cavalheiro Berardo pontificava  entre os accionistas. Este curioso accionista comprara as acções com dinheiro emprestado pela Caixa e deixara como garantia as acções compradas que  num ápice caíram estrondosamente!

Hoje na esplanada, a conversa entre mesas batia o mesmo assunto: “aquele já foi para a choça!”, - “Mais hão de ir, respondiam uns. “Arre que já era mais que tempo”, repontava um terceiro. E por aí fora.

Por um sublime momento, esqueceu-se a pandemia, a brisa ligeira mas incómoda, as ameaças ao turismo (pudera não! Que é que o Algarve esperava quando neste momento tem 10% dos novos casos de infecção? Achavam os cavalheiros dos hotéis – e eventualmente o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros – que em breve veriam a Sr.ª Merkel surdir das límpidas águas do mar algarvio enfatiotada num “biquíni pequenino às bolinhas amarelas” (a relembrar um êxito dos Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick & Tich no programa “em órbita” (anos 60) logo traduzido e trazido para português)?

Dou de barato a não-festa dos santos só por esta notícia da prisão do comendador.

Já sei que até ao lavar dos cestos tudo é vindima. Mas este pequeno grande passo já me enche de uma maldosa, imensa, ensurdecedora, alegria.

Como se regressasse aos felizes, descuidados, anos 60 e voltasse a ouvir noite dentro “itsy beaty teenie weenie  yellow polka dot bikini” pela já citada banda chefiada por Dave Dee

*na vinheta: há fotografias maravilhosas debikinis amarelos e respectivo recheio mas, em tempos de #me too# justiceiro, arganaz e politicamente correcto, optei por esta imagem muito apropriada para a estação que começou. E assim ninguém me criticará por "coisificar" a mulher.  

          

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