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Incursões

Instância de Retemperação.

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homem ao mar 76

d'oliveira, 02.07.21

Liberdade vigiada 57

“a contra-ofensiva desculpadora

mcr, 2 de Julho

 

Esta será, espero-o, a última vez que me referirei ao acidente do carro do ministro Cabrita.

E só continuo a cavar nesse caso porque, em editorial do “Público”, Manuel Carvalho vem afirmar que “pedir a demissão de Cabrita por estar sentado no banco de trás de um carro que gera um acidente mortal não cabe nos valores de uma sociedade e de uma classe política decentes” 

Claro que não, caro Manuel Carvalho. Por mim, Cabrita poderia ir ao lado do motorista, atrás ou na bagageira.

O que não aceito é o facto de o Ministério da responsabilidade (ou irresponsabilidade?) de Cabrita vir,   como V, acertadamente,. diz, publicar uma nota dizendo  em substância que a culpa é, como é habito, do irreflectido peão que atravessa a auto-estrada sem roupa fluorescente, sem sinais de obras e vai embater num pacífico automóvel que circulava! 

É verdade que V.,  Manuel Carvalho, afirma que o Ministro “geriu da pior forma possível a comunicação da ocorrência, as dúvidas sobre a responsabilidade do motorista, sobre as circunstâncias do atropelamento  as contradições sobre a existência de aviso de obras e sobre a velocidade do automóvel.

Ora, caro jornalista, é isto que se aponta. É isto que se condena, é isto que constitui um caso. Mais um caso com Cabrita!...

Dizer que certos políticos e certa comunicação social (ou toda incluindo o “Público”!!!) entram na politique ao atacar o ministro que ia “sentado”, e pedir a sua demissão é intolerável. Seria, se fosse isso o que se critica. Mas não é! 

O que está em cima da mesa é o inqualificável comunicado do Ministério. O que se rejeita por mero sentido de higiene política é o facto desse comunicado poder induzir (e induz) a culpa do peão ou, se as coisas se complicarem, e complicar-se-ão, a culpa do motorista.

Pelos vistos quase somos levados a crer que o peão com longos anos de actividade no sector, teve um ataque de irreflexão suicidária ou se julgou um toureiro a capear um automóvel enraivecido! 

Ou que a culpa irá recair, quando já não houver outro remédio no pião das nicas, ou seja no imprudente motorista que circularia a uma velocidade vertiginosa e pela faixa esquerda! 

Coitado de quem ia placidamente sentado atrás, quiçá a dormitar. Coitado de quem não deu qualquer ordem para o carro andar mais depressa...

Não fora o canhestro comunicado, o comunicado em luta com a presumível verdade, com a sensatez, com a lógica, e nada disso teria sucedido. Eu, pelo menos, que não sou classe política mas sou seguramente um homem decente não me incomodaria mais do que alguém face a uma morte por atropelamento. 

Mas isto, esta história, fede! 

Nada bate certo, nada exime eventuais responsabilidades, tudo cheira a desculpas de mau pagador, a falta de respeito para com uma vítima mortal, para com os portugueses. 

É evidente que sobre esta teia de meias mentiras, de quase completas omissões se desatou uma chuva de críticas, um julgamento “sumário” de quem por inépcia, por “candura”, por falta de inteligência, tanto se põe a jeito.

E, note-se, que até nisso, e sem o saber ou querer, o ministro serve como punching ball, quase como escudo protector do Governo. É que assim, com ele à mão , passam despercebidos erros de outros. Passa mesmo o aumento, constante nos últimos dias, de infecções covid.

(convenhamos, porém, que este recrudescer do vírus, não é, por mim, imputável às autoridades governamentais, mesmo se, na luta contra a pandemia, nem sempre tudo tivesse corrido como seria desejável. Todavia, bom seria, que alguns responsáveis políticos deixassem de mostrarPortugal e o turismo português como vítimas da sanha de ingleses ou alemães. Isto está mal, vai, pelo menos para já, piorar, e esse cenário –quase o pior da Europa – não entusiasma ninguém de bom senso a fazer férias cá, seja em Lisboa, seja no Algarve. E ainda há meia dúzia de dias, um presidente da AR concitava os portugueses a irem de longada até Sevilha, um vespeiro do vírus, para apoiar uma vitória da “nossa selecção”. A inconsciência colectiva chega às mais altas esferas do Estado!)

Os leitores terão reparado que eu já nem sugiro a “demissão” do ministro inábil e torpe. É quem o segura que começa a parecer-me alvo de mesmo pedido. Só que demitir um 1º ministro sem ter uma alternativa credível para o substituir é saltar da frigideira para o lume. A menos que alguém, visivelmente perturbado, julgue o dr. Rui Rio alternativa... Nesse caso vale a pena rezar por Portugal.)

O editorial do sr. Manuel Carvalho, além de contradizer as páginas 12 e 13 (duas inteiras páginas, notem bem! Duas!) do mesmo jornal parece querer mostrar uma certa falsa equidade e neutralidade no tratamento deste fait-divers que, contudo, insiste-se, se traduz na morte trágica de um homem. Até nisso, o editorial falha.    

 

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