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Incursões

Instância de Retemperação.

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homem ao mar 96

d'oliveira, 24.07.21

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Liberdade vigiada 84

A rua deserta

mcr 24 de Julho

 

Há na toponímia portuguesa várias menções a data. Em Portugal, o 24 de julho significa principalmente a entrada das tropas liberais comandadas pelo duque da Terceira em Lisboa, com isso, o breve reinado de D Miguel o usurpador praticamente terminou.

Em Moçambique, e sobretudo em Lourenço Marques (e mesmo actualmente em Maputo) o significado da data é outro. De fcto foi nesse dia que o Marechal Mac-Mahon, Presidente da República francesa decidiu(em 1875)  a favor de Portugal a posse da Baia de Lourenço Marques, dita do Espírito Santo, ou Delagoa Bay. Acabaram, assim pela arbitragem do francês, as pretensões da Grã Bretanha. Aliás, esta decisão co-envolvia todo o território a sul, ou seja praticamente todo o sul do Save.

A avenida 24 de Julho africana tem quase cinco quilómetros e era (ainda é) uma das mais importantes artérias da cidade. Tenho boas recordações dela pois vivi lá quer quando cheguei, quer quando parti de Lourenço Marques. O liceu, o único liceu, no meu tempo, que obviamente se chamava “Salazar”, e era moderníssimo e misto no terceiro ciclo, era a dois passos.

Todavia, não era a  isto que vinha, mas tão somente, ao meu desolado sábado lisboeta. De facto, hoje não houve “feira dos alfarrabistas”. Pelos vistos a Junta de Freguesia não permitiu mesmo se a dois passos, no Príncipe Real se realizasse, em pleno jardim, outra feira desta feita de velharias! Isto se é que são as freguesias quem manda nestas coisas. Se é a Câmara Municipal , tal só indiciaria uma clara má vontade à cultura, coisa, de resto comum a muitas câmaras municipais mesmo quando afirmam o contrário.

O dia continuou amargo pois, tive a confirmação que também “Le Monde” deixa de vender a edição em papel em Portugal. Agora, e sabe-se lá por quanto tempo, só temos acesso ao suplemento semanal “selection”. Depois do “El País” e provavelmente com “la República” que também não se avista há tempos, eis-nos isolados (não sei quantos jornais ingleses e alemães ainda cá chegam mas no mostruário do quiosque no Largo do Chiado nota-se que há menos imprensa diária estrangeira.

Claro que me dirão que me basta fazer a assinatura digital mas, queiram desculpar, não é a mesma coisa. Até pode ser mais barato mas comigo isto é um habito de 60 anos (no caso de “Le Monde”) e uns bons 40 no caso do El País. Do “La República2 era cliente menos assíduo. Eu, no que toca a imprensa italiana fui muito freguês do “Paese Sera” e do Expresso que aliás assinei durante cerca de doze anos.

Gosto de recortar notícias e artigos mesmo se na esmagadora maioria dos casos nunca mais recorra a eles.

Nada tenho contra a internet, aliás uso-a de varias maneiras, excepção feita das “redes sociais”, (facebook et alia). Não uso, não estou, nem tenciono estar. Por junto escrevo neste blog e lembro-me com saudade dos tempos em que tinha mais interlocutores opinar, concordar ou discordar.

Provavelmente já não acompanho tanto quanto  devia as mudanças de um mundo em mudança, se é que posso exprimir-me assim.

A neta de um amigo meu, referiu-se à nossa geração como a geração do cinema a preto e branco. Achei que não valia a penas dizer-lhe que com metade da idade dela já muitos, provavelmente mais da metade, dos filmes eram a cores, mesmo se nem todas as fórmulas fossem naturais. E que, mesmo assim, alguns dos cineastas mais modernos insistiam no preto e branco.

É uma conversa inútil pois ainda há pouco vi outros jovens interessados pedir uma cinemateca onde se vissem filmes anteriores a 1990! Se a noção de clássicos já vai assim, nem vale a pena falar em Fellini, Ford, ou Griffith.

Eu também fui assim, provavelmente. E lembro-me do meu avô Alcino, melómano impenitente me dizer que Ravel era “demasiado moderno” para ele!.

À cautela não vou citar músicos demasiado modernos para mim. Com uma excepção: John Cage.

Mas juro que sempre gostei do Emanuel Nunes, um amigo dos tempos da primeira crise académica, a de 62, ou de Pendereky.

Sei porém que, à medida em que avanço em anos, mais difícil se me torna ter uma clara compreensão de tudo o que vai sucedendo neste mundo onde vivo.

Vou fingir que a a culpa é da crise climática...

* na vinheta: a “24 de Julho” de Lourenço Marques nos anos 60.  

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