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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

liberdade vigiada 144

d'oliveira, 22.09.21

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Liberdade vigiada  144

“Quem se mete com o PS leva”

mcr, 22 de Setembro de 2021

                                        

 

Terá sido Jorge Coelho o autor da frase que dá título ao folhetim. Já não recordo a data, menos ainda a circunstância, mas o aviso/ameaça ficou para a posteridade.

Jorge Coelho já lá vai, os seus sucessores são menos observadores da famosa “ética republicana”. Como alguns estarão lembrados, Coelho era ministro das Obras Públicas quando ruiu uma a ponte arrastando par uma ignorada sepultura meia centena de cidadãos que vinham numa excurso.

A bem dizer, Coelho não teve, neste trágico acidente qualquer responsabilidade. A ponte, aquela ponte nem sequer estava sinalizada como oferecendo perigo. Entre ela e o ministro escalonavam-se várias instâncias que, se bem me lembro, não perderam o lugar.

Todavia, Coelho, assumiu que “a culpa não podia morrer solteira” e bateu com a porta. Para quem, tempos antes fanfarronara a ameaça de tau-tau no rabinho dos marotos que tentariam estragar a vida ao inocentíssimo partido socialista, o gesto foi nobre e fez esquecer o aviso truculento e, além disso, esparvoado.

Actulmente, alguns cavalheiros, sobretudo aquele abencerragem da Administração Interna, não recordam (nem querem recordar) a atitude de Jorge Coelho. As desgraças ocorrem, sucedem-se e ele nada. A criatura sobrevive a tudo até mesmo, aposto, ao vulcão das Canárias se acaso para lá o mandassem. A lava faria uma inesperada curva no seu percurso para o mar, só para não ter o desprazer de o chamuscar.

É verdade que muitos, quase todos, o dão por morto mas ele ali está de pedra e cal sob a asa protctora do sr. dr. António costa, que, neste momento, não consegue distinguir os cargos de Secretário Geral do PS e de Primeiro Ministro.

É bem verdade que, mesmo morto um homem, são precisos quatro para o tirarem de casa. Bo caso do sr dr. Cabrita, desconhece-se o número necessário de gatos pingados que finalmente o levem para um sólido e sepulcral esquecimento.

Entretanto, o cavalheiro que o protege anda alucinado pelo país na campanha eleitoral. Parece, aliás nota-se, que ainda não terá percebido que estas eleições são autárquicas, ou seja que em trezentos e tal municípios e em três mil freguesias se discute a vida de todos os dias, o que está bem e o que está mal em cada terra ou terrinha, quais as soluções e quais as criaturas para responder às tarefas que se entenderem necessárias.

Eu sei que, de todo o modo, destas eleições sai sempre aquilo que poderíamos chamar um diagnóstico da meia época legislativa e governamental. Há mesmo países onde estas eleições costumam servir de aviso para o Poder. Chega-se ao ponto de afirmar que, normalmente, estas eleições correm mal ao Governo mas isso não assim tão líquido quanto parece. Em eleições locais o efeito de proximidade sobrepõe-se ao exame da situação nacional- Só nos grandes centros urbanos é que se poderá notar o inverso, não só porque a entidade camarária é mais difusa mas também porque aí o jogo de forças políticas pode ser mais intenso.

Ora o dr. Costa que anda num reboliço infrene pelo país, dando o exemplo, senão a ordem aos seus ministros e demais governantes, para o imitarem, não tem assim um conhecimento tão aprofundado que possa de per si fazer andar para a frente uma entidade autárquica. Claro que ele sabe isso mas pouco se lhe dá. Ele vem, diz duas a abater e deixa no ar uma ideia (falsa? – A ver vamos) de que com a sua gente na Câmara ou na Junta tudo o que faz falta vai  aparecer feito. Uma “fervurinha” como dizia o primo Amândio Secca quando as cartas no bridge lhe caíam de ficção.

A história rocambolesca da maternidade de Coimbra, algo que anda encrencado há largos anos, é exemplo disso. Em três semanas, jura Costa o incendiário, tudo se resolve que ele há uma bazuca na esquina.

Em Matosinhos, o mesmo Costa mostrou ainda mais peito (ou barriga?): os terrenos da Galp, a malvada, que é disso que finalmente se trata, não vão poder ser alvo de “especulação”.

Convenhamos: desde aquele pitoresco ministro do Ambiente que anda na pregação verde, verdíssima, há anos, que anunciou já lá vão uns tempinhos o fim dos motores de explosão, até outras iluminárias socialistas, todos afinaram pelo mesmo dipasão. A Câmara local, volta que não volta regougava umas ameaças ao grade Satã poluidor (a GALP) e aos circuitos de canalizações da mesma sob o solo sagrado da cidade.

Eu não sou, Deus me livre, um especialista em refinação, mas acredito que que uma empresa só abandona instalações  quando entende  que elas já não são rentáveis. Ou quando entende que lhe basta uma única instalação para servir o país todo.

Ora, e aqui começa a estalar o verniz, já de há muito se dizia que a galp-matosinhos esta em absoluta perda de velocidade, que era desnecessária. Pior, que era cara. Pelos vistos estaria a reduzir a mão de obra.

Os ambientalistas mais talibãs atiravam-se de unhas e dentes (unha fraca e dente cariado mas de todo o modo ameaçadores) ao papão.

Depois, a cereja em cima do bolo: os enormes terrenos da GALP estão em cima da praia, no melhor local possível para continuar a urbanização de Leça à Boa Nova e daí para a frente. Um paraíso a concorrer com outras zonas nobres de Matosinhos e da Foz do Douro (que estão esgotadas)

Eu também não sou empresário cimenteiro nem investidor imobiliário mas, mesmo assim, babo-me só de ver o imenso potencial daquilo. Dá para gastar o que for preciso a despoluir e depois é só abrir uma tendinha para os interessados virem inscrever-se para construir prédios,  quarteirões, sei lá que mais.

Entretanto, depois da GALP anunciar (já lá vai quase um ano) o fim da refinaria sem que o accionista Estado sequer franzisse o metafórico sobrolho, aparece agora Costa a denunciar a falta de ética galpista, o golpismo galpista se quiserem, Até a Comissão de Trabalhadores, notem bm a Comissão de Trabalhadores!, dicou surpreendida. “Pobre, quando a esmola é grande, desconfia” E a CT já veio dizer que durante semanas, meses, tentou contactar o Governo para o informar do desaforo galpista. Sem qualquer êxito. Nada. Bateram a todas as portas e nada, nicles. Ninguém abriu, ninguém espreitou pela fechadura. Zero!      

Num segundo momento, uma agência governamental veio afirmar que contactara a GALP para esta suspender o despedimento, pagar salários e demais alcavalas enquanto a dita agência dava uns cursos ao futuros despedidos para eles se fazerem a outra vida.

A GALP em resposta veio informar que, se o fizesse, prejudicaria os trabalhadores pois deixá-los-ia numa situação que não lhes permitiria requerer o subsídio de desemprego. Além disso, esta é da minha lavra, porque é que a companhia pagaria uma espécie de subsídio por algo que não controlava e cujo efeito é aliás duvidoso. Então, porque é que o Estado através da sua rede de agências não assumiria esse encargo?

Quanto `ás ameaças” de Costa, a GALP, nem se dignou responder. “Eles”  lá sabem que tudo isto, este falar grosso é para inglês (enfim português, de Matosinhos e arredores) ver. Acabada a faina eleitoral, o mundo regressa à normalidade e “tudo como dantes, quartel general em Abrantes”

Costa, previdente (que o homem pode ser muita coisa mas estúpido é que não..) atirou para cima da Câmara o encargo de tornar viva a ameaça. A ver vamos, como dizia o cego.

Quanto tempo irá demorar a perceber que os negócios imobiliários vão florir naquele local?

A Câmara ou a sua Presidente, agora ”incumbente”, já veio dizer que vai requisitar uns terrenos para um “centro tecnológico qualquer coisa”. E porque não? Os terrenos tem profundidade suficiente para construir tal coisa lá bem no interior. Isto no caso de ser necessário o dito cujo centro, o que está ainda por provar.

Esta ladainha costista poderia continuar pois o homem está que ferve. Não para. Há quem diga que ele está apnas a mostrar aos eventuais herdeiros, de que farinha se fazem os líderes. Talvez, tanto mais que ao que se vê os herdeiros não são do mesmo teor e substância. Nem de inteligência, sobretudo o cavalheiro que queria ver as perninhas dos banqueiros alemães a tremelicar.

A alemoagem ficou impassível, nem ouviu, se ouviu não entendeu – nem precisa – o português básico do rapazola. E hão de ter bebido umas cancas de litro da boa cerveja bávara e continuado a contar os euros que lhes entram nos cofres. Portugal é longe e como destino de férias não vale as ilhas baleares. E muito menos a Costa Brava, a Côte d’Azur, a Riviera italiana, as ilhas gregas ou a costa da antiga Jugoslávia.

Quando se começou a falar no PRR, eu macaco com o rabo pelado de tanta calosidade por esperar sentado, desconfiei que aquilo ia ser um momento único e zen.

Ainda não se viu o cacau mas já todos o querem gastar. E Costa que, deixa nas entrelinhas, a avalancha de dinheiros, não lhes diz que esses fundos tem destinos bem definidos, regras apertadas e, pelos vistos, fortemente controladas e não tem como destino a freguesia A, a câmara b ou o parque infantil de São Serapião de Baixo.

Vai haver muito choro e ranger de dentes!

? a vinheta: basta olhar para a fotografia para ver onde está a GALP. Na 1ª linha de pria !