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Incursões

Instância de Retemperação.

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liberdade vigiada 146

d'oliveira, 25.09.21

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Liberdade vigiada 146

A “grande festa”

mcr, 25-09-20

 

Há o hábito de afirmar que as eleições autárquicas são a grande festa da democracia. Aliás, nisto de grandes festas, sempre que um jornalista com falta de inspiração apanha uma eleição, lá vem o chavão. Todavia, amanhã há quase três mil e quinhentas eleições entre câmaras e junta de freguesia. Trata-se dos órgãos mais próximos do eleitor, aqueles em que é mais fácil escolher, dada a proximidade entre candidatos e eleitores. Mesmo nas grandes cidades se é que em Portugal há grandes cidades.

Sobretudo porque se vota fundamentalmente num presidente (de câmara ou de junta), a coisa afigura-se fácil. Confesso que nem sempre é assim porquanto, votante no Porto, não conheço o meu presidente de junta, de modo que votá-lo-ei na lista do da Câmara, tanto mais que também é importante garantir uma maioria na Assembleia Municipal.

A questão mais grave, pelo menos este ano, é que em muitos sítios, provavelmente na maioria, a campanha não esclareceu nada ao nível local. Sobretudo graças ao PS, mas também ao BE, ao PAN, um pouco ao PC  e bastante ao Chega, foram a vida nacional, os temas nacionais, a bazuca – que nada tem com isto – que estiveram na baila. Salvo raras excepções, sobretudo no que toca a candidatos independentes, as questões locais evaporaram-se. Em Matosinhos há GALP, em Lisboa são questões nacionais ou vagamente inter-municipais, em Coimbra é o hospital dos Covões e em varias camas da margem sul há uma guerrilha ps-pc com o segundo a tentar reconquistar bastiões perdidos ou a segurar os que ainda tem (os casos de Almada e de Setúbal são exemplos claros disto). No Alentejo ainda há o picante de saber se o Chega estraga a vida de alguém, do PSD o PC. Pode até não eleger um único vereador mas o simples facto de lá estar pode estragar as contas dos anteriores partidos presentes desde sempre no terreno. Para o Chega e para o PC estas eleições são fundamentais, quase uma prova de vida. O mesmo se poderá dizer do CDS a quem muitos prometeram a o desaparecimento. Aqui a aposta até é simples: se mantiver os anteriores níveis de votação bem que pode cantar vitória.

Dir-se-á que o BE pode produzir o mesmo efeito mas não é seguro. O BE não tem (ou não tinha) vocação autárquica, é produto urbano e urbano do litoral, pelo que, a menos que haja um milagre, pouco interfere nestas eleições. O mesmo se poderá dizer do PAN ou d IL que, até à data, não riscaram no panorama autárquico. Para o segundo esta é a oportunidade de oito. Como não tinha qualquer expressão a nível local (por não existir) todo e qualquer mandato é um progresso. De todo o modo, creio que as espectativas são baixas.  Pois o partido é demasiado recente e, por isso, de fraca implantação local. De todo o modo, o caminho faz-se andando.

Pelo que vem de ser dito, aliás uma mera opinião pessoal, temos que a festa, a haver, pode ser cruel e sair gorada.

A segunda e importante crítica à “festa” reside na abstenção. Mesmo considerando que é nas eleições locais que há uma taxa menor de abstenções, começa a ser preocupante o descaso com que os portugueses tratam esta chamada ao voto. Abaixo de 65& de votantes, a festa perde muito do seu brilho. E a democracia muito da sua eficácia. E do seu direito de existir. Se ninguém se incomoda, tanto faz ser uma comunidade livre como não. E com o andar dos anos, a coisa parece dar razão aos saudosos, que os há, do Estado Novo. Ou, como dizia, o velho Botas:

Se todos soubessem quanto custa mandar antes quereriam obedecer sempre"

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