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Incursões

Instância de Retemperação.

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O combate à Frente Nacional

José Carlos Pereira, 15.12.15

Os resultados da segunda volta das eleições regionais em França acabaram por travar a ascensão da Frente Nacional (FN), impedindo o partido de extrema-direita de chegar ao poder mesmo nas regiões em que tinha conquistado uma fortíssima votação na primeira volta, com mais de 40% dos votos, e onde se apresentavam a líder Marine Le Pen e a sobrinha Marion Maréchal-Le Pen. Uma maior participação eleitoral e o voto útil, sobretudo dos socialistas, acabaram por dar uma boa notícia a todos os democratas na noite de domingo. Destaca-se aqui a decisão corajosa do Partido Socialista Francês, que preferiu retirar-se da eleição em quase todos os locais em que tinha sido a terceira força política, prescindindo de ter representantes em alguns parlamentos regionais, em benefício do voto útil na direita republicana.
A votação conseguida pela FN, com mais de 6,8 milhões de eleitores, fez triplicar o número de deputados nos parlamentos regionais e disseminar a sua presença pelo país. É uma presença que está para durar no meio político francês e que, aliás, se tem vindo a consolidar com a liderança de Marine Le Pen, que soube amaciar o discurso político em relação ao que praticava o seu pai. A FN quer ganhar legitimidade democrática e os tempos que correm estão propícios para a sua acção: a crise económica e social; o desemprego; a conflitualidade social; os refugiados; os atentados terroristas; a falta de liderança firme em França e na Europa. Este contexto favorece um discurso nacionalista, dirigido aos que perdem o pouco que têm e não vêem os poderes públicos resolverem os seus problemas e os das suas comunidades. Aliás, Sarkozy acabou por vencer as eleições porque se aproximou bastante deste discurso populista.
Os partidos ditos republicanos, com as lideranças fragilizadas de Sarkozy e Hollande e a reputação muito abalada, devem aprender com os erros e colocar os seus olhos mais adiante, pois Marine Le Pen já tem o seu foco nas presidenciais de 2017. Só a regeneração desses partidos e das suas lideranças, centrando-se nos problemas concretos dos franceses e recuperando o papel central que a França já teve na implementação de políticas económicas e sociais na Europa, serve o propósito de travar a ascensão da Frente Nacional. É o que se exige dessas forças políticas no país da liberdade, igualdade e fraternidade.

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