O fim penoso de Rui Moreira

A menos de três meses das eleições autárquicas, são muitos os presidentes de Câmara que se despedem da função por limite de mandatos. É o caso de Rui Moreira, no Porto.
Fernando Gomes, com o lançamento do metro e da Capital da Cultura 2001, nos anos 90, foi o último a "reinventar" a cidade, mas é justo reconhecer que Rui Moreira fez do Porto um pólo de atracção de investimento e talento, promoveu de forma ímpar a cidade e a sua marca, apostou num maior cosmopolitismo, mas também na coesão social e cultural do território. A renovação do Mercado do Bolhão e o projecto do Matadouro de Campanhã ficarão como as obras emblemáticas dos seus mandatos. Nunca lhe confiei o voto, mas não posso dizer que tenha sido um mau autarca. Sobretudo em comparação com o seu antecessor...
Rui Moreira, no entanto, não soube lidar com o fim da governação autárquica, com o caminho a seguir e, consequentemente, não acautelou a coesão da sua vereação até ao fim. Em termos pessoais, gostaria de ter sido cabeça de lista ao Parlamento Europeu ou ministro, mas o deslaçamento do executivo não aconselhava uma saída antecipada. Talvez o lugar de embaixador na OCDE seja o melhor que o Governo pode arranjar.
Quanto à sua equipa, após as renúncias, nos últimos meses, do vereador da Economia e Finanças e do chefe do gabinete, sabe-se que o vice-presidente (entretanto, ao que parece, agredido pelo ex-chefe do gabinete!) prosseguirá com uma candidatura independente, a vereadora da Saúde, Juventude e Desporto deve integrar a coligação PSD/IL/CDS e o vereador da Educação e Coesão Social será candidato pelo PS.
Rui Moreira não soube, ou não foi capaz, de guiar o movimento que protagonizou a sua candidatura, mantendo a equipa unida e coesa, com um alinhamento e uma visão comum para a cidade, até ao fim do derradeiro mandato. Nos últimos meses, cada um tratou da sua vida e dos seus interesses, a olhar para o que futuro poderia reservar de melhor, aqui ou ali.
O próprio presidente da Câmara do Porto, depois de dizer que não interviria na campanha eleitoral das últimas legislativas e que não tomaria posição nas autárquicas, não se coibiu de dar todos os sinais de que estava ao lado de Luís Montenegro e Pedro Duarte. A romagem ao Bolhão para reunir o Conselho de Ministros foi a cereja no topo do bolo. Les jeux son faits!