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Incursões

Instância de Retemperação.

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o leitor (im)penitente 244

d'oliveira, 13.09.22

1976-JONAS-QUI-AURA-25-ANS-EN-L-AN-2000-015-100001

2 mortes a marcar o natural desaparecimento de uma geração

(a minha!) E ainda uma terceira...

 

mcr, 13-09-22

 

sou pouco dado a isto de gerações mas quis o acaso que com escassos dias de intervalo morressem Javier Marias (70 anos) e Jean Luc Godard (91)  idades que eu considero sem qualquer fundamento científico as que balizam a minha geração. Estou no meio (80 anos feitos e perfeitos) e sobretudo sgui-lhes com curiosidade, atenção e admiração as respectivas carreiras.

Marias é desde há 30 anos o grande escritor da península ibérica, um prodígio de talento, de invenção, de estilo de tudo. Estava na calha para o nobel ou pelo menos merecia-o inteiramente. Recebeu, entretanto, todos os prémios possíveis e a critica rendia-se a casa obra que publicava. Curiosamente, o público por uma vez sem exemplo estava de acordo com a crítica e Marias foi um autor popular e muito vendido.

O mesmo, ou quase, pode ser dito de Godard, uma espécie de “enfant terrible” do cinema francês, um dos nomes mais importantes da “nouvelle vague”, um crítico implacável que conseguiu deixar quatro ou cinco filmes imperdíveis mesmo se um deles (“la Chinoise”) só mereça ser citado pela insensatez herdada no post-68.

Porém, Pierrot le fou  deux ou trois choses que je sais d’elle, bande a part, a bout de soufle (o acossado) são simplesmente grandiosos.

Não cave aqui, nesta melancólica nota escalpelizar estas peças cinematográficas, basta nomeá-las para lembrar a alguns esquecidos o grande cinema que se fez nos anos 6o e seguintes.

A terceira morte é a de Alain Tanner, tão suíço como Godard de quem comecei por ver, acho que no Festival da Figueira,  Jonas qui aura 25 ans en lán de 2000. Só depois, esporeado pela boa impressão causada é que vi dois outros imperdíveis filmes dele (“Charles vif ou mort” e “les années lumiére”). E cito Tanner também porque se estreou nos anos 60 mas não obteve a aura de menino prodígio e de escândalo que Godard obteve desde cedo.  A lei da vida levou, porventura cedo, Javier Marias que, no entanto deixa uma obra enorme. Godard morreu de suicídio assistido pois era conhecido o seu débil estado físico e as maleitas muitas de que padecia. E Tanner, nascido em 29 também já estava afastado do cinema e bastante da vida de todos os dias.

Estes três homens tão diversos entre si, dão todavia espessura à referida geração de que atrevidamente me reclamo e deixam uma sensação de vidas vividas plenamente  com os altos e baixos que são naturais (e desejáveis). Deixam um enorme espólio de obras imperdíveis, acessíveis em livrarias e fnacs de todo o género. Uma prevenção, porém: estes seus trabalhos podem viciar.

na vinheta: fotograma DE "jonas qui aura 25 anos...

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