Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

o leitor (im)penitente 263

mcr, 21.01.24

 

 

 

thumbnail_IMG_1541.jpg

3 gordos, 1 elegante outro magro e 1 obeso (demasiadamente)

mcr, 20-1-24

 

O título não é feliz mas, garanto, é apropriado. Mesmo, insisto, quando se fala de livros como éo caso. 

Comecemos pelo obeso que por razões várias mas não de estética me recusei a comprar.

Trata-se de "O Mundo uma história da humanidade" de Simon Sebag Montefiore, obra que atraiu a atenção de vários jornalistas e teve honras de sucesso editorial.  Se é ou não sucesso é o que as vendas dirão. Todavia, o editor português (seguindo provavelmente o primeiro editor) entendeu publicar este tijola de 1296 pp num só volume o que traz a qualquer leitor aflições várias: O peso, em primeiro lugar; depois a difuculdade em ler seja em que posição for um tijolo deste tamanho e espessura. Finalmente, a hipótese mais que provavel do livro "se partir" sobretudo deas páginas estiverem como penso apenas coladas. Capa mole ainda por cima! A mancha gráfica também não será famosa mas isso depende dos olhos de cada leitor. Para mim, só com a máquina grande de ler com o inconveniente da espessura do livro e da dificuldade em o manejar facilmente. Desisti da compra  sem especial desgosto.

Passemos à secção dos "gordos" e das razões porque vale a pena arriscar. 

comeceos pelos "poemas 1934-1961" de Pedro Homem de Melo (Assirio e Alvim uma editora de referência e de grande mérito, bastaré lembrar que também estão a publicar a obra de António Ramos Rosa da qual já sairam dois volumes igulmente espessos mas bem encadernados)) um poeta que vai saindo do inferno em que imerecidamente caiu ou, melhor, para onde foi empurrado por maus leitores e piores ideólogos. que PHM nunca foi um lutador anti-fascista é um facto. Porém, no panorama da literatura portuguesa do século XX isso nunca foi a excepção sendo até provável que tenha sido a regra (cito apenas Agustina que entretanto teve boa imprensa crítica por parte de alguns estudiosos de Esquerda. De resto PHM também teve gente de Esquerda a notar e avisar sobre o seu talento. No entanto, a sua colaboração na tv sobre folclore (que de resto é razoavelmente segura e decente) valeu-lhe antipatias ferozes e nem sempre isentas. 

Este é primeiro volume e traz copiosa informação crítica de notável qualidade. PHM é o autor da célebre frase dirigida a Amália Rodrigues quando da criação musical de "povo que lavas no rio" (a minha poesia na voz extraordinária de Amália tinha subido ao povo). Há mais poetas de mérito (Junqueiro, José Duro, Augusto Gil ou Sebastião da Gama) que merecem "ressuscitar" e voltar a ser lidos.

O segundo cavalheiro ora editado (em edição bilingue e notas de grande interesse) é Horácio. É uma edição da Quetzal que, aliás também está no quadro de honra , Basta lembrar as edições da Ilíada, da Odisseia, da Bíblia ou dos Evangelhos apócrifos para já não falar das "bucólicas" de Virgílio. 

Não havendo dois sem três, eis que a Imprimatur termina a sua edição monumental  de Gargantua e Pantagruel de Rabelais numa tradução que me parece exemplar.  E com o aliciante de ser ilustrada com as ilustrações de Doré! eu sou um rabelaisiano fanático, tenho mesmo a obra na lingua original, saborosíssima para alé..m de outras edições em "tradução" para um francês mais ou menos moderno. Imperdível e imperdoável não correr a comprar este grande livro um dos que , na minha pessoal opinião, faz parte da dúzia de textos imperdíveis daquela época.

O quarto autor que quero apontar é Leonardo Padura com muitas obras traduzidas por cá.  Desta feita é "Gente decente" em edição da Porto editora. Vale a pena lembrar o meu especial e antiquíssimo amigo Manuel Alberto Valente que durante muitos anos dirigiu a Asa e depois a Porto editora. A ele se devem várias grandes descobertas e, neste caso,a  de Padura um olhar lúcido, melancólico, crítico sobre o país (Cuba) onde nasceu e onde vive. 

Padura é já um velho conhecido m Portugal onde esteve por várias vezes em festivais literários. eu já era seu leitor pois sempre que ia até à Galiza trazia o seu último livro publicado. Partilha com o siciliano Andrea Camilleri  aquilo que, para mim, representa o melhor e o mais inteligente (e crítico) da literatura policial moderna. Para fechar quero referir "Eu vi uma flor selvagem" (Gradiva) de Hubert Reeves um astrofísico de grande fama com vários livros publicados por cá. Desta feita HR passeou-se pelo campo e oferece-nos a descrição de uma quantidade de flores humildes que, na maioria dos casos, quase nem é olhada por uem passa. O livro é muto ilustrado a cores e merece estar a par de edições   bem mais antigas  (finais do sec XIX, inícios do XX) e francesas que fazem parte da extraordinária colecção "Bilbliotheque de poche du Naturiste" que abrange pelo menos duas dúzias de belos libros encadernados e ilustrados sobre História Natural. Tive a sorte (coisa que me deu muito trabalho...) de encontrar boa parte deles em alfarrabistas portugueses  e a preço de daldo vil ( 5€!!!) 

Devo esta descoberta a uma cronista Público, (no suplemento Ipsilon)   Ana Cristina Leonardo, cujos textos, com a primeira bica do dia, constituem  o meu prazer das sextas feiras  pela manhã. ACL escreve bem, muito bem, é inteligente, culta, tem humor e, sobretudo, consegue dizer o que quer numa linguagem limpa e perceptível por qualquer leitor de jornais. Isto de descobrir livros passa muito pela recomendação ou simples alusão de alguém em quem se pode confiar. entretido neste caso partilho com o meu irmão este pequeno prazer matinal. Recorto o artigo e, na minha ida mensal a Lisboa, entrego-lhe os textos de ACL.  Durante largos minutos ele nem abre a boca, melhor dizendo, lê os textos com um breve sorriso e guarda-os cuidadosamente.

 

(para uso de ACL e seus émulos eis a lista dos livros de botânica da colecção citada  que anda cá por casa:

atlas des fleurs des jardins les plus faciles a cultiver

les fleurs de laCôte d'Azur

flore du litoral mediterraneen

nouvelle flore des alpes e des Pyrenées

atlas des plantes des prairies et des bois

flore des montagnes de la Siusse

les  fleurs des bois

Atlas des plantes utiles des pays chauds

les fleurs des montagnes

atlas des arbustes et arborisseaux)

a vinheta: os livros aqui existentes da citada coleccção biblioteca de bolso do naturalista