O ódio como arma dos ignorantes
Não há muitos meses, no seio de dois empreendimentos habitacionais, com vasta oferta de serviços, na freguesia de Paranhos, no Porto, abriu um mini-mercado e loja de conveniência, cujos funcionários são asiáticos, provavelmente do Bangladesh ou do Nepal. Trabalhadores diligentes, simpáticos e que foram reforçando a oferta ao dispor dos clientes, de acordo com as necessidades destes. O mini-mercado presta um serviço de proximidade que não existia, já que os supermercados mais próximos distam algumas centenas de metros.
Numa zona bastante frequentada durante o dia, devido à proximidade ao maior hospital do Norte do país e ao principal pólo universitário da cidade, mas habitualmente tranquila durante a noite, certo dia apareceu inscrita na montra da loja a frase "Fuck Islam". Uma atitude vergonhosa e absolutamente condenável. Nada justifica o ódio, o insulto e a ameaça a quem trabalha e presta um serviço à comunidade, seja português ou imigrante. Com sorte, quem escreve frases assim conta na família com pessoas que emigraram e procuraram melhores condições de vida no estrangeiro, precisamente o mesmo que esses cidadãos asiáticos fazem em Portugal. Ignoram, por certo, que Portugal sempre foi um país de emigrantes e que o país precisa de mão-de-obra para vários sectores da nossa economia.
Neste caso concreto, a ignorância dos atrevidos até confundiu o Islão com os países asiáticos em geral. Na verdade, se a religião muçulmana predomina no Bangladesh, o mesmo não acontece no Nepal, onde o hinduísmo é claramente maioritário.
