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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Reformas que se impõem na Justiça

José Carlos Pereira, 26.07.21

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A Justiça é um pilar central do Estado de direito e tem ocupado as atenções dos portugueses de forma crescente nos últimos anos. Os casos que têm envolvido figuras públicas dos meios políticos, financeiros, judiciais e desportivos, amplificados pela comunicação social, serviram para todos nos questionarmos sobre a legislação que suporta as investigações e os julgamentos, bem como sobre os meios colocados à disposição dos agentes da Justiça e a gestão da informação veiculada para os órgãos de informação.

Para não ir muito lá atrás, os recentes casos de Joe Berardo e Luís Filipe Vieira, os processos disciplinares a juizes de tribunais superiores, a gestão e os timings de processos com grande impacto no país, todos estes casos colocam dúvidas e interpelações quanto ao modo como se administra a Justiça.

Quando vemos a investigação de certos casos escarrapachada nas páginas dos jornais e assistimos a práticas deploráveis no seio da própria magistratura, percebemos que não pode haver classes profissionais à margem de um escrutínio exigente e independente. Os magistrados judiciais e do Ministério Público deveriam ser os primeiros a defender uma avaliação séria e isenta, que permita separar o trigo do joio.

Por outro lado, alguns dos casos acima citados, que apostaram mais uma vez em deter suspeitos para interrogatório, obrigando-os a permanecer vários dias em estabelecimentos prisionais à espera de serem ouvidos pelo juiz de instrução, devem servir de exemplo para o que não pode suceder num Estado democrático. Quando se detém um suspeito não deve ser para tentar desgastá-lo, fragilizá-lo e humilhá-lo com uns dias passados nos calabouços. Qualquer cidadão detido deveria ser obrigatoriamente apresentado ao juiz num prazo curto, nunca superior a 24 horas.

Uma outra questão pertinente, também colocada nestes processos recentes, tem a ver com intervenção do juiz de instrução nas buscas que o próprio autoriza num determinado processo. O juiz que promove as buscas deve ser equidistante em relação a quem promove a investigação e aos próprios investigados. A sua presença nas buscas, mais do que garantir os direitos e as garantias destes, acaba por fazer do juiz cúmplice da forma como essas buscas são levadas a cabo, penalizando a sua imparcialidade nos processos em causa.

Como estes, haverá outros temas na área da Justiça merecedores da atenção dos partidos representados na Assembleia da República. A administração da Justiça é demasiado importante para que os deputados adiem por mais tempo as reformas que se impõem.