Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

au bonheur des dames 421

d'oliveira, 12.01.21

brancos_nulos_abstencao_i17fG7m.jpg

Votar?

mcr, 12 de Janeiro de 2021

Ou eu estou enganado ou a publicidade ao voto antecipado citava as juntas de freguesia como local onde um eleitor se poderia inscrever para poder votar antes do dia da eleição. Como tinha de pedir uma “prova de vida” para apresentar na Caixa dos Advogados achei que podia matar dois coelhos de uma só cajadada.

Nada feito. Para o atestado da prova de vida tive de fazer uma marcação para a próxima quinta-feira. A sala esta semi deserta mas regras são regras Só na quinta! Quanto à minha intenção de me inscrever como votante antecipado, uma menina explicou-me que só pela internet!...

Sabendo que há dezenas, se não centenas, de milhares de cidadãos eleitores que não tem esse meio pergunta-se se não andarão a “gozar com o pagode”. Esses eleitores, que pagam impostos, estão condenados, se quiserem votar, a ir meter-se na confusão do dia de eleições! Estão condenados a arriscar o canastro por querer exercer um direito constitucional!

Entretanto, as direcções dos lares, as freguesias onde eles estão situados, as câmaras municipais vem afirmar que não tem meios para formar as equipas de recolha dos votos. As direcções dos lares torcem o nariz à entrada de estranhos nas suas instalações.

Conviria lembrar que há dezenas ou centenas de milhares de “idosos” que por sorte deles ou por falta de meios estão nas suas casas. Não estarão doentes, acamados mas deles ninguém se lembrou.

Obviamente, eu não estou a exigir que uma equipa vá de casa em casa como se fora o compasso pascal. Seria impossível e ainda por cima poderia ser inútil em muitos casos.

Todavia, as cabecinhas pensadoras da Comissão Nacional de Eleições que, suponho .funciona permanentemente já há muito se poderiam ter lembrado do voto por correspondência, esse voto que, por exemplo terá tido um espectacular efeito nas eleições americanas e, eventualmente, garantido a vitória de Biden.

E não se diga que não houve tempo. Estamos sob pandemia desde Março passado, ue diabos!

De todo o modo, faço um voto: que se estude essa modalidade, se aprove como seria sensato de modo a que cada um possa exercer o seu direito e o seu dever sem arriscar meter-se em multidões que agora, como o Governo afirma, são perigosíssimas.

Eu partilho dessa terrorífica ideia governamental mas espanto-me de hoje se anunciar um confinamento de um inteiro mês com um dia de folga para votar.

Pensarão aquelas luminárias que o vírus estará distraído ou de férias? A medida até agora anunciada foi a de reduzir de 1500 para 1000 o número de votantes por mesa! E de prevenir os eleitores para trazerem uma caneta!

A duas semanas do dia da votação que campanha se pode fazer mesmo se a já feita deixe muito a desejar?

A que níveis estratosféricos subirá a abstenção?

Aliás, é sabido que, nestes casos, só os extremos mais animosos é que se dispõem a arriscar. O cidadão médio, que já vai faltando à ida às urnas cada vez mais, achará que não vale a pena arriscar e que a decisão já está tomada.

Julgo que o principal prejudicado será ReBelo de Sousa, uma vez por todas vítima das projecções já conhecidas. Mesmo não tendo ideia de votar nele, acho que esta eleição a todo o custo é prejudicial para ele, para a democracia e para cada um de nís eleitores, individualmente. Pelos vistos ninguém se atreve a pedir um adiamento das eleições. Ou melgor, o Presidente da Câmara do Porto pediu isso mas não vi, até ao momento, uma grande adesão ao que em nome da democracia e da verdade eleitoral solicita.

Parece que toda a gente considera a Constituição uma vaca sagrada, intocável. Bom seria que olhassem um pouco em volta ou, por exemplo, para a América com as suas famosas Emendas (entre elas, uma que faria que o Vice-Presidente declarasse Trump fora de jogo definitivamente).

Eu não consigo perceber que estado de catástrofe, quantos mortos, quantos infectados, quantos hospitais a rebentar pelas costuras, serão necessários para adiar a eleição presidencial.

Temo que a abstenção prove a importância do que venho dizendo mesmo se isso não me alegre de nenhum modo. Porém,, duvido que esse escândalo anunciado tenha o mesmo efeito no Governo que água nas costas de um pato.

Aquela gente não olha para o lado, nem, como nas passagem de nível, para ,escuta ou olha.

Eu hoje iria dar-vos conta de um par de livros que valem a pena e que ajudariam a passar mais um mês de isolamento. Fica para mais tarde mas recordo que já cá cantam dois “tijolos” do António Ramos Rosa (1º e 2º tomos da “Obra Completa” em publicação pela Assírio & Alvim). E saíram dois volumes de poemas da recentíssima prémio Novel 2020, Louise Gluck ( “Averno “ e “A Íris selvagem”, ambos na Relógio de Água). Eu já os tinha na edição espanhola bilingue mas não resisti, Aliás há que ajudar as editoras corajosas que se atrevem a publicar poesia. Escusado é dizer que recomendo, porque li, apreciei e degustei, estes livros que menciono. De resto nunca recomendo livros que não tenha lido.

au bonheur des dames 420

d'oliveira, 11.01.21

Peixeiradas...

mcr, 11 de Janeiro

Os debates eleitorais poderiam ser ocasiões especialmente boas para não só informar os cidadãos mas também para mostrar que a política se pode discutir com seriedade, inteligência e civilidade. Tenho por mim qye um participante calmo, sereno e fundamentando com habilidade e bom senso as suas posições políticas pode não só ganhar votos e reconhecimento público mas elevar o nível geral do debate público. Quatro candidatos tem conseguido esse propósito João Ferreira, Mayan Gonçalves, Marcelo Rebelo de Sousa e “Tino de Rãs” (como ele próprio gosta de ser chamado.).Estes quatro políticos (e “Tino” é um notável exemplo de como um homem do povo/povo consegue articular um par de ideias sem cair em populismose sem qualquer sombra de sentimento de inferioridade perante os contendores) tem conseguido passar uma imagem que merece ser elogiada mesmo por quem não os acompanha ideologicamente.

Dos três restantes escusar-me-ei de referir o candidato do Chega por várias razões (a menor das quais será a de ainda não ter conseguido perceber uma espécie de cataventismo ideológico com que recheia a sua mensagem. De todo o modo a criatura tem tido a sorte de encontrar pela frente duas senhoras que, à simples vista dele disparam em todas as direcções incluindo os mimosos pés.

Talvez nem valha a pena referir a teimosa afirmação de ambas que nunca dariam posse a um Governo onde o Chega estivesse representado.

Provavelmente, durante as lições de Direito Constitucional escapou-me a parte em que, num sistema como o português, o PR pode dar-se a esse luxo sem que daí decorram várias consequências desagradáveis para ele. (Ou ela, no caso em apreço).

É evidente que nem a dr.ª Matias nem a dr.ª Gomes tem qualquer hipótese de serem eleitas. Porém, isso, não deveria servir para dizerem o que lhes passa pelas cabecinhas pensadoras (se é que as cabeças, neste caso, alguma vez pensaram dois minutos).

Andam por aí uns comentadores que tentam chamar à colação anteriores presidentes da República, nomeadamente Jorge Sampaio quando este, em privado, avisou Santana Lopes da maçada que era ter como Ministro dos Negócios Estrangeiros um euro-cétpico, no caso o dr. Paulo Portas.

Eu lembraria que esse exemplo nem serve porquanto o dr. Portas fez parte desse Governo em cargo tão relevante quanto o anterior.

Mas imaginemos que Santana não ouviria o Presidente. Que é que este faria? E, já agora, recordemos as circunstâncias específicas do caso. Na altura, muita gente entendia que Sampaio não devia nomear Santana mas, imediatamente,  convocar eleições, coisa aliás feita pouco depois, com a poderosa ajuda de Cavaco Silva com a sua famosa frase sobre a má moeda estragar a boa.

Deixemos, porém, este arroubo ditatorial das duas senhoras que ainda não teráo percebido que é assim que começam os governos “fortes”, pé ante pé, devagar, devagarinho como quem vai à Ribeira Grande.

Uma tentativa aqui, outra mais adiante, mais uma proibição e temos o famoso poema de Brecht completo.

Eu sou dos que preferem uma direita à vista a uma clandestina. Ou, pior, clandestinizada!

Será da velhice mas vivi demasiados e penosos anos sob o Estado Novo, ao contrário da Jovem senhora Matias que desses tempos tumultuosos só ouviu falar.

Já a senhora Gomes, mesmo que à justa, ainda pode afirmar que conheceu o “fascismo”. Teria os seus vinte animosos aninhos em 74 e militaria no MRPP, militância essa que, após 74 a terá levado por um brevíssimo período (eventualmente cerca de dois meses que foi quanto durou a ideia otelista de prender quem não lhe agradava. Foi o protesto público, meu também, que libertou essas centenas de militantes – eventualmente 400)

Essa breve experiência deveria chegar para perceber que os adversários políticos se combatem com argumentos e que num país em que as eleições são livres e democráticas não há eleitos bons, os nossos, e maus, os outros.

A menos que, como se diz noutro poema de Brecht, se deva substituir o povo que teima em votar mal.

Mas, independentemente deste pormenor da tomada eventual de posse, o que tem distinguido estas duas candidatas é o tom arruaceiro, populista, a gritaria com que recheiam as suas paupérrimas intervenções que, aliás, nem sequer, normalmente, dizem respeito às funções, deveres, direitos e responsabilidades do Presidente da República.

Neste capítulo foi de ir às lágrimas a troca de palavras com Marcelo Rebelo de Sousa sobre o !seu amigo” Ricardo Salgado. Este cavalheiro que não conheço nem quero, de resto conhecer, já foi condenados lateralmente três vezes sem que o PR tenha mexido um dedo do pé esquerdo em favor dele.

Claro que ainda falta o grande processo onde, aliás, figura, um figurão bem pior que não refiro por mera medida de higiene política, e não só. Até lá, queira a jurista Gomes ou não, o homem é inocente. Claro que poderá sempre inovar e julga-lo já criminoso mas isso decorre da sua bizarra concepção de Direito Penal (para juntar ao Constitucional, como já referi)

Por outro lado foi extraordinária a sua alegação de que um pirata informático acusado de ter tentado “abotoar-se” à custa de algumas vítimas ser uma espécie de Robin dos Bosques, personagem simpática mas irremediavelmente ligada ao imaginário infantil mesmo com a bênção de Walter Scott.

Temos assim que um bisbilhoteiro que entra em milhares de contas com propósitos que parecem tudo menos altruístas acaba por ser uma espécie de Zorro sem máscara nem espada.

Seria interessante poder lembrar que provas obtidas por meios fraudulentos não podem, não deveriam ser levadas em linha de conta mesmo se isso possa ser de especial utilidade para serviços policiaos ineficazes.

Quanto à senhora Matias, também se verifica que, como Lucky Luke ele dispara mais depressa do que a sua sombra. Basta recorrer aos exemplos de hoje (noticiário das 20) Segundo ela, Marcelo, sempre ele, falhou no apoio aos cuidadores informais (!!!???) e também não se preocupa com os estado das águas do Tejo (esclarecedor!!!....)

Reparo agora que dirigi os meus protestos contra duas mulheres e, per absentia, um cavalheiro que desprezo.

Para me remir desse feio acto “machista” recomendo vivamente que leiam no Publico de hoje (11 Janeiro) um notável artigo escrito por duas granes figuras da política portuguesa com um grande curriculum e uma notabilíssima folha de serviços a Portugal: Maria do Céu Machado e Maria de Belém Roseira

Só tenho a honra e o gosto de conhecer a segunda que foi minha colega em Coimbra e gostaria muito de conhecer a primeira para lhe agradecer uma inteira vida de trabalho brilhante em prol da saúde dos portugueses.

Um último reparo: intitulei este texto de peixeirada. Nada a ver com as honradas, fortes, belas mulheres da minha infância em Buarcos, mães de colegas e amigos com quem estudei, joguei ao pião, andei ao soco. Ah, se as candidatas agissem como as peixeiras... trabalhasse, sofresse e enfrentasse a vida como elas...

 

au bonheur des dames 419

d'oliveira, 10.01.21

joaocutileiro1.jpg

E mais um confinamento...

mcr, 10 de Janeiro

Faço parte do grupo de pessoas para o qual mais ou menos confinamento é igual ao litro. Salvo ir a um alfarrabista ou ao encadernador que provavelmente teráo de encerrar portas, o meu mundo é o meu pequeno bairro. Há um supermercado, uma mercearia, um quisque de jornais e revistas, dois cafés e mais um par de estabelecimentos.

Provavelmente, os cafés, mesmo com esplanadas exteriores teráo de fechar. L´s se vão as duas bicas da manhã e os dez minutos que emprego para começar a ler o os jornais.

A farmácia também não é longe e para as próximas semanas só me apoquentam uma ida ao oftalmologista para saber que lentes devo usar depois da retirada da catarata e outra para verificar como anda o dibetes. A primeira implica quase de certeza a substituição das lentes dos óculos e duvido que a óptica consiga estar aberta. Logo se verá.

É duro continuar sem poder ir a Lisboa ver a minha praticamente centenária mãe cmo sempre fiz uma vez por mês. Mas a old lady pediu expressamente que eu não arriscasse. Não por ela mas por mim pois desconfia das paragens para beber um café na autoestrada e dos cafés da sua zona.

No Natal tivemos todos extremo cuidado, cada qual ficou em casa, eu e a CG lá nos juntamos com o Nuno Maria e os pais (agora é assim a escala de importância) e por poucas horas de cada vez.

Todavia, como se vê, a balda do Natal está aí a dar os seus terríveis resultados, mostrando, mais uma vez, que –como era mais que expectável – a decisão do Governo (que pretendeu ser amável! ) foi de uma ligeireza imprudente e ao arrepio de quase todos os nossos parceiros da UE!

Ainda não ouvi uma palavra a este respeito, uma vaga desculpa, um simulacro de arrependimento! Aliás, outra coisa não seria de esperar. Com sorte ainda se vai ver que a culpa deste reforço de infecções, internamentos e mortes é toda de Passos Coelho. Ou, já agora, da sinistra cabala dos três figurões do PPD que ousaram atacar malévola e traiçoeiramente a Presidência Portuguesa.

Neste capítulo a informação copiosamente repetida pelas televisões que parecem comprazer-se em reportagens sobre lares, sempre longas e regra feral anódinas, sofre de um par de falhas facilmente resolúveis: Em primeiro lugar a informação bruta (mortes, novas infecções, internamentos) assim sem mais de poico serve. Conviria talvez saber quantos testes se fizeram e qual a percentagem de infecções. Por outro lado, é difícil saber-se quantos casos há por cem mil habitantes que é um critério seguro e comparável aos que correm na Europa.

Só assim teríamos uma perspectiva clara sobre como estamos em termos de combate à pandemia. É evidente que deve haver uma razão para não usar estas duas informações. Espero apenas, mas com pouca ou nenhuma convicção, que isto não seja propositado para ocultar a quem se interessa o real estado da nação.

Claro que alguém, há sempre alguém alucinado pelas teorias da conspiração anti-governamental, achará que isto é um descabelado ataque à transparência (à opaca transparência...) em que se move o augusto e amorável Governo da Nação.

Ou dir-se-á que estes índices apenas interessam a uma minoria desprovida de patriotismo e interesse pelo progresso formidável a que se assiste.

Bem sei que poderia mudar de disco e falar, por exemplo, da morte de João Cutileiro, esse grande nome da escultura mundial que está por descobrir mesmo cá. Segui-lhe a carreira, desde a descoberta espantada e aturdida do D Sebastião. Sempre que pude vi as exposições em que se apresentava mas, ahimé!, nunca cheguei aos preços que pediam. Ficava sempre uns contos de reis abaixo.

Recordo, para a pequena e beata história do Porto, o facto de uma companhia de seguros ter colocado um nu dele no jardim junto da rua. Tiveram de a esconder moutro recanto menos visível que a puritanagem transversal da “invicta” desatou num cochichar interminável e grotesco. Isto na cidade que assistiu a Soares dos Reis!...E já em plena democracia...

Ai a “província”!...

 

au bonheur des dames 418

d'oliveira, 08.01.21

images.jpeg

A justiça é cega (como se verá)

mcr, 8 de Janeiro de 2020

O caso do procurador europeu está cada vez mais confuso. Ora vejamos:

A srª Ministra veio afirmar que chegou a ponderar a sua demissão. Se isso é verdade, e neste caso anda tudo um pouco à deriva para não dizer nada de mais grave, algumas razões a terão levado a ponderar. Depois, de “ponderar” achou que não, que não se devia demitir. Razões de uma e outra atitudes desconhecem-se. Esperemos que a srª Ministra as conheça se bem que tenhamos por duvidosa a sua “ponderação” que pode parecer mero efeito retórico para consumo da galeria. Nisto, esta senhora, como boa parte dos seus colegas, parece ser exímia. Claro que tudo lhe pode ter sido sugerido. Por exemplo, por alguém que há uns anos sugeriu a uns procuradores que investigavam o senhor Sócrates a deixarem-se de trabalhos e concluírem pela imediata inocência do investigado. Isto é uma mera suposição claro, nada indica tal, mesmo se esse cavalheiro depois de uma sanção agora aparece no gabinete desta Ministra...

Entretanto, apareceu um senhor juiz excluído sem saber porque razão e a quem ainda não foram sequer explicitadas as razões do seu afastamento do concurso. O juiz, e não é um qualquer mas um profissional respeitado e com um currículo mais que respeitável, já decidiu pedir a nulidade do concurso do qual foi afastado. Aliás, ó Portugal das maravilhas!, os critérios de avaliação só foram decididos depois (notem: depois!!!) de conhecidos os nomes dos três concorrentes!!! Assim até eu (se tivesse amigos...) poderia ter sido escolhido...

Mas há mais: eu nada tenho contra o facto do dr. Costa achar esta Ministra um prodígio (é uma opinião, dele evidentemente, mas cada qual governa-se com o que sabe) mesmo se a vox populi parecer ter, e cada ve mais, opinião diferente. Todavia, quando este cavalheiro entende que as críticas de três conhecidos e reputados militantes do PSD são uma conspiração (com frente sanitária e tudo!) contra a egrégia presidência portuguesa agora iniciada, entramos no domínio do desvario.

Eu bem sei que o dr. Costa anda mais que aflito para descalçar esta bota depois de já ter tido outro problema com o dr. Cabrita que, também ele, é um luminar da transparência e da defesa acirrada dos Direitos Humanos, incluindo dos direitos do pobre diabo que só não morreu de causas naturais porque um médico consciencioso fea uma autópsia decente e pôs a boca no trombone.

Isso, a actual situação da pandemia agravada provavelmente pelas baldas do Natal, chega para uma pessoa perder as estribeiras. Só que...

Só que um promeiro ministro não pode perder as estribeiras. Ora neste caso malfadado nem os aliados ocasionais o apoiam. Por junto, apareceu um pobre diabo pomposo e socialista a debitar uma jeremiada de conforto para a Ministra. Patético!

O processo da surpreendente nomeação depois de outra pessoa ter sido escolhida pelo júri internacional está a correr mal ou, eventualmente, pessimamente. As queixas em instancias judiciais começaram. Até a Ordem dos Advogados se meteu ao barulho!

Já sei que alguém virá dizer que a O A não deve meter colherada em assunto que não lhe lhe competiria directamente. Mas também é verdade que, volta que não volta, aparecem umas criaturas vociferantes a exigir que esta Ordem faça e desfaça!...

Eu não sei qual será o destino da queixa do juiz ou da da Ordem. Mas que isso provoca ruído,  não duvido.

Entretanto o PPE queixou-se nos meios europeus. O PPD é do PPE logo foi ele o instigador!...

Não percebo bem onde é que entra a “frente sanitária”. Também não entendo como é que o dr. Poiares Maduro entra nisto. A menos que, agora, a mera crítica política seja crime de lesa majestade costista.

Nos meus tempos de conspirador fui várias vezes acusado de coisas tremendas (até de bombismo!). Só que os meus acusadores estavam a soldo da polícia ou eram polícias. Mas mesmo eles, sempre que eu me defendia com o direito a ter uma opinião, logo me garantiam que sim, pois claro, era o que faltava, só que o seu direito está inquinado por acções conta a Constituição, contra o Estado, contra a Paz Pública, contra o bom nome do excelso Presidente do Conselho ( e contra um sem número de individualidades que começam no Governo, passavam ao parlamento, às pol´cias,  depois às autoridades académicas, possivelmente até aos bedéis, archeiros e contínuas da faculdade e por aí fora. E pimba!, cadeia com o subversivo mesmo sem provas, sem confissão, sem nada. E eu lá partia para mais um estágio em Caxias sur mer e de lá contemplava, melancólico, o mar da palha e lia os livros que noutras alturas pelo tamanho deixaria para mais tarde. Aviei assim, o “Ulisses” numa traduçãoo brasileira, o Proust em sete volumes da Livros do Brasil, a “Peregrinação“, a “História Trágico Marítima”, todo o padre António Vieira (tudo nos clássicos Sá da Costa) e por aí fora. Até livros de Direito! Quase acredito que foi a prisão, as prisões, quem me permitiu licenciar-me...

Ora o dr. Costa não é polícia dos da secreta, não consegue provar que há uma conspiração em curso, muito menos com ala sanitária, mas permite-se a liberdade pouco poética de entender que a discussão política é atentatória do bom nome da pátria, da eficácia da presidência semestral, da fama imorredoira do jardim à beira mar plantado. E claro, da competência e inocência de vários ministros resplandecentes de critério, de justiça, de bom trabalho e boa educação.

Ainda não vi o Governo anunciar uma peregrinação especial a Fátima, em modo virtual, evidentemente. Se não chegar, recomendo a Rainha Santa ou até a “santinha da Ladeira”. O Senhor Presidente da República poderá ajudar dada a su condição de católico militante, como aliás, sublinhou num dos últimos frente a frente.

Para não deixar o dr. Costa sozinho, eis que a Comissão Nacional de Eleições resolveu avisar que seria bom que os internados em lares fossem votar nas próximas eleições pois estava-lhes garantida a prioridade! Não puderam ver as famílias no Natal mas poderão, são incentivados!, sair para votar. Ena, ena!!!

 

au bonheur des dames 416

d'oliveira, 05.01.21

Unknown.jpeg

“ Georgia on my mind...”

mcr, 5 de Janeiro de 2021

 

Algum leitor terá reparado que praticamente nada escrevi sobre essa anomalia mundial e americana chamada Trump. E não escrevi , não porque me faltasse motivo, mas tão só para não sujar (metaforicamente) os dois dedos com que escrevo estes folhetins. Rendo assim uma voluntária homenagem ao Manuel Fernando Magalhães querido amigo e colega, entre o 3º e o 5º anos no liceu de Lourenço Marques. (O Magalhães era um tipo notável, escreveu uma novela ainda nos 60s chamada “3x9=21”, Atlantida, Coimbra, 1959. O MFM era um aluno miserável a matemática. Lembro-me do professor lhe entregar os pontos de costas voltadas, mesmo se na generalidade das restantes matérias fosse razoável. Será por isso que intitulou o livro daquela maneira. Foi um grande jornalista, dirigiu “A Tribuna” um belíssimo jornal progressista – dentro do que era possível – em Moçambique, foi miseravelmente expulso do país depois da independência mas voltou lá mais tarde, já na época Chissano, que foi nosso colega de turma no mesmo período que referi acima, como correspondente da RTP. )

Esta referencia ao M.F.M. deve-se a que na noveleta já citada, aparece um tipo que depois de galar com o personagem central, revela que é militar, “Miliciano, claro”, reponta o herói. “Não, do quadro”. Nesta altura o personagem central desinfecta a mão com que o tinha cumprimentado com whisky. Por essa facécia o MFM deu com os costados numa cadeia militar, pois provavelmente estaria na tropa nessa altura

Ora eu, recorro a um gel poderoso para escrever este texto, no exacto dia em que na Geórgia se elegem dois senadores. Caso os democratas vençam essa eleição ficarão em paridade com os republicanos e, nesse especial caso, será a vice presidente Kamala Harris a desempatar as votações. Aliás, os candidatos democratas tem como adversários dois senadores implicados em escândalos gordos, mas na América trumpista tudo é possível como se sabe.

O título do folhetim remete para uma belíssima canção de Ray Charles que é natural desse Estado que durante décadas maltratou os negros e impediu a inscrição desses cidadãos como eleitores.

É por isso que, hoje, dia da eleição, a Geórgia está on my mind e é com o coração nas mãos que a tento trautear.

A Geórgia foi aliás palco de mais uma cena aviltante em que se ouve Trump tentar persuadir um responsável republicano georgiano a fazer batota e “arranjar” uns milhares de votos para dar o actual presidente como vencedor. O homem, honradamente, resistiu mesmo depois de Trump o ter ameaçado com um processo crime. Em boa verdade os processos crime intentados por Trump tem todos sido derrotados pela justiça americana, inclusive no Supremo Tribunal onde ele tinha uma maioria de juízes republicanos. Ora aqui está uma prova da decência das instituições jurídicas americanas que, neste caso, mas não só, bem poderiam servir de tema de meditação da senhora Van Dunem actual Ministra da Justiça cá. Pelos motivos que se conhecem e que já aqui foram abundantemente referidos.

Vão demorar anos e anos a esquecer os estragos que Trump causou à causa democrática mundial e americana. Um bom começo seria derrotar os dois senadores incumbentes da Georgi anão tanto por serem republicanos mas sobretudo por estarem envolvidos em escândalos que, mais cedo ou mais tarde, se chegarem a tribunal poderão acarretar-lhes penas duras. E depois, a Georgia votou maioritariamente Biden pelo que seria de esperar que essa feliz escolha se repetisse. Todavia, a sanha trumpista, a manifesta vontade de recorrer a quaisquer meios mesmo os ilegais pode estragar estas contas optimistas.

Leitores e amigos, lembrem-se desta canção de Ray Charles (que aliás é agora a música oficial do Estado) e usem-na como se fora uma oração para esconjurar esse vírus perigosíssimo que se chama Donald Trump

Ámen

 

 

au bonheur des dames 416

d'oliveira, 01.01.21

Unknown.jpeg

Mais sol, mais frio, mais esperança

( mas mais “mas”...)

mcr, 1 de Janeiro, 2021

 

 

Acordei, melhor dizendo levantei-me, às oito. Ou seja acordei e levantei-me como desde há muitos ,muitos anos: cedo. Há dias em que às sete já cirando pela casa a abrir as janelas, preparar as coisas para o pequeno almoço (sou eu quem faz o sumo de laranja, ponho a água do café da CG a aquecer , e preparo a mesa d o pequeno almoço. A CG gosta de preguiçar mas eu à primeira luz da manhã já não tenho sossego.

Às oito fazia um frio de rachar: cinco graus no telemóvel! Mas a manhã anunciava-se bonita e para oeste além do mar, algumas nuvens altas apareciam rosadas, a lembrar o verso grego da “aurora de róseos dedos” se é que me lembro bem.

Nestes dias de feriados fortes, o primeiro problema é encontrar um café aberto onde se possa tomar uma bica decente e começar a ler o jornal, qualquer jornal que saia neste dia em que o “Público” não dá um ar de sua graça.

Durante anos, fui cliente da “Petúlia” uma sólida pastelaria de Júlio Dinis (quero dizer na rua cm o nome dessa exemplar testemunha literária das grandes mudanças da sociedade portuguesa. JD morreu muito novo, demasiadamente novo para poder ser uma espécie de Balzac que Engels entendia como o mais capaz de retratar os novos tempos. De todo o modo há obras suas que dão conta da prodigiosa viragem da vida no campo minhoto, o fim dos fidalgote presunçosos e a ascensão de camponeses expeditos e trabalhadores).

Todavia desta feita, e sempre no encalço de um jornal, aterrei no Convívio. Já lá estavam dois fregueses tão enroupados quanto eu – que mais parecia um texugo!- de jornal em riste, bica à frente, dispostos a enfrentar, janeiro e o novo ano. Li duas páginas, aviei a bica e ala que se faz tarde, o frio enxotou-me para casa. Estavam seis graus!

Durante o regresso, em três ruas incluindo a do Campo Alegre e a Avenida da Boavista avistei sete pessoas, meia dúzia de carro, um camião do lixo e um lixeiro a pé. E mais um café aberto, onde aliás, fora no Natal.

E acabei a leitura do “Diário de Notícias” de que nunca fui adepto e comecei a ler o Expresso. A única notícia de relevo referia que o pai de Boris Johnson requereu a nacionalidade francesa porque se sente europeu (sic). Pelos vistos naquela família só mesmo o azougado Boris é pró-Brexit. Que lhe preste!...

Os feriados de Dezembro e Janeiro são momentos de ruas desertas, de castigo para os incréus que os há. Durante anos, aqui mesmo no bairro, havia um bar que abria pontualmente à meia noite de 24 e que era o refúgio dos órfãos do pai natal. A casa enchia e via-se que, mesmo aliviados do bacalhau e faltosos à missa do galo, não eram poucos os fregueses ávidos de qualquer coisa menos santa, menos familiar e mais alcoólica. Os tempos mudaram, o bar fechou, eu mudei – e de que maneira! - de modo que logo que acaba a chatice das prendas, despeço-me dos familiares e regresso com a CG a casa, leitinho, xixi e cama.

Ontem, graças o confinamento, viemos mais cedo. Ainda ouvi dois concertos de jazz no canal mezzo mas batidas que foram as badaladas, fui para vale de lençóis, onde já me aguardavam a CG e as duas gatas que invariavelmente trepam para cima da dona e fazem questão de dormir ali bem aconchegadas.

Todos os anos surgem as mesmas frases, a mesma esperança num futuro melhor, as mesmas profecias mas, este ano, convém que algo mude que ninguém aguenta (ou aguenta muito mal) um 2021 igual a 2020. Nem sequer refiro os que morreram e não foram poucos aqueles que sem covid também se foram por falta de socorro rápido e eficaz. E os que, nas próximas semanas, quiçá nos próximos meses aumentaram essa duvidosa lista. O vírus instalou-se de armas e bagagens, as vacinas demorarão o seu tempo (eu ainda tenho uns meses de espera), a burrice dos negacionistas, a toleima dos que se estão nas tintas, enfim os tropeções naturais (e não só!...) do sistema, tudo se conjuga para um inverno para esquecer. E depois, depois, malgrado a pipa de massa que está para chegar, há muitas e más consequências. O desemprego, a falta de confiança para investir, a lentidão natural dos efeitos contra crise, tudo prenuncia um ano que vai precisar de muita fé, esperança e caridade (escrevi e repito: caridade) para não desesperar muita gente.

E não me refiro às eleições presidenciais que estão de antemão ganhas pela Branca de Neve e perdidas pelos anões (nem sei quantos) se chegam à liça por motivos nem sempre valiosos. Não me atemorizo com o papão aventureiro que não passa de um troca tintas fanfarrão que, como noutros países, “agarrou” um par de queixas legítimas contra o sistema. Aliás, entendo que uma democracia necessita deste tipo de desafios para se muscular e saber defender-se de movimentos inorgânicos e da política politiqueira. Justamente por isso, penso que o voto parlamentar contra a hipótese de suspensão do senhor Ventura só o vai ajudar a apresentar-se como vítima do “sistema” e, o que é pior, a ganhar mais votos de gente que se sente excluída. E entendo que a lei eleitoral para a presidência da república vale o suficiente para creditar ao candidato deputado único o direito de poder faltar. Está lá escrito e escarrapachado preto no branco. As argúcias especiosas de alguns parlamentares mesmo parecendo baseadas no estatuto de deputado são de facto uma tentativa de calar o homenzinho. Ora convinha deixá-lo falar e contradizer-se cada vez mais. Assim entregam-lhe o formidável argumento da “censura” que ele irá usar com largo proveito.

Entretanto, soube-se que alguns dos argumentos curriculares que o Governo enviou para confortar o seu preferido à Procuradoria Europeia são falsos. Assim, o referido senhor não é procurador geral adjunto mas apenas procurador da República, não orientou o grande processo UGT, de que apenas foi procurador em tribunal. Além de que a 9ª secção do DCIAP onde exerceu funções não é a maior secção mas apenas a que tem maior volume de serviço dos DEUPs regionais. A história da magistrada preterida depois de ter limpamente ganho o concurso internacional é algo que ainda vi rolar algum tempo. Como de costume o Governo, ou a Ministra em causa apenas se defende com a “natureza reservada do processo”. Em bom português: o que se cozinha nos gabinetes fica nos gabinetes .quem está de fora pode cheirar mas nada mais. Ora toma lá, mcr que é para saveres que te metes em questões que te não dizem respeito por muito cidadão que te julgues. Felizmente, já estás habituado desde os teu dezoito anos...

Caros leitores, o ano que passou não foi bom, não deixa boas recordações seja sob que aspecto for. Todavia, estamos vivos, o que não é assim tão pouca coisa. Acho que vale a pena continuar vivos mesmo se isso traz alguns inconvenientes. 2021 poderá ser diferente, melhor e o mundo, o nosso mundo, poderá sobreviver. Todos não somos demais, mas todos poderemos beneficiar da acção conjunta e solidária que se impõe. Por nós, evidentemente, pelos outros, naturalmente e sobretudos pelos nossos filhos e pelos filhos dos nossos filhos para relembrar um belo tema dos Moody Blues.

E vale a pena, pelo menos para os europeus, agradecer a duas mulheres, ambas alemãs mas, principalmente, europeias: Angela Merkel e Ursula von der Leyen.

Outras, por esse mundo fora, acenderam também a esperança em muitos corações, desde a presidente de Tatwan, Tsai Ing Wen até Jacinda Arden, a !ª Ministra da Nova Zelandia, duas políticas que souberam combater a pandemia e desenvolver a democracia nos respectivos países. E uma nota de esperança: Kamala Harris, vice-presidente eleita dos EUA.

Vale também a pena mencionar Joe Biden, que daqui a dis tomará posse como Presidente dos Estados Unidos. É um político capaz, experiente, dotado de bom senso e de afabilidade. Poderá reafirmar a alma desse grande país que durante estes quatro penosos anos foi miseravelmente conspurcada. E, espero, vai provar que não foi um mero presidente de recurso mas sim um homem que soube com discernimento, paciência e autoridade levar a cabo uma campanha digna, honrada e vencedora.

* na vinheta: “nu vermelho” de Henry Matisse

 

au bonheur des dames 414

d'oliveira, 29.12.20

images.jpeg

Vacinas

mcr, 29 de Dezembro

 

A notícia de hoje é uma não notícia: o Sr. Presidente da República será vacinado na segunda leva, ou seja a partir de Abril pois já tem mais de 65 aos (terá 73, pelas minhas contas). Não se entende como é que isto pode ser relevante com direito a chamada na primeira página mas, efectivamente, foi e as televisões repetiram-no. Para dar um arzinho de surpresa até se noticiou que alguém (quem?, a famosa comissão arranjada à pressa e que ainda tem muito que andar ?) tria posto a hipótese de as principais autoridades do Estado serem vacinadas já. E, acrescentam as mesmas fontes não identificadas (111???), “tal hipótese foi posta de lado!”

Isto, este país, é extraordinário. Gaba-se de ser uma democracia e depois, alguém (quem?) alegadamente propõe, num caso tão sensível como este, a eventual hipótese de organizar uma moscambilha para fazer com que um par de luminárias passe à frente de outros cidadãos.

Eu tenho a ideia de que tudo isto, esta inventona foi algo arranjado à pressa. Que nunca se terá pensado numa solução tão absurda mesmo se, em alguns países, tenha havido dirigentes a vacinar-se em primeiro lugar. Dos exemplos que conheço, retenho que em Israel o primeiro ministro apareceu de peito às balas para convencer grupos ultra-ortodoxos renitentes e quenos EUA, Biden, de idade avançada, aliás, o fez para dar o exemplo dada a proliferação de negacionistas de toda a espécie, soprados pela burrice de Trump (de notar que o actual vice-presidente que também já não exactamente um jovem se vacinou com a mesma finalidade.

Mas a notícia aí está. E com parangonas: Marcelo Rebelo de Sousa aguardará a sua vez, como eu que lhe levo ums anos de avanço. E estamos ambos cheios de sorte: se a tese da nefanda comissão tivesse vingado, só para o terceiro trimestre é que chegaria a nossa vez-

Sobre esta questão já não acrescento nada mesmo se as televisões de todo o mundo mostrem velhos como eu incluídos na primeira leva.

As angélicas criaturas que comandam esta operação devem ter achado que o Reino Unido ou a Alemanha são países bárbaros e ainda não perceberam nada.

Os velhos de cá continuam a morrer como tordos e até Abril continuarão a desaparecer. Mesmo sem doenças graves, são pessoas fragilizadas

. A idade não perdoa, os organizadores da vacinação também não.

Quanto à organização em si, da vacinação, afirm-se que (havendo vacinas) se poderá cumprir a meta de 50.000 pessoas dia. E8u, que costumo ser optimista regozijo-me com tal fito mas descreio absolutamente. E, aliás, já se começam a ouvir uns zunzuns sobre a participação das farmácias nesse enorme esforço. Para já, a coisa fica-se pela terceira fase mas dada a extrema versatilidade dos comissários pode acontecer que as farmácias sejam mobilizadas mais cedo.

Afirma-se também que os centros de saúde requererão aos hospitais privados listagens de pacientes que neles tratam doenças variadas como a hipertensão ou os diabetes para completar as suas listagens. Ainda ninguém alvitrou um convite aos privados para levarem a cabo vacinação, coisa fácil de fazer dado que as unidades privadas dispõem de instalações modernas e com condições seguramente melhores do que muitos centros de saúde. A mesma ideia que serve para lançar a mobilização das farmácias seria também interessante quando a vacinação começar nos grandes grupos.

Eu sei que isto é uma heresia mas também era heresia falar-se no alargamento da ADSE e ele aí está. Até já de fala de um lucro de 50 milhões/ano!!!

Eu, que já aqui, toquei no tema, pouco me importo com esse acréscimo de cacau. Basta-me o bem estar de mais cem mil utentes que é o que verdadeiramente está em jogo. E o eventual desafogo do SNS (embora a ADSE seja também ela algo que se integra no conceito) no que toca a dezenas de milhares de pequenas cirurgias. E falo com experiência pois, há quinze dias, fiz a operação a uma catarata o que obviamente, neste momento, estaria condenado a um infinito tempo de espera e a uma infinita perda de qualidade de visão e de vida...

Alguém, aqui ao lado, sussurra-me que a publicidade às primeiras vacinações sempre sob o olhar solícito da Ministra que se desdobrou em presenças, se deve à tentativa de convencer os portugueses a vacinar-se. Ainda não encontrei ninguém que não se queira vacinar mas vou fazer o esforço de pensar que meia dúzia de bravatas anti vacina são para levar a sério. Talvez. Isto faz-me sempre lembrar muita gente dita livre pensadora e ateia, Na hora da verdade, o enterro é religioso, os filhos dão batpizados, comungados e até pedem a extrema unção.

Se valesse a pena recomendaria o belíssimo “O drama de João Barois” desse magnífico escritor que se chamou Roger Martin du Gard (Nobel de 1937). E já agora, recomendaria ainda mais “Os Thibault”, um dos grandes romances da primeira metade do século XX. Desconheço se ainda há traduções em português mas, no caso de não existirem , há alfarrabistas em que a obra é fácil de encontrar.

 

 

au bonheur des dames 411

d'oliveira, 24.12.20

images.jpeg

Por vezes genial...

Mas sempre ordinarote!

mcr, 24 de Dezembro

 

O “ano Beethoven” está a chegar ao fim. Fora uma edição das sinfonias oferecida pelo “Público” a preços decentíssimos e da programação das mesmas sinfonias na RTP2 não sei de outras comemorações. É provável que as lojas de discos tenham algumas obras, muitas, até, à venda mas não o comprovei. Já tenho quase duas integrais da obra, melhor dizendo uma edição integral (Brilliant classics, 100 discos+1 )e diferentes peças avulsas em d e em LP. . Desta vez apenas me tentei por uma integral das sonatas para piano (com Barenboim) e vou eventualmente encomendar outra integral dos quartetos qu ouvi na “Mezzo” e me pareceu de grande qualidade. Celebrei os 250 anos comprando para mim e para o meu irmão a “Nona” em bailado (Bejart) que recomendo vivamente. Sou um bejartiano da primeira hora, desde um célebre espectáculo em Lisboa, ainda no tempo da outra senhora que acabou com a polícia a expulsar Bejart de Portugal e a malta do costume a manifestar-se e a apanhar no lombo. Nada de anormal, portanto.

O título do folhetim reproduz, ipsis verbis, uma famosa frase atribuída a um cavalheiro português e melómano que não era exactamente um admirador incondicional de Beethoven. A frase tem quase sessenta anos pois ouvia-a nos primeiros anos da faculdade e despertava uma incrédula troça de quantos a ouviam.

Não garanto que tal melómano existisse mesmo se me tivessem na altura garantido a sua veracidade com nome /que aliás recordo mas omito) e tudo. A ser verdade, a melomania consente absurdos incontroláveis. E permite declarações que raiam a tolice mais absoluta.

Eu adoro música, se bem que não toda. Todavia o leque dos géneros que me comovem, entusiasmam, excitam ou simplesmente me fazem acreditar que é possível, de quando em quando, sentir a beleza absoluta e raiar a felicidade total, é enorme. Quase toda a ópera, a música antiga e barroca, o jazz o rock ‘n’ rol, o blues, os spirituals, o flamenco e praticamente toda a música europeia dos séculos XVIII e XIX e mesmo muitos dos seus prolongamentos no século XX. Há porém, domínios que me são estranhos: nunca fui admirador de Wagner, há óperas russas que nunca terei percebido (como também é o caso de Wagner). Tardei um pouco com a grande música religios.a, missas por exemplo que agora oiço com enorme alegria (alegria é a palavra justa) .

De todo o modo, o mais amado dos meus autores é Mozart, a propósito do qual ouvi alguém (o meu irmão?) dizer que “Mozart era como o porco, aproveita-se tudo”. Mas talvez seja a “9ª Sinfonia” a peça que mais admiro. Não me eijam grandes explicações, aquilo é visceral, não consigo ouvir sem me sentir arrepiado, levado para uma outra dimensão. E comovo-me sempre. Uma choradeira de bica aberta, uma vergonha. Reparem, sou duríssimo de ouvido se é que sequer o tenho. Entre o dó e o ré começo logo a desafinar.

É evidente que a “9ª” tem um multidão de companhias mas é a prima inter pares. Há anos que a minha companhia mais comum quando estou a ler, a escrever o blog, jogar bridge no computador é o canal “Mezzo” que neste exacto momento está a transmitir o bolero de Ravel (um autor que o meu avô Alcino considerava demasiado moderno...).

E tenho uma inveja infame, superlativa das pessoas que sabem cantar, tocar qualquer instrumento, máxime “ferrinhos”.

Tudo dito, Beethoven está entre os anjos a que se refere Manuel Bandeira no poema que junto e que pretende ser o meu pequeno postal de Natal, deste Natal ameaçado mas também deste Natal que para o ano será melhor e mais acompanhado

 

MOZART NO CÉU



No dia 5 de Dezembro de 1791 Wolfgang Amadeus Mozart
entrou no céu, como um artista de circo, fazendo
piruetas extraordinárias sobre um mirabolante cavalo branco.

Os anjinhos atónitos diziam: Que foi? Que não foi?
Melodias jamais ouvidas voavam nas linhas suplementares
superiores da pauta.
Um momento se suspendeu a contemplação inefável.
A Virgem beijou-o na testa.
E desde então Wolfgang Amadeus Mozart foi o mais moço dos anjos.

ma vinheta: o menimo Schroder, pianista que idolatrava Beethoven para grande desespero de Lucy (personagems dos "peanuts" uma vanda genial escrita e desenhada por Schultz. Existe edição portuguesa graças à editora Afrontamento 

Só não garanto que essa edição em vários volumes seja a "integral" dos Peanuts. Cá em casa há 6 volumes.

 

 

au bonheur des dames 410

d'oliveira, 21.12.20

Unknown.jpeg

Ai, os CTT...

(crónica de um naufrágio com uma carta à boleia)

mcr, 21 de Dezembro 2020

 

Hoje fui aos CTT, para enviar um par de livros da Pleiade a um leitor que já é um amigo. À Cautela, já antes passara na mesma estação para comprar uma embalagem onde os livros pudessem ser acondicionados com segurança. Já que se oferece um livro, ao menos que ele chegue ao destinatário sem demasiadas feridas da viajem.

Portanto era só, pensava eu, chegar, pagar o registo e pimba, lá iria i embrulho sem receio s de ser perdido. E eu já explico esse receio que , em certos casos, começa a parecer uma certeza.

Cheguei à estação de correios e deparei-me com uma bicha à porta. Alguém me disse que, era melhor ir tirar uma senha, o que fiz. Uma vez la dentro descobri que dos sete balcões só três estavam a funcionar.

Isto numa quadra onde é grande o movimento!

Esperei uma boa meia hora pelo minha vez, cá fora quase sempre, enquanto o frio apertava e uma chuva irregular ia, de quando em quando, caindo de mansinho.

Eu tinha tentado tirar uma ficha que permitiria não só enviar o embrulho “expresso” mas também registado. Não foi possível por muito que premisse o botão respectivo conseguir tal senha. Pelos vistos, em época natalícia, os CTT mão arriscam.

 

Quando referi o facto ao funcionário que finalmente me atendeu ele sorriu e avisou que enviar fosse o que fosse em regime de urgência era quase inviável.

“Paciência”, pensei, “com sorte, o leitor JMM receberá os livros antes do fim do ano” e, la consegui fazer o registo da encomenda.

Alguém perguntará que é que esta historieta banal de espera já habitual frente a balcões vazios tem a ver com o título. E vamos pois à história. Há um ano, encomendei à amazon francesa quatro livros que, ao todo e com portes custaram praticamente duzentos euros.

Três semanas após a encomenda recebo uma estranha mensagem da amazon avisando-me que a empresa ctt expresso tinha experimentado dificuldades em me entregar a encomenda. E, nas entrelinhas já sugeria que a encomenda se teria perdido. Aliás perguntavam se eu mudara de residência.

Eu, já aqui o disse, sou um leitor impenitente e anualmente recebo umas dezenas de encomendas com livros de vários países. Até à data, nunca me tinha sucedido tal coisa, tanto mais que vivo num prédio com porteiro, tenho sempre gente em casa, incluindo uma empregada.

Achei melhor telefonar para a empresa, expondo o caso. A menina que me atendeu jurou que ia averiguar e, de facto, uns dias depois, apareceu cá em casa, um rapazola, o eventual encarregado de entregar as encomendas, vociferando que “alguém” (eu!) lhe queria “lixar o posto de trabalho”.

Quando chegou à fala comigo, abrandou o tom e jurou que tinha entregado a encomenda à empregada que, uma vez acusada, me garantiu – à frente dele – que nunca vira tal encomenda. Convém dizer que a empregada estava connosco há vinte anos e nunca deixara de receber e entregar as encomendas de livros. “Mais livros”, comentava em tom escarninho, “a srª dr.ª vai zangar-se”. A dita dr.ª é a CG que jura que um dia destes a casa cai, que os livros vindos de alfarrabistas contrabandeiam um pó danado, um cheiro a velho e ocupam demasiado espaço que não há”-

Entendi, escrever à administração dos CTT, enviando aliás uma fotocópia dos avisos da amazon e das suspeitas dela quanto à eficácia da distribuição do correio.

Para meu espanto, recebi uma carta de uma criatura petulante informando que tal encomenda dirigida a uma criatura do sexo masculino de nome mcr fora recebida por alguém que se chamaria “Elisabete” (sic). Retorqui que cá em casa e em todo o prédio (e são 17 andares mais o r/c, não havia ninguém com esse nome.

Passaram umas semanas e os CTT voltaram à carga: desta feita a Elisabete já estava reduzida a uma “Edite”. Também é verdade que a epidemia começara e toda a gente sabe queum dos mais funestos efeitos do vírus é tirar centímetros às pessoas ou, pelo menos, letras aos nomes. Voltei a responder, assegurando que também não constava cá e no prédio nenhuma “Edite”. E adiantava, previdentemente que a tentativa de encurtar o nome inexistente da inexiste criatura que se abafara com os livros também não era “Eva” ou simplesmente “E.” À maneira dos títulos de romances eróticos do sec XIX.

Também me admirava pelo facto de entregarem um objecto à primeira pessoa que lhes aparece à frente. Ai a fé no género humano é tão comvente...

Até hoje, ninguém me respondeu.

Na carta que, entretanto lhes enviara, sugeria que tentassem saber se nos restantes prédios da rua, todos com mais de sete andares, todos com idênticas e fantasiosas designações (eu vivo na habitação 73, o mesmo é dizer no sétimo direito ao lado do esquerdo e do centro). E são apenas cinco ou seis!. ..

Mas há mais: em princípios de Novembro encomendei uns volumes da plêiade. Novamente à amazon. Por razões que desconheço um deles o “álbum” Kessel vinha de um vendedor associado. Trata-se, como o nome indica de um livro muito ilustrado (como os desaparecidos e acima citados!!!...)

Depois de receber os restantes, verifiquei que este não aparecia. Reclamei à amazon A resposta foi espantosa: o livro chegara perto do Porto e depois, sabe-se lá porque razões, teria sido devolvido e andaria agora por Itália. As mensagens da amazon e do vendedor eram claríssimas: fora “la poste portugaise” que entendera não encontrar o destinatário e devolver o livro! A mesma “poste” que encontrara o mesmo destinatário cde outros exemplares da plêiade!

Eu, não tenho opinião formada sobre as excelências do serviço postal público (que era, no mínimo, medíocre) os sobre os defeitos dos serviços privatizados. Todavia, neste caso, há óbvios malefícios. Claro que também sei que os CTT se queixam da redução tremenda do serviço postal e dos lucros cessantes ou dos prejuízos advenientes.

Convenhamos, porém, que o descaso pelos cidadãos é igual, quer se trate de serviços píblicos, quase públicos ou privados. Fecharam dezenas de estações de correio, fecharam outras tantas ou mais agências da CGD, há repartições públicas que desapareceram de dezenas de localidades, e por aí fora. Até os Tribunais desapareceram para não falar de muitas freguesias que foram agrupadas.

Porém, no centro da 2ª cidade do país este caso narrado parece clamoroso. Claro que até pode ser mais grave. Suponhamos que só desaparecem livros valiosos, caros, ilustrados. E que as Elisabetes, as Edites e tutti quanti não passem de pseudónimos de amigos do alheio infiltrados nos CTT. Claro que tudo isto pode apenas ser um azar. Uma coincidência. O que não é azar é a falta de resposta ou as desculpas de mau pagador dos CTT. Há um embrulho perdido por eles. Desde que o reclamante apresente, como fiz, prova, só lhes resta assumir as suas responsabilidades quanto mais não seja por mau serviço. Agora inventar nomes, que mudam quando se reclama é que me parece algo de surpreendente para não usar uma expressão mais crua mas mais verdadeira.

 

 

 

au bonheur des dames 409

d'oliveira, 20.12.20

Unknown.jpeg

Que Natal?

mcr, 21 de Dezembro

 

“O possível!”- responderá quem quiser usar de bom senso.

Porém, nesse possível cabem muitas hipóteses e nem sempre as recomendações da DGS e do Governo (que não são exactamente coincidentes) acertam no alvo.

Comecemos pelos idosos internados nos lares. Em primeiro lugar há lares e lares e, felizmente, nem todos, nem, provavelmente, a maioria, tiveram casos de infecção. E nem todos os idosos estão em idênticas condições de saúde, nem de privação da visita de familiares. Tratar todos da mesma maneira pode ser prudência mas também pode ser desumanidade.

Para um velho, cada Natal arrisca-se a ser o último. E para os seus familiares ficará sempre a ideia de que poderiam ter adoçado os seus últimos momentos ao trazê-lo ao convívio, por um dia ou dois, de filhos e netos. Bastaria haver todas as cautelas e eu creio que na maioria desses casos mais depressa se pecaria por excesso que por falta deles.

Na nossa família, pelo menos naquela que por viver em Lisboa, irei estar longe, o Natal vai ser muito sui generis. A consoada será muito solitária para as duas velhinhas (mãe e tia) que garbosamente vão nos 99 e 95 anos. Estarão juntas mas o meu irmão só estará com elas, como sempre, à tarde. Os netos e bisnetos já as visitaram e também eles estarão longe. Eu, com grande pena minha, só as terei ao telefone. Costumava dividir-me e, todos os anos, nos cinco dias anteriores, estava em Lisboa, regressando a 24 pela manhã. Desta feita, entendemos todos que isso seria mais complicado. Aliás já não visito a minha Mãe desde inícios de Outubro. Foi ela que, prudente, pediu para adiar os nossos encontros mensais.

O segundo grupo que parece ter sido condenado a um Natal diferente é o das crianças institucionalizadas, um palavrão esquisito para caracterizar uma realidade com muitos cambiantes. Também aqui, e sobretudo tendo em conta que as crianças são raramente alvos da infecção ou, sendo-o, resistem bem ao vírus, deveria ter sido previsto um regime flexível e melhor adaptado aos condicionalismos familiares.

Tratar por igual casos que o não são, pode, mesta especial circunstância, ser uma desnecessária crueldade ou pelo menos uma insuportável frieza.

O terceiro ponto que vem a talho de foice tem a ver com a descabelada menção do senhor sub-director geral da DGS que se lembrou dos pequenos almoços aniversariantes e/ou natalícios. O pobre cavalheiro, para além de uma notória falta de jeito para comunicar, não percebeu que o Natal não é só, nem principalmente, a jantarada, o bacalhau ou o polvo, ou o peru, o bolo rei e as rabanadas ou o que quer que seja. Mesmo quando se passa muito tempo à mesa há nessa reunião tradicional uma comunhão especial. Nessa noite, à mesa, ou fora dela, há muitas invisíveis presenças e a promessa de futuras e alegres reuniões. Os mais novos aprendem a guardar a tradição para a vida inteira que lhes resta. Se há uma festa de família verdadeira mesmo para os, que como eu não são religiosos, é esta.

Ainda hoje, recordo com uma imensa saudade, mas também feliz e terna recordação, todos os meus, desde os avós (o avô Alcino que não permitia a ninguém que o substituísse na confecção das rabanadas, a avó Beatriz que trazia as prendas, o avô Manuel em cujo quarto se guardavam os doces a salvo da engenhos rapina dos meus tios maus novos e que tinha uma infinita paciência para os netos, a avó Aldina, doceira exímia e ainda melhor contadora de histórias), aos tios Mariana, José, Marcos e Joaquim, ah o Quim com quem todos os anos ia almoçar no dia 24, sempre um sumptuoso robalo e dose reforçada de grelos que eu fazia questão de pagar e que ele aceitava sob protesto carinhoso e oferecendo-me um livro. Isto depois de termos corrido todos os alfarrabistas conhecidos e bebido várias bicas numa conversa de horas que durou até ao Alzheimer filho da puta que o transformou num zombie que não reconhecia ninguém. E o meu Pai, claro com quem sonho diariamente há quarenta anos...

E outros, muitos outros...

Ora é isto que o sr. sub-director geral ignora ou esquece ou, por alguma arrevesada razão, não refere.

É que, das duas uma: ou o Governo sob parecer da DGS entende que é possível, com todos os cuidados, celebrar o Natal (e a celebração não é um pequeno almoço ou um recado dado no patamar da escada) ou não. Agora dar com uma mão (o dr. Costa) e tirar com a outra (o senhor do bigode farfalhudo) é que incompreensível. Sobretudo quando, na mesma altura, se avisou que não há Ano Novo para ninguém.

Este péssimo habito português de jogar aos quatro cantinhos ou à macaca, em vez de dialogar com as pessoas, de as informar cabalmente, prejudica todos: O governo, as autoridades sanitárias, as pessoas que neles confiam e dá azo a troças infindáveis como está a ser o caso.

É caso para se dizer: Vejam lá se atinam, carago!

 

Leitores celebrando ou não, juntando-se ou não, acreditando na família e no nascimento do Menino ou não, cuidem-se. Ser prudente é, neste momento, a única atitude inteligente. E a melhor prova de amor pelos nossos familiares.