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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

22
Mar19

O maior centro de congressos da Europa?!

José Carlos Pereira

Anunciou esta semana o "Expresso" que a FIL - Feira Internacional de Lisboa vai quase triplicar a sua área nos próximos 10 anos. Dos actuais 41.000 m2 passará para 110.000 m2, num investimento próximo dos 150 milhões de euros. Como sabemos, tudo à boleia dos compromissos para a manutenção da Web Summit em Lisboa.

Nada foi revelado ainda quanto à modalidade e aos responsáveis por tão elevado investimento. Quem paga? Quem fica dono de quê? Quem será responsável no futuro pelos enormes custos de operação e manutenção? Qual o retorno do investimento a médio e longo prazo?

O desregulado mercado de feiras, congressos e eventos ficará no futuro ainda mais desequilibrado entre Lisboa e o resto do país, como se não fosse já suficiente o efeito centrípeto da capital, da proximidade do Governo e demais instituições do Estado.

Passado o compromisso da Web Summit, sobre a qual também muito se poderia questionar, para que precisará o país do "maior centro de congressos da Europa"?!

07
Mar19

Nós, os outros e a recessão (ou o Diabo...)

José Carlos Pereira

De há uns meses a esta parte assistimos a um coro de vários comentadores políticos e económicos de direita, que quase fazem apostas sobre o momento da chegada de nova recessão económica. Bastou um pequeno abrandamento de alguns indicadores nos últimos trimestres para logo virem criticar as opções seguidas nos últimos anos.

Para esses comentadores, é certo que um novo ciclo recessivo está à porta, pelo que o caminho a seguir seria não abrandar a austeridade, não devolver rendimentos retirados a trabalhadores e pensionistas, em suma, não deixar os portugueses "respirar".

A última edição do "Expresso" veio, no entanto, deitar um balde de água fria a esses comentadores e a alguns políticos. De uma assentada, Christine Lagarde, directora-geral do FMI, Olaf Scholz, vice-chanceler e ministro das finanças alemão, e François Villeroy de Galhau, governador do Banco de França, em diferentes entrevistas, defendem que não estamos perante a iminência de uma recessão. Reconhecem, é verdade, que há um abrandamento das taxas de crescimento da economia global, fruto sobretudo de alguma incerteza geopolítica, mas o "Diabo" da recessão não está para já à vista.

12
Fev19

Um exemplo a seguir

JSC

 O Governo, em linha com as confederações patronais, fixou o salário mínimo em 600 euros para o ano em curso.


É provável que algumas empresas já pagassem acima desse valor a todos os seus colaboradores. Contudo, esses casos não são objecto de divulgação pública, não são ou raramente são notícia. Porque será?


Para excecionar a regra, o JN revela que a Empresa Balanças Marques, do grupo José Pimenta Marques, fixou em 650 euros o salário base para os seus trabalhadores, tendo ainda aumentado em 20% o subsídio de refeição para todos os trabalhadores.


Quando ainda há bem poucos anos alguns diziam que aumentar o salário mínimo seria uma desgraça, mais desemprego, mais falências, não só o salário mínimo tem aumentado ano após ano, como ainda há empresas que se superam neste domínio. É o caso desta empresa de Braga.


São um exemplo, um bom exemplo, que bem merecia ser melhor conhecido e multiplicado.

24
Jan19

“Uma história maravilhosa…”

JSC

 Suponhamos que o diretor de ‘ratings’ de uma Agência de notação se pronunciava sobre a dívida pública portuguesa em termos menos favoráveis ou que chamava a atenção para a insustentabilidade da dívida ou para o risco de descontrolo da evolução da mesma.


Neste caso, qual seria o impacto da notícia sobre os canais de TV?


Pelo histórico, seria notícia de abertura de telejornais, objecto de debate, até daria lugar a fóruns, antenas abertas, para que o povo especialista em questões financeiras, opinasse abertamente. Está-se mesmo a ver José Rodrigues dos Santos a tomar aquela pose séria e grave, própria para dar notícias feias, e dizer: “Agência FITCH arrasa…”, tudo acompanhado com o respectivo info-grafismo, que dá sempre credibilidade à coisa. A SIC não deixaria de ouvir José Gomes Ferreira, que chamaria um lote de especialistas, e assim sucessivamente.


Acontece que o diretor de ‘ratings’ da FIFCH acabou de dar a sua opinião sobre a situação actual da dívida pública portuguesa, opinião francamente favorável, não deixando de atribuir mérito às políticas orçamentais seguidas.

 

A descida o défice público de 7% do PIB em 2014 para menos de 1% no ano passado ajudou a tornar Portugal “numa história maravilhosa do ponto de vista de notação”, explicou Douglas Winslow, diretor de ‘ratings’ soberanos da agência.

 

Estras declarações devem ter contrariado a opinião dos fazedores de telejornais e fóruns, de tal modo que, ao que se sabe, não abriram noticiários nem foram notícia nesses canais. Noticia é, para os mesmos, tudo o que puxe para o lado dramático, que ajude a puxar ou a mostrar o lado menos bom da economia, que alimente modas e promova radicalismos. É uma completa assimetria noticiosa.

 

23
Dez18

Foco na atracção de investimento

José Carlos Pereira

Na última semana participei em duas iniciativas que evidenciaram mais uma vez como a atracção de investimento é um elemento decisivo para a competitividade dos territórios, merecendo a particular atenção de autarcas e responsáveis das comunidades intermunicipais e das áreas metropolitanas.

Primeiro, o III Encontro de Investidores da Diáspora, organizado pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e pela Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, que decorreu com assinalável êxito. Cerca de 700 participantes, entre investidores, empresários e empreendedores da diáspora passaram por Penafiel e puderam tomar contacto com a nossa realidade empresarial e com as oportunidades de apoio ao investimento. Esta iniciativa pode acabar por impulsionar novos projectos, a começar pela própria região do Tâmega e Sousa.

Depois, foi a Área Metropolitana do Porto a organizar um oportuno seminário de reflexão sobre as estratégias de mobilização do potencial económico das cidades e das regiões, com o foco na competitividade dos territórios, no ecossistema do empreendedorismo, na especialização inteligente e na inovação. Este evento culminou com a entrega dos primeiros prémios "AMP Empreendedor" a uma empresa de cada concelho da Área Metropolitana.

09
Fev18

Rui Rio, a Google e o El Corte Inglés

José Carlos Pereira

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A propósito do recente anúncio da instalação de um centro de operações da Google em Oeiras, o líder eleito do PSD, Rui Rio, defendeu que este tipo de investimentos devia ser disseminado pelo país. Que Portugal é vítima do centralismo todos o sabemos, mas daí a pensar que se pode determinar em que cidade é que uma multinacional se vai instalar vai uma longa distância. Para a tomada de decisão quanto à localização contam factores como o preço do terreno ou das instalações e os incentivos fiscais, naturalmente, bem como a disponibilidade e qualificação da mão de obra, o contexto económico, cultural e social, as acessibilidades a aeroportos, portos ou vias rodoviárias, a proximidade à cadeia de fornecedores, além de outras questões técnicas que se colocam quando se trata de investimentos industriais.

Rui Rio admitir que o Governo pode determinar se a Google se instala em Oeiras, em Évora ou na Covilhã remete para o domínio da ignorância ou da teimosia. A mesma teimosia que fez com que o então presidente da Câmara do Porto impedisse a instalação do El Corte Inglés na Boavista, exigindo a sua fixação na baixa do Porto, o que fez com que a cadeia espanhola optasse por construir o seu edifício...em Gaia. Quem ficou a perder? O Porto, que viu fugir para a cidade vizinha esse investimento e continua a ter um terreno ao abandono numa privilegiada localização na Rotunda da Boavista.

29
Nov17

Belmiro de Azevedo (1938-2017)

José Carlos Pereira

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Morreu um dos mais destacados empresários portugueses. Belmiro de Azevedo criou o maior grupo privado português e marcou uma época. Fez escola e promoveu as competências que fizeram com que vários dos seus quadros tenham seguido carreiras autónomas de sucesso. O seu percurso não foi feito apenas de vitórias, mas soube sempre retirar ensinamentos dos reveses por que passou, nomeadamente nas suas investidas na banca.

Belmiro de Azevedo levou consigo o nome da terra que o viu nascer e à qual regressava com satisfação. Marco de Canaveses perde um dos seus cidadãos ilustres, alguém com um temperamento abrasivo e difícil, que procurava em todas as circunstâncias fazer prevalecer os seus pontos de vista, não se importando que tal pudesse ser levado à conta de arrogância e impertinência. Era assim perante os principais governantes do país ou mesmo perante os seus conterrâneos e respectivos autarcas, como sucedeu com a intervenção infeliz que fez no congresso que evocou, em 2012, os 160 anos da fundação do concelho de Marco de Canaveses (como aqui então assinalei).

30
Ago17

Parques empresariais e desenvolvimento local

José Carlos Pereira

Um amigo que lidera uma candidatura independente para a Assembleia de Freguesia do Marco solicitou o meu contributo para ajudar a reflectir sobre a relação entre parques empresariais e desenvolvimento local, o que resultou na publicação do seguinte texto no jornal da referida candidatura:

 

"A atracção de pessoas, empresas e emprego qualificado é hoje em dia um dos principais focos das autarquias locais e uma das alavancas em busca da sustentabilidade dos municípios e das regiões.

A competitividade dos territórios depende fortemente da capacidade revelada pelas autarquias para atrair e manter empresas, sobretudo aquelas que possam acrescentar valor à economia local. Isso exige políticas activas que promovam um contexto favorável ao empreendedorismo e ao desenvolvimento dos negócios. Enquadram-se nesse âmbito, designadamente, as medidas de natureza fiscal sob alçada das autarquias, as taxas e tarifas praticadas e o envolvimento dos municípios na agilização dos procedimentos de instalação e licenciamento, que devem ter como mote criar um ambiente facilitador e amigo das empresas.

Um dos eixos mais destacados das iniciativas autárquicas direccionadas para as empresas envolve a disponibilização de terreno industrial devidamente infra-estruturado a preços competitivos. Os parques empresariais, com efeito, são hoje um cartão de apresentação dos municípios mais avançados na captação de investimento e um elemento determinante no marketing territorial.

Os parques empresariais devem ser projectos bem estruturados, com a dimensão adequada ao meio em questão, cumprindo todas as exigências em termos de salvaguarda do meio ambiente e de fruição dos espaços comuns. A gestão condominial desses parques, com a prestação de serviços de gestão ao nível da promoção, da segurança e da manutenção, é um elemento diferenciador e muito valorizado pelas empresas que percebem que têm a ganhar se puderem contar com uma estrutura que as liberte de tarefas menos relacionadas com o seu processo produtivo.

Com a instalação das empresas nos parques empresariais surge com naturalidade o interesse de áreas conexas com a actividade industrial (serviços financeiros, seguros, medicina, higiene e segurança no trabalho, manutenção industrial, consultoria de gestão, restauração, etc.) também se fixarem nesses parques, contribuindo para que essas infra-estruturas se constituam como verdadeiros pólos de desenvolvimento.

Os parques podem também ser um bom exemplo de cooperação empresarial, uma vez que a concentração de empresas de diferentes sectores de actividade num único local fomenta a prestação de serviços entre empresas instaladas e a promoção integrada de marcas, produtos e serviços.

A atracção de investimento qualificado traz também associada a procura de trabalhadores com as qualificações adequadas, o que faz elevar o patamar de formação dos quadros existentes e abre oportunidades àqueles que estão ainda a estudar.

Mais empresas representam mais emprego. Melhor emprego traz melhor remuneração. Mais poder de compra é sinónimo de desenvolvimento da economia local. Tudo o que uma política autárquica deve procurar para afirmar o seu território."

18
Ago17

Empresas do Norte lideram desempenho económico

José Carlos Pereira

As empresas do Norte lideraram os principais indicadores de desempenho económico no período entre 2008 e 2015. Mais uma vez, o Norte a puxar pelo país, antes, durante e depois da troika. Na análise de conjuntura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, sobressai, pela negativa, a perda de população na região (cerca de 135 mil habitantes) na década 2006-2016, explicada sobretudo pelo saldo migratório negativo.

29
Set16

Que competitividade?

José Carlos Pereira

Pelo segundo ano consecutivo, Portugal desceu no índice mundial de competitividade elaborado pelo Fórum Económico Mundial (FEM). E desta vez foi uma queda de oito posições, do 36º para o 48º lugar, no ranking liderado pela Suíça. Entre os factores que mais concorreram para essa descida, destacam-se as taxas e impostos, a burocracia do Estado e a “instabilidade política”.

Depois de ocupar o 23º lugar em 2002, no final dos governos de António Guterres, a tendência foi de descida ao longo da última década, assistindo-se a uma significativa recuperação de quinze lugares em 2014, curiosamente o ano que coincidiu com o fim do Programa de Assistência Económica e Financeira e com a celebrada partida da troika. O arauto Daniel Bessa exclamava ontem na televisão que nem no tempo da troika se assistira a tamanha queda de competitividade em Portugal.

Pois bem, mas afinal o que justificará esta montanha russa do índice de competitividade português medido pelo FEM, que recupera quinze lugares em 2014 e perde oito lugares em 2016? Se os indicadores de saúde, educação, infra-estruturas e mercados financeiros não registaram grandes alterações de 2014 para 2016, se temos até um Governo manifestamente comprometido com a modernização administrativa e o combate à burocracia no Estado, podemos concluir que as grandes variações ocorreram na política fiscal e na solução de Governo em vigor. Ou seja, a competitividade de que os empresários auscultados gostam é aquela que é formatada pelas políticas austeritárias aplicadas pela troika, carregando nos impostos sobre o trabalho, aliviando a regulamentação laboral e seguindo os ditames orçamentais de Bruxelas e do Norte da Europa. Quando aparece um Governo que procura inverter essas políticas, lá se vai a competitividade. É um bom retrato das elites que temos.