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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

ME, 55 - Colégios, 0 (in Público)

JSC, 19.10.20

É mais que certo que ainda nos lembramos das diversas e folclóricas manifestações contra o Ministério da Educação devido às restrições impostas pelo Governo no financiamento dos chamados “contratos de associação”, mecanismo que serviu para transferir milhões de OE para os colégios privados durante anos e anos a fio.

Perdida a batalha política, a Associação dos Colégios Particulares transferiu a luta para os Tribunais. Sabemos agora, pelo Público, que “55 processos judiciais concluídos, 55 decisões favoráveis às posições do Ministério da Educação”. Ou seja, os Colégios perderam a guerra política e perderam a batalha judicial.

Suponhamos agora que a decisão judicial tinha sido desfavorável ao ME logo no primeiro desses processos. O que teria acontecido?

Provavelmente, alevantava-se um coro em redor dos Colégios, a pedir a queda do Ministro. Ora, como processo a processo as decisões foram sendo favoráveis ao ME fez-se silêncio, um silêncio cúmplice que o Público hoje quebrou e ainda bem.

A propósito de encerrar ou não encerrar as Escolas...

JSC, 12.03.20

Pode um governo, mesmo em situação de uma crise de saúde pública, gerir um país contra a comunicação social? Pode um governo tomar medidas técnica e cientificamente sustentadas quando todo o ambiente comunicacional, incluindo profissionais do comentário, vai no sentido contrário?

Ontem durante várias horas reuniu o Conselho Nacional de Saúde Pública. É um grupo formado por 20 pessoas com saberes técnicos e científicos na área da saúde. Contudo, as suas conclusões unanimes foram, de imediato, colocadas de lado por gente que se guindou a presidente de associações “disto e daquilo”, estatuto que lhes confere direito a ter acesso a um microfone e mandar uns bitaites sobre o que quer que seja.

Foi assim que apareceu, hora a hora, um funcionário público de nome Filinto Lima, presidente de uma associação Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, a defender o encerramento das escolas e a proclamar que "um Governo não pode governar por pareceres". Ou seja, O Governo não pode seguir o parecer do Conselho Nacional de Saúde Pública, mas deve seguir o que diz o Senhor Filinto Lima, apesar de em matéria de saúde, provavelmente, saber zero.

Como é barato formar associações, o também Presidente Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, defende, de igual modo, o encerramento de todas as escolas por causa “do medo”.No mesmo sentido, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Jorge Ascenção também acredita que seria preferível antecipar as férias da Páscoa e mandar os meninos de férias na esperança de que depois seja melhor. E se não for?

Ou seja, para estes três “presidentes” com voz e microfone aberto, o Governo não deve levar em conta na sua decisão o parecer de quem sabe. O que deve fazer é seguir o critério do “medo”, o sentir da rua, e fechar todos os estabelecimentos de ensino. Como se percebe é tudo gente bem informada e formada, por isso são presidentes dessas organizações de pressão política.

Depois, há ainda os fóruns que convidam à participação popular. Ontem estudantes universitários foram a banhos quando deveriam ficar em casa ou em locais recatados. Hoje, em vez de criticarem tais comportamentos apareceram comentadores a criticar o Governo por ter comunicado mal, por não ter explicado aos meninos que lá por não terem aulas isso não significa férias.

Não sei qual a melhor solução. Acredito, contudo, que a opinião de 20 especialistas em saúde pública vale mais que a de uns tantos presidentes de associações de funcionários públicos e bem mais que a opinião politiqueira de uns tantos comentadores encartados. Portanto, espero que o Governo não caia na tentação fácil de seguir o microfone das TVs e das rádios.

E o absentismo? Quem cuida do absentismo senhores jornalistas?

JSC, 21.11.19

O estado de criar a balbúrdia nas Escolas Secundárias prossegue o seu caminho. Por algum lado se consolidou a ideia de gerar o caos no ensino público. Há uma agenda clara, visível, com acções concertadas, dia a dia. Os alunos são o instrumento primordial na acção. A todos, associaçoes de pais incluídos, a comunicação social abre o microfone. Não só abre o microfone como incita ao azedume. E se os entrevistados não são acutilantes, o(a) jornalista tem sempre a pergunta certa para obter a resposta óbvia.


Vejamos, ontem foi o dia da folgança na Escola Daniel Sampaio da Charneca da Caparica e numa Escola de Macedo de Cavaleiros. Nesta fase as razões para fechar as escolas é sempre a mesma: Exigem o reforço do pessoal não docente.


A Jornalista passa a notícia. Escola fecha por falta de pessoal. Depois, pelo meio, diz que a escola tem “16 funcionários sendo que 6 estão de baixa por tempo indeterminado”. A jornalista podia pensar, afinal a Escola tem pessoal, o que acontece é que estão doentes. O que se terá passado na Charneca para, de uma assentada, 37,5% dos funcionários ficarem doentes? Quê epidemia ocorreu por ali? E, já agora, em outros locais onde falta tanta gente por doença.


Esta questão, tão óbvia, bem poderia ser colocada às Direcções das Escolas, às Associações de Pais, dos Alunos, aos entrevistados. Seria curioso conhecer a resposta, as soluções que têm para combater o absentismo. E, já agora, porque não conhecer a opinião do sempre presente presidente bastonário dos médicos. Afinal as baixas são concedidas, penso, pelos senhores doutores em medicina.


Contudo, o que a jornalista quer saber é em que “isso afecta o aproveitamento dos alunos?. Em tudo, dizem. A jornalista insiste, “e a senhora sente algum desgaste na sua saúde?" A resposta óbvia, induzida, “claro que sim”.


Em coerência, a jornalista deveria ter prosseguido e perguntado: “então porque não mete baixa”? Não perguntou, mas deve ter pensado que aquela funcionária é uma palerma, bem poderia ir de baixa para cuidar da sua saúde. Grande oportunidade noticiosa era se fossem todos de baixa. Todos menos os alunos, que ficavam para o filme.

Ainda se ouve uma funcionária, a gente faz falta num lado depois fazemos falta noutro lado e andamos assim a ir de um lado para o outro, cansamo-nos muito. É a deixa para nova questão com resposta óbvia, “e a segurança dos alunos está em causa?” Claro que sim, respondem de pronto.


É chegado o momento da conclusão jornalística, o Governo tem de reforçar o pessoal em todas as escolas.

E o combate ao absentismo, quem cuida disso ou isso não é tema para o jornalismo de folhetim?


Seguiu-se igual reportagem numa Escola de Macedo de Cavaleiros, 3.000 alunos sem aulas durante 3 dias. É uma acção do Sindicato recém-formado que dá pelo nome, bem português, STOP.


Quem e como se conseguirá parar esta agenda destruidora da Escola pública?
E quem cuidará da praga do absentismo?
É legítimo que o Governo – este ou outro – deva dotar as Escolas com mais de um terço dos funcionários para suprir o crónico absentismo? Os contribuintes, jornalistas incluídos, estão disponíveis para pagar?
E o que fazer com esta comunicação social?

 

“Não martelem os dados” para atacar o Estado Social

JSC, 22.11.12

Santana Castilho é um reconhecido especialista na área da educação, cujo prestígio está acima de qualquer suspeita, com tribuna assente no Público.

 

Há dois, três anos, quando Passos Coelho começava a fazer o caminho que o confrontou com a opção “ou há eleições do país ou há eleições no PSD”, por essa altura, Santana Castilho parecia aproximar-se dessa ala de pensamento, a ponto de aparecer na comunicação social uma colagem do PSD ao pensamento de Santana Castilho (e vice-versa).

 

Chegado Passos Coelho ao poder, depressa Santana Castilho descobriu com que gente se tinha metido e mais depressa ainda se afastou das políticas delineadas para a educação pelo governo PSD/PP-CDS.

 

No artigo publicado no Público, sob o sugestivo título “Não martelem os dados”, Santana Castilho desmonta, de algum modo, a estratégia que o governo está a utilizar para desmantelar o sistema de ensino público. O Governo não teve pejo em utilizar uma instituição prestigiada como o Tribunal de Contas, com o objetivo de poder apresentar números não validados, falsos, mas que a comunicação propala segundo a visão dos promotores e que articulistas, tipo JMF, fazem eco e replicam numa visão ultra liberal, de autentica obstinação contra o ensino público, de defesa dos muitos interesses instalados no ensino privado pago com dinheiros públicos.

 

O recente artigo de Santana Castilho bem merecia ser lido, debatido e ser objeto de reflexão por todos os agentes do ensino público e pelas associações de pais. O Governo vai deitar mão de todos os instrumentos para desmantelar a educação pública. Para a reduzir a um sistema que apenas sirva os pobres e os novos pobres.

O doutoramento de Adriano Moreira em Cabo Verde

José Carlos Pereira, 03.01.12

O texto do Prof. António Fidalgo, da Universidade da Beira Interior, publicado no "Expresso" desta semana sobre o doutoramento honoris causa do Prof. Adriano Moreira pela Universidade do Mindelo, em Cabo Verde, revelou-me um acto que desconhecia e do qual terá havido um eco reduzido nos nossos media.

Académico e pensador do Portugal contemporâneo, Adriano Moreira é uma daquelas personalidades de espessura invulgar que fazem falta à reflexão e acção política quotidiana, o que não custa reconhecer mesmo quando se está em quadrantes políticos diferentes. Foi, de resto, o único ministro de Salazar que o regime democrático acolheu de braços abertos, tendo sido deputado e líder do CDS no final dos anos 80 e no início da década de 90 do século passado.

Este primeiro doutoramento honoris causa em Cabo Verde reuniu o consenso da intelectualidade e dos políticos cabo-verdianos, contando com a presença do primeiro-ministro e dos reitores das seis universidades de Cabo Verde, entre os quais Iva Cabral, filha de Amílcar Cabral.

Adriano Moreira tem-se empenhado ultimamente na defesa de uma maior aproximação de Cabo Verde a Portugal e à União Europeia. No espírito de muitos estará ainda a revogação da Lei do Indigenato, que privava dos direitos de cidadania os nativos do ultramar, quando exerceu funções ministeriais em 1961/62.

 

O "bom" professor ausente

José Carlos Pereira, 21.12.11

O professor do 1º ciclo do ensino básico Mário Nogueira, actual secretário-geral da Fenprof, está há 21 anos destacado no seu sindicato e afastado da actividade docente. Ainda assim é avaliado como “bom” professor pelos seus pares. Diz ele que foi "avaliado com base num relatório de toda a actividade desempenhada na Fenprof, acções de formação que realizei, conferências e congressos em que participei, artigos que escrevi na comunicação social, tudo".

Ora bem, já que não ensina, alguma coisa haveria de o avaliar como professor, mesmo se já não se deve lembrar do que é pôr os pés numa sala de aula. E teve a nota limite para não ter de concorrer com os colegas e ter de se sujeitar a fazer um trabalho, o que seria uma chatice. Tudo legal e o afastamento de 21 anos da sua profissão também não o impediu de chegar ao topo da carreira docente.

Mais palavras para quê?!

Mudam-se os tempos…

O meu olhar, 20.07.11

Em Março de 2011  a então Ministra da Educação Isabel Alçada propunha na Assembleia da República, a eliminação da área de projecto e a limitação do estudo acompanhado. Na altura toda a oposição, incluindo portanto o PSD e o CDS, votaram contra. Agora o actual Ministro da Educação defende o mesmo, sem oposição à vista. Então e o despedimento dos professores? E a falta de estudos que fundamentem a medida? Mudam-se os tempos... A mim, o que me espanta, é que apenas decorreram quatro meses entre as duas posições.

 

Isabel Alçada em defesa da reforma

 

 

 

 O PSD respondia assim:

 

O Ranking das Escolas e as Olimpíadas de Física

JSC, 21.10.10

Não me recordo de se ter dado algum destaque à participação de estudantes portugueses nas XV Olimpíadas Ibero-Americanas de Física e muito menos aos bons resultados obtidos. Nesses dias a noticia e debate, aquelas conversas fiadas inventadas pela TSF, copiadas pela RDP e que agora algumas televisões já seguem, foram em redor do ranking das escolas, colocando ênfase no mau posicionamento das escolas públicas.

 

Segundo se lê no Público, o bom resultado obtido naquelas jornadas de física foi conseguido por alunos de escolas públicas, o que de algum modo pode contradizer o que jornalistas e comentadores têm andado a dizer.

 

Acresce que o tal ranking, em meu entender, não vale coisa nenhuma, porque compara o que não tem comparação. Como sabe, as escolas públicas admitem, indiscriminadamente, os alunos das respectivas zonas de influência. Por sua vez, as escolas privadas, designadamente as melhores qualificadas nos ditos rankings, seleccionam os alunos que pretendem admitir, apreciam o seu curriculum escolar como se tratasse de uma candidatura a um emprego, recaindo a decisão na escolha selectiva dos alunos de um estrato social médio alto, com um percurso escolar com melhores notas (que não são necessariamente os mais capazes) e, consequente, a eliminação dos outros, que acabarão por escolher uma escola privada menos selectiva ou a escola pública.

 

 Também por esta razão os meios de comunicação social, designadamente os de serviço público, deveriam ser capazes de separar as coisas, dar o toque distintivo que os tornasse diferentes da ligeireza comentarista que reina no universo da comunicação social e que, qual praga, se transmite às pessoas em geral.

É destas notícias que eu gosto

O meu olhar, 16.09.10

 


De acordo com a notícia do DN a secundária Alves Martins, em Viseu, conseguiu que 27 alunos entrassem em Medicina, o curso superior com a média mais alta no País. Um feito do qual poucas escolas do País se podem orgulhar. Na escola, considerada com tradição e referência em Viseu, houve ainda 15 alunos a ingressar em Arquitectura, "outro curso com médias de acesso elevadas". Mas na secundária houve ainda outros oito alunos com médias suficientemente altas para entrarem em Medicina, mas que optaram por Medicina Dentária, Medicina Veterinária e Nuclear.

o director Adelino Pinto, para quem este "sucesso mostra que é sinónimo e resultado de bons alunos, bons professores e boas práticas". O director lembra que, "apesar de estar no interior do País, a exigência é sinónimo de qualidade" e acrescenta que "a escola tem adequado o seu grau de ensino às exigências do Ministério da Educação e da sociedade". Mas salienta que a escola "tenta ir ao encontro do que se exige, e adaptamos os nossos métodos em busca de melhores resultados".

Marta Costa, que ensina português, aponta a "postura exigente e rigorosa" da secundária onde "todos trabalham para o mesmo objectivo". E salienta "uma cultura organizacional apurada que permite ter um objectivo e atingir estes resultados".

Também os alunos apontam a "exigência" como causa para estes resultados, diz Bernardo Santos. "Não andam atrás de nós, mas exigem sem nos castrar", conclui este aluno de 16 anos.Já Carlos Esteves, finalista, garante que na escola "os professores estão sempre disponíveis, mesmo fora dos horários e motivam-nos a ser mais exigentes connosco, remata". Por outro lado, "o ambiente é descontraído, há muitas actividades e os alunos funcionam como um grupo, unido, o que nos impele a querer fazer melhor", assevera Joana Lemos, de 15 anos.

 

 

Esta notícia do DN reforça a ideia que em todas os sectores há quem se esforce, quem procure dar o seu melhor, se envolva e se empenhe para atingir objectivos elevados e outros, com as mesmíssimas condições, optam por se queixarem, deitarem culpas a terceiros pelos maus resultados e deitam-se confortavelmente nas suas desculpas. É assim no ensino, é assim nas empresas, é assim em todas as áreas. Mais do que nas condições, é nas pessoas que está, de facto, a diferença.