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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 889

mcr, 29.02.24

"Climatéricos!"

mcr, 29-2-24

 

Ontem, um tresloucado (perdão, um imbecil que não percebe o mal que faz à própria causa) entendeu dar um banho de tinta verde ao candidato da AD.

Ignoro se Montenegro é um adepto da destruição do planeta pela via do uso de combustíveis fósseis ou de derramamento de plásticos no mar ou outros atentados contra a natureza.

De resto, Portugal nem é dos piores exemplos de pais com más práticas ambientais. Como, aliás, a Europa...

Todavia, há neste desgraçado país, o triste hábito de macaquear tudo o que ocorre noutra geografias. Ninguém se lembra, porém, de que estamos, portugueses e europeus, sujeitos ás indústrias da China, da Índia da Rússia, para não falar na África ou de zonas deprimidas da América do Sul.

Portanto, depois dos episódios de ministros (o último foi Medina) e estúpidas manifestações na via pública, uma das quais poderia ter  acabado muito mal para a dúzia e meia de climatéricos a impedir o transito e que não só não convenceram os automobilistas mas foram sovados enquanto a polícia não chegou, eis que a campanha eleitoral foi visitada por um comando esparvoado. 

Por muito que se queira tirar significado político à coisa, a verdade é que foi o candidato da Direita quem pagou as favas.

note-se que eu escrevi candidato da Direta e nãoda extrema direita que com esse este rapazio cretino mas cauteloso não se mete. É que a hoste cheguista poderia querer fazer o gosto ao dedo e o borrifador de tinta poderia sair do confronto em bastante mau estado. 

Este incidente foi, ainda por cima, tratao pelo atingido, com inteligência e humor pelo que, a todos os títulos deu mais uma oportunidade à AD de ser o centro das atenções e dos noticiários. 

Por outras palavras os palerminhas erraram em todos os campos, irritaram o país, fizeram mal à causa e como houve queixa do atingido ainda alguém vai ser julgado e punido. 

alguém poderia vir dizer que este triste capítulo é obra da generosidade juvenil. Errado:  juventude nãõ deve nunca confundir-se com jumentude e no caso desta rapaziada que anda pela universidade exigia-se alguma inteligência política e uma avaliação do efeito das suas acções dentro do corpus académico e da população em geral.

Erraram a mensagem, o alvo e a opinião pública, incluindo nesta a grande massa estudantil.

Mai do que o delito espera-se que o castigo seja sobretudo o da estupidez imensa  desta gloriosa acção.

Apenas, para terminar, uma pergunta: este delinquente juvenil usa telemóvel (e lembramos a luta das comunidades aldeãs contra as minas de lítio)? Usa "ténis" cujo fabrico é um tentado ao ambiente? Os jeans que traria vem da China ou pior de algum paupérrimo país onde a mão de obra é barata, maltratada e vive sobre a permanente ameaça da poluição atmosférica?

As multas eventuais serão pagas pelos meninos pintores ou pelos papás embevecidos com a proeza heróica dos seus pimpolhos?

 

 

estes dias que passam 888

mcr, 27.02.24

lendo os jornais 

mcr, 27-2-24

 

Não vou iniciar uma cruzada pelo respeito religioso da verdade e pelo cuidado com que se recolhem informações que depois se publicam. Todavia, algumas (muitas)  vezes tais dados e informações ou são falsos ou necessitam de esclarecimento. 

 

É o caso da Crimeia que Miguel Sousa Tavares diz ter sido um bónus de Ieltsin à Ucrânia quando esta se tornou definitivamente independente da União Soviética ou do que restava delas.

Não vale a pena ir demasiado longe para recordar que foi Nikita Krutschev (que não era ucraniano) quem entendeu que a Crimeia não podia continuar dependente da Federação russa, a centenas de quilómetros de distância. A medida, na altura (anos 60) foi apresentada como uma mera economia.

Na época, no houve qualquer objecção como também não se recorda discordância depois da independência. Para a Rússia bastava a base de Sebastopol.

Poder-se-ia vir aduzir que desde a conquista da península e dos territórios adjacentes , a administração estaria centralizada na Rússia czarista. Os territórios ucranianos tinham uma (in)definição bastante vaga o que justificaria a relação com a metrópole mais distante. 

 

A segunda questão que o artigo de MST suscita é a insistência  na "alma russa" e no facto da Rússia ter sido palco de várias invasões. Convenh que, tirando as invasões francesa de Napoleão e a nazi, a Rússia foi mais invasora que invadida. A começar pela Polónia, continuando pela Ucrânia cuja conquista  se fez por etapas só terminando na época de Catarina a Grande. )Neste capítulo, ainda se poderia  falar da "guerra da Crimeia que não passou de um pequeno episódio sem especial relevância e que só é lembrado pela carga da brigada ligeira. Do mesmo modo durante a guerra civil houve alguns esporádicos ataques de pouca monta levados a cabo em apoio às tropas "brancas".

É verdade que durante séculos a Rússia combateu tártaros e outros povos na sua caminhada para a Sibéria e para o Pacífico. O mesmo sucedeu com os povos do seu flanco sul que foram sistematicamente invadidos e conquistados. 

Há teorizadores do imperialismo e do colonialismo que afirmam que essa foi uma autentica corrida colonial. 

É duvidoso que boa parte dos povos não russos da Federação tenha pela "mãe Rússia" um exacerbado amor tanto mais que as condições de vida dessas comunidades não se comparam às dos territórios russos.  Aida por cima a língua e a religião nada tem a ver com a da "mãe pátria"

Isto para não referir transferências forçadas de população cujo mais dramático exemplo é o dos Tatars da Crimeia. 

Não se nega, evidentemente, o chamado "nacionalismo russo, sentimento que em alturas de crise é exacerbado até limites que surpreendem o "Ocidente" onde, de resto também ocorrem (a Polónia ou a Hungria , para não ir mais longe). 

Todos os países se alimentam de mitos e o da "alma russa" tem mais força do que para ós, o da "saudade" lusitana.  

É verdade que alguma da grande cultura russa tem reflexos dessa "alma" e se ancore numa diferença por vezes artificial com o "ocidente"  que, apesar de tudo, foi sempre olhado como algo semelhante a um modelo de desenvolvimento. E Pedro o Grande ou Catarina (ela própria uma alemã) tentaram emular o que de melhor havia nas cortes europeias do seu tempo. 

Por seu turno, o "ocidente" (sempre entre comas) também se alimentou , e muito, da cultura russa e sempre teve de contar com o poderio do império dos czares que quiseram desempenhar um papel na europa.  A Rússia nunca este tão distante como a China ou o Japão ou, até, por vezes, os Estados Unidos quando lhes tocava a febre isolacionista. 

Ou a Turquia  que desde a conquista de Constantinopla (e de boa parte da Europa central e balcânica) também desempenhou um papel especial no imaginário europeu sendo, de resto, ainda hoje, bem mais desconhecida do que a actual Rússia.

 

 

Um outro texto publicado no "Expresso" (aliás apenas uma citação) merece severa condenação- O senhor Lula da Silva, presidente do Brasil, entendeu na sua enorme ignorância da História , afirmar que " o que está acontecendo com o povo palestiniano não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás existiu quando Hitler resolveu matar os judeus".

Estas palavras não denotam apenas uma ignorância supina da História mas são mais do que uma estupidez um ataque de má fé. 

Não vale a pena lembrar ao senhor Lula da Silva, que a "Shoa" teve um alcance inacreditável  e que se baseava na total negação do direito à existência do povo judeu, que continuava uma outra teoria mais vasta que qualificava de sub-humanos um número indeterminado de povos onde avultavam, por exemplo, os eslavos. E os ciganos. E os mestiços das ex-colónias alemãs que tinham escolhido viver no que eles consideravam uma mãe pátria.

Israel cujo nasciento, em 1948, também foi apadrinhado pelo Brasil , é, ao contrário do Reich, uma democracia- Imperfeita claro sobretudo em tempo e guerra. cometendo acções abomináveis de que, destaco especialmente o que se passa na Cisjordânia ocupado por colonatos ilegais e por colonos onde se encontram muitos criminosos  protegidos pelo Exército israelita. 

Nõ vale a pena recordar que os judeus alemães, os primeiros a sofrer a perseguição, eram na sua enorme maioria gente que lutara pela Alemanha Imperial, que ilustrara as artes, as letras e a ciência alemãs e que nunca (até ser tarde demais) pensara ser possível a concretização das ameaças dos nazis (e não apenas de Hitler, é bom lembrar).

É verdade que a resposta israelita ao ataque infame do Hamas (será que Lula da Silva sequer o referiu ou condenou?)  tem características de desproporcionalidade evidentes. Mesmo que o Governo de Israel faça, como faz ou diz fazer, a distinção entre o povo palestiniano e o Hamas que quer a destruição de Israel e o fim dos judeus) mas que mesmo por meios ilícitos tenha sido votado pelos habitantes de Gaza que nunca ignoraram os túneis, os esconderijos, os depósitos de armas e quartéis sob escolas, hospitais ou mesquitas-

Israel já provou no meio do seu imparável avanço até Rafah  que poderia ter aniquilado o dobro, o triplo ou o quádruplo da população  já morta onde avultam, obviamente crianças e menores que, por seu tirno representam mais de sessenta por cento do total dos moradores da faixa. 

Conviria, mesmo se, como é o caso deste cronista, se ande há anos a acusar as autoridades israelitas  de perseguição aos palestinianos, ter bem presente que este enésimo e sangrento conflito é infelizmente mais um episódio de um uma guerra larvar que começou em 1948. Seria bom ter em linha de conta que há regimes, países "mandantes" dos Hamas, Jihad, Hezbolah e outros reconhecidos bandos terroristas que também deveriam estar no quadro de desonra dos fsutores desta guerra.

O senhor Lila da silva não é um vago cidadão de um qualquer país mas o presidente de um enorme país que tem ambições políticas universais e que quer ter ima palavra a dizer nos meios internacionais. 

Isto que disse, e onde disse, deitaria por terra qualquer governante europeu que se atrevesse a dizer a mesma enormidade. Pelos vistos, no Brasil ou ninguém protestou ou se protesto houve foi silenciado. Nem sequer as chancelarias entenderam explicar tão diplomaticamente quanto possível e ao alcance da limitada cultura política e histórica de Lula, que a sua frase é aberrante. 

Nem o cavalheiro da Venezuela também ele antigo sindicalista se atreveu a um dislate deste tamanho. 

estes dias que passam 887

mcr, 26.02.24

"Uma  Campanha triste"

mcr, 26-2-24

 

Nesta campanha é o Chega quem dá cartas pois quase todos os restantes partidos apontam para ele. 

Ou o esconjuram ou o acusam ou ,de certa maneira, o encorajam.

Curiosamente, nem a AD nem a IL entram nesta compita epor razões ponderosas:  o partido do sr Ventura caça nos mesmos territórios, ameaça eventuais maiorias ou, pura e simplesmente avisa que sem ele nada feito.

Digamos que, sem nunca o aclarar directamente, o Chega promete dar o ouro ao bandido se o partidos da Direita não o quiserem como parceiro,

Neste leilão anti Ventura, o sr. José Luís Carneiro resolveu dar um ar da sua graça. 

Convenhamos que JLC é, queira ele ou não, uma espécie de pãozinho sem sal.  Não por se engravatar, não por se parecer a um chefe de turma liceal dos meus tempos,  mas tão só porque mesmo quando esperneia e grita (coisas que nele ficam mal...) é pouco "plausível".

 

Foi por isso que, apesar de um programa sensato, comedido, inteligente, ele perdeu para um aventureiro  que, mal comparado, faz lembrar o Xicão que enterrou o CDS. Pedro Nuno é espalhafatoso, muda de discurso a cada dia,  promete tudo e o seu contrário e ao ouvi-lo ninguém acredita que ele tenha estado no Governo durante anos. Neste Governo que vai sendo czinhado em lume brando pelas reclamações dos corpos organizados que ele despertou quando entendeu sigilosamente dar ouvidos a uma pobre senhora que terá jeito para tudo menos para a política e que se passeou pelo palco vestida de Ministra da Justiça.

Ao premiar a PJ esqueceu-se a desventurada criatura que havia duas outras polícias que mais do que a "Judite" estavam sempre no terreno, todos os dias diante de carteiristas ou pequenos mas ferozes gangsters que por cá também os há.

Esqueceu-se, sempre a desmemoriada senhora, que nas cadeias há guardas prisionais  cuja vida pouco difere e, porventura para pior, dos hópedes qque lá se acolhem a sete chaves. 

Esqueceu-se da ASAE e todas as restantes entidades que de algum modo ajudam a manter a paz pública.

Esqueceu-se, pelos vistos que o país tem uma tropa que de já anos a esta parte parece maltratada, desprezada e mal paga. E com quartéis tão mal conservados como as esquadras de polícia...E claramente mal paga. Para a tropa ninguém (ou quase ninguém) quer ir. Para uma tropa onde eventualmente há mais generais, oficiais e sargentos que praças!

Se se desencadeasse um conflito gordo  pouca serventia teriam as nossas forças armadas. Ontem até um barco foi mostrado com inundações dentro das instalações de higiene!!! Por baixo o mar que é um cão e por cima um liquido mal cheiroso  a molhar as galochas de quem tem de ir fazer uma mijinha! ...

Eu não vou dar conselho algum à citada ministra mas se desse era este, ponha trancas na porta, corra para a Securitas ou outra empresa similar porque se algum gatuno a assaltar  a polícia vai demorar a chegar...

Voltemos porém, ao sr Carneiro que, no começo da campanha entendeu mostrar que é pelo menos um touro, se não um búfalo. 

E resolveu balir alto, digo falar forte  e desperdiçar alguma da fama que obtivera com o seu sensato discurso dentro do PS. 

Note-se que, justamente porque o senhor Pedro Nuno fguinchava e tonitruava mais e mais se impunha a Carneiro um discurso sereno, construtivo, capaz de ser ouvido pelo centrão que não aprecia demasiadamente as esquerdices do esquerdelho PNS.

Pelos vistos essa sabia contenção foi esquecida. E eis que Carneiro vem afirmar que entre a AD (com o seu a IL?) e o Chega havia "acordos secretos" (ou havia conversações sérias e fundadas para o mesmo efeito). Os acusados de conluio misterioso e às escondidas negaram rotundamente o facto.

Temos, pois, que alguém mente. Ou o gentil Carneiro, ou o espalhafatoso Ventura ou o prudente  Montenegro.  

Eu que não vou à bola com nenhum dos contrincantes, mas que tenho a vantagem de andar nisto há muitos anos, suspeito que aqui Carneiro enveredou pelo que agora se chama "inverdade". Não tem havido indícios nem ser lógico para qualquer  das campanhas da Direita andar já a trocar segredinhos e juras de amor. Aquela malta está a disputar o terreno palmo a a palmo a tentar que o voto ´útil seja robustecido, ou pelo contrário a tentar rebentar com o vto útil. Pisar gelo fino como seria ter encontros secretos  seria o fim d picada sobretudo para a AD, mas muito também para a IL. Ni u toca à gangada de Ventura, mesmo se aquilo seja algo de anárquico também não se vê grande utilidade. Ventura quer que os votantes indignados o ajudem e estes só darão o voto se pensarem que não há conluios e que a coisa não descarrile para um governo almofadado 

Carneiro teve portanto uma oportunidade de oiro que desprezou.  Perdeu credibilidade ao fingir que, também ele, sabe uivar como os lobos (coisa que já todos perceberam que não é verdade). Juntar ao pseudo-uivo a mentirola é uma burrice supina  e não ajuda o PS pedro nunista e  ganhar os cavalheiros prudentes do centro.

Vai a campanha ainda no início e já temos com que nos entreter, digo, entristecer.  Aida falta tanto tempo para o 10 de Março!...

 

estes dias que passam 886

mcr, 23.02.24

Fazquefaz?

Zás, catrapaz! 

mcr, 23-2-24

 

Em boa verdade, o sr Pedro Nuno ficou-me na memória desde aquela espantosa tirada sobre os banqueiros alemães de pernas a tremer perante a ameaça lusitana de não pagar uma qualquer dívida. Já nem sequer consigo lembrar-me se o ousado fronteiro mor da Lusitânia usou a palavra pernas ou perninhas. De todo o modo a distinção é irrelevante dada a remenda parvoíce  proferida.

E a partir daí fui-o vendo com os óculos do ridículo provinciano  que, de facto, a criatura é. 

Porém, neste "torrãozinho de açúcar" espadeirada na água caiu bem a um par de cidadãos que terão dito para os seus botões "temos homem!".

E foi desde essa altura desafiadora que PN se começou a impor no "quadrado dos irredutíveis portuguesinhos. 

Sempre de acordo com o famigerado princípio de Peter, este novo Joãozinho das perdizes foi subindo os ásperos degraus do poder partidário e depois governamental.  

E ei-lo Secretário Geral do PS, candidato a primeiro ministro. Agora, mais engravatado, parodiando uma atitude comedidamente serena, eis que sobre a hipóteses de apoiar ou não um futuro governo minoritário da AD  (sempre para salvar a pátria do Chega, tenha ele - espero fervorosamente que não- a votação forte que lhe atribuem ou outra menos ameaçadora.

 

Eu quando sou obrigado a referir esta bambochata de direita com um homem só e presunçoso como timoneiro, tapo o nariz, assoo-me de seguida, e esfrego os dedos matraqueadores do inocente teclado em álcool-

Entretanto ao mesmo tempo que o espadachim socialista prometia carinhosamente uma espécie de apoio ao sr Montenegro, eis que me lembrei do caso dos Açores onde um cavalheiro chamado Bolieira ficou a três deputados da maioria absiluta. Neste caso, e com o mesmo saudável propósito de evitar que ele peça uma boleia (ou a dê) à Direita radical, vastaria que o PS local tivesse o mesmo género de atitude. Mas não e nisso o impetuoso Pedro Nuno  foi claríssimo. Nunca por nunca apoiar o partido vencedor e evitar que ele se atire para os braços  maléficos dos sequazes de Ventura. 

Em que ficamos? 

Em que não ficamos?

Entretanto, depois da promessa feita solenemente ao candidato da AS, nova reviravolta. Afinal para que a coisa funcionasse. Montenegro teria de reciprocamente garantir a um Governo minoritário socialista o mesmo tratamento. 

Dadas as actuais baixas, baixíssimas, espectativas dos partidos de protesto à Esquerda, só uma espécie de milagre das rosas é que poderia pôr o PS no centro da governação.

(relembremos, entretanto, que o PS tinha perdido as eleições contra a coligação PPD/CDS mas o bondoso sr Jerónimo de Sousa lá o tirou da poça onde caíra propondo aquilo que depois se chamou geringonça. E a pátria lá teve um Governo, calma absoluta nas ruas, beijinhos e selfies do sr Presidente da República, e foi caminhando para o futuro numa letargia onde a palavra reforma (s) estava proscrita. 

A geringonça teve o (tardio) fim que se previa e para surpresa de muitos e castigo dos partidos de protesto, o PS ganhou uma imerecida maioria absoluta  que esbanjou em mnos de um ano. 

O actual secretário geal do PS mostrou toda a sua vis criativa de factos que, depois, se traduziram em nada. No aeroporto onde foi obrigado a recuar (mas isso não teve o resultado que se suporia quando alguém é vitima de uma desautorização. Pedro Nuno repreeendido como um mnino desobediente  continuou tanquilamente a fazer que fazia s só o tropeçao da TAP o arrumou, depois de um intenso clima de suspeita o levar a rever "a fita do tempo" e dar o dito por não dito , ou o não dito por dito. 

Convenhamos teve a imensa sorte de ter por sucessor um imberbe ainda menos inspirado do que ele. Assim, o seu regresso a quartéis foi tomado como uma grande habilidade política e o silêncio tonitruante que manteve garantiu-lhe a fidelidade dos falcõezinhos socialistas. Ganhou o secretariado  mas viu nascer uma corrente "à direita" no partido. Valeu-lhe Assis que entretanto lhe tem prodigado algumas bicadas. Pedro diz e Assis desdiz (basta recordar a posição sobre os Açores).

Esta campanha, mais morna do que a temporada semi-invernosa que atravessamos tem mostrado  a tristura geral. Os líderes partidários não conseguem impor-se ou, pior, tropeçam nos próprios pés. Ventura, sempre ele, a menina do PAN, o inventor do LIVRE (incapaz de lidar com algo tão simples como a escola dos filhos) o novo Secretário Geral do PCP cuja falta de carisma é assustadora, a defenestração de uma militante destacada da IL, , a "falta de instinto matador " (sic) de Montenegro, tudo tornou esta pré campanha em algo frouxo, de imprevisíveis consequências.

O sistema eleitoral e sobretudo esta estúpida ideia de não  votar por círculos uninominais (comas medidas de compensação que há muito estão sugeridas e definidas e agora voltam à AR)  afasta os eleitores  que nos principais círculos é obrigado a votar numa molhada de que só conhece os dois, três ou quatro primeiros candidatos. Ora é no que resta da comitiva que seguem em tropel desordenado os aparelhistas, os que tem por missão dizer sim ao que o chefe mandam os absolutamente medíocres e os rapazinhos das jotas que tirocinam para urubus.  

Uma tristeza! 

Será que merecemos isto?

 

estes dias que passam 885

mcr, 20.02.24

A liberdade e a tentação e a reduzir (ou eliminar)

mcr, 20-2-24

 

quem tem a paciência e a generosidade de ler o que vou por aqui debitando nesta espécie de diário  sabe bem que nunca alinhei na hoste dos que, por razões muito deles, estão sempre a protestar contra as magistraturas judiciais. Eles (nas nós também) lá sabem porquê...

Porém, mesmo defendendo a independência do MP e da judicatura, convirá estabelecer linhas vermelhas, pretas ou de qualquer outra cor, a algo que em português se chama andar em roda livre e confundir o bom ndamento de um processo que se inicia com o encarceramento peventivo de alegados suspeitos.

A prisão é sempre um mal maior que infelizmente ainda não integrou a consciência de alguns magistrados que a entendem como panaceia para a falta de argumentação sólida, legal e eficaz sobre a culpa de eventuais arguidos. 

Numa revoada de processos recentes verifica-se que a medida de prisão preventiva proposta pelo MP contra arguidos tem sido a nota comummais evidente que o juiz de instrução tem, sem especial dificuldade se sem aparente entorse à lei, recusado. 

Dá a ideia que, subitamente, o MP tam levado a cabo investigações e acusações sobre as quais paira sempre o fantasma da privação de liberdade. 

É verdade que certa opinião pública, mesmo que minoritária, pouco conhecedora da lei, da ética e dos direitos individuais e açulada pela intemperança das redes sociais que contaminam  os seus seguidores com uma aberrante justiça popular de rua que faz lembrar a famosa frase de Aquilino Ribeiro "quando os lobos julgam a justiça uiva" (mesmo que, neste caso ela se aplicasse a uma sórdida perseguição político-judical movida por extremistas do Estado Novo).

Para além de um aparente à vontade com que se propõe esta medida, temos que os prazos fixados para a apreciação pelo juiz de instrucção das provas aduzidas pelo ;P rramente se reduz aqueles que a lei prescreve mesmo se, como se sabe, não são absolutos.

Depois, parece que, durante o precseeo de aprecaição, o ;P se dá ao luxo de aduzir novos factos não constantes na acusação original. Claro que só o faz se o JI os aceitar mas é inquietante esta novidade. 

Não vou o ponto de, como também, já li e ouvi..., julgar que os senhores magistrados do MP, são demasiado jovens  ou impreparados para usar de um sólido e legal bom senso quanto às propostas de aplicação de medidas de restrição da liberdade. 

Todavia, em certos casos, dir-se-ia são tentados a menosprezar esse doreio à liberdade de qualquer arguido.

Pela minha parte, prefiro um criminoso em liberdade do que um inocente a ferros, Isto ainda não é uma ditadura tropial, um arremedo de Rússia putinista,  uma Coreia do Norte demencial, nem uma dessas desgraçadas repúblicas sul e centro americanas onde os autoritarismos mais funestos se fgeram e as populações abandonadas por Deus e pelos respectivos Governos engrossam as falanges fugitivas e miseráveis rumo à fronteira norte americana.

Claro que não proponho como disciplina integrante do CEJ (Centro de Estudos Judiciários) de um estágio de um ou dois dias numa cela da PJ mesmo que tenha a absoluta certeza que esse isolamento em escassos metros quadrados poderia fazer perceber aos mais cabeçudos o que é estar detido.

Suponho que algum profícuo ensino da ética e da proporcionalidade na aplicação de medidas poderia ser eficaz. Serei ingénuo mas nunca me ouvirão recomendar a prisão por qualquer espaço de tempo como panaceia para um bom desempenho  do acusador ou do julgador nesta fase do processo em que o arguido é, até julgamento definitivo, inocente. Só assim se defende a Justiça e, consequentemente a Democracia. 

   

 

 

estes dias que passam 884

mcr, 17.02.24

From Russia with ...

mcr, 17-2-24

 

O mês de Fevereiro não costuma ser um bom mês para a rússia, desde aquele longínquo de 1917 até um bem mais próximo em que uma operação militar especial que e julgava estar onckuísa em suas ou três semanas sob uma chuva de aplausos da população "irmã" ucraniana que desejaria um Asnchhuss como o Hitler, um cabo austríaco e pintor de brocha gorda levou a cabo na Áustria (num Março infame e obsceno)vinte anos depois da primeira revolução russa. 

Por razões que os nossos russistas nunca perceberão, a dita operação ainda por aí está com um cortejo de crimes e milhares de mortos, cidades destruídas, enfim algo que mesmo no tempo da gloriosa URSS nunca se esperaria. 

Ora foi nesta Rússia actual  que está em vias de conversão em colónia chinesa (no caso de não implodir internamente) que ontem ao obituário normal se juntou o nome de Andrei Navalny, um russo típico dos tempos que correm, ortodoxo, nacionalista mas discordante dos rumos cada vez mais desagradáveis do actual poder no Kremlin. À conta disso, este homem decente entendeu que, depois de se ter oposto a Putin, de ter envenenado por lacaios deste (uma aliás longa tradição russa e soviética...)  de ter quase milagrosamente sido salvo num hospital alemão, deveria voltar à pátria mais que madrasta mdsmo sabendo que à dua espera estaria, como estava, um destacamento policial que imediatamente o prendeu. Seguiu-se um dos mais que habituais processoe (bem na esteira dos famosos de 1936, mesmo que na acusação faltasse um émulo de Vishonsky. 

Como se esperava, foi acusado de crimes tremendos e condenado a uma pena de prisão longuíssima a que, depois, e quase sem necessidade, se juntaram outras como resultado de um delirante desfile de processos. 

A partir desse momento, aliás já antes, as apostas eram simples e cingiam-se ao tempo em que este homem de quarenta e tal anos duraria. 

Há alguns meses, houve notícia que ninguém sabia desse preso tornado famoso pela sua teimosa coragem (se se pode qualificar de coragem normal  um regresso a uma terra onde já fora envenenado uma vez e onde se morre de formas surpreendentes como cair de janelas, tropeçar em escadas enfim coisas que poderão ocorrer uma vez mas que na Rússia se repetiram até à exaustão e sempre com oligarcas famosos mas subitamente caídos em desgraça 

(verifico, neste momento, que me esqueci de referir quedas de avião onde algum louco se faria transportar depois de ameaçar Putin com uma revolta militar que até ao momento em que se auto-suspendeu parecia triunfante e acolhida por gente que batia palmas e confraternizava com os mercenários  -que a seu tempo, pelo menos no caso dos mais graduados morrerão sabe-se lá como . ou provavelmente de dengue, béri-béri, febre amarela doença do sono  e outras especialidades africanas e tropicais.) 

O preso Naalny foi portanto internado numa das famosas cadeias russas mas, por razões que desconheço, o poder local entendeu que deveria ser transferido para uma cadeia longínqua, de alta segurança, em pleno Ártico siberiano . Terá sido aqui, neste local fresco, fresquíssimo apropriado para desportos de inverno que, após uma "Caminhada" (por 0nde?, dentro do recinto prisional ? em pleno sertão gelado no pico do inverno?) o preso Navalny caiu prostrado por uma doença súbita e fatal que oportunamente será dada a conhecer pelos médicos que acudiram em força para constatar o óbito.

Direi, se me permitem que esta morte nada tem de extraordinário ou surpreendente. É mesmo uma morte natural num país onde ao mínimo sinal de  rebeldia, se morre sem especial sofisticação nem preocupação da polícia, da magistratura, do poder que obviamente sempre se crê cercado de inimigos. 

Em boa verdade, esta era um morte anunciada desde o primeiro momento. Espanta aliás a desajeitada tentativa de a fazer ocorrer na Sibéria, no mais profundo dela.  Haveria receio de eventuais testemunhas? Mas as testemunhas por aquela bandas também se evaporam facilmente mesmo ao calor de um descampado coberto de neves eternas. 

Entretanto, há eleições em breve e já se sabe que o vencedor, como não?, será o ex-polícia Putin. à cautela até já foram impedidos de concorrer três ou quatro criaturas suficientemente loucas para o tentar.

A seu tempo terão a sorte de Nvalny mas isso não preocupa o Kremlin nem as suas gentes por cá. 

estes dias que passam 883

mcr, 16.02.24

Something in the air

mcr, 16-2-24

 

"cal the instigators

because there's something in the air

..................

brcause the revolution's here...."

.

O sr director da Polícia Judiciária  saiu do silêncio onde melhor e mais sensatamente estaria  para vir dizer um par de coisas que não tendo a ver directamente com as tropelias do MP acabam por ser uma esfarrapada defesa da mesma instituição. 

Eu não sei o que é que durante tantos anos a PJ e o MP andaram a coligir como provas mas pelos vistos o juiz de instrução considerou todo esse trabalho inútil ou mal amanhado.

Depois, e sempre, obrigatória e legalmente, com essas tremendas provas eis que 200 inspectores invadem a Madeira para angariar ainda mais provas igualmente tremendas. 

Pelos vistos ao deserto anterior juntou-se mais deserto e ao fim de 22 dias eis que três arguidos saem dos calabouços da PJ para a tranquilidade desfeita dos seus lares.

Eu não vou dizer ao sr Diector da PJ o óbvio, isto é que 22 dias hum cárcere são uma boa receita para obter confissões. Seguramente que o distinto funcionário policial repudiaria tal acusação que, de resto, não fiz,

Porém, lembraria aos mais desatentos que numa outra época, num outro regime, uma polícia também outra, fazia exactamente o mesmo. Ou o que aparentemente parece ser o mesmo: primeiro prende-se e depois logo se verá.

Claro que nesses inditosos tempos os "detidos" podiam sofrer tratos de polé e nunca conseguiam ver a cara do advogado corajoso a que recorriam.

No entanto, a situação vivida era a mesma: presos, sem liberdade, sem saber do dia seguinte, sem conhecer tudo o que a polícia encontrava ou inventava, sem ter sequer ideia se amigos, colegas, familiares ou conhecidos tinham ou não colaborado com as !autoridades. Depois, entendo que é ao MP e não à PJ que compete falar do que se passou. Neste caso a polícia foi meramente instrumental ou pelo menos assim o  esperamos. 

É ao MP e à sua preclara Procuradora Geral que competiria vir explicar aos cidadãos eleitores e pagantesc dos impostos o que é que aconteceu, como aconteceu e por que raio de razão um juiz manda para o caixote do lixo acusações, factos(?),  situações(?) e pedidos de prisão preventiva.

Um qualquer inimigo da Democracia e da Liberdade, duas palavras que deveriam ser maiúsculas para todos e especialmente para os membros do MP, diria que há por aí uma qualquer conspiração justicialista, um comboio sem maquinista, um atropelo aos direitos mais elementares do cidadão. 

Cm uma desagradável experiência de estadias na cadeia e de saídas dela sem processo à vista, direi que talvez conviesse indagar se estas personalidades sabem o que é a privação de liberdade nem que seja por apenas 24 horas. É que dá a ideia que não sabem, E, hipótese pungente, não querem saber nem estãrão para isso, para essa maçada de pensar.

Nem sequer vou perguntar se esta marcha de valquírias sombrias sobre a ilha  (e uso a palavra valquíria com todas as suas trágicas possibilidade e efeitos) não terá sido marcada inoportunamente mesmo que eu desconfie (gato escaldado...) que não se tratou de um mero acaso ou de uma tremenda urgência. 

O MP está sob fogo. Jurista de formação, fui durante anos defendendo a difícil situação dos seus membros mas algo me diz que o que é demais, é realmente demais. Alguém tem de ser responsável, alguém tem de responder pelo que poderá parecer uma exacção. 

Não basta vir afirmar que da decisão do juiz há recurso; que o processo não foi arquivado, que continua no seu mais que acidentado trajecto.

Por outras palavras: à mulher de César não basta ser honesta. Tem de parecê-lo-

O Estado não pode, a seu bel prazer, prender e desprender cidadãos, tratá-los como lixo ou como criminosos. É que ao fazer isso, ou ao parecer fazer isso, a confiança do público desvanece-se e o resultado é o regresso a qualquer coisa que se poderia chamar tragicamente Novo Estado ou Estado Novo, esse mesmo onde juízes e procuradores prosperaram viveram subiram na carreira e nada, antes ou depois do dia 25 de Abril, lhes aconteceu.

 

O título recorre a uma  canção de Tunderclap Newman

estes dias que passam 882

mcr, 14.02.24

200 nspectores, 3 presos, 22 dias  de cadeia!

A montanha pariu um rato?

 

mcr, 14-2-24

 

Curiosamente hoje o juiz dr. Manuel Soares, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses escreve um artigo notável (como alas é seu costume) com o título  "detenções e Interrogatórios" ("Público", pag 8  crónica que tem por título gral "Espaço Público). Remeto os eventuais interessados paraessas quatro colunas excelentes e relembro que, na medida das minhas escassas aptidões jurídicas já aqui tinha denunciado os péssimos hábitos das polícias e do MP portugueses. 

Agora, a notícia desta tarde é que depois daquela invasão da Madeira por duzentos inspectores, transportado pela Força Aérea portuguesa e da detenção de três arguidos, um presidente de câmara, e dois empresários  além da constituição do Presidente do Governo Regional como arguido mas deixado na ilha  a assar em fogo lento, o juiz de instrução mandou os arguidos em paz para casa, sujeitos ao mínimo legal  da identificação.

Do que ouvi, de raspão, não há indícios corrupção, menos ainda de branqueamento ! 

Porém, e aqui é que e a porca torce o rabo, estes três cidadãos  estiveram 22 dias nos cárceres da PJ e é duvidoso que a sua reputação não ande pelas ruas da amargura.

Já aqui disse, muito recentemente, que não conheço estes "arguidos" que vieram carregados de acusações infamantes que, para já são vaga fumaça, mas que obviamente terão consequências dramáticas para as reputações, para a vida política de um deles e para os negócios dos restantes. 

Não conheço, não faço tenções de me cruzar com eles, estou-me nas tintas para a excelentíssima Câmara do Funchal cidade onde passei uma única vez (e de barco) há quase setenta anos.

No entanto, sei bem o que é uma detenção policial e sei, por farta experiência vivida no anterior regime, o que é um dia de detenção. Basta um, nem é prueciso referir 22! 

E sei o que são os direitos civis de qualquer cidadão portugês ou, melhor dizendo, o que alguns portugueses democratas pensam sobre o assunto. Ora, nesta história mal amanhada nada correu bem e houve quem se portasse muito mal-

Tudo neste processo `moda do Far West correu mal  e o simples facto de alguns jornalistas terem "adivinhado"  a secretíssima operação diz muito, demasiado, apesar da conferência de imprensa do senhor Director da PJ  ter jurado que nada transpirara cá para fora. O problema, esse irresolúvel, é que a imprensa portuguesa, alguma imprensa, possui uma bola de cristal onde são lidas as futuras acções das polícias... 

Convenhamos que, desta feita, o "entrudo chocarreiro" começou antecipadamente para morrer hoje, quarta feira de cinzas.

E nos despojos aparecem fortemente chamuscados vários senhores procuradores, um sem fim de polícias bem como a reputação dos arguidos.

Tivesse esta aventura ocorrido na Hungria de Orban e tinhamos sermão e missa cantada por uma semana com os oficiantes do costume e a condenação dos capitalistas e dos seus agentes políticos. A Hungria está felizmente longe e no caso em apreço que mete a Madeira há uma espécie e república bananeira que se entretém com a gritaria eleitoral e as telenovelas do costume. 

É assim que se vai fazendo a história.

 por outras palavras:

Quis costudiet ipsos custodes?

(deixo a tradção convosco)

estes dias que passam 881

mcr, 07.02.24

Noutros tempos...

(e nestes!)

mcr, 6-2-24

 

 

Nos pouco exaltantes tempos em que passei pelas priões do anterior regime, uma das queixas mais frequentes era a demora em iniciar os interrogatórios dos presos. 

A PIDE/DGS tinha o hábito de deixar os presos a "amolecer" nos ""quartinhos" do último andar da sede na r António Maria Cardoso.

Estes "quartinhos" tinham, se é que me lembro bem, uma mobília escassa: uma mesa e uma cadeira onde se sentava o agente que nos vigiava. Eram, geralmente, agentes jovens que estavam ainda a aprender as primeiras regras da profissão. Limitavam-se a estar sentados, às vezes dava-lhes para conversar enquanto o preso ia varando dias e noites sem dormir nem se sentar. Eram os famosos tratamentos da "estátua" e do "sono".

Estreei-me nesse regime na última e mais prolongada detenção que sofri. A coisa durou seis dias e mais cinco. O intervalo ocorreu para me permitirem ter visita da minha mulher e meus sogros e, provavelmente, destinar-se-ia a fazer crer que eu já estava instalado em Caxias, onde esse primeiro encontro decorreu.

Este tratamento "amolecedor" terminou quando oinspector que finalmente se dignou aparecer percebeu que os seus beleguins ou informadores parisienses não tinham conseguido perceber que, em vez de um jantar com Hélder Costa, eu teria também almoçado com ele. 

Pelo menos foi isso (uma mentira desafiadora minha) que declarei quando a criatura me atirou à cara o episódio do jantar. Devo dizer,  em abono da verdade e sem querer insultar o Hélder Costa,  que interrogado sobre a nossa conversa, eu me limitei a dizer que fora sobre mulheres coisa aliás plausível dada a fama de D Juan do Hélder. 

Em boa verdade, eu disse ao inspector que, com o HC, nunca me passaria pela cabeça falar de política. Que a fama de sedutor do  Hélder seria do conhecimento da polícia salvou-me de mais interrogatórios e deu como comprovada a minha inocência. Há já largos anos confessei ao Hélder o pouco elegante (mas muito eficaz..) estratagema e ele riu-se perdidamente não sei se pela minha desesperada ideia se pelas saudades de uma juventude recheada de amorios rápidos. 

A partir desse momento, a minha entrevista com o inspector foi fácil. Depois de declrar que nunc pertencera ao PC, o que de resto era verdade, afirmei-lhe que, como oposicionista declarado, sempre me manifestara sem receio da polícia, assinara todo o papel qque me fora apresentado, concorrera acargos na Associação Académica e fazia pública fé da minha ojeriza ao regime. Só que, frisava eu, entretanto acabado de me licenciar em Direito, era perfeitamente salvaguardado pelo famoso artº 8º da constituição e não dava para acusações mais pesadas. Claro que, mesmo assim, penei meses  em Caxias sur mer, numa cela com vista para o rio, e só fui libertado contra o pagamento de uma caução pesada que ultrapassava em 50% as prestadas pelos restantes estudantes de Coimbra, presos na mesma altura e acusados de pertencerem à juventude comunista. Três anos depois, o 25 de Abril acabava com o processo e lá fui pela caução.

Se refiro isto é apenas para afirmar que as actuais condições de prisão dos cavalheiros madeirenses nos cárceres da PJ e a demora em os identificar e interrogar é uma forte mancha naquilo que se convencionou chamar "justiça democrática". 

E, se bem me recordo, é uma excepção à regra seguida em países da UE onde as 48 horas são um princípio sólido. 

Não vale a pena vir arguir com a dificuldade do processo, com as "novas provas" que, de resto tem sempre todo o tempo para serem apresentadas. Há no tratamento dos três presos (que nunca vi, e de que nem sequer tinha ouvido falar) um feio procedimento da magistratura, toda ela, e a posição expressa pela Ordem dos Advogados só peca por não ser mais dura na condenação. Interrogatórios e prisão como (com algumas ressalvas) no antigamente não melhoram a imagem dp poder judicial. 

Há aqui, perdoe-se a expressão, uma sanha conta pessoas que, até à condenação, tem direito em aguardar pelas acções processuais em liberdade e jamais numa jaula seja de que polícia for. 

Eu sei que uma certa opinião pública, muito moldada pelas redes sociais, pela iliteracia ética, moral e jurídica, se rebola de gozo quando vê ricos e poderosos  a contas com a polícia. Vai nisso um certo desespero pela pobreza, pela vida medíocre e sem horizontes, uma indisfarçável inveja e a habitual sanha justicialista que alguém, sobretudo os populistas, sabe mover num sentido bem explícito e claro.

Depois, mesmo que as circunstâncias sejam diferentes, os factos eventualmente mis evidentes  num que no outro processo, basta comparar o tratamento dos "madeirenses" com os da claque portista. 

Até já ouvi, com estes que a terra há de comer, que a rapidez  com que tem sido ouvidos, libertados vários, tem a ver com o facto dos magistrados temerem agressões. Mesmo que obviamente isto pareça injusto e não crível e  que a gravidade dos eventuais delitos  seja absolutamente notória, este modo de tratar uns e outros deixa uma marca  que, a prazo, não melhora a percepção da actividade das magistraturas.

(fique claro que não acredito que a conformidade dos interrogatórios com as regras do procedimento penal se deva a ameaças ou ao temor que elas suscitem)

Não tenho nestas situações descritas quaisquer  parti-pris. Não gosto de claques, não sou adepto de qualquer dos grandes clubes de futebol, não frequento a Madeira, não simpatizo politicamente com os seus dirigentes políticos e nunca tinha ouvido falar dos potentados económicos em causa. Culpados ou inocentes são cidadãos como eu e tem direitos como eu. Isso me basta para referir estes casos.

E, já agora, para me surpreender a coincidencia das acções levadas a abo com os tempos eleitorais que vivemos. Mas isso levar-nos-ia longe e ainda não é o tempo de friamente tentar perceber o que se passa. Ficaremos pela coincidência sem ainda as adjectivar

A proximidade do Carnaval mesmo para quem o não tenciona celebrar  não dá para discorrer sobre a realidade ou as suas aparências

 

 

estes dias que passam 880

mcr, 03.02.24

Finalmente!..

mcr, 3-2-24

 

 

A Casa Branca acaba de denunciar como terroristas  um punhado de colonos judeus (dos mais que ilegais colonatos na Cisjordânia) que já aqui, neste blog, goram denunciados como meros criminosos . De resto não foi preciso muito: essa gente não se coíb  de matar diante de câmaras de televisão, de matar cobardemente, sabendo como sabem que elementos das forças armadas ou policiais do Estado israelita estão a dois passos prontas para os defenderem se, acaso, algum palestiniano pretende ripostar. 

É gente desta que agora se propõe restabelecer colonatos na zona norte da faixa de Gaza para defender Israel. 

Imagine-se ocomo seria tal regresso sobretudo quando Gaza não tem além da fronteira aferrolhada a sete chaves pelo Egipto qualquer outra que não seja Israel. Ou seja, com esta escória criminosa à solta ainda veríamos os palestinianos da zona terem saudades da guerra que ora ocorre.

Ao que parece, estariam já identificados alguns colonos terroristas que verão os seus bens congelados no caso improvável de os terem em território americano. 

Na mesma notícia, assinalava-se que a medida vinha directamente de Biden que, provavelmente, começa a estar mais que farto das tropelias daqueles émulos dos nazis.

Também me chegou a notícia que a diligente comunidade israelita do Porto se zangou muito com as críticas feitas pelo BE .E que teria levado a sua ridicula indignação até à formulação de uma queixa por anti-semitismo.!...

De todo o modo não é a primeira vez que este grupo de criaturas se dá por perseguido e se queixa a toda e qualquer entidade que tenha a fraqueza de lhe dar ouvidos. Não se conhecem é resultados de tão estapafúrdias acções  mas também é provável que a gritaria apenas servisse para aparecer nas notícias e, eventualmente, preparar uma qualquer defesa nos processos que conta a CIP correm. 

A prova de que o HAMAS tem êxito é justamente esta imitação judaica que faz tiro ao alvo na Cisjordãnia  sempre que percebe que as vítimas não tem meios de defesa.

Pelos vistos, tal como os terroristas árabes ainda não perceberam o descrédito que causam e a perda de simpatia por esses mundo fora, europa incluída.