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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Benfica, Vieira & Poder, Lda.

José Carlos Pereira, 15.09.20

O artigo de opinião "O que é o Benfica? Dinheiro sem mística", da autoria de um benfiquista que pensa para além da espuma dos dias, é para ler e reflectir. A estratégia do presidente do SL Benfica, Luís Filipe Vieira, sempre assentou em capturar o poder para a sua trincheira. Quem não perceber isso...

Um voto pelo FC Porto

José Carlos Pereira, 08.06.20

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Votei ontem pela primeira vez nas eleições do FC Porto. Fui um dos 488 associados (5,8%) que votaram em branco, não entregando o seu voto a qualquer das listas concorrentes. Um número expressivo, que inclusivamente superou uma das listas que se apresentou a votos, e que na prática faz com que a lista vencedora, de Jorge Nuno Pinto da Costa, tenha recolhido “apenas” 63,4 % dos votos depositados em urna e não os anunciados 68,65%, que não levam em conta as largas centenas de votos brancos e nulos.

Há quatro anos escrevi aqui sobre o que pensava sobre as eleições e a gestão do FC Porto, clube e SAD. Passados quatro anos tudo piorou: a vigilância da UEFA por incumprimento do fair-play financeiro, as contas cada vez mais depauperadas, o insucesso desportivo na maior parte dos anos, a gestão desportiva errática, os muitos negócios incompreensíveis, alguns deles com a intervenção do filho do presidente enquanto agente de jogadores, situação inadmissível do ponto de vista ético.

Nestas eleições, Pinto da Costa fugiu ao debate com os adversários e procurou embelezar a sua lista com os nomes de Vítor Baía e Fernando Gomes, ídolos de muitos adeptos. Contudo, os principais nomes associados à gestão do clube e da SAD nos últimos anos mantêm-se irredutíveis. Não fico nada certo que estes dirigentes tenham aprendido com os erros cometidos e sejam capazes de renovar métodos e procedimentos.

Nas outras listas concorrentes também não encontrei o percurso, a experiência de gestão e a liderança necessária para inverter a situação em que se encontra o FC Porto. Daí a decisão de votar em branco, sinalizando a minha preocupação com a situação do clube e o descontentamento face à gestão dos últimos anos, bem como a ausência de alternativas válidas para lidar com os desafios que se colocam ao clube.

O FC Porto faz parte da minha vida desde que me conheço, mas essa relação emocional não pode deixar-nos cegos face ao modo como o clube tem sido gerido ultimamente. Pinto da Costa é uma personalidade ímpar na história do FC Porto, mas impunha-se que tivesse o discernimento e a humildade de reconhecer que, se é verdade que largos dias têm 100 anos, também há alturas em que é necessário virar a página, renovar e encontrar um novo rumo para a vida das pessoas e das organizações. Enquanto há tempo.

"Football Leaks" vs. "Luanda Leaks"

José Carlos Pereira, 27.01.20

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Todos temos visto a catadupa de acontecimentos que se sucederam à revelação dos "Luanda Leaks", seja em Portugal ou em Angola. Pois bem, sabe-se agora que foi Rui Pinto que disponibilizou à plataforma internacional de jornalistas os 715.000 documentos que estiveram na origem das investigações tão seguidas e aplaudidas.

O mesmo Rui Pinto que está preso em Portugal por causa dos "Football Leaks", que já provocaram consequências em alguns países, sobretudo por razões de natureza fiscal, mas que em Portugal continuam a ver muito limitadas as consequências desportivas e judiciais das suas revelações. Em Portugal, o foco é sobretudo sobre o mensageiro e não tanto sobre a mensagem. Percebe-se...

Bruno de Carvalho e a Justiça

José Carlos Pereira, 15.11.18

A propósito da detenção e libertação do ex-presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, parece-me de todo inaceitável que uma pessoa, qualquer que ela seja, esteja detida e seja obrigada a pernoitar quatro noites nos calabouços para ser ouvida durante duas singelas horas, sendo posta em liberdade logo de seguida, já que os frágeis indícios dos alegados crimes, cometidos há muitos meses, não sustentavam a sua prisão preventiva.

Esta arrogância e prepotência têm de inquietar a sociedade no seu todo. Ministério Público, forças policiais e de investigação, juízes e demais agentes da justiça devem deixar de olhar apenas para o seu umbigo e colocar as garantias dos cidadãos no centro das suas preocupações

A fraude dele é melhor que a dos outros

José Carlos Pereira, 21.06.18

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No dia em que Portugal iniciava a sua prestação no campeonato do mundo de futebol, precisamente contra a Espanha, era noticiado que Cristiano Ronaldo tinha chegado a um acordo com o fisco espanhol para colocar um ponto final nas acusações de fraude fiscal de que era alvo há algum tempo, na sequência da divulgação do dossier “Football Leaks”.

Para tanto, Ronaldo assumia a culpa pelos actos praticados, aceitava uma pena de prisão suspensa por dois anos e pagava ao fisco um valor na ordem dos 18,8 milhões de euros. Este acordo ainda não foi publicamente reconhecido pelo fisco espanhol, mas não anda muito longe do que já sucedeu a outros jogadores de futebol no país vizinho, pelo que é verosímil que venha a ser concretizado.

Não sei se o acordo teve muita ou pouca influência na excelente campanha de Ronaldo no Mundial, que marcou até ao momento todos os golos da selecção nacional e já bateu vários recordes, mas o que gostava aqui de relevar é que os portugueses olharam para aquele facto com um encolher de ombros e um sorriso nos lábios.

A reacção seria totalmente diferente se um acordo destes com o fisco português ou de qualquer outro país, ainda que por valores bem inferiores, envolvesse outra figura pública, fosse ele um empresário, um profissional liberal de topo, um artista, isto para já não falar de um político.

A comunicação social seguiria exaustivamente as práticas criminosas de fuga ao fisco e a turbamulta das redes sociais trataria de crucificar os envolvidos, quem sabe se chegando a reclamar a devolução de eventuais condecorações nacionais, como já aconteceu em casos anteriores.

Como se trata de Cristiano Ronaldo, um jogador que enche o país de contentamento com as suas conquistas e recordes, já pouco importa a crítica ao seu relacionamento com o fisco e às alegadas práticas abusivas de “eficiência fiscal”. Que os populares assim reajam ainda se pode entender, afinal o futebol é a alegria do povo e tudo se perdoa aos artistas da bola, mas que a comunicação social alinhe pela mesma bitola já me parece totalmente incompreensível.

Nos dias de hoje, contudo, vai faltando a coragem (e a liberdade?) para exercer a crítica aos ídolos, aos mais populares, àqueles que concentram as atenções e proporcionam audiências. Mesmo quando está em causa uma fraude de quase 15 milhões de euros.

 

Declaração de interesses: tenho os impostos em dia, sou amante do futebol e do FC Porto em particular, vibro com os golos de Ronaldo na selecção nacional e…ainda hoje não esqueço o grande golo que marcou no Dragão pelo Manchester United.

O Porto

José Carlos Pereira, 14.05.18

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Com a devida vénia, transcrevo parte do texto que hoje escreve no "Expresso Curto" o director do jornal, Pedro Santos Guerreiro, que mostra compreender bem a simbiose entre o Porto cidade e o Porto clube:

 

"O FC Porto é o campeão desta época, Sérgio Conceição é o homem do ano, Pinto da Costa é a personalidade de uma era.
A era do presidente do clube não tinha afinal terminado, ao contrário do que se escreveu nos últimos quatro anos: se tivesse terminado, o Benfica era hoje penta e Pinto da Costa estaria a receber prémios-carreira. Quando recebeu este sábado a medalha de honra da cidade do Porto, "o Porto que eu amo", tinha a taça de campeão ao lado. Foi o momento mais bonito da noite nos Aliados, entre os cânticos na avenida e os foguetes no céu, "o céu mais azul". Os dois discursos da noite, ambos curtos e não lidos, de Rui Moreira e Pinto da Costa, foram sobretudo sobre o Porto. Não o clube, mas a cidade. Porque o clube faz maior a cidade que é maior do que o clube. "Tornar maior esta cidade" é o desejo inscrito no poema de Pedro Homem de Mello que Pinto da Costa citou. Não por acaso, o poema chama-se "Aleluia".
Benfiquistas, sportinguistas e outros istas desligam a televisão nestes momentos, porque a euforia dos vencedores contrasta com os seus insucessos. Na noite em que os atletas voltaram 19 anos depois à câmara de onde foram desalojados por Rui Rio, e em que nos Aliados se montou uma festa como não havia memória, o batimento cardíaco depende da cor do coração, mas a forma como uma cidade vive é nítida aos olhos de todas as cores. Não se trata de identificação de uma cidade com o seu maior clube, mas da identidade da própria cidade, que celebra como quem vive em família e faz de uma vitória no futebol uma festa da sua própria existência comunitária e cidadania. O Porto só se conhece por dentro e a sorte dos de fora é que a mesa tem sempre um lugar vago para quem queira entrar com autenticidade. "Porto - palavra exacta, nunca ilude", escreve Pedro Homem de Mello.

(…)Pinto da Costa é campeão. O Porto é campeão.

Proselitismo desportivo

José Carlos Pereira, 09.09.16

presidente do meu clube esteve esta semana em Marco de Canaveses na inauguração da Casa do FC Porto, que alguns amigos colocaram de pé e aos quais desejo o maior sucesso. Mas num momento muito crítico, após a renúncia de um administrador da SAD e vice-presidente do clube e na sequência de três anos marcados pelo insucesso desportivo no futebol, que agravaram a depauperada situação financeira, Jorge Nuno Pinto da Costa parece não ter mais para comunicar do que uns ataques a jornais e comentadores por notícias falsas e críticas despropositadas. Um discurso que já não prestigia o clube e que nada adianta para ganhar o futuro.

Enquanto os sócios e adeptos do FC Porto ficarem satisfeitos com esta forma de comunicar e não sentirem a necessidade de um escrutínio mais rigoroso, temo que se continue a perpetuar no meu clube um modelo de governação fechado em si próprio e ultrapassado.

Uma conquista histórica

José Carlos Pereira, 11.07.16

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A vitória na final do Europeu de futebol frente à França conduziu-nos ao galarim dos países com grandes conquistas internacionais na modalidade. Depois de uma final europeia perdida em casa em 2004, que vivi no palco da decepção, o Estádio da Luz, e de outras cinco meias-finais perdidas, duas em mundiais e três em europeus, Portugal alcançou por fim o lugar mais alto.

Esta não foi a equipa que apresentou o melhor futebol, a que reuniu os melhores jogadores, a mais dotada e a mais querida de todas aquelas que Portugal fez alinhar nas grandes competições. Mas foi por certo a mais unida, a mais determinada e a mais alinhada com os propósitos de treinadores e dirigentes.

Creio que o grande artífice desta conquista foi Fernando Santos. Nunca se vira um grupo tão coeso e um reconhecimento tão grande dos jogadores pela acção do seu líder. Portugal, que costumava ser o país dos casos, das polémicas e das meias verdades nas fases finais, foi desta vez a imagem da tranquilidade e da assertividade.

Encheu-se a boca dos críticos por causa do futebol praticado, nomeadamente na fase de grupos, exigindo à selecção os floreados que ela não podia dar. Fernando Santos percebeu isso bem cedo e tratou de fazer prevalecer o pragmatismo, focando-se nos resultados e não tanto nas exibições. Resumiu bem a questão quando disse que não éramos os melhores do mundo, mas que também ninguém nos ganharia com facilidade. E as vicissitudes da final vieram valorizar ainda mais o papel do treinador nacional, que soube guiar a equipa de modo a ultrapassar os revezes e a tomar opções, arriscadas mas ponderadas, que nos conduziram à vitória.

O futebol português e o país estão em festa. Merecidamente. Uma festa que percorre cada canto do planeta onde há um português ou um descendente de portugueses. E foi precisamente dos emigrantes que veio a força suplementar de ânimo e vontade que muito ajudou à vitória dentro do campo.

Viva Portugal!