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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Loucura pouca mansa

José Carlos Pereira, 07.01.21

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O indizível aconteceu ontem em Washington, gerando uma situação muito perigosa para os EUA e para o mundo. Dar uma volta pelas televisões internacionais permitiu ver um apoiante de Trump em "guerra santa", de crucifixo em punho, e um cartaz num carro a apelidar a líder democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, de Satanás. Deveras elucidativo.

Hoje sucedem-se os pedidos de destituição de Donald Trump, o instigador de tudo o que aconteceu no Capitólio. Embora seja difícil que tal venha a ocorrer, seria muito higiénico para a democracia, para os EUA e para o mundo que Trump fosse desalojado da Casa Branca antes de 20 de Janeiro.

Os Pastores da Cisjordânia

JSC, 24.11.20

Os militares chegam e, sem aviso prévio, intimam as pessoas a abandonarem as suas casas, que nem são bem casas, mas que são o único abrigo que têm. Bondosos, os militares concedem 30 minutos para retirarem os pertences, findos os quais dão início à demolição de todas as casas.

Suponho que aquelas pessoas tenham ficado a olhar para o monte de entulho, pasmadas, incrédulas com o que acabara de lhes acontecer. As pessoas e os rebanhos ficaram todos à solta, a céu aberto, por sua vez, as crianças ficaram a conhecer o caminho que Netanyahu lhe traçou.

A vida na Cisjordânia também é isto, a violência contra indefesos que vem do outro lado. O governo israelita vive fora da lei quando assim actua. A comunidade internacional assiste. E se há alguém que o denuncie, aqui-d’el-rei que é anti-semita. O terrorismo tem muitas faces, mas nem todo é combatido com a mesma frontalidade.

A notícia no Público: Demolições israelitas já deixaram quase 800 palestinianos sem casa em ano de pandemia

Número de pessoas sem casa este ano por acções de demolição na Cisjordânia é já o mais alto dos últimos quatro anos. Há duas semanas, houve a maior operação dos últimos dez anos.

A lição da direita espanhola

José Carlos Pereira, 26.10.20

Na passada semana, o Partido Popular espanhol, a principal força de direita do país vizinho, votou contra a moção de censura ao governo proposta pela extrema-direita, tendo o seu líder, Pablo Casado, condenado, num discurso contundente, a prática política, o "ódio, fúria e barulho" do Vox.

O Partido Popular sempre foi extremamente crítico dos executivos socialistas e do governo de Pedro Sánchez em particular, num tom a que não estamos habituados em Portugal, mas isso não o levou a ultrapassar neste caso a linha que separa as legítimas diferenças entre adversários em democracia das posições extremistas de tiranetes que apenas sabem alimentar campanhas de ódio, divisionismo e xenofobia. É certo que há coligações que juntam o PP e o Vox em algumas soluções de governo regional e municipal, mas isso não foi transposto para a realidade nacional.

Esta é uma lição para todos os que, em Portugal, vão defendendo que se deve trazer o Chega para as contas e os alinhamentos necessários ao regresso da direita ao poder. A situação criada nos Açores com o resultado eleitoral de ontem será o primeiro momento em que a direita democrática vai ter de decidir se vale tudo para atingir o poder, contando com o Chega para uma nova maioria parlamentar, ou se prefere manter o partido de extrema-direita isolado no seu reduto, agarrado a princípios e valores de cidadania que devem repugnar todos os democratas.

Os impostos que Trump não paga

José Carlos Pereira, 28.09.20

"The New York Times" faz serviço público. A revelação das declarações fiscais de Donald Trump, que este sempre escondeu, pode ser a machadada que faltava para obstar à sua reeleição. Oxalá Joe Biden saiba tirar partido desta bomba na sua campanha, começando já pelo debate televisivo de amanhã.

"Football Leaks" vs. "Luanda Leaks"

José Carlos Pereira, 27.01.20

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Todos temos visto a catadupa de acontecimentos que se sucederam à revelação dos "Luanda Leaks", seja em Portugal ou em Angola. Pois bem, sabe-se agora que foi Rui Pinto que disponibilizou à plataforma internacional de jornalistas os 715.000 documentos que estiveram na origem das investigações tão seguidas e aplaudidas.

O mesmo Rui Pinto que está preso em Portugal por causa dos "Football Leaks", que já provocaram consequências em alguns países, sobretudo por razões de natureza fiscal, mas que em Portugal continuam a ver muito limitadas as consequências desportivas e judiciais das suas revelações. Em Portugal, o foco é sobretudo sobre o mensageiro e não tanto sobre a mensagem. Percebe-se...

Luanda Leaks

José Carlos Pereira, 22.01.20

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Sucedem-se nos últimos dias as revelações sobre a acumulação de riqueza de Isabel dos Santos a partir da subtracção de avultadas quantias do erário público angolano. É caso para dizer que o jornalismo se prestigia quando investiga casos de grande relevo público e acaba a pressionar reguladores e elites empresariais e políticas, que agora se deparam com o que sempre esteve à vista de todos.

Muitos cooperaram com o regime angolano e com a nomenclatura Dos Santos, fechando os olhos ao que era evidente. Um dos casos paradigmáticos foi a prontidão e a lisonja com que a Câmara Municipal do Porto entregou a medalha de ouro da cidade a Sindika Dokolo, marido de Isabel dos Santos, em troca de uma exposição de arte contemporânea africana e da prometida instalação de uma fundação...de que agora se perdeu o rasto.

A "première" de Jair Bolsonaro

José Carlos Pereira, 02.11.18

primeira entrevista (à televisão da Igreja Universal do Reino de Deus) do presidente brasileiro eleito Jair Bolsonaro não esteve nada mal. Acesso generalizado às armas, vistas como garantia de liberdade pessoal, aos maiores de 21 anos. Maioridade penal aos 14 anos. Deslumbramento com Donald Trump. Ditadura militar? Nunca existiu.

"Um canalha à porta do Planalto"

José Carlos Pereira, 12.10.18

Francisco Assis escreveu um texto incisivo no "Público" sobre as eleições presidenciais no Brasil, no qual retrata Bolsonaro como um “canalha em estado puro”, defende que não há forma de equiparar Haddad a Bolsonaro e, como corolário, desafia o antigo presidente Fernando Henrique Cardoso a vir apoiar Haddad, de modo a fazer justiça ao seu papel histórico.

Uma tomada de posição firme e corajosa de um eurodeputado que tem tido especiais responsabilidades na relação do Parlamento Europeu com a América Latina. Com atitudes como esta, posso reafirmar o orgulho de ter sido mandatário em Marco de Canaveses da lista que Francisco Assis liderou ao Parlamento Europeu em 2014.