Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

04
Mar20

Por uma questão de dignidade, saúde mental e higiene

JSC

Quando começou a falar-se da eventual compra da TVI pela Cofina interrogava-me sobre qual a atitude dos jornalistas da TVI face aos novos donos. Como é que eles iriam subordinar-se às manchetes do Correio da Manhã e veicular no canal generalista o modelo faccioso da CMTV.


Alguns jornalistas já bateram com a porta. Outros, provavelmente, seguirão o mesmo caminho. É óbvio que isso em nada alterará o destino da TVI. Talvez até facilite o caminho e alivie a carteira aos novos donos. De qualquer modo fica o sinal positivo de quem ainda ousa dizer NÃO.


Releva-se, para que conste, a declaração de Constança Cunha e Sá na hora em que também deixa a TVI:

"Devo um esclarecimento a todos os que me seguem ou não e que me apoiaram nestes últimos tempos. Saí da TVI, que durante muitos anos foi a minha casa, por uma questão de dignidade, saúde mental e higiene. Nunca acabaria a minha vida profissional a trabalhar para a Cofina. Lamento"

18
Fev20

SOBRE JUAN GUAIDÓ ANDRÉ VENTURA

JSC

I
O Governo venezuelano suspendeu a TAP de voar para Caracas. O Governo português, pela voz de Santos Silva, reagiu, de imediato, considerando “um ato inamistoso para Portugal”, que “não merece esta atitude” por parte do governo venezuelano.


Santos Silva disse, ainda, que “mal soube da notícia foram desencadeadas as diligências necessárias para usarmos todos os meios diplomáticos para procurar que esta decisão das autoridades venezuelanas seja alterada e que a TAP possa retomar os seus voos”.


Parece-me bem. Diligencie Sr. Ministro, diligencie. Contudo, Santos Silva não esclareceu se tais “diligências” estão a ser feitas junto do Governo da Venezuela, do Presidente Maduro, ou junto de Mr Guaidó, que o Governo português reconhece como Presidente da Venezuela…


Entretanto, o autoproclamado presidente Guaidó e seus apoiantes prosseguem o apelo à mobilização dos povos contra o “ditador” Maduro. Por tudo isso e pelo tempo que tudo isto dura e ainda pelo que se vê e lê, só podemos concluir que mesmo como “ditador”, Maduro é um “ditador” muito incompetente…


II
Em direto ou em deferido costumo ver o telejornal da TVI às Segundas. É quando Miguel Sousa Tavares aparece a opinar/debater sobre a espuma dos dias.

Ontem, para grande surpresa minha, apareceu acompanhado pelo agora institucional André Ventura.

Não sei qual foi a ideia. Mas se Miguel Sousa Tavares pensava que ia desmascarar o populista, a coisa saiu-lhe muito mal.

André Ventura atropelou o MST, deixou-o na valeta e prosseguiu com o seu discurso trauliteiro.

Como não alcanço do interesse de MST em debater com tal personagem será que os patrões da CMTV já ordenaram que a (sua) nova TVI abrisse o microfone ao André Ventura?

23
Jan20

QUESTÕES QUE O LUANDA LEAKS SUSCITA

JSC

Já lá vão alguns anos que, pelo Ano Novo, discutíamos a “acumulação” de riqueza por uma dita élite angolana. Éramos todos oriundos da mesma escola, amigos, com a particularidade de um ser luso-angolano, com grande ligação ao poder e ao MPLA. Era o único a defender, calorosamente, com recurso à teoria económica, os investimentos da Isabel dos Santos e dos que lhe eram próximos.


Não sei que conversa teríamos hoje. Sei que continuo a pensar o mesmo. Era dinheiro a mais para uma pessoa só. E mesmo que dinheiro gere dinheiro, o primeiro dinheiro não podia ter sido gerado. O volume dos investimentos e a oportunidade de cada negócio tornavam isso evidente.


Hoje, atulhado pelo ruído das notícias, centradas em Isabel dos Santos, dou comigo a questionar:


1. Tudo o que tem sido revelado através dos meios da comunicação social deve ser qualificado como jornalismo de investigação ou como pirataria informática?


2. Quem foi o “único denunciante” que entregou os “715 mil ficheiros” à PPLAAF?


3. Como obteve esses milhões de registos?


4. Qual a motivação para disponibilizar essa informação?


5. Como entender que nos 715 mil ficheiros apenas apareça Isabel dos Santos como usurpadora dos recursos públicos?


6.  Se os ficheiros começaram a ser disponibilizados no final de 2018 e início de 2019 porque só agora tornaram pública essa informação?


7. Porque não assacam responsabilidades às auditoras, designadamente à PwC, (que terá recebido milhões e agora saltou fora)?


8. Se todos os negócios e Contas foram auditadas porque é que as autoridades angolanas e mesmo as portuguesas não acusam as empresas de auditoria em causa?


9. Porque é que o PGA foi agora tão lesto e disponível para vir a Portugal e foi tão ríspido e ausente no passado recente (caso Manuel Vicente)?


10. Se os “715 mil ficheiros” foram fornecidos por “um único delator”, como poderemos estar seguros da isenção política, económica ou outra deste delator?


Eis algumas questões a que, em meu parecer, o jornalismo democrático e isento deveria responder.  A corrupção deve ser combatida por meios lícitos e justos. O combate à corrupção não será bem um combate se na génese deste estiverem outros interesses, igualmente mesquinhos e iníquos. Neste combate não deve haver lugar para ambiguidades.

16
Dez19

Vergonha é dar troco ao André Ventura

JSC

A TSF elegeu André Ventura como tema da conversa de hoje. O modo como formularam a questão colocada aos intervenientes já pressupunha, induzia, a condenação do Presidente da Assembleia da República. Não ouvi. Contudo, com grande margem de certeza, o promotor da conversa irá aproveitar para, sob a pseudo- defesa da “liberdade de expressão”, denegrir as instituições públicas em geral e o Presidente da Assembleia da República, em particular.
Eu também penso que o Dr. Ferro Rodrigues, enquanto Presidente da Assembleia da República, não andou bem na crítica que fez à quele deputado. Não tanto pelo que disse, antes porque penso que aquela pessoa, que ocupa aquele lugar no parlamento, deve ser deixada a falar sozinha.


Ele está ali, não pode ser removido, contudo, pode ser ignorado.


O que o Dr. Ferro Rodrigues fez foi dar-lhe palco e abrir-lhe os microfones da comunicação social, sempre zelosa, faminta, por casos, casinhos. É lamentável que jornalistas, como os da TSF e outros não vislumbrem o que move o Sr. André.


Depois do episódio das cadeiras, que deu uma semana de notícias e comentários, tal a importância da coisa, seguiu-se a manifestação dos polícias, as facturas, os votos de pesar, etc. O objectivo é sempre o mesmo, ser falado, aparecer, que notem a sua existência. Tem-no conseguido e de que maneira!


É natural que o Presidente da Assembleia da República esteja cansado de tanta charlatanice, do uso desmedido de palavras vazias de “vergonha” e “vergonhosas”. Não há volta a dar. Vão ser quatro anos disto. Só há uma forma de o conter. Passar à frente, ouvi-lo, sem o ouvir.


Depois, sempre que a TSF, a CMTV, o Correio da Manhã ou outros quiserem dar auditório ao Sr. André Ventura, o melhor é deixá-lo ficar a falar com eles, só com eles.

06
Dez19

Porque correm atrás do Partido Iniciativa Liberal?

JSC

Há dias o Jornal I fez grande manchete de primeira página, com foto em grande pose, com o único deputado do Partido Iniciativa Liberal. Hoje, o Jornal Económico faz grande manchete de primeira página, com foto em grande pose, com o mesmo deputado.


É caso para perguntar, o que é que o Partido Iniciativa Liberal tem?

A conversa dos liberais, uma elite que se protege sob o manto que designa de “ideologia liberal”, é um embuste, um logro, a começar pelo próprio nome. A palavra “liberal” tende a ser entendida como defensores da “liberdade”, o que leva o povo eleitor a olhá-los como inofensivos para a liberdade e direitos individuais. Acresce um discurso assente em pseudo-verdades que à luz do senso comum são assimiladas como verdades inteiras. Veja-se o velho, muito velho, jargão, “menos Estado, melhor Estado”, que ainda rende e vende opções políticas.


Na verdade, a palavra “liberal” é o mesmo que “capitalismo desenfreado”, “sem regulação”. O Estado, para os liberais, é apenas um instrumento, um mecanismo de transferência dos recursos captados, sob a forma de impostos ou outros, para os agentes económicos privados. Essa transferência pode assumir muitos nomes, “parcerias público privadas”, “concessões”, subvenções”, “comparticipações”, isenções fiscais”. Resume-se tudo ao mesmo, transferir dinheiro público para agentes económicos privados.


Os liberais do Iniciativa Liberal estão em linha com os mais que velhos defensores da “liberdade de mercado”, os que sacralizaram o mercado como fonte de todo o bem desde que o Estado estivesse fora da economia. O problema é que não demorou muito a que os próprios Estados aderentes concluíssem pela “falência dos mercados”, pela sua incapacidade em repor equilíbrios económico sociais sem a intervenção reguladora do Estado.


No entretanto, drenaram-se recursos públicos para as empresas, estas drenaram matérias primas e recursos para os países centrais, a que se seguiu a atração de cérebros e quadros especializados. Deu-se por assente, à vista desarmada, que o “liberalismo” criou riqueza, bem-estar. Os deserdados ficaram na sombra. Estavam criadas as condições para a propagação do liberalismo.

 

Para esta fantasmagórica ideia muito contribuem os instrumentos difusores de notícias. Por exemplo, somos atulhados com notícias sobre os coletes amarelos; os sem abrigo; os que tudo fazem os para ajudar, naquela hora; notícias sobre tempo de esperas nos hospitais púbicos, cansaço dos médicos, cansaço dos enfermeiros, cansaço dos professores, cansaço dos ajudantes nas escolas, cansaço físico, cansaço mental, cansaço, um cansaço de notícias.

As margens do caminho estão feitas. Agora é só abrir alas, dar espaço, para os "liberais" combaterem os malefícios do Estado, tudo que for serviço público. Neste quadro até se entende melhor o quê, quem faz correr a comunicação social na promoção intensiva do deputado do PIL.

28
Nov19

De onde vêm os "sem abrigo"?

JSC

Às vezes se nos pusermos a pensar sobre o que se vê e ouve podemos correr o risco de estabelecer ligações desfocadas da prática, do concreto imediato. Claro que se não nos pusermos a pensar não corremos tal risco nem outro de natureza afim.

Anda todo o mundo político-comunicacional entusiasmado com a ideia presidencial de, num prazo muito curto, dar uma casa a cada um dos “sem abrigo”. As pessoas tendem a entusiasmarem-se com estas coisas. Aliás, só por si, o verbo ‘dar’ pressupõe coisas bonitas, justas.

As pessoas, incluindo o Presidente, poderiam questionar, De onde vieram os “sem abrigo”? Como nasceram no Intendente? Na Batalha? Como aumentaram de número? De género? As pessoas poderiam pensar essas e outras coisas mesmo correndo risco de lhe responderem, o que é que isso importa agora? Agora, dirão, há que cumprir a senda do Presidente, há que dar uma casa a cada um.

O problema é que no mundo da pobreza nem a história avança nem os pobres mudam. Nos idos anos 80/90 do Século passado os “sem abrigo” de hoje eram os “moradores das barracas”, barracas que proliferavam nos terrenos baldios e nos subúrbios. Então, os poderes públicos desenvolveram um “Plano de Erradicação da Barracas”. Construíram-se milhares de casas para albergarem os sem abrigo de então, previamente identificados.

Vinte anos volvidos o Presidente mobiliza os poderes públicos, para dar casa aos “sem abrigo”. De onde vêm os “sem abrigo”, Senhor Presidente?

23
Nov09

Ambivalência Ambiental

JSC

Em entrevista à TSF, a Ministra do Ambiente declarou, claramente, que recusa a privatização das Águas de Portugal. Com esta declaração política a senhor Ministra tranquiliza todos aqueles que consideram que o abastecimento público de água é um bem essencial, primordial à vida, de cujo consumo ninguém poderá ser excluído, não passível de ser entregue à iniciativa privada, que actua, muito legitimamente, em função das regras do mercado.

 

Contudo, aquela declaração da ministra é seguida de uma outra, em que afirma que a exploração e a gestão das infra-estruturas possa vir a ser entregue a privados, que, explícita a ministra, assegurarão a correspondente prestação do serviço.

 

O que a ministra não disse, nem o jornalista lhe perguntou, é o que é que resta, para o sector público da água, depois do Estado entregar à iniciativa privada a exploração e gestão das infra-estruturas de captação, tratamento e distribuição de água, incluindo as redes saneamento e respectivas estações de tratamento? Sim, o que é que, neste domínio, sobrará para a esfera pública?

 

Ou a senhora Ministra está, ainda, politicamente, muito confusa ou tem um discurso político muito esquisito, próprio para papalvos. De facto, nestas primeiras declarações, numa matéria (gestão da água) tão sensível e importante, a Ministra diz que não vai fazer o que, no mesmo contexto, anuncia que fará. A ler aqui.

 

17
Nov09

Práticas destabilizadoras

JSC

O Presidente da República viu-se, mais uma vez, obrigado a prestar esclarecimentos públicos sobre a sua agenda. Agora para sossegar o povo disse que não existe qualquer desagrado, da sua parte, com a actuação do Procurador-Geral da República, no que toca ao processo Face Oculta.

 

A questão que se coloca é porque surgem notícias, que o PR tem que desmentir. Será que não é a actuação, pouco clara, do Gabinete de comunicação do PR que acaba por gerar todo este ruído.

 

Vejamos, anunciou-se que o PR ia receber o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Contudo, manteve-se em segredo a agenda da reunião. Pior, nunca se soube se foi o PR que convocou o Presidente do STJ ou se foi este que pediu a audiência.

 

Com tanto segredo o que é que se esperava? Especulação pura e simples. Infelizmente é o que está a dar. Pena é que sejam as autoridades máximas do Estado, de um ou outro modo, a contribuir para a destabilização.