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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

As grandes noticias do dia

JSC, 14.11.19

Um encontro de médicos especialistas da diabetes conclui que estamos mal na prevenção desta maleita. Porque a população está cada vez mais envelhecida, porque os jovens estão cada vez mais obesos. A partir deste saber dito por especialistas, lançam-se fóruns, debates, ouvem-se outros especialistas, convocam-se as diversas associações – de médicos, utentes e outros – que cuidam da diabetes e temos matéria para uns dias de entretenimento público.


De um encontro de médicos especialistas no tratamento do cancro da mama ganha relevo a declaração de uma investigadora. Anuncia, com grande estrondo, há uma política de saúde para ricos e outra para pobres. Porquê? Porque, diz, há um medicamento que poderia dar mais um ano de vida, um ano, o Infarmed ainda não o disponibilizou, acusa. A partir deste nicho de sabedoria, não contraditado, lançam-se fóruns, debates, ouvem-se outros especialistas, convocam-se as diversas associações – de médicos, utentes e outros – que cuidam do cancro da mama e temos matéria para uns dias de entretenimento público.

 

De uma plataforma entre a Fenprof e uma ou duas associações lança-se um desafio ao Ministro da Educação para que apresente uma lista das escolas com amianto nas suas instalações. Este anúncio ganha relevo comunicacional e assume grande urgência pública. A partir deste desafio lançam-se fóruns, debates, ouvem-se especialistas, convocam-se as diversas associações – de professores alunos, pais dos alunos e outros – que interagem com as escolas e temos matéria para uns dias de entretenimento público.


Tanto entretenimento para quê, a favor de quem? Há claramente uma agenda medíocre na comunicação social. É lamentável que o próprio serviço público de comunicação social – RTP/RDP – alinhe e até lidere essa agenda.


Depois, há muitos especialistas, presidentes de associações, a carecerem de visibilidade, que contribuem para essa agenda. Quem ouvir as recentes declarações do Professor/sindicalista Mário Nogueira, a propósito do amianto nas escolas, ficará elucidado sobre o que é um discurso populista, vazio, fulanizado. Conversa que apenas acrescenta ao campo do populismo.


O populismo é o grande beneficiário deste modelo de comunicação assente numa lógica de entretimento público. O problema é que tudo isto apenas aproveita à direita da direita. O resultado das últimas eleições provam-no.

Conversas no Moinho de Vento

JSC, 19.01.18

Ontem, alguns elementos activos (e inactivos) do Incursões juntou-se para jantar. O bando dos cinco resistentes, nestes jantares, compareceu à  hora marcada, coisa nem sempre habitual. 

 

Desta vez, a comezaina ocorreu no Moinho de Vento, que fica no Largo com o mesmo nome. O repasto foi agradável, bom vinho, escolhido, como sempre, pelo JCP. Também muito interessante, como se esperava, foi a multiplicidade de temas em debate.

 

A conversa tinha o ritmo que a mó lhe dava. Era como se o vento que entrava pelas frestas das velhas janelas moldasse as palavras que se usavam em tom adequado ao ruído ambiente. Não escapou a avaliação dos incêndios, dos Bombeiros, cada vez mais corporativos, mais intrometidos no negócio, imprescindíveis, mas têm de ser postos no sí­tio, concluía-se. O Serviço Nacional de Saúde, a excelência das USFs . Os Médicos de família e a falta deles, os privados pendurados no Estado. Os Enfermeiros, a Justiça, sempre a justiça, Angola, os acordãos que não se cumprem, a Ministra que não merece que a destratem, o Diabo que não larga a oposição porque a oposição ampara-se no diabo, o Bloco que quer por toda a gente no Estado, sem perceber o que lhe está a acontecer. A comunicação social pejada de comentadores disto e daquilo.

 

A mó do moinho não pára a conversa, o vento está a favor. De vez em quando um grão ou uma areia emperra a mó, que salta e estremece. É inverno e mesmo que os dias já estejam a crescer as noites ainda são compridas, o bastante para os interesses corporativos deverem ser contrariados na proporção do silêncio que assumiram no tempo dos cortes cegos, dos aumentos colossais... de impostos.

 

Com tanta gente a reivindicar o que se lhe deve e o que não se lhe deve. Ainda vão ter saudades do Passos. Quem foi que disse? Fez se silêncio. Isso não. Mas pode tornar-se complicado, os Juízes querem novo Estatuto. Os Enfermeiros, calados ontem, querem agora e já o que não reclamaram antes. Os Professores pedem o absurdo sem avaliação que lhes toque e até ameaçam com grandes lutas, antes que as flores rebentem. Os Médicos seguem reivindicações sonoras, que o povo não entende. Até os Bombeiros aparecem a reivindicar o direito de decidirem polí­ticas florestais e como formar e aplicar dinheiros inteiramente públicos.

 

Tantos temas para três, quatro horas. Um sem fim de reivindicações egoístas, corporativas que se alevantam e que a comunicação social alavanca. O efeito final até pode ser a descredibilização das polí­ticas em curso, a desmobilização da confiança nas polí­ticas actuais, o reganhar da confiança e dos votos perdidos pela oposição. 

 

A questão que se coloca bem pode ser esta: onde andavam todos estes dirigentes corporativos, incluindo o dos Bombeiros, há três ou quatro anos? É que não os ouvia nem via. Tolhidos de medo? Desnorteados pela pancada que levaram? (cortes salariais, aumento do tempo de trabalho, eliminação de feriados, corte nas horas extraordinárias, ...,). Esta foi uma das questões que não se debateu no nosso jantar. É um bom pretexto para um novo jantar, antes que o movimento corporativista se fortaleça e nos amarre a um destino incerto.

QUEM AJUDA?

JSC, 15.01.18

Um ladrãozeco resolveu assaltar uma moradia na Madalena, VNGaia. O que roubou este ser do gamanço? O fecho do portão de entrada; um velho motor de tirar água de um poço; o contador da água; uma torneira; algumas peças de ferramentas.

 

Para pedir a reposição do contador da água parece ser preciso obter um documento de participação do roubo à PSP. Lá fomos à PSP.

 

No primeiro dia, o guarda que guardava a entrada disse que o melhor era ir lá mais tarde ou no dia seguinte, o atendimento estava muito demorado. Anuímos e fomos no dia seguinte.

 

Hoje, chegados lá, o guarda que fazia o atendimento perguntou e nós dissemos que era para apresentar queixa de um roubo.

 

De imediato, levantou se e foi falar com o outro guarda que estava mais resguardado. Este acenou com a cabeça, levantou o dedo indicador, que depois se percebeu que queria dizer que apenas podia entrar uma pessoa, apesar de haver duas cadeiras.

 

Exposto o que se pretendia, o Senhor Guarda disse que não, que apenas o dono pode apresentar queixa.

 

- Mas o dono está internado no HSA, não se sabe quando terá alta.

 

- O Sr Guarda: ...pois, mas não pode ser, só podemos aceitar a participação do dono, ele tem seis meses para apresentar queixa.

 

- Mas nós precisamos do documento da participação do roubo para apresentar e pedir a reposição do contador e a ligação da água. A casa está sem água...

 

Nada demoveu o Sr Guarda, dizia que a lei mudou há um ano, agora só o dono pode apresentar queixa e obter cópia da participação, não pode entregar a cópia a mais ninguém, só o Tribunal, a lei é assim...

 

Perante tamanha oposição desistimos não fosse a nossa insistência ainda ser tomada como desobediência.

 

Será que é mesmo assim? Um familiar (filha) não pode apresentar queixa na PSP de um roubo em casa do pai, que se encontra ausente e impossibilitado de ir à  esquadra? Será que a lei que é assim tão estúpida? Para beneficiar quem? As estati­sticas? Os ladrões?

 

Quem ajuda a encontrar saí­da para este imbróglio?

 

Afinal de contas só se pretende obter da PSP um documento que comprove  a participação do roubo, para o entregar na Empresa da Água. Mas nem isso a PSP faz. Faz sentido?

“Injustiça animal”

JSC, 01.06.09

 

«Pires de Lima tinha já suscitado o aplauso dos cerca de 400 militantes presentes, com um forte ataque à justiça portuguesa, afirmando-se "revoltado e indignado" com a "injustiça animal" que determinou a entrega da Alexandra, a menina russa de seis anos, à mãe.

"Eu bem sei que não é suposto os políticos meterem a sua colher naquilo que é dito o espaço próprio da justiça, mas eu não sou político e quero confessar que me sinto revoltado, indignado com a forma como as crianças são tratadas por algumas decisões judiciais neste país", disse.

"Posso ser politicamente incorrecto, mas sinto-me indignado por ver uma criança de seis anos ser retirada como se fosse um animal à sua família e não haver quem responda politicamente por esta injustiça animal", acrescentou .»

 

Injustiça animal o que é? Uma não justiça? A falência do sistema de justiça? Ou será algo ainda pior? Pires de Lima não é uma personalidade qualquer e não deve ter proferido aquelas declarações no calor comicieiro, logo as mesmas declarações deveriam merecer profunda reflexão e reacção dos “aplicadores” da justiça. Para já domina o silêncio, ao estilo do “quem cala, consente”.

 

Opções Ferroviárias

JSC, 14.01.09
A comunicação social de hoje dá conta que, lá para o Verão, vai ser lançado o concurso público para a construção do TGV entre o Porto e Vigo. Esta obsessão governamental deve deixar-nos muito felizes, porque aquilo que a Região Norte mais precisa é da ligação por TGV entre o Porto e Vigo.