Um novo ciclo político em Marco de Canaveses

Na edição de hoje do jornal A Verdade, publico um artigo de opinião acerca da actualidade política em Marco de Canaveses, concelho que me viu nascer e onde já fui autarca:
" O ano de 2026 assinala verdadeiramente o início de um novo ciclo na vida política de Marco de Canaveses. Por um lado, a recente aprovação do primeiro orçamento do último mandato de Cristina Vieira como presidente da Câmara Municipal lança as bases do que se pode esperar da acção do novo executivo. Por outro lado, as eleições que se avizinham para os órgãos concelhios de PS e PSD podem deixar algumas indicações acerca da forma como ambos os partidos se começam a preparar para o futuro.
Cristina Vieira venceu as eleições de Outubro depois de ter apostado numa renovação do seu executivo. Manteve ao seu lado Nuno Pinto como vice-presidente e escolheu para a vereação novos colaboradores com diferente experiência autárquica e política. José Manuel Carvalho, quadro dirigente da autarquia e com ligação anterior ao ensino profissional no concelho, foi vereador e candidato a presidente da Câmara de Castelo de Paiva, além de ter responsabilidades na Federação do PS/Aveiro. Raquel Pereira, que veio do sector privado, foi presidente da Junta de Freguesia de Penha Longa e Paços de Gaiolo e é dirigente do PS/Marco. É certo que o PS elegeu desta feita menos um vereador, mas isso não foi surpreendente, nem sequer uma novidade. O mesmo aconteceu a Avelino Ferreira Torres nos seus dois últimos mandatos e também Manuel Moreira esteve a muito poucos votos de perder o vereador que lhe garantiu a maioria na sua última eleição.
Cristina Vieira quererá, por certo, deixar obra assinalável neste último mandato. O orçamento de 2026, aprovado sem votos contra, é o maior de sempre: 64,3 milhões de euros, valor que deverá ser ainda reforçado com o saldo de gerência que vier a ser apurado no exercício de 2025. As principais prioridades do orçamento – água e saneamento, habitação, infra-estruturas e educação – são bem reveladoras das opções do executivo. Realço em particular a aposta na recuperação do atraso estrutural do município na disponibilização de água e saneamento e o maior investimento alguma vez feito em habitação pública, medidas com impacto directo na vida de muitas famílias.
Estas prioridades do executivo serão acompanhadas de outros projectos desafiantes, desde logo a transformação da antiga fábrica da Electro Moagem do Marco como pólo de desenvolvimento económico, social e cultural, com infra-estruturas vocacionadas para a qualificação, promoção e fomento das empresas, do turismo e do emprego no Tâmega e Sousa, beneficiando das parcerias já anunciadas com o Instituto Politécnico do Porto e o Turismo de Portugal, entre outras entidades.
O último mandato de Cristina Vieira traz consigo renovados desafios à oposição, cujo papel é inestimável no poder local. Fiscalizar e acompanhar a intervenção do executivo maioritário no dia a dia, assegurar uma gestão exemplar nas juntas de freguesia conquistadas pela coligação PSD/CDS e começar a delinear uma estratégia tendo em vista as autárquicas de 2029 são diferentes vertentes daquilo que se pode esperar, em particular, do PSD. Creio que, enquanto o vereador Mário Bruno Magalhães e a estrutura local do PSD comungarem dos mesmos propósitos, não haverá reflexos das feridas que resultaram das escolhas efectuadas pelo PSD em 2025. Se eventualmente se vier a perceber que o PSD, que fez eleger para a Assembleia Municipal alguns dos seus principais dirigentes, como Francisco Sousa Vieira ou Luís Vales, pretende valorizar outros protagonistas, aí podem surgir as primeiras dissensões na forma de conduzir a oposição.
As eleições internas no PSD, que decorrem no final do próximo mês, podem dar sinais acerca das posições do partido no futuro próximo. Um nome que circula em alguns sectores como potencial candidato à liderança da concelhia é o de Joaquim José Aguiar, actual vice-presidente e um dos vencedores das recentes autárquicas ao ganhar a Junta de Freguesia de Tabuado. Falta saber se quadros hoje mais afastados da vida partidária, nomeadamente antigos autarcas do tempo das maiorias de Manuel Moreira, consideram que é a altura de regressar às lides eleitorais, começando a preparar o caminho para 2029.
Do lado do PS, também são esperadas eleições internas nos próximos meses. O actual presidente da concelhia, Gabriel Carvalho, deve ser eleito este mês como secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa e pode não ter as melhores condições para se recandidatar. Nesse caso, será curioso ver quem avança para a disputa interna, sendo quase certo que Celso Santana, derrotado há dois anos, voltará a apresentar-se a eleições, não escondendo de ninguém o objectivo de ser candidato à presidência da Câmara Municipal em 2029."




