As questões que envolvem a despenalização da eutanásia não são simples. Mexem com valores profundos e com a consciência de cada um. Não é matéria de esquerda ou de direita, como aliás se tem visto pelo posicionamento de alguns partidos e dirigentes.
Posto isto, merece um aplauso a forma como os partidos se apresentaram neste processo e como o discutiram serenamente na Assembleia da República, independentemente das posições defendidas. Os cinco projectos que estavam a votação foram aprovados na generalidade e segue-se agora o processo legislativo na especialidade, que se espera também ele sereno.
Quem, como eu, viveu de muito perto, na juventude e adolescência, o processo de degradação física e mental de familiares próximos percebe como é difícil lidar com situações terminais. Cada caso é um caso e creio que ninguém está em condições de impor soluções a outrem, mas fico confortável ao ver despenalizada a eutanásia para aqueles que, de forma consciente e acompanhada por profissionais especializados, pretendem colocar termo ao sofrimento incomportável e à doença irreversível. Pôr fim à vida nessas circunstâncias é um acto simultaneamente de desespero e de consciência plena. De dor infinda. Mas que não pode ser crime para quem opta por esse caminho.
Sou do tempo em que o sindicalismo era uma actividade nobre, de intervenção…
Nos dias de hoje olhamos para muitas práticas sindicais e só podemos concluir pela perversão do movimento sindical, tomado de assalto por pessoas que, verdadeiramente, nunca foram confrontadas com o problema da perda do emprego, com a exigência da pontualidade, da produtividade. Estou a falar de pessoas que têm no sector público a sua zona de conforto, exactamente o sector onde não se observa, directamente, o confronto entre o dono do capital e o trabalhador em si mesmo.
Deve ser por isso que é neste sector que estão a surgir as maiores aberrações sindicais. Os partidos, todos os partidos, não podem continuar a fechar os olhos a esta realidade perniciosa, que acabará por ser contrária ao próprio movimento sindical e aos princípios que deve prosseguir.
Há dias um presidente de um sindicato decidiu fazer uma greve de fome. Onde? À porta do Presidente da República.
Hoje, um presidente de outro sindicado decide iniciar uma greve de fome. Onde? À porta do Presidente da República.
Como parece óbvio, estas pseudo greves de fome não passam de um reality show, a clamar a atenção do Presidente e, em especial, dos tempos televisivos.
Por se tratar de um reality show, não nos devemos preocupar com o assunto, até porque o estado de saúde destes grevistas não correrá perigo, em momento algum.
Quando ouvimos (e ouve-se demasiadas vezes) um destes sindicalistas dizer que as esquadras não têm agentes para fazer rondas, para reforçar a vigilância, não seria de lhe perguntar quantos polícias, nesse dia, nos últimos dias, faltaram ao serviço para desenvolver actividade sindical? E, já agora, que actividade é essa que obriga milhares de agentes?
É para esta realidade que se deveria olhar e tratar. O show da greve de fome é isso mesmo, um episódio de televisão.
As redes sociais criam agora ondas de clamor perante reportagens que desvendam gestão danosa e falta de ética, para dizer o mínimo, em certas IPSS e outras entidades sem fins lucrativos. A realidade da Raríssimas ou de algumas Associações Humanitárias de Bombeiros é multiplicada por muitos outros casos, por todo o país.
Instituições que gerem muito dinheiro, com acesso a fundos públicos, são pasto fácil para a prática de abusos por quem ocupa a gestão dessas entidades, às quais falta quase sempre o devido escrutínio dos associados, dos próprios órgãos sociais e, em muitos casos, das entidades públicas financiadoras. A super-estrutura dirigente assegura o controlo da instituição como bem quer. E quanto maior for a instituição, maior é a impunidade e a falta de escrutínio. Não faltam exemplos.
Morreu um dos mais destacados empresários portugueses. Belmiro de Azevedo criou o maior grupo privado português e marcou uma época. Fez escola e promoveu as competências que fizeram com que vários dos seus quadros tenham seguido carreiras autónomas de sucesso. O seu percurso não foi feito apenas de vitórias, mas soube sempre retirar ensinamentos dos reveses por que passou, nomeadamente nas suas investidas na banca.
Belmiro de Azevedo levou consigo o nome da terra que o viu nascer e à qual regressava com satisfação. Marco de Canaveses perde um dos seus cidadãos ilustres, alguém com um temperamento abrasivo e difícil, que procurava em todas as circunstâncias fazer prevalecer os seus pontos de vista, não se importando que tal pudesse ser levado à conta de arrogância e impertinência. Era assim perante os principais governantes do país ou mesmo perante os seus conterrâneos e respectivos autarcas, como sucedeu com a intervenção infeliz que fez no congresso que evocou, em 2012, os 160 anos da fundação do concelho de Marco de Canaveses (como aqui então assinalei).
O nosso país encontra-se no epicentro de uma crise política, que surge na sequência de um longo processo de ajustamento económico e financeiro que tem deixado marcas profundas na sociedade. É o suficiente para ouvirmos quase todos os dias queixas sobre o país que somos e os políticos que nos governam. Não falta quem se lembre de dizer que o que fazia falta era "um Salazar" ou então que se devia entregar o poder a um conjunto de iluminados, acima dos partidos, logo, à parte do regime democrático.
Pois bem, a essas pessoas talvez valha a pena lembrar que o regime nascido em 1974 pode ter sofrido muitos atropelos e desvios, mas proporcionou-nos uma melhoria tremenda da qualidade de vida, como o atestam todos os indicadores. O "Expresso" começou esta semana a lembrar como era o país em 1973, ano da sua fundação, e as comparações evidenciam o salto qualitativo que Portugal deu nos últimos trinta anos.
Em 1973, a esperança de vida era de 67,6 anos e em 2010, com os últimos dados disponíveis, era de 79,6 anos. A taxa de mortalidade infantil passou de 44,9 para 3,4 em 2011. No início da década de 1970, 53% das casas não tinham água canalizada, 40% não tinham esgotos e 37% não tinham electricidade. A taxa de analfabetismo era de 25,7% e a população com ensino superior representava apenas 0,9%.
Este país acabrunhado, pobre e analfabeto libertou-se e encontrou um caminho novo. Como somos de antes quebrar do que torcer, também saberemos encontrar a saída para a crise que vivemos.
Tenho reflectido sobre os impactos que o crescimento do desemprego, o agravamento da carga fiscal, os cortes nos salários e subsídios e a quebra do rendimento disponível vão provocar na forma como a sociedade portuguesa se comporta e reage perante os decisores políticos, económicos ou empresariais. Os brandos costumes vão perdurar até quando?
Esperava que a semana entre as comemorações do 25 de Abril e do 1º de Maio pudesse contribuir para ajudar a perceber até onde vai a paciência e a tolerância dos portugueses. Esta análise foi deturpada pelo fenómeno “Pingo Doce”, sobre o qual já muito se escreveu. Há interpretações para todos os gostos, mas continuo a crer que o grupo Jerónimo Martins, cujo líder é sempre tão interventivo e cáustico em relação a políticos e sindicatos, não fez a promoção naquele dia por acaso. Quis vergar os cidadãos comuns ao seu poder, mostrando a políticos e dirigentes sindicais que os populares preferem obter o ganho material imediato à defesa de grandes princípios e valores. Os consumidores acima dos cidadãos, como bem referiu Carvalho da Silva. Adiante.
Dos discursos dos protagonistas políticos e sindicais não vieram novidades substanciais. Pela negativa destacou-se o primeiro-ministro quando disse, com o maior dos à vontades, que temos de nos habituar a um nível de desemprego mais elevado do que aquele a que estávamos habituados. Já a presidente da Assembleia da República, com a clareza que a caracteriza, sublinhou que “a democracia tem hoje a sua prova de fogo no bem-estar social e económico”. Nem mais. Essa deve ser uma preocupação central das actuais lideranças e vai de encontro ao que escrevi no início desta prosa.
Poucos dias depois, dois dos cronistas que leio habitualmente, Martim Avillez Figueiredo e Pedro Adão e Silva, escreviam sobre o mesmo. O primeiro reflectia sobre a possibilidade de se estar a esfumar o sonho de uma classe média que dera um salto substancial em relação à condição social dos seus progenitores. O segundo pegava no mesmo tema para questionar se a queda financeira, económica e social não provocará inevitavelmente uma queda política com reflexos no regime em que vivemos.
É neste ponto que estamos. A observar uma transformação social que começa a sentir-se de forma irreversível e que provocará danos de toda a espécie. O que fazer? Que caminhos apontar? Que estratégias seguir? Que futuro? Que implicações? Interrogações que convidam a uma reflexão profunda dos vários agentes, com vista a uma intervenção atempada perante o autêntico desmoronamento social a que começamos a assistir.
Nunca se falou tanto da maçonaria como nestas últimas semanas. Simbologias, origens, ritos, reuniões, obediências, de tudo se tem falado, tendo por base o caso que envolveu a investigação sobre as secretas, o relatório parlamentar, as ligações ao grupo Ongoing e a participação numa mesma loja maçónica de deputados e responsáveis da Ongoing.
O meu conhecimento sobre a maçonaria resume-se aos princípios iluministas que estiveram na sua origem. A igualdade, liberdade e fraternidade, o predomínio da razão, a rectidão, o debate e a reflexão livres, em suma, a procura de valores que no início do século passado a república veio a acolher em Portugal e que foram também o terreno onde germinou muita da oposição ao Estado Novo.
Contudo, desde que me lembro de intervir social e politicamente, a participação na maçonaria sempre foi identificada com centros de interesse, que arquitectavam lógicas de poder nas instituições políticas, culturais e sociais. Já na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que frequentei em meados dos anos 80, se dizia à boca cheia que o poder se disputava entre a maçonaria, no caso através de um ex-ministro do bloco central e de um deputado socialista, e a opus dei.
Olho hoje para a maçonaria, e para o pretenso secretismo que lhe está associado, como algo anacrónico. A própria parafernália que é utilizada é um pouco ridícula nos tempos que correm. Contudo, as pessoas são livres de se associarem e de pertencerem aos clubes e entidades que muito bem entenderem. Logo, também podem pertencer às lojas que quiserem e participar nos respectivos rituais.
A “porca torce o rabo”, porém, quando vemos o que veio recentemente a público e se constata que aquilo que associa as pessoas já não é a racionalidade dos valores iluministas, mas sim os interesses puros e duros. Certas pessoas que foram dadas como pertencendo à loja Mozart devem ter tido nessas notícias a sua recompensa maior, já que, para elas, saber-se que pertencem a esse mundo dito secreto, é um “must”. Alguns deles, aliás, se fossemos avaliar os princípios e os valores que os regem, não serviam para integrar sequer uma associação de bairro, quanto mais uma loja maçónica.
Devem os maçons identificar-se e declarar a sua condição quando exercem cargos públicos? Creio que sim. É mais aquilo que se ganha para a comunidade do que aquilo que cada um perde em privacidade. É importante que quando fazemos escolhas políticas, por exemplo, se assegure que a acção política não é desvirtuada por outras cumplicidades, do domínio do privado. E, em boa verdade, que razão há para que se pratique o secretismo em relação à maçonaria? Ou à opus dei? O que é que se faz por lá que aconselha a manter no anonimato os respectivos membros, numa sociedade livre e democrática como a nossa? Não alcanço…
Uma fotografia rara de “Billy the Kid” foi leiloada por 2,3 milhões de dólares (1,6 milhões de euros) nos Estados Unidos.
O vestido cor de marfim, esvoaçante, que Marilyn Monroe usou no filme “O pecado mora ao lado”, de 1955. Foi leiloado neste sábado e quem ficou com ele pagou 5,6 milhões de dólares (cerca de 3,9 milhões de euros).
Um casaco que o cantor norte-americano Michael Jackson usou no teledisco 'Thriller', em 1983, foi leiloado no domingo em Beverlly Hills, Califórnia, por 1,2 milhões de euros, foi esta segunda-feira anunciado.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU anunciou hoje que vai cortar a assistência alimentar a mais de três milhões de afegãos em cerca de metade das 34 províncias do país por falta de fundos.