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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 10013

mcr, 10.09.25

 

ao ouvir o ranger das botas do moço da tipografia

mcr, 10-9-25

 

O jornal de hoje traz um notícia de certo modo surpreendente. 

O dr Vítor Escariaa, ex-Chefe de Gabinete de António Costa e arguido num par de processos vai ser o novo Director do Instituto Superior de Gestão que, em comunicado anuncia auspiciosamente "um novo capitulo na história "dessa escola com "energia renovada e com ambição no esforço enquanto instituto superior de excelência"

Como os leitores recordarão foi no gabinete deste senhor " que foram encontrados pela polícia 85.000 euros em envelopes, caixas de vinhos e denro de livros" .

A polícia (e o juiz de instrução) entenderam que tanto dinheiro em tal local prudentemente escondido em tais invólucros não teria uma origem 100% clara. 

O senhor Escaria, licenciado e doutorado em Economia, poderá ter uma forte aversão aos ancos (local onde normalmente e guardam importâncias deste volume, dado que o velho hábito de pôr as economias debaixo do colchão terá aído em desuso. Realça-se o fato do dinheiro jazer fora do domicílio do referido senhor e de poder parecer a espíritos malévolos que estaria escondido num local onde normalmente a polícia não entra.

O senhor Escaria jura que o dinheiro era o resultado de pagamentos de serviços prestados em Angola mas, pelos vistos, corrijam-me se estou em erro, não há documentação que sustente tal proveniência ou a que há não bastou ao juiz  que até agora recusou entregar o dinheiro ao requerente.

Também não há notícia de relevo quanto aos processos entretanto em investigação mais que demorada como vai sendo  habitual nos processos movidos pelo MP.

Li com atenção o curriculo que jornal traça e tudo me faz pensar que o sr Escaria tem um invejavel percurso académico que, porém, cai porterra graças ao seu estrnho habito de guardar as economias honradamente ganhas com o suor do seu rosto e do seu intelecto. 

Convenhamos que dinheiro em caixas de vinhos (ignora-se se com garrafas cheias ou vazias ou sem nada que não sejam maços de botas), dentro de livros como se fossem avultadas marcas de leitura (note-se que há uma espécie de pequenos cofres com o formato de livro mas escavados por dentro para guardar as notas e furtá-las à atenção de curiosos mal intencionados. Seriam coisas desses tipo ou apenas se intercalavam páginas de prosa insípida com notas não só sápidas mas valiosas?)

Finalmente os envelopes usados ou prontos para o serviço postal onde também se acoitavam mais notas que oitenta e cinco mil euros mesmo que só em notas de 1oo são quase mil. Excluí as notas de 200 e 500 por ser mais que conhecida a desconfiança de particulares , bancos e outras entidades quando alguém lhes apresenta tais notas.

Admira-me também o facto de serviços prestados seja em que país for (mesmo em angola!...) serem pagos em dinheiro e não em cheque ou transferência bancária. 

De todo o modo ele há gente que só aceita o cacau em moeda legítima e corrente, mais em dólares do que euros mas não é esse o meu ponto. 

E volto ao mesmo, o sr Escaria é um economista não uma qualquer paisano monetariamente analfabeto

De todo o modo, eis que uma escola superior o contrata afirmando querer alcançar um patamar de ainda maior excelência do que eventualmente goza.  

Convenhamos que, além dos resultados que o instituto prevê há que realçar anota simpática de dar trablho a alguém que foi brutalmentedespedido do cargo de Chefe de Gabinete. O facto de ainda correrem processos mais realça a qualidade da instituição que lá pensará que um arguido é apenas isso e não alguém culpado com sentença passada . E bem faz porquanto e pelo andar da carruagem inda muita água há de correr debaixo das pontes até que a montanha seja capaz de parir um rato ou um elefante, se é que as montanhas também sofrem as dores de parto.

De todo o modo, eis que, por uma vez  quase excepcional, o meu jornal me surpreende. mesmo isto do que mais mortes em Gaza, mais bombardeamentos na Ucrânia, mais exigências a Moedas para que se demita ou mais notícias sobre violência de género. Ou sobre o sr Sócrates  que todos os dias merece uma exagerada atenção da imprensa falada, escrita ou telefilmada.

Também ele está acusado de usar demasiado dinheiro mas, mais cuidadoso que Escaria, nunca lhe foram apanhados euros em quantidade idêntica ou parecida. Não é economista, não se lhe conhecem qualificações universitárias à prova de qualquer dúvida mas a verdade é que teve amigos que lhe serviram de banco com conta sempre aberta e a pingar fartamente... 

O instituto que acolhe Escaria bem que pode tentar contratar o sr Sócrates  no caso dele conseguir sair deste julgamento tumultuoso sem ser condenado. Mas isso também não é para amanhã ou depois de amanhã  como se provou na imensa quantidade de peripécias, recursos, mais recursos que ainda não terão chegado todos ao fim. É verdade que esses recursos não tiveram êxito mas isso permitiu  que dez anos depois a procissão ainda vá no adro..

 

Au bonheur des dames 625

mcr, 09.09.25

casa lena lucas.jpg

 Guida

(Maria Margarida Cabral Lucas de Almeida. RIP)

mcr, 9-9-25

 

Foi há 65 anos mas parece que foi ontem...

A Guida Lucas era um azougue, uma mulher inteligente, uma militante associativa destemida e uma excelente actriz. Do TEUC e do CITAC que ela não fazia destrinça entre os dois grupos. Acho que a primeira vez que a vi em palco foi interpretando "A sapateira prodigiosa". Se bem recordo, foi o Fernando Assis Pacheco neto de galegos, poeta de mão mais que cheia, quem de certo modo a ensaiou para que ela dissesse quaisquer coisas em espanhol  com "salero e espampanante. 

Em 1962 a Guida estava na direcção da Associação Académica e, ,corajosa como sempre, fez parte do grupo que em Maio reocupou a sede da AAC. Foi presa, claro e mandada para Caxias. Éramos ao todo quarenta e quatro os escolhidos  para a visita de estudo que a PIDE nos ofereceu em tal miserável prisão (40 rapazes e 4 raparigas, Com ela estava a Irene Namorado que também, e há muito tempo,  já por cá não anda, Dos rapazes também há já uma longa lista de desaparecidos (aliás não tenho a certeza de saber de todos mas o último que recordo foi o Rui Namorado, primo da Irene, acima referida). Na fotografia que ilustra este tristíssimo post estão  também  outros  desaparecidos, o Zé Barros Moura (que foi marido da Guida) o João Amaral e a Laura Barros Moura (irmã do Zé e primeira mulher do João) e o doutor Orlando de Carvalho.

A Guida fez também parte do numeroso grupo de estudantes de Coimbra castigado e expulsos da universidade por períodos que iam de 1 a 2 anos. Contra ela militava a acusação de ter sido dirigente, da AAC. Mal eu sabia que, anos  depoi,s e também eleito para a Direcção Geral da mesma AAC também teria direito a voltar a Caxias  para mais um perído de descanso e reflexão sempre proporcionado pela PIDE, aliás DGS  Foi a minha terceira detenção  que durou alguns meses que acabaram com as minhas escassas veleidades de fazer o 6ª ano de Direito mas que me proporcionaram a leitura do Proust e sobretudo do Joyce (Ulisses). 

Durante anos, a Guida foi uma presença habitual na minha mesa de café  (ou eu na dela juntamente com a irmã Lena  (2`fila da fotografia) r com a abençoada Maria  L Assis  de que já não tenho notícias há mais de um ano. 

A vida política da Guida culminou como já disse com a sua expulsão de todas as universidades por um período de 2 anos, mais uma das infâmias do Estado Novo  nesses temíveis, iniciais  e violentos anos 60

Todavia, ela voltou a Coimbra, aos mesmos amigos, aos mesmos amores pelo teatro e formou-se em Direito. Pelo caminho conheceu o Zé e com ele se casou. 

Voltámo-nos a encontrar muitos anos depois na sessão solene e final dos Estados Gerais do PS que antecederam o Governo de Guterres. E nunca mais nos vimos mesmo se, de longe em longe, eu tivesse notícias dela. 

Talvez por isso, a recorde fresca, alegre, menina e moça  sem o peso das rugas, da velhice dos desgostos e das ilusões perdidas.

De todo o modo, esta morte é mais um dos muitos sinais do desaparecimento acelerado da nossa geração. Na fotografia ninguém (ou só o Paulo Santiago...) estará, se vivo, abaixo dos oitenta anos.

Parafraseando um excelente amigo aqui já ninguém "outonece". Já estamos todos a invernar.

 

(na fotografia 

de pé da esqª p/ dirª)  Guida Lucas, João Amaral, Paulo Santiago, antónio Avelãs Nunes, Lena Lucas, Orlando de Carvalho, Zé Barros Moura e António Lopes Dias

em baixo mcr, Mª João Delgado, Joaquim Pais de Brito e Helena Lopes Dias)

estes dias que passam 10012

mcr, 07.09.25

 

 

O sr Pedro Nuno "anda por aí"

(a  irresponsabilidade campeia")

mcr, 7-9-25

 

Não tenho qualquer ódio de estimação, sequer prazer em maltratar o sr Pedro Nuno. Tirei-lhe a bissectriz quando ele entendeu proclamar que "as perninhas dos banqueiros alemães tremeriam com a ameaça de Portugal não pagar as dívidas internacionais."

Na altura ele ainda mal saíra da idade em que os rapazolas se tomam por (politicamente)  adultos mas a frase já  antecipava uma generosa falta de bom senso, de inteligência e de sentido de Estado. 

Todavia, pelos vistos, esta minha percepção não foi partilhada por muita gente do PS  e a criatura continuou  a sua corrida de obstáculos que teve mais um episódio tonto com a história do  aeroporto de Alcochete.

Depois, foram as confusões com a direcção da TAP e a  retirada  para a última bancada do PS no Parlamento.

Com a saída de Costa, ei-lo que regressa o primeiro plano da política doméstica  de onde foi defenestrado pela derrota eleitoral e pelo terceiro lugar (depois do Chega!...)

Convenhamos que estas quedas intervaladas por súbitos acessos de popularidade entre sectores  (alucinados ou meramente distraídos?...)  do seu partido  sempre me intrigaram mas o defeito é seguramente meu. 

Pensei sempre o mesmo  do sr Santana Lopes e a verdade é que a criatura cai sempre de pé ou, pelo menos, sem ferimentos graves) e avisava, depois de cada tropeço que voltaria a "andar por aí!"

 

Desta feita, e ainda o desastre do elevador da Glória enchia os telejornais, eis que  PNS sai da relativa mas merecida obscuridade onde circulava e vem pedir a cabeça do sr Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa. 

Se não estou em erro, PNS veio recordar uma crítica do sr Moedas ao ex-presidente Medina quando se descobriu que a CML através de um dos seus serviços denunciava à embaixada russa os nomes das pessoas (também russas) que, contra a pátria, tinham ousado duas críticas e uma manifestação. 

Eu, que também não conheço o sr Medina  (viver no Porto também há de ter alguma vantagem,,,),  apenas quero recordar que este senhor era o directo e único responsável político pelas burrices  (a menos que além disso tenham sido infâmias e favores à putinesca gente  )  dos serviços camarários sobretudo num capítulo tão sensível como este que refiro.

Vejamos, agora, a posição do sr Moedas. É  verdade que é Presidente da Câmara e que. mesmo indirectamente tem algum poder sobre a Carris que é, suponho, uma empresa pública, com orgãos próprios (administração, p.ex.) autonomia administrativa e financeira etc...

É a esta empresa que cabe zelar pela manutenção dos transportes lisboetas. Ponto, parágrafo.

Cabe à empresa organizar esse serviço que, no caso, estava entregue a uma empresa externa que, de resto também gere os transportes eléctricos do Porto. Não há notícia  de deficiências ou queixas nos serviços que presta.

Parece líquido que o Presidente da Câmara só deverá intervir nesta empresa se algo efectivamente demonstre má gestão, corrupção conflito insanável etc... 

Obviamente, terá de haver um ou mais inquéritos sobre o acidente que até ao momento teve 16 vítimas mortais e outros tantos feridos. 

Porém, PNS é seguramente a pessoa menos indicada para  atirar a primeira pedra a Moedas. 

Em primeiro lugar o caso Moedas /Medina  não tem qualquer comparação factual ou política com este acidente e as responsabilidades a exigir

Em segundo lugar é bom que se recorde que quando PNS era titular ministerial houve um descarrilamento do Alfa pendular em Soure e 

  que se saiba, basta ir os jornais da época, PNS não se deu por achado nem sequer aceitou ser alvo de qualquer pressão para se demitir. 

Pelos vistos, mesmo entre quem,  apesar de tudo, teve o bom senso de não pedir responsabilidades políticas a Moedas, não foi lembrado  esse  incidente antigo em que PNS  não foi acusado ou indicado.  A memória é o qu é e a memória política ainda é mais volátil... 

 

Finalmente, ao intervir a quente (com cabeça quente ou mesmo a ferver...) PNS achou que não valia a pena meditar um minuto que fosse  neste facto: os elevadores lisboetas estão, desde que começou o boom turístico,  a ser alvo de uma incessante e dura procura  que, agora já se vai reconhecendo, poderá obrigar a mudar parte das regras e 0brigações de manutenção. Porém, mesmo isso terá de ser avaliado por especialistas  e peritos. 

Aliás bom seria que este trágico acidente permitisse começar a discutir  os benefícios e os cusos do turismo massivo que assola o país, mormente Lisboa onde só se vem tuk-tukes, hordas de turistas de telemóvel em punho, lojas de souvenirs mais que anómalas,  alojamentos locais baratuchos e de curta duração, e expulsão em massa de habitantes do centro da cidade.

Algum dia pagaremos com língua de palmo este insólito crescimento de visitantes  que se nos trazem dinheiro também nos vão transformando  num décor de fancaria  para divertimento de ignorantes que só são atraídos pelo sol, sal e sul a baixo preço. 

 

(antes que alguém me dispare que deveria falar do miserável apanhado a atear fogos  e que é ainda mandatário eleitoral de um partido onde não faltam acusados das mais variadas coisas,  devo dizer que me basta que algum juiz  o mande pôr a recato numa enxovia onde, de resto, deveria estar o colega que fanava malas nos aeroportos  mas esse estará de baixa psiquiátrica. Provavelmente a burrice da criatura e o desleixo na roubalheira são agora considerados mera demência..E inócua!

estes dias que passam 10011

mcr, 04.09.25

A roçar o obsceno

mcr, 5-9-25

 

O desastre com o elevador da Glória deu azo a uma emissão televisiva (noticiário das 8 horas) que durou mais de uma hora subordinada ao tema único do descarrilamento.

17 mortos e 16 feridos merecem obviamente uma reportagem completa que deixe os telespectadores  bem informados. 

Porém, e repetindo alguns dos noticiários dos incêndios de Agosto, a emissão ( falo da SIC mas já me disseram de a TVI foi idêntica)  foi um constante repetir de banalidades, de " "buchas", de narizes de cera num espectáculo indigno e confrangedor.  Como as notícias escasseavam os jornalistas repetiam-se de dez em de ou quinze em quinze minutos  sem conseguir acrescentar algo de novo e essencial à descrição da tragédia.

Chegou-se à vergonha de ouvir alguns testemunhos de  populares que não só não eram testemunhas mas que se davam ao luxo de aventar hipóteses fundamentalmente referindo sem quaisquer fundamento a acusação de "falta de manutenção" ("eu, por mim acho que é falta de manutenção..."

Quando os responsáveis do INEM, dos bombeiros e da Protecção Civil foram ouvidos, os jornalistas queriam à viva força que eles respondessem ao que, naquele momento, não podiam nem devia por mera cautela,  ser respondido por absoluta falta de dados.   

Também houve uma corrida de jornalistas para a porta de hospitais como se fosse possível  poder haver notícias claras sobre a saúde das pessoas internadas minutos antes! 

Este desastre merecia um tratamento jornalístico cabal mas sóbrio e não uma cascata  de repetições num alarde d corrida às audiências. Os mortos e os feridos mereciam  alguma contenção e não aquele carnaval abelhudo  de ninharias. Os senhores jornalistas deveriam ter presente que a profissão deles é relatar os factos e não andar à pesca de opiniões para fingir que estão a ouvir o povo ou, melhor dizendo, os basbaques que acorrem aos locais e adoram ver-se na tv...

Louve-se a rapidez dos socorros, PSP, INEM. sapadores, bombeiros das mais variadas corporações, funcionários camarários...

Entretanto, e para o anedotário nacional, parece que um importante político que estava, ou acabava de chegar lá, no estrangeiro, entendeu dever regressar imediatamente à mãe pátria como se a ua presença no dia seguinte fosse essencial ao desvendar da verdade, à saúde dos ferido, ao enterro dos mortos  ou, finalmente às operações de remoção dos destroços (espera-se que vá ao hospital dar sangue que bem preciso é. Irá?)

De todo o modo, este acidente trágico vai dar pano para mangas como seguramente veremos nos próximos dias. 

Nisso tudo, haverá seguramente, quem venha condenar a Carris por ter contratado uma empresa de manutenção em vez de continuar a ter na sua estrutura uma eventualmente ruinosa oficina  seguramente bem mais cara e igualmente sem garantia de fazer igual ou melhor nesse capítulo.

Resta saber se, à boleia disso, não sobrem ainda culpas para a Câmara, para o Governo, para o Chega ou para o capitalismo e os imigrantes que, por natureza, são sempre culpados de qualquer coisa...

estes dias que passam 10010

mcr, 03.09.25

Nem de propósito

(cfr post anterior)

 

mcr, 4-9-25

 

A "Comunidade israelita de Lisboa"entendeu dar a sua opinião sobre a futura Lei da Nacionalidade, exercendo aliás, um direito que a muitas outras comunidades terá sido negado (ou então alguém distraído iu ignorante ((ou de má fé...))esqueceu-as. 

O jornal "Público" destaca a resposta da citada comunidade numa inteira página (p 10) o que permite aos leitores mais atentos descobrir  como pensa uma muito pequena parte dos habitantes da capital.  

Convenhamos que tal destaque  permite avaliar o modo como a cCIL entende a proposta de lei.

Começa por afirmar que pôr fim  à lei dos sefarditas é uma cedência ao populismo fácil (onde é que já, e repetidamente, ouvimos isto?...) e que a concretizar-se é um acto de ingratidão e fechamento de Portugal.

Pior :isso pode comprometera imagem internacional do pís como defensor dos direitos humanos e da justiça histórica e como  promotor da tolerância.

De todo o modo, a CIL vê-se obrigada a esclarecer que outras comunidades (obviamente a do Porto que anda(va) sob investigação )poderão ter ultrapassado todo e qualquer mínimo ético na apresentação de propostas de nacionalidade que, imagine-se, até permitiram a um poderoso oligarca russo (e amigo de Putin) obter a nacionalidade portuguesa ) mesmo se na história da diáspora sefardita portuguesa a Rússia dos czares não conste como destino. Sabe-se que houve sefarditas na Holanda, em Marrocos, em Veneza, no restante Magrebe na Turquia  e em algumas das possessões da Sublime Porta (Grécia e provavelmente um que outro país da Europa de leste, Hungria por exemplo)

Corre à boca cheia que nesta aquisição da nacionalidade por alguém que provavelmente nunca cá virá, houve farta dose de morabitinos melhor dizendo de euros ou dólares ou outra moeda forte.

Como qualquer leitor atento sabe, foi em finais do século XV que D Manuel expulsou os judeus portugueses e espanhóis cá entrados depois de expulsos de Espanha pelos reis católicos.

Convém, todavia lembrar que o mesmo rei ,perseguiu com impiedosa dureza a canalha lisboeta e estrangeira que atacou, roubou,  espancou e matou  cristãos novos e um que outro inocente e cristão velho.  Ou seja que em Portugal permaneceu uma importante fracção dos judeus que prudentemene se converteram ao cristianismo  ainda que seja duvidosa essa súbita descoberta do caminho de Damasco. 

que desde essa altura até ao sec xIX sempre existiram pequenas comunidades judaicas em muitas zonas do interior é mais que sabido. De todo o modo, malgrado a Inquisição  (que de resto perseguiu com igual sanha judeus, cristãos novos ou outros portugueses suspeitos de desconformidade religiosa ou política)  a verdade é que numa comparação com quase todos ou todos os países europeus, Portugal terá sido o mais brando ou o menos duro  dos Estao que não gostavam de judeus. Isso não desculpa nada mas já que a CIL fala em "inhustiça histórica" bom seria que estivesse mais atenta a este facto.

Pessoalmente, naa teho contra uma lei de reparação desde que ela tivesse um limite temporal e sobretudo que se aplicasse a qualquer comprovado  descendente de sefardita expulso que quizess viver em Portufal.  E já agora que fosse capaz de dizer tres coisas em mau português... De outro modo, a concessão de nacionalidade (que para todos os outros cidadãos do mundo implica anos de espera) parece apenas uma concessão de passaporte para viajar ou estabelecer-se na UE mas não cá como se verifica. 

A CIL, neste exacto momento não dveria falar em direitos humanos que um Estado, Israel espezinha a todo o momento em Gaza e na Cisjirdânia. A CIL talvez inda não  tenha reparado que nesses territórios morrem diariamente dezenas de pessoas sobretudo civis  e nestes sobretudo crianças que obviamente não parecem ser militantes do HAMAs, sequer simpatizantes mas apenas e só crianças.

Desconheço masprovavelmente ando desatento qualquer opinião da CIL sobre estes anos deatrocidades que quase toda a gente começa a qualificar de genocídio. Apoia a CIL os desmandos do Exército e do Governo de Israel? Entende a CIL que questionar crimes de guerra é ceder ao populismo fácil (com que acusa uma proposta de lei que ainda vai ser discutida)

Mais a CIL impõe a palavra israelita mas ao mesmo tempo refere a perseguição religiosa ao judaísmo. Então Israel não tem na sua população, drusos, muçulmanos cristãos de várias tendências e provavelmente ateus e agbósticos?  Ou a palavra israelita apenas, para a CIL quer significar judeus praticantes? 

Devo, porém, acrescentar que me parece ter havido um erro de palmatória qyandose confiou a uma entidade de matriz religiosa e estranjeira algo tão importante quanto o estudo das hipóteses de acesso à nacionalidade portuguesa. Será que o EStado entrega às comunidades muçulmana, hinuu, sikh ou budista  o exame de nacionalidade que membros dessas comunidades requerem? Será que os alegados descendentes dos expulsos do século XV  tem mais direito que os muçulmanos também expulsos durante a reconquista? Ou que os colonizados de África, América ou Oriente?

A lei portuguesa bem mais generosa e ampla do que a congénere espanhola foi feita às três pancadas e ao não prever um limite temporal nem impor algumas regras de bo senso, tornou-se numa artifício para muita gente que sefardita ou não se está nas tintas para Portugal excepto nu ponto: o passaporte dá direito a entrar na UE  sem qualquer entrave. Conviria saber quanto soldado que anda pelas terras de Gazza a tirotear crianças e mulheres tem pendente um pedido de nacionalidade. Conviria também saber quantos responsáveis políticos israelitas estarão na mesma situação

. E sobretudo convém saber claramente qual a posição da CIL que se toma por defensora da tolerância e dos direitos humanos  quanto a Gaza e à Cisjordânia

E lembrar a tal instituição que se o anti-semitismo começa a reaparecer ou a crescer em toda a parte, Portugal incluído, tal se deve absolutamente ao que todos os dias assistimos pela televisão, ao que ouvimos do primeiro ministro e dos seus fanáticos capangas radicais de extrema direita e verdadeiros mentores dos assassinos israelitas que na Cisjoirdânia assassinam a tiro limpo árabes para os expulsarem  e aumentarem os colonatos na ºprocura abjeta de um "espaço vital" que lembra os piores tempos do nazismo.

estes dias que passam 1009

mcr, 02.09.25

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A  flotilha

mcr, 1-9-25

 

Umas centenas de cidadãos de muitos países,europeus e não só,  entenderam  demonstrar a sua solidariedade com o povo de Gaza que está ser dura e miseravelmente dizimado pelas hordas israelitas que para conseguir eliminar um terrorista matam quatro civis ( as IDF declararam, sem pejo mas com responsável seriedade, que em cada 100 abatidos 83 não eram combatentes nem, supõe-se, membros do HAMAS).

Resolveram, pois, os novos navegantes meter-se numa flotilha composta ao que penso por barcos  civis e de pequeno calado e atingir a costa de Gaza levando com a tripulação  alimentos para os gazaouis ainda sobreviventes e seguramente esfomeados.

A costa de Gaza está interdita aos poucos pesadores que  iam ao mar por peixe ou seja por alimento num mar que é seu mas que Israel interditou. Não sei se permite banhos de mar mas calculo que mesmo sem os proibir, a praia é, neste momento de profunda infâmia, o que menos importa aos habitantes daquela terra devastada. 

Sabendo.se que Israel tem uma marinha que, provavelmente, usará de meios tão indignos como o exercito e a força aérea, a primeira interrogação que me ocorre é esta. Permitirão a aproximação da flotilha desarmada ou proibirão a sua entrada nas águas territoriais de Gaza?

No caso (para mim mais que certo) de que proibirão a entrada da flotilha, há uma segunda pergunta: como é que tornarão efectiva essa proibição?

 Visto o antecedente terrestre, julgo que poderão disparar primeiro uns tiros de aviso e depois, caso os solidários marítimos e ingénuos  insistam na tentativa de chegar a terra (melhor dizendo ao cemitério em que aquilo se transformou ou se transformará brevemente) começarão a  abordar os barcos  (se é que não se lembrem imediatamente de afundar uns quantos por desporto (como nos fuzilamentos de pessoas que tentam chegar aos pontos terrestres de distribuição de alimentos) , por ordem dos gauleiters israelitas, por "engano" como nos assassínios de jornalistas ou de condutores de ambulância, enfim em nome do "EretzIsrael" ou seja do "grande Israel desde o rio até ao mar", numa terra livre de uns parcos milhões de árabes ali estabelecidos desde sempre, cujos cadáveres poderão servir para fazer sabão ou para adubar as areias daquele território (lembrando assim o destino de outros  homens e mulheres cujo crime era serem judeus numa terra governada por fascistas  ou gente semelhante  obedecendo a um fűhrer ou a um camarada secretário geral, igualmente empenhado em conduzir o rebanho popular para as terras do futuro, da abundancia,  e dos amanhãs cantantes.

Que os descendentes dos que escaparam da Shoa levem a cabo os mesmos métodos e fins, sem sequer os esconder como ocorria nos anos infames de 40/45 é algo que ultrapassa qualquer maginação.

Portanto fiquemos desde já nisto: la flotilla no pasará,(A Pasionária que me perdoe usar a sua corajosa palavra de ordem, pois agora convenhamos que pasionárias na flotilha só por caricatura.

E aqui começa o problema. As pessoas embarcadas sabem. todas ou quase todas,  que a sua viagem não é prova de coisa alguma exceção feita da sua alegada solidariedade com os damnés de la terre de Gaza. Sabem que nunca chegarão perto da terra sofredora. Tem por certo, pelo menos uma boa parte delas, que os seus países terão de envidar esforços para os salvar de alguma maldade israelita

Duvido, tenho mesmo uma quase certeza que nenhum desses marinheiros de água doce está disposto a dar a vida pelos que todos os dias morrem de fome ou mais misericordiosamente de um tiro ao alvo israelita ou de uma bomba dita "inteligente"

Todavia, no caso de alguém querer ser solidário há maneiras eventualmente mais eficazes de o demonstrar: boicotar todo e qualquer produto israelita, tentar fechar portos e aeroportos a cidadãos israelitas e a mercadorias da mesma origem, sitiar sem molestar sinagogas com cartazes mostrando as fotografias dos mortos diários, atacar zonas onde estejam depositados lotes de armamento israelita vendidos aos respectivos países, assediar dia e noite deputados e outros responsáveis políticos para que tomem uma posição. Arriscam-se assim, evidentemente, a ser presos como desordeiros (e juro que tenho disso farta experiência desde os meus 18 aos  33 anos de vida num outro Portugal soturno onde a polícia dava forte e feio em quem se mexia  para não falar das priões, dos interrogatórios  "enérgicos", dos "safanões dados a tempo" enfim da vida a que alguns, não muitos, se expuseram) eventualmente condenados a penas efectivas de prisão.  

Esta flotilha corre o risco mais evidente de não passar de mais uma rapazice folclórica e grotesca , desprovida de sentido mas não de publicidade para as personalidades embarcadas.

Parece que para já, está parada algures num(s) porto(S) por via de uma tempestade marítima verdadeira ou alegada . 

Entretanto os palestinianos com ou sem tempestade marítima continuarão a receber a sua ração de bombas e tiros, a perder mulheres, homens e crianças de fome, e ocasionalmente a terem a notícia de mais uma morre de um filha da puta de um mártir que só por acaso (ou por traição) foi apanhado pelos israelitas num esconderijo bem sólido. ao contrário dos desgraçados  que ele alega proteger, defender e ajudar.

Ou será que alguém ainda com cabeça sã acredita que se algo der para o orto haverá países europeus que se empenhem em enviar tropas e navios para resgatar os alucinados que a bordo de uma casca de noz afrontam as matilhas marinhas do totalitarismo judeu e sionista?

Ou, à semelhança de uma barcaça portuguesa partida para o Oriente e que chegada perto (mas não dentro!...) de águas timorenses muito dignamente atirou uns ramos de flores para o mar e, ala que se faz tarde, regressou à pátria ufana com a expedição Parece que os invasores indonésios tremeram vexados com  corajosa afronta portuguesa...

 

nota, neste blog já defendi a ideia de obrigar o governo português a suspender a estúpida lei de concessão de nacionalidade aos alegados  descendentes dos sefarditas expulsos há quinhentos anos (consta que ainda há 80.000 processos por deferir!...) dificultar a concessão de vistos a todo e qualquer cidadão de Israel que se lembre de vir até cá por turismo ou negócio! É preciso que os cidadãos israelitas percebam que até prova em contrário são vistos como apoiantes do seu governo  e da politica levada a cabo sob a forma de genocídio em Gaza. 

É evidente que Netaniahu uivará que isto é anti-sionismo, perseguição aos judeus , o costume. Neste momento quem esta ser perseguido e morto são os habitantes de Gaza e da Cisjordânia. tudo o resto é  fado pobre e mal antado. O  anti-sionismo  está a ser fabricado, e em doses industriais, pelos gangsters israelitas. Ponto, parágrafo. 

estes dias que passam 1008

mcr, 25.08.25

Aqui não há inocentes!

mcr, 25-8-25

 

Desta feita não vou falar de Israel, ou dos seus dirigentes, ou dos cidadãos que os apoiam (e que não parecem ser poucos, bem pelo contrário).

Também não vou continuar a falar da Rússia invasora que lembra pesadamente a URSS de má memória, sobretudo aquela que, com Stalin,  criou a cortina de ferro e fez reféns numa dezena de países que o acaso e a geografia lhe deram como vizinhos.

Sobre este tema e citando Erich Maria Remarque, “nada de novo a leste” (ressalvando o ponto cardeal que era outro).

Melhor dizendo, a oeste há algo de novo dado que pela primeira vez na História há um presidente americano que junta a ignorância histórica,  o narcisismo, a ideologia num cacharolete indigesto e irresponsável (o futuro o dirá certamente) e permite a um tiranete local, ex-polícia político mas inteligente e saudoso de um passado imperial levar um país (o seu) para a ruína ignominiosa e outro para  a destruição lenta mas inflexível.

Fiquemo-nos, porém, no torrãozinho de açúcar que ainda não saiu da tragédia dos fogos.

Hoje, parece que a calamidade nos deu umas precárias tréguas mas, desde já, se pode dizer que desta feita, este foi o pior ano em perda de hectares de floresta, destruição de culturas, morte de animais domésticos e selvagens,  A terra enegrecida anuncia um futuro ameaçador para pessoas e animais.

Como se isso não bastasse, temos que Governo e Oposição vão degladiar-se sobre o como, o porquê do desastre, ao mesmo tampo que habitantes locais, autarquias e seus venerandos representantes, bem como um largo rol de instituições que deveriam prevenir catástrofes, combatê-las rapidamente, se fingem exteriores a tudo o que ocorreu desde mediados de Julho.

Eu não duvido que alguns incêndios se devam a mão humana, que as alterações climáticas tenham ajudado, que os calores excessivos tenham propiciado as chamas e tornado difícil o seu combate.

Todavia, e bastou ver as reportagens televisivas (a que também iremos), para ver que a limpeza das matas foi quase sempre rara e pouco convincente, que as autoridades, todas as autoridades mormente as políticas (a começar nas juntas de freguesia e nas câmaras municipais) tenham sofrido de miopia imbecil e contínua durante a Primavera e o início do Verão.

Sabe-se que mais de metade das matas ficaram por limpar (e fala-se num milhão de hectares). Sabe-se que os proprietários rurais de pequena ou pequeníssima dimensão não quiseram ou não puderam limpar o que era seu e próximo, que outros que vivem longe ou desconhecem a sua qualidade de proprietários ou não sabem que responsabilidades têm ou não se ralam.

Ardeu, pois, uma enorme quantidade de hectares. Morreram no combate às chamas algumas pessoas que as quiseram domar, foi destruída riqueza que vai demorar anos (muitos) a recuperar mas o que se espera para os próximos dias é a troca de culpas e desculpas entre oposição toda e Governo que, como de costume, irá falar de herança de governos anteriores (o que, de resto também tem o seu quê de verdade...).

Há dias, um jurista escreveu um pequeno texto no “Público” lembrando que uma floresta em que o Estado apenas detém 5%  dos terrenos e em que mais de 70% dos proprietários não pode ou tem dificuldade em limpar o que é seu será sempre pasto das chamas, cada vez maiores, mais violentas e mais prejudiciais.

De resto, nos incêndios de 2017 (se não erro) o pinhal de Leiria (do Estado) ardeu descontroladamente.  

Só não ardem as propriedades das grandes empresas papeleiras que obviamente sabem o que podem perder e defendem os seus terrenos, limpam-nos cuidadosamente, têm um pequeno exército de sapadores sempre prontos. Essas empresas sabem, e demonstram, quanto a floresta pode valer.

Porém não é aos pequenos, envelhecidos proprietários rurais ou aos desconhecidos proprietários que abandonaram o campo e, porventura, desconhecem os seus direitos (e deveres) que o exemplo pode servir.

Enquanto não se mudar drasticamente a estrutura fundiária o lume reaparecerá cada vez mais ateado.

Quem não quer ou não pode limpar os seus terrenos não deve ser proprietário. Cabe ao Estado limpar os terrenos abandonados, exigir aos donos o pagamento desta tarefa, ou em alternativa retirar-lhes a posse e a propriedade do que não só não cuidam mas do que por incúria se torna perigoso para todos os que ainda querem viver na terra abandonada.

Parece que um avião custa 50 milhões (e só funciona  à luz do dia). Com esse dinheiro é provável que muitas centenas de milhares de hectares possam ser imediatamente adquiridos para mais tarde, eventualmente, se poderem criar propriedades com dimensão ideal para serem trabalhadas, divididas e lucrativas.

Alguém dirá que proponho o confisco de terras. Convenhamos: muito do que hoje é floresta privada não conhece ou não é possível conhecer os seus proprietários, aliás parece que o famoso cadastro não anda nem desanda justamente porque entre o abandono do interior, as heranças divididas e redivididas ou meramente indivisas ninguém se entende. Ninguém se posiciona para pagar a factura do fogo que se ateou no seu domínio mesmo que dele haja vítimas e prejuízos avultados.

É bom lembrar que quem combate os fogos é pago por todos nós que pagamos impostos para defender a propriedade alheia cujo dono se está nas tintas para quem adianta o dinheiro mas não para algum eventual subsídio a que moralmente não tem o mínimo direito.

O país litoralizou-se. O interior foi abandonado não apenas pelos seus habitantes mas também pelo Estado que reduz continuamente os serviços essenciais nessas zonas (com a excepção da cobrança de impostos!...). As aldeias têm entre 5 e 50, às vezes quase 100 habitantes. Destes uma elevada percentagem é preenchida por gente idosa e abandonada à sua triste sorte. Ficaram ali porque já não tinham para onde ir ou sequer possibilidades de trabalhar e competir com os pobres imigrantes que chegaram em catadupas.

Pode sempre criar-se uma linha, uma fronteira, uma cortina de ferro ou de caniço que separe o litoral vitorioso e enturistado do resto, da pobreza, do abandono. Ou entregar à Espanha... que provavelmente o recusará pois fogos e desastre já tem que chegue que lá como cá  a ideia é a mesma e a cidadania corre o mesmo triste destino.

Ouvir os antigos companheiros de Costa e do PS, ouvir o sr. José Luís Carneiro guinchar acusações, logo ele que ex-ministro da Administração Interna bem devia saber a quantas aquilo no seu tempo andou. Ouvir um ex-medíocre comentador de futebol convertido em líder político ou um par ridículo de radicais de segunda ordem a bramir vai ser a nossa sina nos próximos dias. Se não houver mais fogos.

E a propósito desta última e desagradável e inoportuna hipótese, conviria meditar mesmo que ligeiramente no tratamento televisivo das desgraças. As televisões competiram com toda a espécie  de narizes de cera nas notícias. Tudo para ganhar audiências. Passaram vezes sem conta as mesmas trágicas imagens do fogo. Os seus enviados repetem à saciedade toda a mesma toada de tropos dizendo em dez minutos o que poderia ser dito em um. Uma das televisões juntava ao uivo desconsolado de repórteres sem imaginação nem contenção uma tira de legendas eivada de adjectivos que pela repetição e mau gosto retirava à catástrofe toda a dignidade e e se dirigia aos mais baixos instintos dos espectadores leitores que no sofá se indignavam contra tudo e todos. As televisões deram voz a toda a espécie de acusações de autarcas sem nunca se lembrarem de lhes perguntar se eles tinham nos meses anteriores levado a cabo alguma acção útil para prevenir o verão quente que lhes iria tombar sobre a cabeça. Ou sobre as trombas ou sobre o focinho matreiro. Foi uma disparatada manobra eleitoral desses cavalheiros que descaradamente uivavam amor e devoção ilimitada a aldeias perdidas onde provavelmente nunca teriam posto o pé. Ei-los a fingir de bombeiros mas sem se arriscarem a segurar numa mangueira frente ao mais pequeno fogacho, dedo apontado aos de cima que de resto, há que reconhecê-lo  mostraram toda a sua extensa mediocridade comunicativa. Outro desastre.

E outra vergonha...

estes dias que passam 1007

mcr, 16.08.25

Saudades da censura  (Credo!...)

mcr, 16.8.25

 

Há dias publiquei  um texto chamado “comprar uma guerra estúpida” (12 de Agosto). Na altura já achava que declarar guerra ao mais que restrito número de mulheres que amamentam crianças por demasiado tempo (no caso a polémica estalou com a ultrapassagem de dois anos de amamentação) era politicamente (mas não só) uma burrice a tender para o guiness.

Todavia nunca pensei que uma criatura de seu nome Elsa Gomes (ex-assessora da Ministra do Trabalho, convém salientar e actual directora adjunta dum importante departamento da Segurança Social, re-saliente-se...) viesse a terreiro dizer (e cito o Público) “Nenhuma mulher normal  amamenta um filho depois dos dois anos. Quem diz o contrário não pode ser uma boa mãe!”.

Eu, homem sem filhos, não serei a pessoa mais idónea para avaliar do impacto do leite materno numa criança com dois anos. Sequer com um. Não conheço nenhum caso de amamentação depois dos dois anos mas estou mais que convencido que isso será, no mínimo, raro ou até, nos tempos que correm, raríssimo.

Todavia, a ideia de “mulher normal”  e sobretudo a de “boa mãe” parecem-me ser juízos de valor (pelo menos biológicos, mas também éticos e sociais, para não falar no que se passa por outras geografias onde a coisa parece ser mais habitual) que ninguém com um mínimo de inteligência, de bom senso, de visão política, ousaria fazer.

Pois, pelos vistos, a dita cuja Elsa Gomes (não confundir com a cantora e mais duas ou três pessoas que na internet a apagam) entendeu atirar esta acha bem untada de gasolina para a fogueirinha que grassava.

Se eu fosse maldoso, coisa que nunca fui por achar inútil, seria capaz de pensar que o facto de ter sido ex-assessora da Ministra do Trabalho e usufruir presentemente de uma sinecura na Segurança Social, quiçá sem que o seu currículo, preparação, conhecimento, justifiquem o cargo que poderá eventualmente ser devido apenas e só ao cartão partidário e à devoção aos poderes neste momento imperantes se deve apenas e só ao síndroma HMS  ou seja “his master voice”.

Conheci ao longo da minha já extensa vida um farto número de criaturas que ocupavam cargos sem que estivessem habilitados para o efeito. Conheci uns centos de cretinos, de idiotas, de incapazes e outro tanto de medíocres que contribuíram (provavelmente sem sequer terem consciência disso...) para o estado de atraso em que o país está (e donde provavelmente não sairá tão cedo enquanto se tornarem públicas profissões de fé deste teor).

Eu, que não sou suspeito de ser amigo do actual Governo mas que também ninguém me poderá considerar inimigo, tenho por mim que esta frase, aliás duas que raiam o abjecto, possam ter favorecido o Governo, a Ministra, a maioria que os apoia.

Tenho (pelos vistos)  a imensa sorte de não conhecer a senhora Elsa. Tentei saber quem era mas ou não fui competente ou, de facto, a criatura ainda não merecia notícia sobre ela. Vi, isso sim, citada a frase ou frases em vários órgãos de informação e, convenhamos, que me pareceu que todos eles pareciam chocarreiros.

E a palavra chocarreiro é um mínimo que uso porquanto poderia, se valesse a pena (mas não vale), qualificar a declaração de modo bastante mais “abrasivo” para usar um termo em consonância com o desastre que vamos vivendo.

Nem sequer cito a primeira bem aventurança que abre o Sermão da Montanha pois creio que, tudo visto, lido e respigado, não merece ser mal empregado neste caso.

estes dias que passam 1006

mcr, 12.08.25

Matar os jornalistas. Cegar o mundo.

(variações sobre uma tragédia)

mcr, 12-8-25

 

Não é novidade para ninguém. Israel para além da eficácia militar, tem serviços de informações de altíssima qualidade que, quando é necessário se transformam em serviços de execuções  absolutamente implacáveis.

É neste contexto que se deve tentar perceber a morte de um jornalista da Al Jazira. Enquanto a estação afirma que este jornalista era um talentoso e corajoso repórter, os serviços israelitas juram que era um agente do Hamas.  Fosse ou não, já está morto. Melhor dizendo, e recorrendo apenas ao testemunho israelita: foi executado com mais quatro desventurados colegas pelos israelitas.

Não posso dizer se o finado era ou não um terrorista, um compagnon de route, um simpatizante ou tão só um jornalista que tentava dizer o que se passava naquele “Auschwitz à moda de Netanyahu”.

E refiro Auschwitz com total conhecimento de causa: só jornalistas já morreram mais de 200  (ou 250...). Se, como afirma Israel já morreram 20.000 soldados do Hamas, então temos que as crianças já mortas perfazem o total de mortes! Será que cada terrorista do Hamas se fazia acompanhar de dois cúmplices infantis? Seriam estes os portadores das armas do heróico futuro mártir? Ou foram liquidados apenas porque como na América do faroeste o melhor palestiniano é o palestiniano morto?

A hecatombe jornalística deve ser analisada tendo em conta que Israel não permite a entrada de televisões ou outros meios de informações internacionais. Se não é para poupar as vidas desses inconscientes que se expõem ao horror dos bombardeamentos, temos que há nesta proibição de meios de comunicação, externos e isentos,  a ideia de ocultar tudo o que por lá se passa. Aldous Huxley que inventou o título “sem olhos em Gaza” tem aqui uma merecida homenagem por parte dos israelitas  (notem que nunca escrevo judeus!....) que provavelmente nunca o leram.

E é importante dizer que também em Gaza nem todos os jornais israelitas podem entrar. Será que querem poupar as vidas desses israelitas que se opõem ao governo radical e gangasterizado de Netanyahu? Antes isso que serem obrigados a suicidá-los como na Rússia (mas pode ser, é mesmo provável que também aqui se atinja esse sinistro patamar).

E já que estamos perante a evidência da ocupação (mais uma!) de Gaza conviria dar uma vista de olhos (sumária) sobre como Israel nasceu.

Em 1900, viveriam na Palestina, isto é em todo o território que vai da fronteira egípcia ao Líbano alguns escassos milhares de judeus , tão pobres e miseráveis como os seus conterrâneos árabes. Eram ortodoxos mesmo que não fossem da mesma espécie criminosa dos actuais. Eram poucos e viviam ali como a maioria dos judeus sefarditas viviam nos territórios árabes, desde Marrocos ao Iémen e ao Iraque, de resto entidades políticas inexistentes nessa época. Boa parte do Médio Oriente pertencia ao Império turco, às colónias francesas do Magrebe, ao reino de Marrocos quase um protectorado.

Na Europa do Centro e do Norte estava instalada a comunidade asquenaze, constituída por judeus não oriundos do antigo Israel  ou da diáspora que se seguiu à tomada de Jerusalém e à expulsão de judeus das suas terras ancestrais. Ainda hoje está viva essa distinção que é visível em Israel . Poderá afirmar-se sem receio de desmentido que o Israel actual foi fundamentalmente pensado e construído pelos asquenaze, vítimas, de resto de pogroms por toda a Europa nomeadamente pela de leste, Rússia incluída. Os sefarditas  expulsos da península espalharam-se pelos territórios árabes do Magrebe e do Médio Oriente com uma pequena minoria que rumou a terras ocidentais, desde a Holanda à Itália, de onde é aliás originária a palavra ghetto.

Em 1917, um ministro britânico em carta enviada ao poderoso banqueiro Rotschild, levantava a hipótese a de o “Governo de Sua Majestade poder aceitar a ideia de um estabelecimento da comunidade judaica na Palestina “.

Os leitores recordarão que foi no final da guerra que a França e a Inglaterra estabeleceram mandatos na Síria e no Líbano, por um lado e na Palestina e na Jordânia por outro.

Convém porém lembrar que a colonização de parte da Palestina, se bem que financiada pela alta finança judia, não teve especial impacto na burguesia de confissão judaica fosse ela do Sul ou do Centro europeu ou vivesse já na América. Em 1940 não chegariam a 100.000.

O holocausto mudou tudo e sobretudo permitiu que um Ocidente carregado de remorsos votasse na ONU a criação do jovem Estado de Israel, laico e dividindo a Palestina em dois estados. E é bom lembrar que nem a tragédia da Shoa nem a alegada epopeia israelita, tiveram efeito sensível em boa parte da Europa onde restavam judeus.  E menos ainda na América que, porém, financiou mais generosamente o novo Estado. Mais: armou-o até aos dentes, defendeu-o continuamente e o exemplo mais clamoroso da cumplicidade ocidental foi a campanha do Suez.

(não tive, nem tenho qualquer simpatia por Nasser e pelas aspirações árabes mas neste caso só a URSS e os EUA conseguiram fazer retirar da área do canal franceses, ingleses e israelitas que obviamente tentavam levar a cabo mais uma operação neo-colonialista. )

Fui, pela idade, e pela curiosidade, por interesse político e ético, testemunha atentíssima destes últimos sessenta anos.  Nunca justifiquei o terrorismo árabe ou palestiniano, de resto nunca justifiquei qualquer terrorismo fosse ele da Rote Armée Fraktion, da Action Directe, do IRA, das Brigadas Vermelhas (& associados), da ETA sem esquecer as caricaturas repelentes e domésticas que por cá floresceram e que nunca foram punidas.

Todavia, conviria lembrar a Israel e amigos que  isto, este tsunami de violência sem limites vai aumentar (e de que maneira!) aquilo a que os radicais israelitas chamam “anti-sionismo” e que é apenas uma crítica aos excessos vingativos que já ultrapassaram tudo o que poderia ser tomado por dura réplica ao crime do Hamas.

Estão à vista as consequências. Dezenas de países que nunca tinham pensado em reconhecer a Palestina vão fazê-lo, Portugal incluído. Ao fim e ao cabo, o Hamas está, como ele próprio se gaba, a sair vitorioso.

Sei que Israel pouco se importa com o reconhecimento internacional de um Estado que todos os dias ataca, mesmo na Cisjordânia que ainda não é Gaza mas que para lá lenta mas resolutamente caminha.

Pessoalmente, entendo que o Governo Português deveria  mostrar algo mais. Por exemplo, suspender sine die o eventual reconhecimento de nacionalidade aos 80.000 casos de alegados descendentes de sefarditas portugueses que estão à espera. Aliás deveria ser levada a cabo uma rigorosa verificação da documentação apresentada para evitar que mais um par de oligarcas putinistas russos se transformem em cidadãos portugueses. De resto, conceder a nacionalidade a quem não fala português, não tenciona viver em Portugal e, provavelmente, nem sequer conhece o país parece uma tolice, um embuste e uma forma de garantir a um par de criaturas lucros já denunciados na obtenção da nacionalidade. A lei que um parlamento acéfalo votou generosamente, sem limitação temporal e sem garantias sérias, deveria ser, quanto antes, revogada. Ou posta em banho-maria por uns largos tempos.

Como observação final gostaria de lembrar que a defesa de Israel tem agora na extrema direita os seus principais campeões. Longe vão os tempos de Le Pen e da sua referência, a senhora Dufour, a que ele, canalhamente, juntou a palavra “crematoire”...

estes dias que passam 1005

mcr, 11.08.25

Comprar uma guerra estúpida

& outras tolices estivais

mcr, 11-8-25

 

Uma senhora ministra com idade de ser mãe de filhos adultos ou mesmo avó, entendeu vir guerrear no campo da amamentação materna e, já agora, tentando regulamentar excessivamente o que, na melhor das hipóteses, tem escassa importância económica, ética ou jurídica. 

Eu, em tempos já bem distantes, dirigi uma instituição em que mais de oitenta por cento da força de trabalho era feminina. E uma forte maioria  das mulheres estava em idade fértil e tinha ou pensava vir a ter filhos.

Contra um ministro esparvoado mas ambicioso, criei um infantário e demais graus de internamento de crianças e jovens que ia quase até aos doze anos (como salão de estudo). Sua Excelência começou por tentar chamar-me à pedra mas, perante os resultados  de ganhos de produtividade  e afundamento das faltas, mudou de rumo e, quando eu afirmei que ele teria tido a ideia, logo veio ao Porto pavonear-se perante as pessoas interessadas.

Dessa época, já nos anos do PREC ficou-me a sensação de que os casos de amamentação fraudulenta eram raros, raríssimos.

Num país em que os problemas que se levantam a um Governo minoritátio, são enormes, em que é preciso navegar com todas as cautelas, abrir este tipo de frentes de batalha merece pôr em causa os dotes intelectuais de quem se esganiça para impor autoridade.

No domínio da emigração conviria, para já, saber quantos emigrantes entraram  no país nos últimos anos e sobretudo quantos é que por aí andam.

Só um tonto varrido é que pode pensar que a percentagem de emigrantes num determinado país nada significa. Por isso, parece razoável que haja organismos que regulamentem não só as entradas mas as condições de vida e de emprego de quem chega. E que previnam os mais que habituais abusos de certos empregadores, bem como as actividades das empresas fornecedoras de mão de obra temporária para já não referir o combate às máfias que traficam gente dos mais variados locais.

É verdade que se impõe uma legislação tão cuidadosa quanto rigorosa, inteligente, apta a resolver os problemas que uma falta de trabalhadores implica.

Infelizmente, nem sempre os legisladores têm um conhecimento suficiente das leis e muito menos da escrita das mesmas leis. O resultado está à vista: por maioria forte, foram considerados inconstitucionais diferentes aspectos da lei aprovada e enviada ao Tribunal Constitucional.  

Por outras palavras ignorância atrevida, péssima redacção e desmazelo, para não dizer burrice.

Os fogos do costume chegaram, viram e venceram. Dezenas de milhares de hectares ardidos, animais mortos, casas ameaçadas quando não destruídas, lavras perdidas, um futuro incerto quanto a pastos e centenas de colmeias destruídas. Basta pegar neste último item para perceber que a polinização absolutamente essencial corre sérios, muito sérios!!!, riscos.

Pelos vistos, continua a não haver suficiente limpeza das matas. Desconhece-se que coimas foram ou serão aplicadas aos proprietários faltosos. Desconhece-se, aliás, quem são muitos desses proprietários. Também não se sabe se nos terrenos em risco há ou não propriedade do Estado. Apenas se sabe, isso sim, que nas grandes empresas do sector madeireiro e da pasta de papel não há incêndios porque aí houve redobrados cuidados e limpeza.

Também se desconhece a razão porque há tantas casas (muitas de segunda residência, mormente de emigrantes...) em zonas de risco, sem segurança mínima no que toca a fogo. Quem as autorizou? Como? Quando?

Este país, como toda a orla do Mediterrâneo tem incêndios florestais desde a mais alta antiguidade.

O abandono dos territórios do interior (e o interior começa a 20, 30 ou 40 quilómetros do litoral...) a fuga da população rural,  propiciam a aparição de fogos, com incendiários ou não.

Se há proprietários que não limpam as suas matas, então que a limpeza seja feita pelos diversos poderes públicos e que o seu custo seja cobrado a quem nada fez. Se não puderem pagar que percam as propriedades. E depressa porque, sem acção, para o ano há mais.

Estamos todos, proprietários ou não, do interior ou do litoral, a pagar um preço cada vez mais alto pelo estado da floresta, pelo fim esperado e próximo da fauna e flora, enfim pelo desastre que só  os imbecis não percebem.

Agosto é conhecido por ser a “silly season”  mas  isto não tontice é estupidez, desleixo, afronta a quem se interessa, se incomoda, se indigna e ainda por cima paga impostos que não são nada meigos.

Arre!