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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

estes dias que passam 1035

d'oliveira, 14.01.26

 

 

Mais perguntas do leitor que (felizmente) não é operário

mcr, 14-126

 

Alguém consegue explicar a razão das denúncias contra Gouveia e Melo, cotrim e Marques mendes só aparecerem já a corrida presidencial ia a meio?

O dr Marques Mendes deixou bem claro e há muito que se candidataria. Ninguem veio denunciá-lo como facilitaor de negócios, durante meses e muito menos durante os anos em que perorava na SIC!

O almirante Melo deixou claro desde há muiro que concorreria. Todavia, agora, “descobriu-se” que corria contra ele um imquérito cdesde2017!!! Cotrim, apareceu como primeira figura da IL. Depois candidatou-se ao Parlamento europeu. Sobre alguma eventual aventura licenciosa de assédio sexual nafa se ouviu até ao fim da semana passada. Será que a alegada “assediada” só agora percebeu o que lhe tinha acontecido?

Será que as candidaturas sem qualquer futuro à esquerda de A J Seguro servem para mais do que, eventualmente, o prejudicarem à primeira volta?

Corre que poderão obter resultados inferiores àos da votaçõ nos seus partidos nas últimas legislativas. Se tal ocorrer que expécie de desculpa virão dar aos portugueses e particularmente aos seus mais fervorosos eleitores?

(o autor deste folhetim leu, com alguma surpresa e maior contentamento, que, hoje, este candidato- o seu!, desde o dia em que anunciou a sua candidatura- está em 2ª lugar  nas sondagens para o próximo dia 18)

Não parece milagre de Fátima ou. mais presumivelmente, da “santinha da ladeira,  descobrir-se agora que muitos destacados militantes do PS que o despreavem quando não o odiavam, corram agora em grupo barulhento a garantir-lhe o seu tardio apoio?

Não querendo privar qualquer cidadão do sacrossanto direito de se candidatar a PR alguém consegue explicar porque há 3 candidatos praticamente invisíveis, entre eles um alegado artista que vagueava na penumbra  e um mascarado (mal) de Afonso Heneiques?  Como lhes foi possível arrajar as assinaturas necessárias? 

Que teráo pensado os subscritores dessas assinaturas ao propô-los?

E uma pergunta dobre tema diverso. O excesso de mortos verificado nas últimas semanas abrange, porventura e sobretudo, pessoas que não se vacinaram contra a gripe?

 

estes dias que passam 1034

d'oliveira, 12.01.26

A mítica “unudade” das Esquerdas

mcr, 6-1-26

 

As próximas eleções presidenciais trouxeram de novo `baila a ideia de unidade  das Esquerdas para ganhar as eleições concentrando votos em António José Seguro (que, por acaso, é o meu candidato).

Convém notar que desde que me lembro a palavra unidade é o mantra das proclamações de todos os partidos que se situam à Esquerda. 

Em Portugal e, muitas vezes, nos restantes países europeus, mormente a França (que, sob muitos aspectos, continua a ser a referencia preferida) a chamada foi frequente.

Que me lembre,em Portugal, só se concretizou a tão desejada unidade quando Passos Coelho ganhou sem maioria as eleições legislativas. E isso só ocorreu porque Jerónimo ousa, líder do PC, a propôs depois de conhecidos os resultaos. Valeria a pena rcorrer aos jornais da época para conhecer a troca de acusações precedeu esse súbito carinho entre adversários no mesmo espaço político. Por isso, ou também por isso, o governo resultante dssa anómala aliança foi conhecido como “geringonça” edurou o tempo que foi necessário (e só esse) para um par de reversões (entre las a TAP), algumas das quais questionáveis, caras ou inúteis.

Algumas sondagens pouco confiáveis dão Seguro como possível candidato à segunda volta de ps candidatos do PC, do Livre e do BE desistissem já a seu favor. 

O exemplo mais conhecido, também só concretizado depois da primeira volta eleitoral, ocorreu quando Álvaro Cunhal  exortou os seus camaradas a votar “nem que dosse de olhos fechados” em Máio Soares. Não recordo bem se os dois restantes candidatos da área da Esquerda, Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintailgo fizeram declrações idênticas e, sobretudo, com a força e a autoridade moral, do famoso líder comunista. 

Permito-me lembrar que na eleição seguinte Soares  (talvez recordado do bofetão que recebera na Marinha Gtande aquando da 1ª campnha) aceitou sem tergiversar o apoio do PSD. 

Todavia, talvez valha a pena fazer uma breve viajem sobre o mito da unidade desde Marx até hoje, ou seja desde que com a Internacional Operária  começou a tentar ganhar eleições parlamentares na Europa. 

E se referi Marx foi apenas porque, mesmo ele, nunca se coibiu de discutir com brutal aspereza com uma boa parte, quase todos, os líderes da Esquerda bem como de criticar com igual vivacidade os programas políticos dos prtidos que se reclamavam da Internacinal. 

O seguinte exemplo de discrepância forte e, mesmo de cisão, deve-se a Lenin que nunca hesitou em se opor a ouros líderes russos tornando-se, de resto líder dos bolcheviques em oposição sem tréguas aos mencheviques e com fortes discussões com Trotsky que, também nunca foi meigo com os adversários. Depois da Revolução russa, Lenin e companheiros foram amavelmente transportados num comboio blindadeo para a Rússia porque os alemães confiavam nele para enfrentar os revolucionários “burgueses”, os socialistas revolucionários e os anarquistas que ponrificavam nas esferas do primeiro poder revolucionário. A revolução de Outubro (por acaso em Novembro) foi uma completa rupttura com todas as restantesáforçs revolucionárias expulsas manu militsri do poder , dos sindicatos e dos sovietes. 

Com Lenin e os bolcheviques instalados, eis que começaram duas lutas violentas no interior doa Tússia. A guerra civil por um lado e, paralelamente, uma feroz repressão dos restantes grupos esquerdistas.Avitória pertenceu aos bolcheviques mesmo se, entre estes, houvesse também fortes divergências  (que,aliás, eram já tradicionais dentro do grupo e quase desde a sua fundação)

Todavia, Lenin manteve-se no poder, e o recém fundado partido comunista russo foi ampliando a sua área de ifluência combatendo todos os restantes grupos de esquerda. Em consequência disso Lenin foi gravemente ferido num atrntafo atribuído a Fanny Kplan uma anarquista mesmo se hoje em dia se atribuam a um membro da Tcheka os disparos que o atingiram (se porventura foi esse o caso, temos que mesmo dentro do núcleo duro bolchevique, tinha adversários de peso).

De todo o modo, os restantes partidos revolucion´rios foram gradualmente esmagaos com a mesma ferocidade com que se aniquilaram todos os partidos de Direita ou como tsl presumidos.

Não vale a pena recordar os processos de Miscobvo nem a repressão política de Stalin para perceber qu a “unidade” foi sempre cosguida com a repressão  de quaisquer protestatários que foram aniquilados fisicamente bem como muitos dos seus próximos enquanto dezenas de milhares de simpatizantes seus fornreceram o primeiro e gigantesco contingente do GULAG

No exterior da URSS, a fundação da Internacional Comunista (3ª internacional) cindiu o movimento operário de modo permanente e os partidos comunistas nacionais que foram surgindo aceitaram sem pestanejar não só as novas regras mas também a tutela constante mas secreta dos agentes do Komintern totalmente controlado por Moscovo mesmo se o seu mais conhecido líder , Dimitrov fosse búlgaro.

Entre as duas guerras comunistas e socialistas deglaiaram-se violentamente, havendo mesmo na Alemanha surgido o lema comunista  “Klasse gegen Klasse” (classe contra classe) Isto no exacto momento em que o partido nazista crescia exponencialmente. Nos finais do anos 30, a unidade das esquerdas reduziu-se aos campos de concentração para onde foram deportados, juntamente com judeus, burgueses, católicos, minorias sexuais um largo par de milhares de condenados.Quando a guerra começou, a URSS tinha celebrao um tratado infame com Hitler pelo que os partidos comunistas dos países ocupados entenderam permanecer discretos e neutrais porque o conflito era entre capitalistas, imperialistas!  Em França para não ir mais longe, o PC tentou, através do seu dirigente Jacques Duclos, voltar a fazer circular “L’Huanité” naFrança ocupada  tendo para o efeito chegado ã fala com as entidades ocupantes.  O PCF nãoaderiu, desde logo à  (Resistencia (onde já estava a Direitarepublicana, os radicais e o PS /SFIO) coisa que só ocorreu qundo aAlemanha invadiu a URSS.. O mesmo ocorreu nos restantes países ocupados pelos nazis

(no caso francês o PCF foi mesmo ao ponto de expulsar militantes  que recusavam qualquer colaboração e apelavam à luta contra o ocupante) 

Depois da guerra , os partidos de Esquerda europeus praticamente nuna se uniram, descontadas pequenas alianças efémeras (caso de um govrno de Miterrand qu também repetiu vagamente o front populaire de 36 ) Na Itália, o poderoso PCI (dirigido por Togliati, nunca conseguiu aliar-se aos socialistas que, por seu lado chegaram a ter 3 partidos socialistas no parlamento. No tempo de Berlinguer correu a notícia de um possível acordo com a Democraia Cristã pelo que  um dos muitos grupos esquerditas (Brigate Rosse) raptou e executou friamente Aldo Moro, principal líder da Democracia Cristã.

Também nos anos 60, começou e fortaleceu-se a grande cisão no Movimento comunista Mundial que teve com principais intérpretes A URSS e a China e como parceiros menores A Albânia, A Roménia ou a Jugoslávia (cujo regime foi execrado pelos partidos comunistas de toda a Europa)   que de diferentes formas rtentaram inaugurar sem qualquer êxito diferentes centros socialismo real . Isto para não falar no chamado movimento euro-comunista (que agrupou os PCs francês, italiano e espanhol)  e acabou por ser apenas, ou quase, uma moda. Os anos 60 na Europa mas também em diversas partes do mundo assistiram ao aparecimento de múltiplas organizações  (quase semprede origem estudantil ) de Esquerda  que tinham em comum a mesma atitude em relação ao PC  que era acusado de tudo sobretudo de emburguesamento.

Portugal não foi excepção, bem pelo contrário: o PC era “revisa” e o PS meramente reaccionário ou, vá lá, “burguês”

Durante o Estado Novo, foi o PC o elemento motor da resistência portuguesa. A Oposição remanescente estava vencida, dividida e varrida pelas sucessivas derrotas que sofrera nos diferentes putches que tentara conra Salazar. No final dos anos 50, a candidatura de Humberto Delgado corporizou uma espécie de frente que, dado o entusiasmo popular, obrigou o PC a apoi\a-la. Todavia, e logo de seguida, novamente apareceram os habituais, tradicionais, fracturas que acabarão por se revelarem à luz do dia nas eleições em qie a CEUD enffrentou a CDE. 

E a partir de Abril de 74 é o que se sabe. O primeiro grade confronto foi  a luta contra a unicidade sindical e logo depois mas já em 75 a “fonte luminosa” e a luta contra a s tentativas de monopolizar o poder desde a campanha contra Vasco Gonçalves até ao cerco da AR. As eleições de 75 e 76  nõ só demonstraram a profunda diferença entre PS e PC como permitiram o aparecimento deparlamentar da UDP , o único grupo de extremaesquerda que vingou nesta prova crucial de manifestaçãoo da vontade sa sociedade portuguesa. 

O 25 de Novembro, em que o PS teve um paprl relativamente relevante,  varre a contestação esquerdista por um lado e obriga o PC a uma política mais cautelosa  e, sobretudo, cada vez mais distante dos pequenos grupos à sua esquerda.

Tudo isto  para lembrar que até à “geringonça” nunca houve qualquer espécie de acordo entre as diversas Esquerdas como o parco resultado do primeiro governo Costa apenas demonstra que tirando as reversões a esquerda continuou dividida e a dividir-se (saparecimento do Livre, do PAN , desaparecimento dos “verdes” que pouco mais foram do que um aliado tolerado e comandado pelo PC. 

Finalmente desde o primeiro governo Montenegro atá agor, o único facto político relevante é a continuada queda eleitoral do BE e do PC e a pequena emergência do Livre. 

A última hipótese de unidade (provisória ) da Esquerda estaria na convergência dos partidos de Esquerda com a finalidade depoiar o candidato socialista que assi poderi ter hipótese forte de passar à 2ª volta.  

Ora a cinco dias da eleiçãoo, verifica-se que os candidatos do PC, do BE e do Livre permanecem em liça e já negaram qualquer desistência a favor de António José Seguro.

Tal posição deixa poucas hipóteses ao mal amado (pelo PS) candidato socialista, como abre caminho a uma disputa a três para o pódio da primeira volta (Ventura, Gouveia e Melo e Marques Mendes)

A menos que os eleitores de Esquerda não socialista mandem os seus pretensos candidatos às malvas, Seguro poderá, ambicionar um quaro lugar ou, numa hipótese aida possível um  terceiro lugar que, até o momento as sondagens (pouco fiáveis) não lhe concedem

Tenho tentado perceber  as razões destas pequenas candidaturas (não refiro as carnavalescas onde até aparece uma criatura “fardada” de Afonsos Henriques) e apenas reconheço que poderão servir de prova de viaa (precária)  dos respectivos partidos. Fora isso só poderão ser favores à Direita que estes mesmos partidos e respectivos candidatos dizem combater. Provavelmente não sabem que em ordem dispersa não se ganha nenhuma batalha.

 

 

(o autor, declarou desde que A J Seguro se afirmou candidato que votaria nele. Nesse mesmo post aqui publicado, deixou claro que tinha as mais sérias dúvidas quanto àspossibilidades de vitória. Todavia, corre por convicção e não para ganhar qualquer campeonato.)

 

 

 

 

estes dias que passam 1033

d'oliveira, 05.01.26

O erro clamoroso dos alegados democratas

(ou “o medo guarda a vinha”)

(ou “ a impotência da prudência”)

mcr, 5-1-26

 

Este folhetim continua um outro de sábado (3-1-28) passado “Não, não e não” e não é uma resposta ao leitor que me veio citar uma jornalista do ªúblico (hoje, 5-1-26)

Nem a um dos habituais comentadores dos meur textos.

Mesmo sendo explícito o título e sendo clara a substância do meu texto, verifico que devo avançar um pouco mais nesta infâmia cometida pelos EUA (ou porque – com a passividade popular- os representa, o sr Trump, aprendeiz de ditador  e seguidor convicto da doutrina Monroe)), gostaria de reforçar o meu ponto de vista_ 

1º o sr Maduro é uma reles caricatura do seu antecessor e compete em boçalidade com o homem que o mandou prender

2º o sr Mauro foi um ditador desde que chegou ao poder e merecia há muito ser derrubado pelo povo que foi reduzindo à miséria  e ao medo

3 Nenhum país a braços com uma ditadura pode esperar ser libertado por outro pois corre o risco (já verificado muitas vezes) de ver a opressão por um cidadão nacional ser substituída pela de um ou vários estrangeiros .

Desde as guerras napoleónicas que isso foi visível mesmo quando os alegados libertados se insurgiram contra os “generosos” libertadores.

4 No século passado assistimos `à libertaçãoo de uma série de países europeus pelo Exército soviético (incluindo no lote os paíss bálticos que conjuntamente com meia Polónis foram ocupados com o beneplácito do III´Reich).

Tal libertação teve o seu ponto mais marcante n construcção do muto de Berlin  (onde de rsto já sucedera o 17 de Junho.. esmagado pelas forças sovi´rticas ocupantes do ue se chamou RDA) e a sua mais trágica manifestação  na revolta de Budapest e no fim abrupto da “primavera de Praga”.

5  Ainda, em pleno sec XX, assistimos a um par de tragédias (Vietnam, Afeganistão, Iraque  em que os americanos mostraram ao mundo e à sua própria população como é que levavam a democracia a países estranhos, que não conheciam senão superficialmente. Também os soviérticos entraram no Afeganistão, um estado miserável pobre e radicalmente muçulmano  que os derrotou como mais tarde expulsou os amigos americanos  e se tornou ainda mais radical.

6  A alegada luta contra as ditaduras (sobretudo as da América Latina)  nunca foi uma bandeira para os EUA que nada fizeram contra Pinocjet, Videla, Somoza et alia (Também é verdade que em nenhum destes países onde vicejaram ditadores crapulosos e corruptos, havia petróleo. E mesmo onde o havia (brasil) não foram as unidades especiais americanas que  detiveram os generais.

 

7  As intervenções seja de quem for contra ditadores alheios tem dado azo a reacções violentas e populares, a guerras civis de duvidoso desfecho e não raramente a pesadas perdas humanas entre os libertadores (que por sua vez infligem ainda perdas mais violentas nos povos sublevados)

8 Independentemente do que ocorre nos países intervencionados, temos que, há regras internacionais, organizações igualmente internacionais  que proíbem taxativamente aventuras de índole colonial ou imperialista

9  esquecer isto, apenas porque Maduro “caiu”, está ferros numa prisão americana, sob acusações  que podem ser falsas ou dificilmente provadas e aprovar ou calar as críticas a esta acção (ilegal não só porque levada a cabo sem autorização do congresso mas também porque nem sequer foi precedida de declaração de guerra)  fingindo que os fins obtidos são eticamente superiores aos meios usados, é prova de falta absoluta de bom senso político ou de cobardia perante uma potência que desde já meses anda a ameaçar outras nações no caso a Dinamerca directamente, o Canadá indirectamente e pelos vistos agora Cuba e o México. 

10 o  s votos hipócritas de rápido regresso à democracia (e o caso do ministro Paulo Rangel é particularmente miserável) escondem o medo da actual América, o mesmo é dizer que se está de regresso ao espírito de Munique e aos prolegómenos da 2à guerra mundial.

11  Repito (e repetirei tantas vezes quantas forem necessárias) que a acção americana acaba por beneficiar a Rússia no caso da Ucrânia e a China no que toca a Taiwan. E Israel fica com porta escancarada para, de uma vez por todas,  ocupar Gaza e a Cisjordânia toda. 

12  Trump com  obsessão pela Gronelândia ainda não se lembrou dos Açores provavelmente porque nem sabe que existem ou sabendo não tem uma exacta noção geográfica e geo-estratégica. Mas pode lá chegar

Basta que a mulherzinha americana que publicou o mapa da gronelância pintada com as cores da América e ilustrada pela palavra “soon”  resolva  continuar na sua carreira de ilustradora política. 

!3  parece que os cavalheiros democratas ue “compreendem” a acção dos EUA  ainda não sabem que Trump não conta com a srªa Corina Machado nem com o presidente “eleito” e refugiado na Espanha. 

!4 em boa verdade também eu não conto com a dita senhora que, pelos vistos, embandeirou em arco com a façanha trumpista esquecendo-se que o rapto de Mauro é um atentado à independência nacional do seu país e tem por objectivo único o petróleo do eventualmente “seu” país...

 

14  Emilio Salgari  escreveu um livro chamado “piratas das Caraíbas” e fez as delicias da minha infância seu fiel leitor (juntamente com Júlio Verne). Não sei se ainda há edições deste livro em venda mas não vale a pena. A realidade actual ultrapassa em muito a ficção e é bem mais aterradora e repugnante.

 

 

 

 

 

 

estes dias que passam 1032

d'oliveira, 03.01.26

o, não e não!

mcr, 3-1-26

 

Faço parte dos que desde o primeiro dia detestaram Nicolás Mafuro, coisa, de resto, que herdei di tempo em que detestava o seu antecessor, aquele que conseguiu  irritar o rei de Espanha que lhe perguntou, abruptamente, “ porque no te calas?”

Refiro-me a Hugo Chavez o inventor de uma alucinante ideologia bolivariana que ainda hoje é apenas uma nebulosa mistura de populismo, esquerdismo, tirania e corrupção.

A captura de Nicolás Maduro e da mulher no meio da madrugada por tropas americanas é um acto de guerra, que de resto não foi declarda. Pelos vistos Trump não se importa muito com isso. Como não se importou  com a flagrante pirataria nas Caraíbas que redundou na destruiçãoo de barcos alegadamente identificados sem provas como perencendo a narco traficantes e transportando drogas com destino aos EUA. Convém lembrar que houve mesmo um caso de assassínio claro: nos restos de um barco destruído dois náufragos sobreviventes foram metralhados e mortos quando já nada podiam fazer. O mesmo se passou com a apreensão de barcos petroleiros venezuelanos. 

Os EUA nunca apresentaram provas daquilo que qualificaram narco-trafico venezuelano com origem e comando no governo do país.

A Venezuela não foi nunca apontada como um dos pilares da produção, distribuição transporte de droga. Esse papel coub sempre a outros e próimos países latino americanos. 

Incidentalmente, conviria igualmente, recordar que se há produção e trágico é porque há, nos países consumidores,  organizações locais que det´ém o cotrolo (e os lucros) da venda de drogas. N ocaso dos EUA estamos a falar de norte.americanos, envolvidos em diferentes e poderosas mafias com dirigentes amricanos conhecidos (e eventualmente perseguidos quando as polícias conseguem informação suficiente).

Julgo, e creio que me nao engano, que mesmo ao lado dos EUA há um país, o México que é conhecido por albergar poderosissimas organizações criminosas, famosas por milhares de assassínios anuais, e que fazem entrar nos EUA a maior parte da droga que lá se consome. 

Desde o primeiro dia de mais este conflito foi visível e notório que a droga era a menor das preocupações de Trump e que as reservas petrolíferas (as maiores do mundo) pareciam ser o alvo preferencial senão único dos EUA (ou de Trump que, agora, parece ser a única instancia decisória norte americana. 

Lembre-se que as acusações a Mauro (que é um pobre diabo, patife mas sem especial relevância) são, de certo modo inovações. Os EUA conviveram sem grandes problemas com o Chile de Pinocet, com o Brasl dos generais, com as tiranias sul americanas, com a Argentina da junta.  Nesses anos, as intervenções americanas naquilo que é o seu quintal exclusivo limitaram-se a pequenos países e pequenos tiranetes de que Noriega é um vivo e triste exemplo. 

Este ataque que, para lá do rapto de Maduro e mulher, foi seguido por ataques a alvos em Caracas e noutros pontos, é um acto de guerra. De guerra não declarada como já se não via desde Dantzig  ou Pearl Harbour

Também é conveniente lembrar a frase de Roosevelt sobre o ataque inopinado japonês qualificado de dia da infâmia.

Obviamente, Trump, boçal e ignorante (características que partilha com o prisioneiro Maduro) pode nem saber o que se passou nesses anos 30/40

E já que de história pregressa se fala, também é bom recordar que no início da 2ªguerra, aalemanha de Hitler e a URSS de Stalin atscaram a Polónis e dividiram-na sem especial declaraçãoo. A URSS entretanto, entendeu igualmente ocupar os países bálticos  sem que estes alguma vez a tivessem desafiado.

O ataque da Rússia à Ucrania aninciado como uma mera operaçãoo armada especial foi também algo de repugnantem de infame e de ataque ao direito internacional. 

Até ao momento, desconhece-se que reacções se desenvolvem na Venezuela que, pode ter um exército de opereta, bom para matar civis seus compatriotas indefesos mas incapaz de ripostar a um ataque do poderoso vizinho e agressor norte americano. Maduro era ditadorzeco de segunda ordem apoiado pela tropa e por uma parte eventualmente minoritátria do seu povo. 

É provável que as ultimas eleições tenham sido uma fraude, coisa que não podemos assegurar absolutamente porue não foi possível monitoriza-las. De todo o modo, muitos países não reconheeram a bitória doa alegadod bolivarianos. O alegado presidente eleito refugiou-se em Espanha e a líder da Oposição a Maduro recebeu o nobel da paz  (que trump sesejava, save-se lá por que razão, para si) e passou à clandestinidade. 

Neste exacto momento os EUA anunciam que vão tomar o contole da Venezela, governá-la e trazer, queiam os nativos queiram ou não, a pax americana e a felicidade ao país. Uma felicidade colonizada, evidentemente e gordos contratos petrlíferos pra não falar de outros benefícios.

Pelos vistos ninguém espera resistência popular  o que me parece extraordinário porque, apesar de tudo, a América Latina tem uma sólida tradiçãoo de guerrilha e de violência política.

Os russos enganaram-se no qu toca à presumível vitória relâmpago sobre a Ucrani e pode acontecer que o mesmo ocorra no enorme país que é a Venezuela. Até que uma américa cansada entenda sair de lá como ocorreu no Vietnam ou no Afganistão

Uma segunda questão prende-se com o que pode ocorrer noutros pontos do mundo que Trump considera fundamentais para a segurança dos EUA. 

Mesmo que seja duvidoso que Trump arrisque um ataue a Cuba que já demonstrou saber defender-se, há uma ilha, a Gronelandia, território autónomo sob jurisdiçãoo dinamarquesa  que corre o sério risco de ocupaçãoo americana tanto mais que oTrump já nomeou um  pro-cônsul para o efeito. 

Um terceiro ponto, que já aqui referi em anterior post, é o que, a  partir de hoje ,se pode esperar do conflito  russo ucraniano. A ilegalidade manifesta da invasão russa está agora quase razoável com este ataque e eventual  ocupaçãoo da Venezuela.

É demasiado cedo para saber como é que a União Europeia vai fialmente reagir  mas qualquer toque de “compreensão” pela acção americana será um desastre e uma vergonha avsoluta.

A  idhipotese de que capturar um tiranete merdoso como Maduro bsta para afastar  a ideia de um crime internacional faz lembrar os piores tempos da pré 2ª guerra mundial e as cedências continuas das democracias a Hitler.

Trump não é Hitler: falta-lhe cultura, razões (más) históricas algum conhecimento militar  e político. 

Tamvºem, neste momento, se desconhece a reacção política nos EUA, quer do Cogresso, quer do Senado que do povo americano ou do partido Democratico.  Estamos em fim de festas tradicionais e num fim de semana mas seria bom que amanhã se registassem declarações fortes sobre esta miserável acção.

A ideia sinistra de julgar Masuro num Tribunal americano, furtando-o à acção da justiça venezuelana ou de algum Tribunal Internacional é apenas um acto de barbárie claramente ontra qualquer concepção de Direito. 

Finalmente, por muita simpatia que tenha pela oposiçãoo venezuelana, temo que não perceba o que está a uceder ao seu país e ao seu povo. Qualquer manifestaçãoo de simptia pela acção anmericana  poderá significar perda de apoio popular. O colaboracionismo com qualquer governo militar americano não passará disso mesmo. 

Hoje, ouvi alguns emigrantes portugueses regressados da Venezuela. A alegria que um fdeles, advogado, demonstrou nem sequer pode ajudar quem lá está e pode mesmo ser o sinal para alguma, muita, raiva popular  contra a comunidade portuguesa. Será que devamos preparar-nos para lidar com outra vaga de retornados?

De resto não me recordo de que algum país se tenha libertado dos pressores internos graças a uma invasão de outra potencia .

Em tempos já distantes, as guerras napoleónicas, circulava em Espanha entre os patriotas da guerrilha, u grito “Vivam las cadenas”. Ou seja negavam aos exércitos franceses o direito de lhes trazerem as liberdades  prometidas e egadas pelos seus reis inábeis e fracos. E desprezíveis...  

 

 

 

 

estes dias que passam 1031

d'oliveira, 02.01.26

Ano novo, vida velha

2-1-26

O ano terminou com as fogachadas de artifício, os banhos de mar de “ tradição”, com multidões ruuidososas afrontando o frio da noite e prometendo ml coisas sem a mínima intençõ de cumprir qualquer delas.

Não vale a pena fazer aqui quaisquer votos sobretudo porque os últimos dias se distinguiramde duas maneiras. Bufaria avonde e fugas de informaçãoo ad hominem.

Comecemos pelas primeiras.

Desde sempre, houve em Portugal, o hábito vil de denunciar alguém às excelentíssimas autoridades sem, porém, dar o nome. Den´ncias anónimas encheram arquivos das polícias, dos tribunais, da inquisição  tuso sempre com o mesmo à vontade com que Ventura aonta baterias sobre ciganos, minorias, gente da alta pouco escrupulosa ou corrupta ou presumida como tal sempre com o intuito purificafor de reinventar um país. A sua gentinha urra, vate palmas, denuncia também, mente e quando calha (e calha muitas vezs) lá rouba umas malas, viola uns miúdos a vinte euros o acto ou tenta incendiar um campo. Ou rouba (“desvia” uns dinheirinhos aqui e ali) isto sem falar de uma pasionaria de baixo calibre que publica notícias falsas sobre alunos de escolas ou manuais escolares que não existem. Tudo pela Nção, claro. 

A bufaria não é sequer uma excepção mas um hábito, uma tradição (mais uma) e em épocas de maior actividade política uma arma de arremesso que as autoridades acolhem, agarram sôfregas e usam para mostrar serviço.

Marques Mendes, que não conheço nem me apetece conhecer, foi alvo da habitual infame mexerique  mas, uma vez sem exemplo, o MP, provavelmente entristecido, entendeu dizer que a fenúncia não se sustentava em nada.  Todavia, durante um par de dias, o pequeno gigante político andou enredado nas vozes públicas e apontado  como um leproso.

Dpois dele, eis que se ficou a saber que o almirante Gouveia e Mrloandava a ser investigado desde 2018. Desde 2018!  Arre que é preciso muito arrastar sw pés para fazer uma investigaçãoo durar oito anos e, subitamente, aparecer à luz velhaca do dia quando o homem é candidadato à presidência (como Mendes, estão a ver?). E o marinheiro submarinista, estrela da camapnha anti covid, andou um par de dias na conversa da “opinião publica que a pariu” com a fama de malandro. 

Porém, o escândalo foi tão grosseiramente cerzido que o Ministério Públivo, alefad guardião do segredo dos processos, veio dizer que o militar não era arguido na citada e morosa investigaçãoo que, plos vistos ainda vai durar sabe-se lá por quanto tempo.

Convém, no entanto, relembrar umaverdade comezinha: Mendes e Melo  já não são acusados mas a gentinha dirá para com os seus botões que, apesar do frouxo desmentido das autoridades, “não fumo sem fogo”. Quem o ateou?

Durante anos, demasiados anos, disso me penitencio, defendi o MP. Defeitos de quem é um “jurista não praticante”...

Estas demoras inacreditáveis, estas notícias que furam o bloqueio do segrdo de justiça, este tiro ao alvo  que nada tem de inocente fazrm com qualquer pessoa de bom senso comece a pensar que o MP parece incompetente, negligente, pouco diligente e nada inteligente.

Eu conheço magistrados do MP, juízes, malta séria e honrada por quem tenho respeito, amizade e consideraçãoo. Mas como não frequento os meios jurídicos, apenas posso testemunhar por alguns e nunca pela corporação. 

E estou farto, fartíssimo de ver mega processos que pela sua própria natureza r arquitectua processual se arrastam anos e anos com delinquentes a rirem-se dos acusadores, a ganharem na secretaria, a ofenderem as instituições, a morrerem sem julgamento, por prescrição provocada por truques, por recurdos custosos mas finalmente vencedores mesmo se vencidos. 

É caso para se izer, sem medo, que o sistema tal qual funciona tem duas caractísticas que afinal se resumem a isto há uma justiça para ricos e uma outra impiedosa, para pobres. Tudo i resto é vantasia.

Por outras palavras, a liberdade, asacrossanta liberdade, é vencida pela legislaçãoo tortuosa que exalta direitos (para os ricos) e remete a punição do crime para as calendas gregas.

2025 acabou nesta sórdida postura e 2026 não desponta sobre melhores augúrios- A bufaria vai continuar e as notícias escolhidas a dedo vão continuar a fazer vºítimas no miserável tribunal da opinião pública. Perant a inércia de muitos e o entusiástico silêncio de quase todos. 

 

Entretanto, em gaza, no sudão, na Ucrânia invadida e resistente, a infâmia continua. 

E nas Caaíbas paece renancer uma pirataria que faz esquecer a gatunagem da Somália. Ou de como a boçalidade intrínseca de Trump está a tentar transformar um ditaor de pacoltinha  como Maduro num herói da independência nacional perante o imperialismo do costume

“On va voir ce qu’on va voir” dizem os franceses  que tem o segredo das frases com significado. E o ano ainda agora balbucia...

 

 

 

 

 

Estes dias que passam 1030

d'oliveira, 29.12.25

Oliveirinha na pista da Bardot

mcr, 29-12-25

 

A geração a que pertenço cinematograficamente touxe-nosuma boa dúzia de estrelas de cinema que foram e (eventualmente, ainda serão) autênticos mitos da 7ª arte. Desde Marilyn a Mardot (MM e BB) passando pela Loren, pela lolobrigida pela Taylor  e desembocando noutras tantas estrlas italianas francesas americanas  que encheriam vinte ou trinta linhas deste caderno virtual. Citei, porém, as quatro  pelo que desbravaram no território cinematográfico  e pela aura de escândalo que, de certo modo as perseguiu. 

Comecei a ver filmes no Cinema Penindular na Figueira da Foz (curiosamente a mesma sala onde durante um par de anos aconteceu um festival cinematográfico , o primeiro aliás, em que já homenzinho afinei as garras críticas e mais anda uma paixão.)

Na altura, a minha mãe e as amigas frequentavam as matinés de domingo e a filharada entrava sem pagar e intalava-se nos camarotrs laterais deixando as maternidades sentadas no balcão. E o primeiro filme que vi  (ou de que me lembro)  foi “Não ha paz entre as oliveiras”um melodrama de Giuseppe de Santis, 1950.

Tera sido por essa época que se estabeleceram os limites de idade que já me apanharam tarde mas que, de todo o modo, me impediram de ver alguns filnes.

De todo o modo quer os da Marilyn quer os da Bardot já os consumi  (fortemente censurados...) entre os fins do liceu e a faculdade. Na altura, fazia parte de um grupo de cinéfilos atrevidos que mesmo sendo sócios do cineclube desafiavam  os falsos intelectuais manifestando um amor desenfreado pelos  westerns  (só o Johnny Guitar elogios nos meios progressistas e isso porque alguma revista francesa o coroou como obra prima) e pelas maravilhosas mulheres  que os sisudos  entendiam serem penas instrumentos do capitalismo  e do cinema para iludir multidões. 

Isto agora parece absurdo mas garanto que era moeda corrente naquele tempo e no exíguo panorama da crítica cineclubista.

E foi neste ambiente bem humorado e de intenso combate de hormonas que um grupo de amigos fez uma extraordinária aposta, numa mesa presidida por José Carlos Costa  com as presenças do Batarda, do Eduardo Guerra Carneiro,, do Carlos Amaral Dias des,te vosso criado e de   mais um par de estúrdios. E do Oliveirinha, um “carácter”, que eu conheci no colégio Almeida Garrett e que desembocou em Coimbra  em 62/3. O Oliveirinha, era tipo alto, cara vermeljusva, óculos excessivamente graduados com jeito para desenho e fraco estudante de leis.  Asua obra prima nas artes era um extraordinário chinês que andava sempre com o indicador espetado e que consumia pastéis de nata  dom  dito dedo a limpar a carcaça do bolo que depois era altivamente deitada fora. Durante um par de dias fizemos (com uma excepção  o mesmo com alto ptoveito do  “rapa restos”que mal conhecíamos mas que em nos topando logo de aproximava e zás! Rsto de pastel atirao resto pastel apanhado onde quer que fosse e passado ao estreito.

E a que vem o Oliveirinha  (António de sousa? Seria este o nome? Estará vivo?

Pois ao facto de em certa altura ter decidido desandar para Paris, eventualmente para escapar à tropa, a África, à soturna pátria que o paris ou apenas à sinistra faculdade de Direito”

-Vou para Paris, anunciou-nos. Para encontrar a Bardot e em tendo sorte para lhe provar que deste torrão lusitano ainda há homens prontos a engatá-la. Comê-a e o que mais for preciso.

Depois de um silêncio  todo feito de pasmo, a comandita desatou num escarcéu tremendo. Ningiém toçou mas todos, amarelíssimos de inveja, avisamo-lo que se Paris valia um ou dez missas, a bardot era inatingível. 

OOliveirinha peristiu no seu ambicioso propósito e desafiou a malta para uma aposta. A dinheiro contado e depositado na mão egrégia do ZÉ calros que seria o mais velho, já era casado e pai e tocava bateria. Era um aluno razoável  e tinha uma extraordinária facilidade para pôr alcunhas. A Carlos AD ficou sempre “o menino Reboredo e o rapa restos nunca mais teve nome . 

Não posso garantir  quanto se apostou mesmo se me venha à memória vinte escudos quer era uma soma respeitável para jovens impecuniosos.  Provavelmente terá sido o total da soma anti  Oliveirinha e ele terá entrado com o montante que lhe cabia para cobrir a sua parte.

E o Oliveirinha raspou-se para Paris não sei se legal ou ilegalmente.  

Durante semanas, primeiro,  quinzenas depois, mensalmente , enfim durante algum tempo do Oliveirnha chegavam curtas mensagens em bilhete postal ilustrado com fotografias de Paris. Nelas ia anunciando os seus mais que escasso progressos em demanda da etérea BB. (já lhe topei a morada, vi  alguém a sir do prédio, vão-me apresentar o porteiro da produtora cinematográfica... E por aí fora...)

Até que o silêncio chegou,

Entreytanto este grupo foi partindo, primeiro o Eduardo G C, depois o Batarda, finalmente o Zé Carlos. E eu. 

Como de costume sou o sobrevivente mas tenho uma fexasa que ainda por cá anda o Oliveirinha que, alguém me disse, teria regressa à patri madrasta mas sem gueera colonial. 

Não me consta que a BB , mulher livre, inteligente, excelente acriz, tenha alguma vez encontrado este seuadmirador que, de certo modo, nos representava a todos os desse grupo bm isposto que tinha o “Mandarim” como quartel general.

Morre agora com 91 anos mas deixando um rasto de imagens que retratam os anos 50 e 60  domo raras vezes teráo sido retratados

E penso, grato mas envelhecido, naqueles filmes que vi no momento exacto e de que tenho agora  cópias por rever,  que a vida, a minha vida, não foi assim tão má como isso. No cinema (muitas vezes) na vida (algumas) fui encontrando mulheres  que provavelmente não merecia mas de quem guardo excelentes recordações. Deus abençoe as sobreviventos e tenha as desaparecidos ao seu lado direito. 

estes dias que passam 1029

d'oliveira, 28.12.25

 

 

 

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Na morte de um amigo antigo, corajoso e livre, sempre livre

mcr, 27-12-25

 

Coneci  o Eurico Figueirdi durante as semanas de brasa de Março a Junho de 1962

Em boa verdade limitei-me a vê-lo discursar pois só mais tade é que, expulso da Universidade de Lisboa, aportou a Coimbra, tornando-se uma figura extremamente importante na Academia. 

Entre o dia em que o vi/ouvi pela primeira vez (e aqui relembro o Zé Medeitos Ferreira, o Victor Wengorovius, amigos também e igualmente desaparecidos) e o Vasco Pulido Valente  com quem nunca tive contacto directo.

Deixo de fora o Jorge Sampaio porque a ele conheci-o antes no 1º Encontro Nacional de Estudantes, em Coimbra, era ele já o Secretário geral da R.I.A. (reunião inter asocições, organizaçãoo não legal mas vagamente  toleradanos tempos de Marcelo Caetano, então Reitor da U de Lisboa, cargo de que se demitiria em confronto directo e aberto com o governo)

O Eurico era provavelmente o mais combativo dirigente estudantil mesmo se a figura já imensa do Sampaio se impusesse  como o primus inter pares estudantis de Lisboa.

Vivi com a maior intensidade a crise de 62 a pontos de tersido um dos 44 presos de Coimbra que foram internados em Caxias (a minha primeira prisão).

Em 62/3 o Eurico e mais uma boa dizia de expulsos de Lisboa aportou a Coimbra e aí como a fografia documento tornamo-nos amigos e camaradas de luta contra o regime, partindo todavia de posições políticas próximas mas apesar de tudo diferentes pois nunca militei no PC.

Depois de ficenciado (suponho) o Eurico desandou para a Suiça e fz parte do grupo de exilados de Geneve eLauzanne que marcou indelevelmente a vida política da altura e a que se seguiu a 74.

Por razões que alguém explicará pois esta morte é demasiado grande para passar despercebida, o Eurico, uma das grandes promessas do exílio suíço  não se destacou como, por exemplo, o Zé Medeiros Ferreira ou o Ant´ónio Barreto ou, noutro lano, o Valentim Alexandre um dos mais importantes historiadores da qustão africana e colonizadora.

Não vale a pena, neste momento de profunda tristeza, contar a actividade política e estudantil do Eurico em Coimbra. Foi imensa e especialmente importante nos anos terríveis que se seguiram a 62. Recordo contudo uma pequena anedota em que participei. O Eurico, a certa altura, desconfiou que a PIDE o iria prender de novo e pediu-me ajuda para se esconder. Um meu amigo, onárquico mas democrata aceitou o meu pedido e deu-lhe guarida. Só refiro este episódio para o Ilídio Simões Martins   que teve a coragem e ajudar alguém que não era propriamente do seu grupo político nem sequer teria especial afeição pelas posições associativas do Eurico. Sabe bem lembrar que no quase deserto da Resistência houve gente nossa antagonista quetinha carácter, coragem e compaixão.

Depois de 74 o Eurico instalou-se no Porto, Foi brevemente deputado mas não  cumpriu o destino  político brilhante que todos supunham. De todo o modo fez um brilhante percurso académico e profisional  e  voltamos a encontrarnos se bem que esporadicamente 

 Numa das ultimas vezesque nos encontrámos  a conersa  durou um bom par de horas mas, para além a alegria verifiquei que estavamos em campos diferentes. Ele muito regionalista e eu contrário e desconfiado. Sou a favor da descentralização mas não acredito na regionalização quanto mais não seja porque  temo que não passe de mais uma ilusão que a litoralização do país ainda mais perturba. 

De todo o modo, isso foi mais uma conversa amável, afável, limpa e democrática. Agora já não terei possibilidade de voltar a encontrar aquele velho amigo  que  nunca resistiu a ser parte de causas que nem sempre entendi.

Foi, porém, ima figura absolutmente impresindivel   na luta daqueles tempos e suponho que posso afirma-lo em nome dos ainda sobreviventes desses anos de lume, rosas e combate.  

É provável que já não sejam muitos que o recordem mas pelo menos uma televisãoo terá dado s notícia da sua morte o que prova o desconhecinto cada vez mais alarmante dos anos da resistência e, em especial,  do modo como as revoltas estudantis preanunciaram a crescente impopularidadedo regime do Estado Novo

 

na fotografia Maria João Delgado, João Rezende, Laura Barros Moura, Berta Figueiredo, Helena Payo e Eurico Figeuredo:

de costa: mcr, Otílio e Gabriela Figueiredo, Ruth e Fernando

21 Maio 1964

Perdi completamente o contacto com o João Rzende, a Laura morteu bastan jovem, e não faço ideia do casal Ruth e Fernando que teriam vindo também de Lisboa para Coimbra. 

A Helena Pato está ao que sei viva w é autora de um curioso livro de memória de que ha muito tempo terei aqui dado notícia: “Saudação, flausinas, moedas eSimoes” ec Campo de Letras

28-12-25 É meio dia e domingo. Acabo de ler no Publico uma exelente nota biográfica do Eurico e a notícia que  há cerca de uma hora/duas horas o Eurico foi cremedo em Matosinhos. Por razões exepcionais  só agora é que verifiquei que faltei a esta última e desconsolada reunião.

 

estes dias que passam 1028

d'oliveira, 26.12.25

Irmãos gémeos?

Quase

mcr, 26-12-25

 

Há quem se surpreende com a mansidão de Trump diante de Putin.

Quem se pergunte porque razão  tolera as continuas mentirolas do russo, o descaso que faz das suas alegadas tentativas de pôr fim a um conflito que ele jurou solucionar em poucas horas ou dias.

Não sou analista político nem pretendo ser comentador como essa gente que diariamente debita nas televisões farta conversa sobre temas internacionais.

Por junto, continuo a afirmar sem qualquer receio que de um lado há um agressor que repudiou todos os acordos internacionais celebrados para permitir, finalmente, a independência da Ucrânia que, como se lembrarão, já tinha um estatuto especial (com a Bielorrússia) na ONU do tempo da URSS (com direito a voto e tudo!...) .

Ao começar o seu segundo mandato como Presidente, Trump entendeu começar por exigir a Gronelândia, região autónoma da Dinamarca que, aliás, nunca pertencera a qualquer outro país menos ainda aos EUA.

A teoria de que a grande ilha escassamente habitada era essencial para a defesa da América  do Norte não tem pés nem cabeça sobretudo numa época em que há misseis com o alcance de muitos milhares de quilómetros. De resto, no hemisfério norte só uma potência poderia passar por inimiga, a Rússia. Com uma especial diferença - a Rússia de hoje não é a União Soviética dos anos da guerra fria nem tem sequer a mesma extensão, a mesma população e os mesmos meios que detinha nos tempos do pacto de Varsóvia  e da falecida URSS.

Mas há mais: ao lançar a ideia de adquirir a Gronelândia (os EUA têm uma longa tradição de aquisição de territórios por compra desde a Florida, o Texas, a Califórnia ou a Louisiana negociando quer com a França, quer com a Espanha e com o México. O mesmo ocorreu com o Alasca, comprado ao império russo.

Os tempos são agora outros  e, pelos vistos,  a invasão da Ucrânia terá lembrado a esse risível mas perigoso Trump que poderia ameaçar a Dinamarca, e com ela a União Europeia, fazendo pouco ou nenhum caso da NATO que, no actual contexto mundial, poderá significar menos sobretudo porque o eixo de embate político se transferiu para a zona do Pacífico, melhor dizendo a zona de influência chinesa.

Permitir a Putin o controlo de parte (ou do todo) da Ucrânia teria como contraparte a aquisição (a bem ou a mal) da Gronelândia não tanto pela especial influência na defesa do solo americano mas, eventualmente, nas hipotéticas riquezas que o solo gelado da ilha poderá ocultar.

Do mesmo modo, na corrida que tenta fazer com a China, podemos quase seguramente antecipar que Taiwan será especialmente defendida.

Claro que ao propor este par de hipóteses de rearranjo político e territorial, Trump, cuja mais que modesta inteligência é acompanhada por absoluta ignorância da história e provavelmente da geografia, obnubilado pelo seu convencimento que poderá deixar uma marca na história mundial, Trump chegado muito tardiamente à política e ajudado por um Partido Democrata que se deixou enredar numa teia de combates de ultra-minorias que afastaram milhões de eleitores, este inventor do MAGA tenta abrir a caixa de Pandora, coisa que para ele nada significará porque nem sequer sabem quem é a dita Pandora nem o que estaria dentro da caixa. 

Todavia, a verdade é que, mesmo com cotações cada vez mais baixas na taxa de popularidade eis que, numa corrida contra o tempo (as próximas eleições intercalares) Trump não só se mostra agressivo com a Europa  (que ele despreza e que igualmente o tem em muito pouca conta) mas entendeu  mostrar que  a teoria do big steak de alguns seus predecessores que sempre consideraram a América Latina com uma espécie de quintal, merece ser renovada.

Agora não só ameaça a Venezuela, pirateia a sua frota e conduz uma cruzada contra o narcotráfico (domínio em que a Venezuela pouco risca) afundando embarcações que facilmente poderiam ser apreendidas nas Caraíbas pelas poderosas forças navais americanas para lá enviadas, esquecendo ou fingindo esquecer ou não percebendo que a droga consumida nos EUA chega fundamentalmente por terra (basta lembrar os poderosíssimos cartéis mexicanos, aliados, convém sublinhar, a idênticos cartéis puramente americanos).

Eis que o auto proclamado merecedor do Nobel da Paz manda soar os tambores de guerra.

Não sei se as ameaças de intervenção terrestre vão mesmo transformar-se em realidade. É possível que o detestável Maduro consiga mobilizar o seu povo ao mesmo tempo que a oposição política está tolhida entre um falso amigo americano e algum mesmo insuficiente patriotismo venezuelano. 

Eu lembraria que uma pequena ilha conseguiu até agora desafiar os EUA mesmo sofrendo um cerco temível e um modo de vida pouco recomendável, acrescido de uma ditadura partidária que poderá estar isolada mas ainda não foi vencida, poderia ser um exemplo ou um aviso.

Se Cuba não é Granada ou outro pequeno e miserável país latino americano, tenho por certo que a Venezuela  (cujo regime detesto) poderá não ser um castelo de cartas. 

O novo candidato a xerife  pode pensar o que lhe der na gana dele próprio mas como fez um mais que vago serviço militar percebe pouco do que está em jogo e não se lembra ou não sabe que de Kennedy a Bush, passando por Johnson, Carter e Nixon os presidentes que levaram a cabo guerras longínquas eram todos veteranos da II Guerra Mundial onde combateram e arriscaram as respectivas vidas. 

Ao fim de praticamente dois anos de presidência, Trump  pouco mais é de que uma eventual marioneta de Putin, um autocrata educado no seio da policia política soviética e russa e profundo conhecedor da história e da geopolítica russa, soviética e europeia.

É verdade que é igualmente falho de escrúpulos e que devido à sua antiga profissão sabe como suicidar inimigos recentes ou antigos bem como manejar os sentimentos de um povo que subitamente percebe que já não são especialmente gloriosos os tempos em que vive. Isto vivendo numa espécie pouco saudável de pré ditadura  e de falta de informação. 

Esperemos que no caso dos EUA uma velha democracia ainda subsistam defensores da liberdade  e da democracia que nos possam fazer esquecer este actual tiranete.

Porém, o que mais parece evidente é isto. Tem mais traços em comum do que diferentes. E isso parece cada vez mais evidente.

estes dias que passam 1028

d'oliveira, 18.12.25

O  tempora! 

O mores!

 

mcr, 18-12-25

 

Um licenciado em Direito, professor ou assistente  na faculdade de Direito da UL, ex assessor de uma Ministra da Justiça, está preso preso uso e abuso de pornografia infantil.  Quando digo abuso, quero tão só, dizer que além de consumidor passivo também dava uma perninha no abuso directo de crinças aparecendo inclusivamente num vídeo em plena actividade.

Sou um velho cavalheiro que já viu muito, muitíssimo, dos desastres do mundo.A idade mudou-me a rigidez com que encarava muitas coisas mas jamais me permitiu deixar de pensar que as crainças são um cso a parte.  Porque são indefesas, inocentes, desprotegidas as mais das vezes e porque não sabem defender-se, menos ainda avaliar com alguma certeza os gestos e actos dos adultos.  

Em boa verdade a minha absoluta intolerâmcia  vai até aos 14/15 anos  de idade das vítimas mas não me é difícil  ir até alguns anos mais.

Todavia, os limitres do insuportável mesmo que eventualmente dimiuam lentamente consoante a idade da presumida vítima aumenta chegam sem dificuldade às fronteiras da adolescência. Claro que tudo isto pode variar (ligeiramente) consoante as vítimas vivam na cidade, tenham uma família mais ou menos  normal e uma educação conforme com o que hoje a escolaridade permite. 

No entanto, mesmo quando aceitemos que a maturidade ou pré maturidade exual principie antres dos citados 14/15 anos,, torna-se muito dificil aceitar o espectáculo infame do abuso de menores.

Se a coisa ultrapassa, como geralmente acontece, os limites mais ou menos pessoais e se entra na zona de troca de mensagens, ficheiros, vídeos, informações, então  a questão entra no mais fundo dos domínios criminais e tem de ser  visceralmente condenada. 

Ora o que as notícias recentes dizem (e a acusaçãoo policial corrobora) é que, nesse caso em apreço, o abusaor levou asua curiosidade, a sua actuação e o seu empenhamento a níveis bem mais fundos.

Uma pessoa pergunta-se mesmo se a criatura é, além de udo o resto, um imbecil completo. Trata-se de alguém que gastou os fundilhos numa universidade, pior numa faculdade de Direito, pior ainda dava aulas de Direito. Será que esta absolta nulidade intelectual não se apercebe que inundar computadores pessoais e mais ainda de um ministério de centenas de ficheiros de pornografia infantil é quase como um pedido que o detenham? Ou julgará que a licencatua, as funções universitárias e políticas o blindavam contra uma investigação  que de resto, começou noutro país mas que o, expunha perigosmente a ser apanhado sm grandedificuldade?

Quem o contratou (e num caso o louvou domo se o patarata criminoso, fosse um génio, figno de uma ou mais condecorações do Estado), foi tão ingénuo (melhor dizendo; atontado)  que se desparramou em elogios que de tão absurdos quanto infantis provam a inanidade mental do elogiador não terá uma palavrinha a balbuciar se é que tem um vago dom de palavra e um ainda mais vfo respeito por si próprio  e pela sociedade?

Eu não vou sequer perder tempo a definir os crimes de que a criatura vem acusada. Basta-me, no cso perguntar se não estaremos perante um tolo absoluto ou um mero criminoso que desafia não apenas a lei, mas as mais elementares regras de prudência pessoal.

Para já esta preso. Preventivamente a comer três refeições por dia à culta dos contribuintes. Ainda veremos se lhe substituem o cárcere por alguma pulseira electróinica para aguardar no conforto da casinha um processo que demorará.

 

Alguém, dizia hoje que felizmente nao se tratava de um assassino da mulher ou companheira a quem maltrataria. E isso porque, nesse tipo de casos,  ainda há juízes “compreensivos” que graças ao consabido conhecimento de que a clpa é sempre da mulher pecadora e filha de Eva, dão ao agressor um nimbo de inocência vingadora bem próxima da absolvição.

Cuiosamente, as notícias de hoje, dão conta que um assassino da companheira  foi encontrado morto na sua cela. Suicidou-se ou alguém “lhe fez a folha”? O suicídio do assassasino não ressuscita a vítima mas, de certo modo, consola quem, como eu , vem há anos denunciando esta mentalidade ultra machista, infame e perigosa.  Este, pelo menos, já não matará mais ninguém..

Voltando ao primeiro personagem desta historieta indigna, espero bem que, se o julgarem e quando o julgarem, lhe juntem a pena que não está prevista de  crime de estupidez patológica e aboluta pelo exercício de inundar computadores públicos com as já citadas centenas de imagens pornográficas de menores. (a realidade ultrapassa sempre a ficção!)

estes dias que passam 1027

d'oliveira, 17.12.25

Sobre o uso e o êxito das greves

 

Ontem ocorreu uma greve. Geral. E geral porque assim o declararam as entidades grevistas mas sobretudo porque as duas centrais sindicais se uniram.

Juntaram-se ao movimento alguns sindicatos ditos independentes, o que, de certa maneira, reforçou o tom geral usado.

Em boa verdade, e como é costume, sobre os resultados obtidos houve forte divergência. Há sempre, cá ou em qualquer outro país  onde se registem acontecimentos semelhantes.

Não vale a pena cruzar espadas sobre o alcance da mobilização porque, sempre estaremos perante percepções diferentes e obviamente conclusões políticas diversas. 

De todo o modo, e dada a estrutura do emprego em Portugal, uma greve (geral ou não) passa sempre pela prova dos três (saúde, transportes e educação). Com escolas fechadas ou semifechadas, acessos limitados aos hospitais e ao dia a dia clínico e com transportes condicionados ou inexistentes, rara é a greve, ou que se convencione chamar assim, que não tenha resultados importantes mesmo se gravosos para a vida diária dos portugueses. Fundamentalmente nas regiões de Lisboa e Porto as dificuldades com que diariamente se enfrentam as populações suburbanas tornam-se extremamente difíceis de ultrapassar.

Como, neste caso, se verificou outra ainda mais grave: estamos no inverno e sem metropolitano torna-se ainda pior a situação de quem quer e precisa de trabalhar.

Daí, uma primeira constatação: sem conseguir chegar em tempo útil ao emprego, sem local onde deixar os filhos há, à partida  uma multidão de grevistas involuntários.

Sobretudo no que se convencionou chamar o sector privado.

As faltas no sector público, fundamentalmente, administração pública, não tem os mesmos efeitos tanto mais que o que ficar hoje por fazer poderá ser refeito nos dias posteriores e não afecta patrões privados que tem prazos a cumprir, entregas a fazer, pagamentos a que não podem faltar.

Seria, por isso, importante, fazer o balanço do que se passou  (e perdeu) no sector privado devido à greve. 

Ou por outras palavras - sem paralisia geral ou importante no sector público, nenhuma greve atinge especial repercussão pelo que se se compararem os dias de trabalho perdidos ontem (e, eventualmente, hoje) com aqueles outros que ocorrem com greves dos transpores, pouco se poderá dizer (e menos ainda concluir) sobre o êxito da Greve geral.

Depois, começa por ser difícil medir a adesão à greve em sectores que, como o já mencionado caso do metropolitano, à falta de serviços mínimos, há uma absoluta paralisação da actividade, haja ou não trabalhadores de acordo com a greve. O mesmo, aliás, sucede noutras empresas  (sempre públicas ou para-públicas onde a falta de condições de funcionamento mínimo  dá origem a um uma falta total de actividade. É por isso que os número avançados pelas centrais não reflectem exactamente o teor e a força da adesão à greve. 

O Governo ao esforçar-se por minimizar o apoio à greve também não consegue ter números seguros para poder brandir a sua convicção de que a greve foi menos eficaz e menos seguida  do que é pretendido pelas organizações sindicais.

Finalmente e isto é o que me parece mais grave: a taxa de sindicalizarão actual é especialmente baixa e não augura nada de bom para um futuro próximo onde as políticas de emprego irão sofrer forte convulsão. 

Sem pretender  retirar quaisquer conclusões positivas ou negativas do momento sempre direi que fora os partidos políticos (de esquerda) que atravessam um dos seus piores momentos, que juram uma vitória sem precedentes, esta greve corre o risco de se revelar quase inócua. É entre os três principais blocos políticos que a discussão poderá alcançar maior relevo. O resto, os pequenos partidos,  não se sentam à mesa dos grandes.  E a época natalícia não ajuda,  bem pelo contrário,

Claro que, para além da eficácia ou não do movimento há que contar com efeitos puramente políticos e , mais uma vez, há declarações controversas, naturais, que pouco mais irão para lá da espuma dos dias.

Agora , abre-se uma nova época de conversações, é provável que o Governo emende, aqui e ali, a mão e que se comece seriamente a pensar no que é a política de emprego nos novos tempos que por aí vêm. O mundo do trabalho já está  há muito a mudar e as soluções com que as sociedades avançadas ocidentais se irão debater vão deixar marcas profundas, porventura duras, no emprego.

Como nota positiva há a assinalar que o dia correu com normalidade, excepção feita de um pequeno ajuntamento diante da Assembleia da República com pequenos conflitos que ao fim e ao cabo se traduziram em estragos de pequeno montante. 

Em boa verdade, e ao que vi, a polícia limitou-se a impedir o acesso ao parlamento e umas dezenas de pessoas mostraram a sua coragem cívica, política e ética destruindo algum pouco mobiliário urbano bem como caixotes do lixo. 

A grande noite ficou adiada para as próximas calendas que os tempos estão mais para as compras de natal  e o consumo desenfreado de bolo rei. 

De todo o modo, o Governo deveria ser mais cauteloso  sobre  êxito ou inêxito da greve.  Mesmo que esta não tivesse tido o êxito proclamado, a prudência e o bom senso político exigiriam  outro discurso.

Neste tipo de confrontos, a serenidade é obrigatória e qualquer espécie de triunfalismo (venha donde vier) de mau gosto e prejudicial. É bom lembrar a todos que a vida continua, o Governo também, o sossego na rua é conveniente . 

E, queira o Governo ou não,  a greve deixa sempre um rasto, porventura uma cicatriz,  na paz social que também tem consequências.  

Quanto mais não seja, políticas..

 

17-12-25

finalmente, publico o texto que estava escrito e pronto quase há uma semana. Preguiça pura, algum esquecimento e restos de uma valente constipação que só não foi pior porque tive o cuidado de me vacinar na altura certa..