A mítica “unudade” das Esquerdas
mcr, 6-1-26
As próximas eleções presidenciais trouxeram de novo `baila a ideia de unidade das Esquerdas para ganhar as eleições concentrando votos em António José Seguro (que, por acaso, é o meu candidato).
Convém notar que desde que me lembro a palavra unidade é o mantra das proclamações de todos os partidos que se situam à Esquerda.
Em Portugal e, muitas vezes, nos restantes países europeus, mormente a França (que, sob muitos aspectos, continua a ser a referencia preferida) a chamada foi frequente.
Que me lembre,em Portugal, só se concretizou a tão desejada unidade quando Passos Coelho ganhou sem maioria as eleições legislativas. E isso só ocorreu porque Jerónimo ousa, líder do PC, a propôs depois de conhecidos os resultaos. Valeria a pena rcorrer aos jornais da época para conhecer a troca de acusações precedeu esse súbito carinho entre adversários no mesmo espaço político. Por isso, ou também por isso, o governo resultante dssa anómala aliança foi conhecido como “geringonça” edurou o tempo que foi necessário (e só esse) para um par de reversões (entre las a TAP), algumas das quais questionáveis, caras ou inúteis.
Algumas sondagens pouco confiáveis dão Seguro como possível candidato à segunda volta de ps candidatos do PC, do Livre e do BE desistissem já a seu favor.
O exemplo mais conhecido, também só concretizado depois da primeira volta eleitoral, ocorreu quando Álvaro Cunhal exortou os seus camaradas a votar “nem que dosse de olhos fechados” em Máio Soares. Não recordo bem se os dois restantes candidatos da área da Esquerda, Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintailgo fizeram declrações idênticas e, sobretudo, com a força e a autoridade moral, do famoso líder comunista.
Permito-me lembrar que na eleição seguinte Soares (talvez recordado do bofetão que recebera na Marinha Gtande aquando da 1ª campnha) aceitou sem tergiversar o apoio do PSD.
Todavia, talvez valha a pena fazer uma breve viajem sobre o mito da unidade desde Marx até hoje, ou seja desde que com a Internacional Operária começou a tentar ganhar eleições parlamentares na Europa.
E se referi Marx foi apenas porque, mesmo ele, nunca se coibiu de discutir com brutal aspereza com uma boa parte, quase todos, os líderes da Esquerda bem como de criticar com igual vivacidade os programas políticos dos prtidos que se reclamavam da Internacinal.
O seguinte exemplo de discrepância forte e, mesmo de cisão, deve-se a Lenin que nunca hesitou em se opor a ouros líderes russos tornando-se, de resto líder dos bolcheviques em oposição sem tréguas aos mencheviques e com fortes discussões com Trotsky que, também nunca foi meigo com os adversários. Depois da Revolução russa, Lenin e companheiros foram amavelmente transportados num comboio blindadeo para a Rússia porque os alemães confiavam nele para enfrentar os revolucionários “burgueses”, os socialistas revolucionários e os anarquistas que ponrificavam nas esferas do primeiro poder revolucionário. A revolução de Outubro (por acaso em Novembro) foi uma completa rupttura com todas as restantesáforçs revolucionárias expulsas manu militsri do poder , dos sindicatos e dos sovietes.
Com Lenin e os bolcheviques instalados, eis que começaram duas lutas violentas no interior doa Tússia. A guerra civil por um lado e, paralelamente, uma feroz repressão dos restantes grupos esquerdistas.Avitória pertenceu aos bolcheviques mesmo se, entre estes, houvesse também fortes divergências (que,aliás, eram já tradicionais dentro do grupo e quase desde a sua fundação)
Todavia, Lenin manteve-se no poder, e o recém fundado partido comunista russo foi ampliando a sua área de ifluência combatendo todos os restantes grupos de esquerda. Em consequência disso Lenin foi gravemente ferido num atrntafo atribuído a Fanny Kplan uma anarquista mesmo se hoje em dia se atribuam a um membro da Tcheka os disparos que o atingiram (se porventura foi esse o caso, temos que mesmo dentro do núcleo duro bolchevique, tinha adversários de peso).
De todo o modo, os restantes partidos revolucion´rios foram gradualmente esmagaos com a mesma ferocidade com que se aniquilaram todos os partidos de Direita ou como tsl presumidos.
Não vale a pena recordar os processos de Miscobvo nem a repressão política de Stalin para perceber qu a “unidade” foi sempre cosguida com a repressão de quaisquer protestatários que foram aniquilados fisicamente bem como muitos dos seus próximos enquanto dezenas de milhares de simpatizantes seus fornreceram o primeiro e gigantesco contingente do GULAG
No exterior da URSS, a fundação da Internacional Comunista (3ª internacional) cindiu o movimento operário de modo permanente e os partidos comunistas nacionais que foram surgindo aceitaram sem pestanejar não só as novas regras mas também a tutela constante mas secreta dos agentes do Komintern totalmente controlado por Moscovo mesmo se o seu mais conhecido líder , Dimitrov fosse búlgaro.
Entre as duas guerras comunistas e socialistas deglaiaram-se violentamente, havendo mesmo na Alemanha surgido o lema comunista “Klasse gegen Klasse” (classe contra classe) Isto no exacto momento em que o partido nazista crescia exponencialmente. Nos finais do anos 30, a unidade das esquerdas reduziu-se aos campos de concentração para onde foram deportados, juntamente com judeus, burgueses, católicos, minorias sexuais um largo par de milhares de condenados.Quando a guerra começou, a URSS tinha celebrao um tratado infame com Hitler pelo que os partidos comunistas dos países ocupados entenderam permanecer discretos e neutrais porque o conflito era entre capitalistas, imperialistas! Em França para não ir mais longe, o PC tentou, através do seu dirigente Jacques Duclos, voltar a fazer circular “L’Huanité” naFrança ocupada tendo para o efeito chegado ã fala com as entidades ocupantes. O PCF nãoaderiu, desde logo à (Resistencia (onde já estava a Direitarepublicana, os radicais e o PS /SFIO) coisa que só ocorreu qundo aAlemanha invadiu a URSS.. O mesmo ocorreu nos restantes países ocupados pelos nazis
(no caso francês o PCF foi mesmo ao ponto de expulsar militantes que recusavam qualquer colaboração e apelavam à luta contra o ocupante)
Depois da guerra , os partidos de Esquerda europeus praticamente nuna se uniram, descontadas pequenas alianças efémeras (caso de um govrno de Miterrand qu também repetiu vagamente o front populaire de 36 ) Na Itália, o poderoso PCI (dirigido por Togliati, nunca conseguiu aliar-se aos socialistas que, por seu lado chegaram a ter 3 partidos socialistas no parlamento. No tempo de Berlinguer correu a notícia de um possível acordo com a Democraia Cristã pelo que um dos muitos grupos esquerditas (Brigate Rosse) raptou e executou friamente Aldo Moro, principal líder da Democracia Cristã.
Também nos anos 60, começou e fortaleceu-se a grande cisão no Movimento comunista Mundial que teve com principais intérpretes A URSS e a China e como parceiros menores A Albânia, A Roménia ou a Jugoslávia (cujo regime foi execrado pelos partidos comunistas de toda a Europa) que de diferentes formas rtentaram inaugurar sem qualquer êxito diferentes centros socialismo real . Isto para não falar no chamado movimento euro-comunista (que agrupou os PCs francês, italiano e espanhol) e acabou por ser apenas, ou quase, uma moda. Os anos 60 na Europa mas também em diversas partes do mundo assistiram ao aparecimento de múltiplas organizações (quase semprede origem estudantil ) de Esquerda que tinham em comum a mesma atitude em relação ao PC que era acusado de tudo sobretudo de emburguesamento.
Portugal não foi excepção, bem pelo contrário: o PC era “revisa” e o PS meramente reaccionário ou, vá lá, “burguês”
Durante o Estado Novo, foi o PC o elemento motor da resistência portuguesa. A Oposição remanescente estava vencida, dividida e varrida pelas sucessivas derrotas que sofrera nos diferentes putches que tentara conra Salazar. No final dos anos 50, a candidatura de Humberto Delgado corporizou uma espécie de frente que, dado o entusiasmo popular, obrigou o PC a apoi\a-la. Todavia, e logo de seguida, novamente apareceram os habituais, tradicionais, fracturas que acabarão por se revelarem à luz do dia nas eleições em qie a CEUD enffrentou a CDE.
E a partir de Abril de 74 é o que se sabe. O primeiro grade confronto foi a luta contra a unicidade sindical e logo depois mas já em 75 a “fonte luminosa” e a luta contra a s tentativas de monopolizar o poder desde a campanha contra Vasco Gonçalves até ao cerco da AR. As eleições de 75 e 76 nõ só demonstraram a profunda diferença entre PS e PC como permitiram o aparecimento deparlamentar da UDP , o único grupo de extremaesquerda que vingou nesta prova crucial de manifestaçãoo da vontade sa sociedade portuguesa.
O 25 de Novembro, em que o PS teve um paprl relativamente relevante, varre a contestação esquerdista por um lado e obriga o PC a uma política mais cautelosa e, sobretudo, cada vez mais distante dos pequenos grupos à sua esquerda.
Tudo isto para lembrar que até à “geringonça” nunca houve qualquer espécie de acordo entre as diversas Esquerdas como o parco resultado do primeiro governo Costa apenas demonstra que tirando as reversões a esquerda continuou dividida e a dividir-se (saparecimento do Livre, do PAN , desaparecimento dos “verdes” que pouco mais foram do que um aliado tolerado e comandado pelo PC.
Finalmente desde o primeiro governo Montenegro atá agor, o único facto político relevante é a continuada queda eleitoral do BE e do PC e a pequena emergência do Livre.
A última hipótese de unidade (provisória ) da Esquerda estaria na convergência dos partidos de Esquerda com a finalidade depoiar o candidato socialista que assi poderi ter hipótese forte de passar à 2ª volta.
Ora a cinco dias da eleiçãoo, verifica-se que os candidatos do PC, do BE e do Livre permanecem em liça e já negaram qualquer desistência a favor de António José Seguro.
Tal posição deixa poucas hipóteses ao mal amado (pelo PS) candidato socialista, como abre caminho a uma disputa a três para o pódio da primeira volta (Ventura, Gouveia e Melo e Marques Mendes)
A menos que os eleitores de Esquerda não socialista mandem os seus pretensos candidatos às malvas, Seguro poderá, ambicionar um quaro lugar ou, numa hipótese aida possível um terceiro lugar que, até o momento as sondagens (pouco fiáveis) não lhe concedem
Tenho tentado perceber as razões destas pequenas candidaturas (não refiro as carnavalescas onde até aparece uma criatura “fardada” de Afonsos Henriques) e apenas reconheço que poderão servir de prova de viaa (precária) dos respectivos partidos. Fora isso só poderão ser favores à Direita que estes mesmos partidos e respectivos candidatos dizem combater. Provavelmente não sabem que em ordem dispersa não se ganha nenhuma batalha.
(o autor, declarou desde que A J Seguro se afirmou candidato que votaria nele. Nesse mesmo post aqui publicado, deixou claro que tinha as mais sérias dúvidas quanto àspossibilidades de vitória. Todavia, corre por convicção e não para ganhar qualquer campeonato.)