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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Corrupção na Madeira: os três arguidos saem em liberdade

José Carlos Pereira, 14.02.24

A Justiça fica mais uma vez em xeque. Três pessoas, independentemente das funções exercidas, foram detidas durante 21 dias e, no fim desse período, são devolvidas à liberdade, aparentemente sem haver quaisquer indícios relevantes de corrupção. Pelo caminho, o presidente da Câmara do Funchal renunciou ao mandato e o mesmo fez o presidente do Governo Regional da Madeira, também envolvido no processo. O Ministério Público brinca com a vida das pessoas e o juiz de instrução não conseguiu melhor do que 21 dias para apurar a falta de indícios, pouco se importando com a privação da liberdade dos detidos. Uma vergonha!

Incursões à mesa

José Carlos Pereira, 09.02.24

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A poucos meses de se completar o vigésimo aniversário do Incursões, os (resistentes) autores do blogue reuniram-se à mesa no restaurante Caravela, em Vila Chã, praia do concelho de Vila do Conde. Um muito agradável convívio que teve na ementa os temas recorrentes da política, com as próximas eleições legislativas em destaque, mas também com tempo para debater temas tão diversos como a Igreja e...as eleições no FC Porto. Entre amigos nunca falta tempo para o debate de ideias!

Um ano de incertezas

José Carlos Pereira, 18.01.24

Na edição de hoje do jornal "A Verdade", publico um texto de opinião acerca da situação política nacional e internacional que temos pela frente:  

"Entrámos em 2024 com poucas certezas sobre o que nos reserva o futuro próximo. A nível internacional, o novo ano fica marcado por eleições em dezenas de países. Do Parlamento Europeu aos Estados Unidos da América (EUA), da Rússia à Ucrânia, da Índia ao México, da Bélgica, no coração das instituições europeias, a Portugal. Sem esquecer as eleições em Taiwan, ocorridas já na semana passada, e que deram a vitória a um candidato repudiado por Pequim e defensor de uma crescente aproximação ao Ocidente. A importância de Taiwan no contexto internacional releva do facto de ser um potencial foco de conflito entre a China, que reclama a reunificação com Taiwan, e os EUA, defensores do regime democrático da ilha. Acresce que o facto de Taiwan ser o principal produtor mundial de semicondutores poderia provocar um autêntico bloqueio da economia mundial em caso de disputa militar.

Em termos económicos, o ano transacto terminou melhor do que aquilo que se podia perspectivar no início de 2023. Na realidade, os preços do petróleo e do gás natural baixaram significativamente, a inflação desceu, as bolsas estão em alta e a economia global cresceu na ordem dos 3%. A confiança dos investidores aumentou e a taxa de desemprego na Zona Euro, em Novembro de 2023, fixou-se em 6,5% (6,6% em Portugal).

Poder-se-á dizer que a economia andou, de certo modo, em contraciclo com a realidade geopolítica. À invasão da Ucrânia pela Federação Russa, uma guerra prestes a completar dois anos e que tem motivado um grande esforço financeiro e militar dos países ocidentais no apoio à Ucrânia, acrescentou-se em 2023 um novo foco de guerra entre Israel e o Hamas, que administra a Faixa de Gaza, com repercussões graves nos restantes territórios da Palestina e também no Líbano. Os recentes ataques de rebeldes Hutis, do Iémen, a navios no Mar Vermelho são uma consequência da escalada militar na região e já motivaram resposta por parte dos EUA e do Reino Unido. A rota do Mar Vermelho é fulcral para a logística e as cadeias de abastecimento globais e não pode ficar refém de investidas terroristas.

Neste quadro internacional difícil, Portugal tem também o seu quinhão de incerteza com a realização de eleições legislativas antecipadas. Marcelo Rebelo de Sousa decidiu-se pela dissolução da Assembleia da República e pela marcação de novas eleições para daqui a menos de dois meses.

O Governo de António Costa cessa funções, segundo o Banco de Portugal, com um crescimento económico de 2,1% em 2023, um dos mais elevados na Zona Euro. Registe-se também a redução da dívida pública para um valor que deve ficar situado abaixo de 100% do PIB, o crescimento das exportações e do emprego e um novo excedente orçamental.

A marcação de eleições para Março apanhou os partidos de surpresa e fez com que todos tivessem de ajustar rapidamente protagonistas e estratégias, designadamente os que aspiram a liderar o próximo governo de Portugal.

O PS elegeu Pedro Nuno Santos como secretário-geral, numa disputa interna aguerrida com José Luís Carneiro. A eleição de Pedro Nuno Santos deixa claro que o partido terá mais facilidade em voltar a entender-se com os partidos à sua esquerda, em caso de necessidade, muito embora o novo secretário-geral socialista venha dando mostras de querer mitigar o “radicalismo” de que o acusam. Seja nas questões orçamentais, na relação com o Presidente da República ou nos contactos mantidos com empresários, Pedro Nuno Santos tem vincado uma linha de continuidade com os anteriores governos socialistas, naturalmente com o impulso renovador próprio de quem inicia funções.

Do lado do centro-direita, o PSD trouxe para o seu lado o CDS e o PPM para recriarem a Aliança Democrática (AD). Mais de quarenta anos depois da constituição da AD original, nada é igual. As lideranças, a energia e a novidade que caracterizaram a AD de 1979 não são repetíveis. Luís Montenegro sabe que as próximas legislativas são o tudo ou nada para a sua liderança e a aposta na AD procura galvanizar eleitorado que tem estado afastado do PSD e dos seus parceiros de coligação.

No momento em que escrevo, todos os partidos estão a ultimar as suas listas de candidatos a deputados, um processo sempre delicado e que costuma abrir algumas feridas internas. Seguir-se-ão os programas e a campanha eleitoral, que se deseja esclarecedora.

A vida será mais simples para o PS do que para o PSD. Se ganhar, Pedro Nuno Santos deve poder contar com os partidos à sua esquerda para viabilizar uma solução de governo, apesar de acreditar que é mais provável o PS vencer as eleições do que a esquerda no seu todo alcançar a maioria absoluta. Se perder, desde que não seja com um resultado catastrófico, que não se vislumbra, ninguém exigirá a sua cabeça.

No caso da AD, Luís Montenegro está obrigado a ganhar. E, sem maioria da AD, passa a ter no meio da sala um elefante chamado Chega. Será capaz de manter o seu “não é não!” ao Chega? Resistirá à pressão da maioria dos militantes e dirigentes, que certamente defenderá nesse caso um acordo com o Chega para se alcandorar ao poder? No caso de sair derrotado, Montenegro não terá alternativa à demissão e a dar lugar ao líder seguinte."

O meu clube bateu no fundo

José Carlos Pereira, 17.11.23

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Já (quase) tudo foi dito sobre a Assembleia Geral (AG) Extraordinária do FC Porto, realizada na passada segunda-feira. Acompanhado do meu filho, estive duas horas na fila, como milhares de outros sócios, entrando no local onde decorria a AG cerca das 23h30. A reunião tinha começado, pasme-se, sem assegurar a entrada de todos os associados presentes, revelando enorme falta de respeito pelos sócios, impreparação e falta de capacidade organizativa, com especiais responsabilidades a deverem ser imputadas aos presidentes da Mesa da Assembleia Geral e da Direcção.

Lá dentro, como já todos viram e ouviram, viveu-se um ambiente inacreditável de intimidação, insultos e agressões, procurando os seus mentores, com essas atitudes, condicionar as intervenções e o voto dos associados. Como se fosse possível travar a vontade dos mais de três mil portistas que se mobilizaram para a AG. Aliás, e uma vez que a alteração dos estatutos requer uma maioria de 3/4 dos votos favoráveis, cedo ficou evidente que a proposta do Conselho Superior, alinhada com a Direcção, estava condenada a ser derrotada.

Mas pior que assistir aos insultos e às agressões, num clima de medo e de ameaças, foi ver os membros da Mesa da Assembleia Geral e da Direcção sentados, absolutamente impávidos e serenos perante o que se passava à frente dos seus olhos. O presidente da Mesa, então, teve um comportamento confrangedor. Sem reacção, sem saber o que podia fazer ou dizer. Absorto.

Perante a derrota iminente, o Conselho Superior, num comunicado patético e indecoroso, decidiu ontem retirar a proposta de alteração dos estatutos, levando assim à anulação da Assembleia Geral Extarordinária. Na esperança, certamente, de que a próxima Assembleia Geral Ordinária, para aprovação de contas, a ter lugar até ao final do corrente mês, não reúna tantos associados oponentes do rumo imposto pela Direcção. A propósito do Conselho Superior do clube, vale a pena a questionar o que estão a fazer nesse órgão algumas personalidades públicas de relevo. Se nos guiarmos pelo exemplo de Luís Montenegro, líder do PSD, ficámos a saber que nunca participou em qualquer reunião. E também já sabíamos que Rui Moreira raramente lá pôs os pés. Ou seja, há muito nomes que ficam bem na lapela, mas nada contribuem para a vida associativa do clube.

Recordo que já na última alteração estatutária, em 2015, quando a sucessão de Pinto da Costa ainda não estava sobre a mesa de modo tão evidente, o processo foi opaco e mal conduzido, com os sócios a conhecerem a proposta de alteração apenas à entrada da reunião. Por tal motivo, por não haver explicações cabais sobre as opções tomadas nessa revisão, acabei por ser o único associado, em duas ou três centenas presentes, a abster-se na votação da proposta na especialidade, o que fez com que a mesma não fosse aprovada por unanimidade. Já na altura não me livrei de uns olhares curiosos, para dizer o mínimo...

A forma como o clube tem sido gerido motiva um descontentamento crescente dos associados. Sobretudo daqueles, a imensa maioria, que são contribuintes líquidos do clube e nada ganham com estranhas negociatas. Mas, vimos agora, que não é só na gestão financeira que o clube bateu no fundo, hipotecando muito do seu futuro próximo. A ética e os valores também se estão a perder ali pelos gabinetes do Dragão...

A demissão de António Costa

José Carlos Pereira, 07.11.23

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O pedido de demissão apresentado por António Costa era a única saída possível ao primeiro-ministro, depois de tudo o que se conheceu na manhã de hoje. O comunicado emitido pelo gabinete de imprensa da Procuradoria-Geral da República, como não por acaso enfatizou António Costa, tratou de implicar o primeiro-ministro de forma definitiva, tendo por base o "conhecimento da invocação por suspeitos do nome e da autoridade do primeiro-ministro e da sua intervenção para desbloquear procedimentos no contexto suprarreferido". “Tais referências serão autonomamente analisadas no âmbito de inquérito instaurado no Supremo Tribunal de Justiça, por ser esse o foro competente”, refere o comunicado.

Ou seja, António Costa foi mencionado por algum dos suspeitos investigados, num depoimento ou numa escuta, e isso foi suficiente para o Ministério Público lançar a bomba atómica sobre o Governo do país. Se daqui a uns anos, no final da investigação, porventura nada for provado, quem é responsável pela crise política criada? Uma suspeita soprada por alguém sob investigação é suficiente para demitir um primeiro-ministro? Até onde vai o poder sem escrutínio de procuradores e juízes? Esta é uma questão que vi ser pouco salientada ao longo do dia de hoje e que me preocupa sobremaneira.

De resto, é óbvio que é muito grave ver a residência oficial do primeiro-ministro ser alvo de buscas, ver o chefe do gabinete do primeiro-ministro detido ou assistir a buscas às residências de um ministro e de um ex-ministro. Resta desejar que se apure em relação aos envolvidos tudo o que houver a apurar e que a justiça faça (bem) o seu trabalho.

Entretanto, se caminharmos para eleições, como se perspectiva, teremos pela frente um autêntico hiato na governação, com prejuízo para o processo orçamental de 2024, para a execução do Plano de Recuperação e Resiliência e para o desfecho de vários dossiers importantes. Uma crise política nunca é oportuna, mas esta chega num momento particularmente delicado.

 

Guterres, Israel e a Palestina

José Carlos Pereira, 26.10.23

O embaixador Seixas da Costa, nesta entrevista de hoje ao "Diário de Notícias", faz uma análise assertiva acerca das recentes declarações de António Guterres sobre o conflito israelo-palestiniano.
Guterres não fez mais do que afirmar os princípios de sempre das Nações Unidas, condenando o ataque e os "actos de terror" cometidos pelo Hamas, mas sem esquecer a ocupação forçada e "sufocante" que Israel faz de territórios da Palestina há dezenas de anos, contra centenas de deliberações das próprias Nações Unidas.