As questões que envolvem a despenalização da eutanásia não são simples. Mexem com valores profundos e com a consciência de cada um. Não é matéria de esquerda ou de direita, como aliás se tem visto pelo posicionamento de alguns partidos e dirigentes.
Posto isto, merece um aplauso a forma como os partidos se apresentaram neste processo e como o discutiram serenamente na Assembleia da República, independentemente das posições defendidas. Os cinco projectos que estavam a votação foram aprovados na generalidade e segue-se agora o processo legislativo na especialidade, que se espera também ele sereno.
Quem, como eu, viveu de muito perto, na juventude e adolescência, o processo de degradação física e mental de familiares próximos percebe como é difícil lidar com situações terminais. Cada caso é um caso e creio que ninguém está em condições de impor soluções a outrem, mas fico confortável ao ver despenalizada a eutanásia para aqueles que, de forma consciente e acompanhada por profissionais especializados, pretendem colocar termo ao sofrimento incomportável e à doença irreversível. Pôr fim à vida nessas circunstâncias é um acto simultaneamente de desespero e de consciência plena. De dor infinda. Mas que não pode ser crime para quem opta por esse caminho.
O mesmo Rui Pinto que está preso em Portugal por causa dos "Football Leaks", que já provocaram consequências em alguns países, sobretudo por razões de natureza fiscal, mas que em Portugal continuam a ver muito limitadas as consequências desportivas e judiciais das suas revelações. Em Portugal, o foco é sobretudo sobre o mensageiro e não tanto sobre a mensagem. Percebe-se...
Sucedem-se nos últimos dias as revelações sobre a acumulação de riqueza de Isabel dos Santos a partir da subtracção de avultadas quantias do erário público angolano. É caso para dizer que o jornalismo se prestigia quando investiga casos de grande relevo público e acaba a pressionar reguladores e elites empresariais e políticas, que agora se deparam com o que sempre esteve à vista de todos.
Muitos cooperaram com o regime angolano e com a nomenclatura Dos Santos, fechando os olhos ao que era evidente. Um dos casos paradigmáticos foi a prontidão e a lisonja com que a Câmara Municipal do Porto entregou a medalha de ouro da cidade a Sindika Dokolo, marido de Isabel dos Santos, em troca de uma exposição de arte contemporânea africana e da prometida instalação de uma fundação...de que agora se perdeu o rasto.
Na passada quinta-feira ocorreu mais um encontro à mesa dos colaboradores do Incursões. No coração da Foz do Douro, o restaurante Treze % foi o lugar escolhido para pôr a conversa em dia, para se falar dos projectos pessoais e empresariais dos presentes e, claro está, para comentar a actualidade nacional e internacional.
A política, a economia, a cultura, mas também a gastronomia e os vinhos estiveram em foco. No final, dois dos incursionistas presentearam os demais com uma garrafa de Portinha, vinho verde branco DOC da sub-região de Baião, que resulta de um forte investimento pessoal e afectivo naquele concelho, numa propriedade situada na encosta do Douro. Tchim-tchim a todos os colaboradores e leitores!
O ano velho está prestes a acabar e um novo ano salta nas folhas do calendário. Mas o que não se dispensa no ano de 2020 é a...estabilidade emocional. Muita. Cada vez mais.
A polémica suscitada pelo comportamento e atitudes da deputada Joacine Katar Moreira, eleita pelo Livre, trouxe de novo à baila a questão das responsabilidades individuais dos deputados e os compromissos, valores e princípios defendidos pelos partidos políticos que candidatam esses deputados. Joacine Katar Moreira "cresceu" após a sua eleição e parece considerar-se acima do colectivo que representa e pelo qual foi eleita. Veremos o que vai ocorrer daqui em diante, mas a imagem pública do Livre, depois da grande vitória eleitoral, pode ficar irremediavelmente comprometida.
Não é o primeiro caso de eleição emergente que resulta em decepção para o eleitorado. Recorde-se a eleição para o Parlamento Europeu de Marinho Pinto e de um segundo deputado pelo MPT, em 2014, que redundou pouco tempo depois em divórcio e levou Marinho Pinto a desvincular-se do MPT e a criar um novo partido, situação que levaria à perda do seu mandato de deputado se tal ocorresse no nosso parlamento. Em 1991, tivemos também a ascensão ao parlamento do deputado Manuel Sérgio, do PSN, que não passou de um fogacho sem continuidade.
Nas últimas legislativas, tivemos, além do Livre, a eleição de deputados únicos da Iniciativa Liberal e do Chega. No primeiro caso, assistiu-se à insólita situação de ver o líder do partido, que não foi eleito pelo círculo do Porto, bater com a porta e dizer que não lhe podiam exigir mais tempo e dedicação. O que sucederia se tivesse sido eleito? Quanto ao Chega, tem actuado como um partido unipessoal, com registos de divergências e até de afastamentos entre vários fundadores, que se terão fartado dos comportamentos do líder.
Estes exemplos devem servir de reflexão a todos os que se manifestam defensores de candidaturas independentes e de círculos uninominais, que nestes novos tempos potenciam o aparecimento de políticos populistas, mais fieis ao pragmatismo da acção do que à comunhão e ao compromisso com valores e princípios ideológicos. É certo que os partidos políticos tradicionais não têm sido uma escola de boas práticas e que é necessário aproximar eleitos de eleitores, mas estes exemplos recentes devem servir-nos de reflexão sobre os caminhos a percorrer no futuro.
O cronista Daniel Oliveira escreveu, no "Expresso Diário", sobre as enormes incongruências entre o que pensava o académico André Ventura na sua tese de doutoramento, sobre as garantias dos cidadãos, a deriva securitária e a aplicação da justiça, e aquilo que passou a proclamar enquanto líder do Chega. Diz o próprio deputado recém-eleito que uma coisa é ciência e outra coisa é a opinião sustentada na percepção da realidade!
A verdade cru é a melhor forma de desmontar o oportunismo político de um populista como André Ventura. Nunca a indiferença.