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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

O Incursões faz 18 anos!

José Carlos Pereira, 18.05.22

O Incursões completa hoje 18 anos de vida, sendo a ocasião apropriada para evocar os colaboradores que contribuíram com os seus textos e reflexões desde 2004 e para agradecer a todos os nossos leitores, que totalizaram perto de 35.000 visualizações do blogue no último ano.

 

A título de recordação, fica aqui a primeira publicação do Incursões, efectuada por l.c., e que consistiu no belo poema "O Outro Nome da Terra", de Eugénio de Andrade:

"O meu país sabe a amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul."

O aborto nos EUA e...no Portugal dos anos 80

José Carlos Pereira, 10.05.22
A polémica gerada nos EUA, com a previsível (e retrógada) deliberação do Supremo Tribunal de anular a decisão que reconheceu, em 1973, o direito ao aborto, fez-me recuar até ao Portugal dos anos 80. De facto, só em 1984, com um governo suportado pela maioria PS/PSD, é que foi possível viabilizar a interrupção voluntária da gravidez (IVG), designadamente no caso de haver perigo de vida para a mulher, risco de lesão grave para a saúde da grávida, malformação do feto ou então em resultado de violação.

Foram tempos de discussão muito acesa entre defensores e oponentes da legislação que acabou por permitir a IVG. Lembro-me particularmente de uma sessão realizada na sede do CDS de Marco de Canaveses, para o qual fui convidado pelo meu saudoso amigo J.M. Coutinho Ribeiro, na qual me bati de forma acérrima em defesa da IVG contra Teresa da Costa Macedo, que tinha sido secretária de Estado da Família nos governos da AD e era uma das principais opositoras públicas da IVG. Aos 18 anos, somos donos do mundo e nada pára as nossas ideias...

Reeleito Reitor da Universidade do Porto

José Carlos Pereira, 06.05.22

O Reitor da Universidade do Porto foi hoje reeleito com...13 votos. Não creio que o modelo de eleição dos reitores universitários, restrito ao âmbito dos respectivos Conselhos Gerais, contribua para uma representatividade plena da academia e para a afirmação democrática de um cargo tão importante para a região e para o país.

A vitória de Macron e o os sinais que ficam

José Carlos Pereira, 11.04.22

As eleições presidenciais francesas têm sido terreno privilegiado, há muitos anos, para testar a evolução da extrema-direita na Europa e num dos seus países mais relevantes. Emmanuel Macron venceu a primeira volta de ontem e, tudo o indica, reunirá a maioria dos votos na segunda volta, daqui a duas semanas. Contudo, Marine Le Pen e o conjunto da extrema-direita cresceram em relação à primeira volta das anteriores eleições e isso não pode deixar de ser levado em conta nestas duas semanas e nos tempos que aí vêm, em França e não só. Sob pena de os franceses e os europeus se arrependerem mais tarde...

As balizas de Augusto Santos Silva no Parlamento

José Carlos Pereira, 30.03.22

 

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Augusto Santos Silva foi ontem eleito, com uma ampla maioria de apoio, como presidente da Assembleia da República. O seu excelente discurso no início do exercício do cargo foi uma bela amostra do que se pode esperar do seu mandato, traçando as balizas naquilo que entende dever ser o uso da palavra na casa da democracia.

Académico prestigiado, Augusto Santos Silva dedicou boa parte da vida à intervenção política e foi sendo requisitado pelos vários líderes do Partido Socialista para funções governativas de relevo. A sua eleição para segunda figura do Estado foi muito acertada e o significativo número de votos favoráveis que colheu em outras bancadas demonstra a forma como é reconhecido em diferentes quadrantes políticos.

Conheço Augusto Santos Silva há muitos anos, ainda ele não era figura pública, por via de amizades comuns, e retenho desde esses tempos o seu fino humor e a sua inteligência superior. Foi ao longo destes anos um dos mais bem preparados governantes portugueses e, estou certo, deixará uma marca indelével como presidente da Assembleia da República.

Jantar-debate sobre a guerra na Ucrânia

José Carlos Pereira, 27.03.22

Na noite da passada sexta-feira, participei em Matosinhos num jantar-debate muito interessante sobre a guerra na Ucrânia com a participação, entre outros, de actuais e antigos responsáveis políticos, a nível governamental e parlamentar, membros da Igreja, académicos, agentes do sector cultural, consultores, empresários e jornalistas.

Conversa fluida (atenta e preocupada) a partir do conhecimento de alguns dos presentes sobre aquela zona da Europa e as disputas geopolíticas que estiveram na origem da guerra.

A Justiça aos tropeções (mais uma vez...)

José Carlos Pereira, 21.03.22

O recurso anunciado pelo Ministério Público mostra que o bom senso e a clarividência parecem não estar totalmente ausentes dos meios judiciais. Permitir que Mário Machado deixe de cumprir as apresentações periódicas obrigatórias perante as autoridades, de modo a poder combater em milícias da extrema-direita na Ucrânia, é um disparate absolutamente incompreensível. E o juiz ter invocado que Machado ia prestar "ajuda humanitária" é fantástico...

Mário Soares, Putin e a Ucrânia

José Carlos Pereira, 27.02.22

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Há menos de sete anos, Mário Soares lembrava que Putin era um homem perigoso e imprevisível, evocando já nessa altura as suas responsabilidades pelo que se passava no leste da Ucrânia com o apoio aos separatistas pró-russos. A escalada desta semana, com a invasão da Ucrânia e a morte de civis indefesos, merece uma resposta firme e sanções muito duras da Europa e do mundo ocidental.
 

Desafios para a nova legislatura

José Carlos Pereira, 14.02.22

Ultrapassadas as primeiras reflexões acerca dos resultados eleitorais de 30 de Janeiro e conhecidos alguns efeitos já provocados nos partidos políticos, os portugueses interrogam-se sobre o que podem esperar para o futuro próximo, anunciada que está a posse do novo governo para 23 de Fevereiro.

António Costa, com o resultado obtido e a perspectiva de governar quatro anos em maioria absoluta, tem a responsabilidade de constituir um executivo forte, capaz, composto por personalidades de indiscutível mérito e reconhecimento. Um partido como o PS, que passa a dispor de uma maioria que não fica amarrada às exigência de Bloco e PCP, tem condições para atrair para o governo políticos, gestores e académicos da máxima reputação. O próximo governo tem perante si o imperativo de colocar o país numa rota de crescimento sustentado, promovendo as reformas necessárias para mobilizar todo o nosso potencial. Creio, aliás, que esse é o desiderato de António Costa: entregar o país em 2026 num patamar de desenvolvimento e de equilíbrio das contas públicas substancialmente diferente do que se encontra hoje, tirando o devido partido dos fundos provenientes da Europa, seja o Plano de Recuperação e Resiliência, seja o Portugal 2030.

Quanto à oposição, que se deseja firme e determinada, o PSD tem pela frente o difícil desafio de escolher a liderança mais adequada para um período que prolongará por mais quatro anos o afastamento do poder. Uma liderança que, ainda por cima, não terá voz própria no parlamento e que corre o sério risco de não conseguir chegar às próximas legislativas, como sucedeu em períodos anteriores com Marques Mendes, Luís Filipe Menezes ou Marcelo Rebelo de Sousa.

Espero que o Chega, com os novos deputados, comece a demonstrar a verdadeira natureza dos seus "tesouros deprimentes", como já se tem visto nas inúmeras lutas internas e no posicionamento de vários autarcas eleitos. André Ventura, até aqui líder omnipresente, não vai conseguir tapar todos os buracos, deixando evidenciar a boçalidade e o oportunismo político de tantos dos eleitos por este partido.

A Iniciativa Liberal surpreendeu com a campanha que fez e o resultado que obteve. Fará o seu caminho de afirmação, mas também é provável que comece a ser levado mais a sério por outros contendores, que não deixarão de criticar e apontar o dedo a muitas das propostas da sua cartilha, seja à esquerda ou mesmo no campo político do centro-direita, no PSD ou no CDS, partido que tudo fará para conseguir sobreviver.

Do Bloco de Esquerda e do PCP, castigados de forma inclemente nas eleições, virá com toda a certeza uma oposição dura, na tentativa de afirmar as suas divergências com a maioria do PS, aos olhos destes partidos visto muitas vezes como o seu principal adversário. O PCP, através da CGTP, tentará ainda aproveitar as lutas sociais para recuperar algum do terreno perdido.

PAN e Livre, com um deputado cada, enfrentam o desafio de tornar a sua voz audível num quadro de maioria parlamentar, embora partindo de circunstâncias diversas. O PAN após um sério revés eleitoral e com sérias divisões internas, o Livre reforçado por recuperar um lugar no parlamento depois de uma campanha avaliada de forma positiva por muitos eleitores.