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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

Voto Seguro

José Carlos Pereira, 05.02.26

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Votei até hoje apenas em dois candidatos presidenciais: Mário Soares e Jorge Sampaio. E fi-lo com empenho e convicção. Nas eleições seguintes o meu voto foi em branco por não reconhecer aos candidatos que se apresentavam o pleno cumprimento de todos os requisitos que considero essenciais para o exercício da presidência da República.

Tratando-se de um cargo uninominal, o Presidente da República deve reunir na sua pessoa atributos únicos de experiência política, envergadura intelectual e solidez ética. Deve pugnar pela defesa dos valores democráticos e constitucionais, cumprindo e respeitando o primado do Estado de Direito.

Nas eleições presidenciais do ano em curso, António José Seguro foi o único candidato proveniente do espaço do centro-esquerda e do socialismo democrático. Venceu a eleição na primeira volta, depois de uma campanha eleitoral conduzida com serenidade e elevação, tendo agora de disputar a segunda volta contra o candidato que lidera a extrema-direita populista em Portugal, que beneficiou da fragmentação dos votos na área do centro-direita e acabou por ser o segundo mais votado.

André Ventura representa tudo o que não deve ser um Presidente da República: do propósito de romper com o regime democrático que construímos às campanhas de ódio e de mentiras que tem veiculado enquanto líder partidário, do desrespeito pela separação de poderes à tentativa de manipulação dos sectores judiciários, da castração química à segregação e perseguição de imigrantes. Tudo é demasiado mau!

O voto em branco, que de alguma forma coloca os dois candidatos no mesmo patamar, não é solução razoável nesta eleição porque acaba por contemporizar com André Ventura e as suas ideias  extremistas.

António José Seguro é o voto que deve unir todos os democratas na segunda volta das eleições presidenciais. Garante aos portugueses o absoluto cumprimento da Constituição e o respeito pelos restantes órgãos de soberania e demais instituições. Ao contrário do seu adversário, que fomenta a divisão, António José Seguro pretende ser o presidente de todos os portugueses, respeitando-os e defendendo-os de quem visa atacar os fundamentos do nosso regime democrático.

Novo ano, novos desafios

José Carlos Pereira, 30.01.26

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Na última edição do "Jornal de Vila Meã", propriedade da Associação Empresarial de Vila Meã, cuja Direcção integro na qualidade de vice-presidente, escrevo sobre os desafios que se colocam em 2026 na relação da associação com as autarquias locais, com os parceiros e as empresas da região:

"O início do novo ano traz consigo novos desafios a nível do associativismo empresarial, mas também no domínio autárquico. É o primeiro exercício completo dos órgãos sociais da Associação Empresarial de Vila Meã (AEVM) empossados em Maio passado, como é igualmente o primeiro ano de mandato dos órgãos autárquicos eleitos em Outubro de 2025.

A AEVM está profundamente empenhada em cooperar com a Câmara Municipal de Amarante e com a Junta de Freguesia de Vila Meã em todas as iniciativas que contribuam para o desenvolvimento integrado do território, da economia local e das suas empresas. As iniciativas recentemente levadas a cabo no período do Natal, focadas na animação e promoção do comércio local, foram um bom exemplo dessa colaboração frutuosa entre as três entidades.

O projecto da Área de Acolhimento Empresarial de Vila Meã, uma ambição antiga dos empresários e da AEVM, tem merecido a maior atenção da associação, que pretende dar o seu contributo para o planeamento de uma infra-estrutura que corresponda às necessidades da região. Esse projecto deve ser exemplar como plataforma de dinamização económica e de atracção de investimento, assente num modelo de gestão eficaz, atento a critérios de sustentabilidade e promotor de cooperação entre instituições públicas, empresas e outros stakeholders.

A AEVM continuará apostada numa relação de proximidade com associados e parceiros, com as empresas e as centenas de formandos que todos os anos reforçam as respectivas qualificações em acções promovidas pela associação.

Ao longo dos anos, a AEVM assumiu-se como parceiro e interlocutor das entidades mais relevantes do território, das autarquias locais à Comunidade Intermunicipal e ao Conselho Empresarial do Tâmega e Sousa, o mesmo sucedendo com instituições como o Instituto do Emprego e Formação Profissional, a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, a Associação Empresarial de Portugal, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão ou a Universidade Portucalense Infante D. Henrique, com quem vai desenvolver em breve um projecto na área da digitalização no sector da construção.

As empresas podem contar com a AEVM para a defesa dos seus interesses, seja através do acesso a informação privilegiada, da participação nos projectos e iniciativas que promove, da formação e qualificação de recursos humanos ou da integração desses activos no mercado de trabalho. A intervenção da AEVM terá tanto mais impacto quanto maior for o número de empresas associadas.  Por isso, caro empresário, junte-se à AEVM, beneficie da condição de associado e contribua para fortalecer o associativismo empresarial e a economia da região."

Um novo ciclo político em Marco de Canaveses

José Carlos Pereira, 08.01.26

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Na edição de hoje do jornal A Verdadepublico um artigo de opinião acerca da actualidade política em Marco de Canaveses, concelho que me viu nascer e onde já fui autarca:

" O ano de 2026 assinala verdadeiramente o início de um novo ciclo na vida política de Marco de Canaveses. Por um lado, a recente aprovação do primeiro orçamento do último mandato de Cristina Vieira como presidente da Câmara Municipal lança as bases do que se pode esperar da acção do novo executivo. Por outro lado, as eleições que se avizinham para os órgãos concelhios de PS e PSD podem deixar algumas indicações acerca da forma como ambos os partidos se começam a preparar para o futuro.

Cristina Vieira venceu as eleições de Outubro depois de ter apostado numa renovação do seu executivo. Manteve ao seu lado Nuno Pinto como vice-presidente e escolheu para a vereação novos colaboradores com diferente experiência autárquica e política. José Manuel Carvalho, quadro dirigente da autarquia e com ligação anterior ao ensino profissional no concelho, foi vereador e candidato a presidente da Câmara de Castelo de Paiva, além de ter responsabilidades na Federação do PS/Aveiro. Raquel Pereira, que veio do sector privado, foi presidente da Junta de Freguesia de Penha Longa e Paços de Gaiolo e é dirigente do PS/Marco. É certo que o PS elegeu desta feita menos um vereador, mas isso não foi surpreendente, nem sequer uma novidade. O mesmo aconteceu a Avelino Ferreira Torres nos seus dois últimos mandatos e também Manuel Moreira esteve a muito poucos votos de perder o vereador que lhe garantiu a maioria na sua última eleição.

Cristina Vieira quererá, por certo, deixar obra assinalável neste último mandato. O orçamento de 2026, aprovado sem votos contra, é o maior de sempre: 64,3 milhões de euros, valor que deverá ser ainda reforçado com o saldo de gerência que vier a ser apurado no exercício de 2025. As principais prioridades do orçamento – água e saneamento, habitação, infra-estruturas e educação – são bem reveladoras das opções do executivo. Realço em particular a aposta na recuperação do atraso estrutural do município na disponibilização de água e saneamento e o maior investimento alguma vez feito em habitação pública, medidas com impacto directo na vida de muitas famílias.

Estas prioridades do executivo serão acompanhadas de outros projectos desafiantes, desde logo a transformação da antiga fábrica da Electro Moagem do Marco como pólo de desenvolvimento económico, social e cultural, com infra-estruturas vocacionadas para a qualificação, promoção e fomento das empresas, do turismo e do emprego no Tâmega e Sousa, beneficiando das parcerias já anunciadas com o Instituto Politécnico do Porto e o Turismo de Portugal, entre outras entidades.

O último mandato de Cristina Vieira traz consigo renovados desafios à oposição, cujo papel é inestimável no poder local. Fiscalizar e acompanhar a intervenção do executivo maioritário no dia a dia, assegurar uma gestão exemplar nas juntas de freguesia conquistadas pela coligação PSD/CDS e começar a delinear uma estratégia tendo em vista as autárquicas de 2029 são diferentes vertentes daquilo que se pode esperar, em particular, do PSD. Creio que, enquanto o vereador Mário Bruno Magalhães e a estrutura local do PSD comungarem dos mesmos propósitos, não haverá reflexos das feridas que resultaram das escolhas efectuadas pelo PSD em 2025. Se eventualmente se vier a perceber que o PSD, que fez eleger para a Assembleia Municipal alguns dos seus principais dirigentes, como Francisco Sousa Vieira ou Luís Vales, pretende valorizar outros protagonistas, aí podem surgir as primeiras dissensões na forma de conduzir a oposição.

As eleições internas no PSD, que decorrem no final do próximo mês, podem dar sinais acerca das posições do partido no futuro próximo. Um nome que circula em alguns sectores como potencial candidato à liderança da concelhia é o de Joaquim José Aguiar, actual vice-presidente e um dos vencedores das recentes autárquicas ao ganhar a Junta de Freguesia de Tabuado. Falta saber se quadros hoje mais afastados da vida partidária, nomeadamente antigos autarcas do tempo das maiorias de Manuel Moreira, consideram que é a altura de regressar às lides eleitorais, começando a preparar o caminho para 2029.

Do lado do PS, também são esperadas eleições internas nos próximos meses. O actual presidente da concelhia, Gabriel Carvalho, deve ser eleito este mês como secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa e pode não ter as melhores condições para se recandidatar. Nesse caso, será curioso ver quem avança para a disputa interna, sendo quase certo que Celso Santana, derrotado há dois anos, voltará a apresentar-se a eleições, não escondendo de ninguém o objectivo de ser candidato à presidência da Câmara Municipal em 2029."

Eça com Norte

José Carlos Pereira, 26.11.25

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O meu amigo José Vieira, professor universitário em Itália, escreveu por estes dias no "Público"" sobre as comemorações dos 180 anos do nascimento de Eça de Queiroz, na sequência do relevante congresso internacional que organizou no último fim-de-semana em Marco de Canaveses, a nossa terra. Do que assisti no último dia e dos ecos que recebi, facilmente se conclui que a magnitude do congresso, com a presença de académicos, autores prestigiados e antigos membros do governo na área da Cultura, e das actividades envolventes - cinema, apresentação de livro, tertúlia, concerto - justificava uma maior adesão de professores, autores e cidadãos de Marco de Canaveses e da região. É que não nos podemos queixar de que não há eventos culturais e quando os há...

A minha visão de Francisco Pinto Balsemão

José Carlos Pereira, 23.10.25

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No dia em que decorreram as cerimónias fúnebres de Francisco Pinto Balsemão, deixo testemunho da admiração que sempre tive pelo jornalista, empresário de comunicação social e político. Era ainda criança quando comecei a acompanhar o meu pai nos primeiros comícios e manifestações a seguir ao 25 de Abril. Admirador de Sá Carneiro e de Pinto Balsemão a partir das suas intervenções na Ala Liberal e do lançamento do "Expresso", foi com naturalidade que o meu pai se tornou apoiante e seguidor do PPD. Com onze ou doze anos, num período de grande agitação política, já eu lia o "Expresso", partilhando com o meu pai o gosto pela política e pelo jornalismo. O que não mudou até aos dias de hoje.

Impulsionado pela emoção da morte de Sá Carneiro, inscrevi-me como militante da JSD em Dezembro de 1980, ligação que durou até meados de 1987. Nos anos da liderança de Pinto Balsemão, fui sempre seu apoiante, numa altura em que foi vítima de campanhas dentro do seu próprio partido e do parceiro de coligação CDS, que muito contribuíram para a queda dos dois governos que liderou.

Balsemão era um convicto social-democrata e, apesar do curto período de tempo em que foi primeiro-ministro e líder do PSD, deixou marcas importantes no regime democrático, desde logo a revisão constitucional de 1982, que conduziu em conjunto com Mário Soares, e a preparação da adesão à então Comunidade Económica Europeia. A Norte, por exemplo, os seus governos tiveram acção determinante para assegurar a muito desejada navegabilidade do Douro, hoje tão importante para o desenvolvimento turístico e económico da região. 

Francisco Pinto Balsemão teria sido um excelente presidente da República, mas preferiu retirar-se do primeiro plano da política e criar o maior grupo de comunicação social em Portugal. Ao "Expresso", seguiu-se a SIC, primeira estação privada, a SIC Notícias, primeiro canal de notícias 24 horas, e outras sucessivas apostas em canais temáticos, no streaming, no digital, nos podcasts.

Como sempre tive um gosto particular pelo jornalismo e pela comunicação, reforcei a admiração que tinha por Francisco Pinto Balsemão ao acompanhar o investimento que foi fazendo nos media, a qualidade e a inovação que caracteriza o grupo Impresa e a liberdade e independência que sempre foram a imagem de marca dos diferentes órgãos de comunicação criados por Balsemão, como nestes dias todos sem excepção testemunharam, mesmo aqueles que foram saindo e hoje estão em órgãos concorrentes. Leitor de sempre do "Expresso", sou praticamente consumidor em exclusivo da informação SIC e SIC Notícias.

Como muitos disseram por estes dias, Balsemão foi acima de tudo um jornalista, independente e arrojado, deixando essa marca indelével no seu grupo de comunicação. Foi caso único em Portugal.

As autárquicas na rádio

José Carlos Pereira, 12.10.25

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As eleições autárquicas de hoje têm um impacto relevante no desenvolvimento dos territórios. É o caso, designadamente, de Marco de Canaveses e da sub-região do Tâmega e Sousa, o município que me viu nascer, onde tenho as minhas raízes familiares e fui autarca e o espaço regional a que tenho dedicado muito do meu tempo. Razões acrescidas que me levaram a aceitar o convite para estar hoje à noite na Rádio Marcoense FM a comentar os resultados eleitorais.

O ódio como arma dos ignorantes

José Carlos Pereira, 26.08.25

Não há muitos meses, no seio de dois empreendimentos habitacionais, com vasta oferta de serviços, na freguesia de Paranhos, no Porto, abriu um mini-mercado e loja de conveniência, cujos funcionários são asiáticos, provavelmente do Bangladesh ou do Nepal. Trabalhadores diligentes, simpáticos e que foram reforçando a oferta ao dispor dos clientes, de acordo com as necessidades destes. O mini-mercado presta um serviço de proximidade que não existia, já que os supermercados mais próximos distam algumas centenas de metros.

Numa zona bastante frequentada durante o dia, devido à proximidade ao maior hospital do Norte do país e ao principal pólo universitário da cidade, mas habitualmente tranquila durante a noite, certo dia apareceu inscrita na montra da loja a frase "Fuck Islam". Uma atitude vergonhosa e absolutamente condenável. Nada justifica o ódio, o insulto e a ameaça a quem trabalha e presta um serviço à comunidade, seja português ou imigrante. Com sorte, quem escreve frases assim conta na família com pessoas que emigraram e procuraram melhores condições de vida no estrangeiro, precisamente o mesmo que esses cidadãos asiáticos fazem em Portugal. Ignoram, por certo, que Portugal sempre foi um país de emigrantes e que o país precisa de mão-de-obra para vários sectores da nossa economia. 

Neste caso concreto, a ignorância dos atrevidos até confundiu o Islão com os países asiáticos em geral. Na verdade, se a religião muçulmana predomina no Bangladesh, o mesmo não acontece no Nepal, onde o hinduísmo é claramente maioritário.

O fim penoso de Rui Moreira

José Carlos Pereira, 15.07.25

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A menos de três meses das eleições autárquicas, são muitos os presidentes de Câmara que se despedem da função por limite de mandatos. É o caso de Rui Moreira, no Porto. 

Fernando Gomes, com o lançamento do metro e da Capital da Cultura 2001, nos anos 90, foi o último a "reinventar" a cidade, mas é justo reconhecer que Rui Moreira fez do Porto um pólo de atracção de investimento e talento, promoveu de forma ímpar a cidade e a sua marca, apostou num maior cosmopolitismo, mas também na coesão social e cultural do território. A renovação do Mercado do Bolhão e o projecto do Matadouro de Campanhã ficarão como as obras emblemáticas dos seus mandatos. Nunca lhe confiei o voto, mas não posso dizer que tenha sido um mau autarca. Sobretudo em comparação com o seu antecessor...

Rui Moreira, no entanto, não soube lidar com o fim da governação autárquica, com o caminho a seguir e, consequentemente, não acautelou a coesão da sua vereação até ao fim. Em termos pessoais, gostaria de ter sido cabeça de lista ao Parlamento Europeu ou ministro, mas o deslaçamento do executivo não aconselhava uma saída antecipada. Talvez o lugar de embaixador na OCDE seja o melhor que o Governo pode arranjar. 

Quanto à sua equipa, após as renúncias, nos últimos meses, do vereador da Economia e Finanças e do chefe do gabinete, sabe-se que o vice-presidente (entretanto, ao que parece, agredido pelo ex-chefe do gabinete!) prosseguirá com uma candidatura independente, a vereadora da Saúde, Juventude e Desporto deve integrar a coligação PSD/IL/CDS e o vereador da Educação e Coesão Social será candidato pelo PS.

Rui Moreira não soube, ou não foi capaz, de guiar o movimento que protagonizou a sua candidatura, mantendo a equipa unida e coesa, com um alinhamento e uma visão comum para a cidade, até ao fim do derradeiro mandato. Nos últimos meses, cada um tratou da sua vida e dos seus interesses, a olhar para o que futuro poderia reservar de melhor, aqui ou ali.

O próprio presidente da Câmara do Porto, depois de dizer que não interviria na campanha eleitoral das últimas legislativas e que não tomaria posição nas autárquicas, não se coibiu de dar todos os sinais de que estava ao lado de Luís Montenegro e Pedro Duarte. A romagem ao Bolhão para reunir o Conselho de Ministros foi a cereja no topo do bolo. Les jeux son faits!