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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

30
Ago18

A propósito da colocação dos professores

JSC

Vai por aí uma barulheira por causa da colocação dos professores. Os Sindicatos – novos e mais antigos – falam em “vergonha”, “desrespeito” e por aí adiante.

 

Como é habitual, são estas vozes, sem contraditório, que nos entram pela casa e procuram convencer do falhanço do Governo nesta matéria. Pelo que dizem até parece que faz sentido, que têm razão, que o Governo falhou e não reconhece que falhou.

 

Contudo, acabo de ler as declarações da Secretária de Estado da Educação. Pelos vistos a colocação de professores está dentro do que tem acontecido em anos anteriores, desde 2011.

 

"Está tudo dentro dos calendários normais, é um processo que este ano teve que arrancar mais tarde por causa da lei da Assembleia da República [ensino artístico especializado], que só foi publicada a 19 de abril", referiu, elencando que, desde 2011, as listas de professores foram divulgadas sempre no final de agosto, em alguns casos em setembro.

 

A ser assim, como qualificar a atitude dos senhores dirigentes sindicais dos professores?

29
Ago18

… E a medida até parecia ser uma coisa boa…

JSC

António Costa anunciou que o Orçamento do Estado para 2019 contemplará incentivos fiscais para os emigrantes que decidam regressar a Portugal no período de vigência do Orçamento para o ano de 2019.

 

Esta medida parecia ser uma coisa boa. Desde logo, exprimia a vontade política de fazer regressar alguns dos que partiram. Mesmo que o seu impacto não fosse por aí além, isto é, mesmo que não gerasse filas nas fronteiras, por poucos que regressassem já era bom. Parecia ser este o espirito da medida.

 

Contudo, por artes comunicacionais, o que parecia uma boa medida passou a ser uma medida péssima, criticada por corporativistas e comentadores de serviço.

 

Na frente da onda, como sempre, o Dr.  Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos. Desde logo, acusa António Costa de propor uma medida que representa "uma desigualdade naquilo que é a possibilidade de tentar fixar médicos, nomeadamente nas áreas mais carenciadas" e que o primeiro-ministro deve usar "os mesmos argumentos em termos de incentivos" para fixar os cidadãos que residem em Portugal e não apenas os que emigraram.

 

Também não sei se seriam estes incentivos que levariam os médicos a deslocalizarem-se dos grandes centros para as “zonas mais carenciadas”.Mas sei que há Autarquias que oferecem incentivos bem mais significativos, habitação, por exemplo, e nem por isso conseguem atrair médico algum. O que é que o Senhor bastonário pensará disto? Qual o preço a pagar pela atratividade de um médico para o interior?

 

Na mesma linha discursiva e corporativista, ouve-se a Senhora bastonária da Ordem dos Enfermeiros. Desde que a Senhora descobriu o seu apego ao SNS, coisa que brotou no pós-Passos, não mais parou de censurar e desvirtuar as políticas do Governo. Agora, também, reclama que os incentivos anunciados por António Costa não farão regressar os milhares de enfermeiros que emigraram, que deveriam ser dados incentivos aos que cá estão e por aí adiante.

 

O curioso, o que me espanta, é o tempo de antena que esta gente tem. De tanto que falam o pessoal até esquece qual foi a medida proposta pelo Governo e só fica no ouvido o alarido das reclamações, das lamúrias, das invectivas corporativistas.

 

Afinal de contas, o que leva, o que verdadeiramente motiva, a dar tanto microfone a esta gente?

24
Jul18

Uma guerra desproporcionada e fora de tempo

JSC

O Ministro das finanças deu uma entrevista. Falou verdade. Melhor, disse o óbvio sobre o Orçamento que aí vem. Reafirma que não há dinheiro para contemplar os 9 anos, 4 meses e 2 dias que os professores reclamam.

 

 “O OE é um exercício complexo e para todos os portugueses. Temos, em nome de todos os portugueses, de propor um orçamento que seja sustentável”.   “não é possível por em causa a sustentabilidade de algo que afeta todos, só por causa de um assunto específico.

 

Foram estas as declarações que enfureceu e colocou aos pulos e aos gritos a plêiade de dirigentes sindicais. Mário Nogueira, de pin redondo a expor a rigidez dos 9A, 8M, 2D, falou de coisas moles, de barro que escorre pela parede abaixo. Outros falaram de coisas próprias, só deles. No conjunto, parece que se organizaram em orquestra de bullying contra Centeno, o Governo.

 

Esta guerra até faria sentido quando lhe retiraram o que agora reclamam. Na altura, sentiu-se um desconforto controlado, falaram baixinho e espaçadamente, apesar das perdas terem sido consideráveis: 30 mil professores retirados do sistema; Cortes abruptos nos vencimentos e abonos; aumento do número de alunos por turma; aumento da carga horária; carreiras congeladas. O ruído que hoje fazem é muito, mas muito desproporcionado comparativamente ao que fizeram quando verdadeiramente atingiram os seus direitos.

 

Este Governo não retirou direitos a ninguém. Tem vindo a devolver.

 

Depois, entendo que os dirigentes sindicais dos professores, mesmo quando reivindicam, devem agir com elevação, manter o exercício da cidadania, serem dignos na reivindicação, agir de modo que aqueles que representam sigam o exemplo e sejam exemplo para os alunos que lhes coube em sorte.

 

Pelo que se lê, os professores são hoje uma classe desalentada, em exaustão, doente, sem vontade nem alegria para o exercício da sua profissão.

 

Pelo que se lê, os professores culpam os alunos, os pais e os ministros pelo estado maleitoso em que se movimentam.

Será que os dirigentes sindicais poderão trazer alguma normalidade ao sistema, trazer alguma esperança à vida sombria dos professores e às Escolas, para além da azougada reivindicação dos 9A, 8M, 2D?

 

PS: Excluo os Professores, que os há, que contra o ambiente geral mantêm o orgulho em ser professor. Os alunos reconhece-os.

19
Jul18

"ILHAS" DO PORTO – Investimento público em património privado?

JSC

Segundo ouvi hoje, está em estudo um protocolo entre a Câmara Municipal do Porto e a Secretaria de Estado da Habitação com vista a direcionar fundos públicos para a requalificação das ilhas do Porto.

 

Segundo julgo saber, nos últimos trinta anos as “Ilhas do Porto” terão sido a realidade mais estudada a nível local. A título de exemplo, em 2001, foi divulgado e publicado o trabalho promovido pelo Pelouro da Habitação.  «AS “ILHAS” DO PORTO ESTUDO SOCIOECONOMICO» 2000 exemplares, 128 páginas

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Em 2015, a Câmara em parceria com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto divulga e publica o trabalho « ”ILHAS” DO PORTO - Levantamento e Caracterização», 500 exemplares, 187 páginas.

 

Com a notícia de hoje parece que a Câmara está a pressionar o Governo para que este assuma “um forte investimento público na reabilitação das “ilhas”.

 

A ser verdade, há aqui qualquer coisa que não se entende muito bem. Primeiro, como pode a autarquia exigir, impor mesmo, que o Governo afecte recursos públicos, a fundo perdido, à recuperação e valorização de património privado?

 

Segundo, se a Câmara é proprietária de tanto património habitacional degradado, muito degradado – Bairro do Leal, Monte das Musas, ilhas municipais – não é mais razoável e natural que, a haver comparticipação do Governo Central esta se direcione para o património público local?

08
Jul18

A CLARA FALOU CLARINHO, PASSOU-SE…

JSC

Estou farto de ouvir falar da Madona. Não pela Madona, antes pelo prol de comentadores/jornalistas/políticos populistas que se servem da Madona para criticar e até insultar os portugueses.

 

Clara Ferreira Alves, escritora/jornalista/comentadora, no Eixo do Mal, até lembrou Byron e Eça para mostrar quanto os portugueses bajulam os estrangeiros. É de mais!

 

As Câmaras Municipais, todas as Câmaras, têm uma tabela de taxas e licenças ou de taxas e preços. As condições de ocupação do domínio público ou do domínio privado da autarquia estão lá definidas, incluindo as condições financeiras. Aprovadas pelo executivo e até pela Assembleia Municipal, cabe aos serviços aplicar a tabela de taxas e preços. Onde está o problema da ocupação precária em causa?

 

Mas a escritora/jornalista/comentadora vê problema. E o problema, segundo ela, está logo na cara de menino do presidente. Diz ela: “Medina tem um lado qualquer infantil, ele tem uma cara infantil”.   Com esta tirada, a comentadora Clara está ao nível daquele Senhor que disse que lhe bastava olhar para a cara… para ver que era pedófilo… e, por consequência, condenar…

 

Bom, também poderíamos dizer que bastar olhar para a cara e para os trejeitos da senhora para se ver quanto esganiçada é e toda a carga de pedantismo que transporta para o pedestal em que se põe.

 

A afirmação mais estapafúrdia que saiu daquela desenfreada corrente verbal foi quando acusou, disse: “foram buscar o contrato logo a seguir, fizeram o contrato no fim de semana para o apresentar”.

 

Estamos perante uma afirmação grave, feita por alguém que tem uma intervenção pública de largo alcance. Não pode ser mais uma afirmação. Deve ter consequências. O Presidente da Câmara deve pedir um inquérito à Procuradoria ou, em alternativa, a Procuradoria tomar a iniciativa de o realizar. Têm duas pessoas para ouvir, desde já. A Comentadora Clara e o Coordenador do programa, que parece ter informação sobre o caso porque afirmou que o facto de dizerem que o documento “tem data de janeiro não garante… que tenha sido feito em Janeiro.

20
Jun18

Não é só os direitos humanos que estão em causa

JSC

Numa altura em que os EUA não respeitam, minimamente, os direitos das crianças, eis que decidem sair da Comissão dos Direitos Humanos da ONU. A grande razão que apresentam é a dessintonia entre as decisões desta Comissão e as políticas dos Governos de Israel, que, como está à vista de todos, não atira e mata pessoas desarmadas, sobre crianças nem mantém ocupados territórios que não lhe pertencem nem amplia a sua ocupação territorial na Palestina, contra tudo e contra todos excepto os grandes defensores dos direitos humanos, os EUA, que, entretanto, deixam morrer dezenas ou centenas de jovens em Escolas, baleados por colegas…

 

A decisão de Trump de deixar a Comissão dos Direitos Humanos da ONU – e um dia destes a própria ONU – não nos deveria espantar, à luz do que tem sido a sua opção pelos aliados internos e externos. Desde aquele senhor Presidente que se gaba de ter matado, com as suas próprias mãos, centenas de pessoas, do que designa por marginais, até ao seu recente e louvado, por todos, encontro com o todo poderoso Presidente da Coreia do Norte, para não falar de alguns governos europeus que em matéria de refugiados e emigração estão colados a Trump e vice-versa. Nada a surpreender.

 

De Trump só se pode esperar o pior. E o pior ainda está para vir. O que surpreende é a atitude dos líderes Europeus, que estão a tratar estas matérias como se fossem coisas a contornar, a não olhar de frente. Ora, Trump e a sua política é hoje, seguramente, a maior ameaça à paz mundial e à Europa.

 

Neste quadro, o que seria esperar dos líderes Europeus? No mínimo, que ousassem falar mais alto, que reformulassem alianças de modo minimizar e combater as políticas agressivas de Trump – no plano social, económico e do que ele designa de defesa -  que apoiassem aqueles que nos EUA se opõem à política de cãos universal, a que Trump dá o rosto.

 

A saída dos EUA da Comissão dos Direitos Humanos da ONU é mais um sinal que a Europa deverá reter, um alerta para que a Europa faça o que deve fazer, retomar a sua autonomia e liderança política face aos EUA.

06
Jun18

COMO O FUTEBOL TRAMOU OS PODEROSOS…

JSC

Desta vez a coisa correu mal para o Sr. Netanyahu. O jogo amigável com a seleção da Argentina estava marcado para a cidade de Haifa. Contudo, o Governo de Israel pretendeu dar um brilho especial à comemoração dos 70 anos. Vai daí transferiu o jogo para a Cidade ocupada de Jerusalém. Depois do show da família Trump tinham agora o show de Messi e C.ª. Até pretendiam que a estrela fosse beijar o muro das Lamentações. E o mundo a assistir, a validar a ocupação.

Sucede, porém, que nem todos são capachos do Governo de Israel. A seleção Argentina fez o que tinha a fazer: Não há jogo.

Netanyahu acusa os argentinos do habitual: estão a fazer política, a favorecer os inimigos de Israel.

E a transferência do jogo para Jerusalém foi o quê?

26
Mai18

O Congresso, Sócrates e os Jornalistas

JSC

É natural que Sócrates  seja, ainda, notícia por razões que se prendem com o andamento do processo judicial e com a gestão que a Justiça faz do mesmo.

 

Contudo, os jornalistas não abandonam o Sócrates na política. Nos últimos dias Sócrates é tema central para os jornalistas. Os jornalistas, sem qualquer mandato, insistem em dizer queos portugueses querem saber”.

 

Mas, querem saber o quê? Segundo eles, agora queremos saber se Sócrates vai ser o “elefante no meio da sala do congresso”; queremos saber se Sócrates vai ser o ”grande tabú”, e coisas igualmente importantes para a cabeça dos jornalistas, mas que nada acrescentam ao interesse dos portugueses sobre o assunto.

 

Depois de ouvir a resposta de vários congressistas, questionados sobre a presença do “caso” Sócrates, só se pode concluir que Sócrates só é tema com interesse para os jornalistas. E quando todos responderam que “não há tabu”, que não há elefante”, que “a justiça dará a resposta”, mesmo assim, uma jornalista, no caso da RTP, conclui: o elefante está lá mesmo que muitos não o queiram ver. Ou seja, só a grande visão da jornalista vê o elefante onde todos dizem que não há elefante.

 

Sempre que ouvirmos os jornalistas, à falta de melhor argumento, dizerem “os portugueses querem saber”, só podemos concluir que eles estão a enviesar a conversa, a forçar o entrevistado a dizer o que eles querem que ele diga. E se o entrevistado não cai na esparrela, então, não têm pejo em transformar parcelas das respostas ou até das perguntas para forçarem o sentido do que disseram. E a Entidade Reguladora, qual o seu papel?

 

Os últimos Congressos do PS têm sido marcados por “casos”. Casos que aparecem aos trambolhões e, por coincidência, caiem na véspera do Congresso. O mais recente é o “caso” do Ministro Siza Vieira.

 

Compreende-se que seja noticia, que já tivesse sido noticia. O que já não me parece certo é que as noticias não digam que a tal empresa não teve nem tem qualquer actividade, não facturou. Os jornalistas tratam isto como se fosse a burla do século, negócio de milhões e com isso estão a “lavar”, a pôr no mesmo saco as fraudes, os crimes efectivos muitos dos quais passam pela Justiça e terminam com brandas condenações cobertas com o manto da “pena suspensa”.

 

Os jornalistas deveriam definir melhor os alvos. Dar relevo ao que merece ter relevo e não tratar por igual o que não é igual. Acima de tudo, os jornalistas deveriam cobrir acontecimentos, dar notícias e não quererem transmitir o que pensam dos acontecimentos, das noticias. Por sua vez, a Entidade Reguladora não pode ouvir, ler e calar como se nada se passasse.

 

Não precisamos da opinião do jornalista para formar opinião.

19
Mai18

Abandonados por todos

JSC

Israel é um Estado abençoado pelos poderes ocidentais. Israel faz o que faz porque o ocidente resguarda-lhe as costas, permite-lhe todos os atropelos às leis internacionais, às dezenas e dezenas de condenações na ONU, os governos de Israel reagem com desdém e fazem o que sempre fazem, alargam a ocupação nos territórios palestinianos, encurralam as populações, condenam todo aquele povo ao degredo, ao exílio, à morte em crescendo.  A ONU vê-se desautorizada e só tem a dizer ou a pedir para que sejam mais brandos, não tão desproporcionados no uso da violência, violência que cresce, como cresce a hipocrisia que acumula com as palavras do Papa.

O Governo de Israel tem um enorme manto negro que cobre a sua acção. Chama-se Hamas. Matam e matam gente desarmada? É porque são do Hamas. Colocam drones a gasear populações que estão no seu território? É porque são do Hamas. Quem quer que discorde da acção do Sr. Netanyahu? É porque é apoiante do Hamas. Veja-se os seguintes casos:

 

« Natalie Portman recusa 'Nobel judaico' e prémio de dois milhões de dólares»

 

Recusou-se a receber o prémio para que não confundissem com o seu eventual apoio às políticas do governo de Netanyhau.

A reação oficial não se fez esperar. Foi acusada de estar a apoiar o Hamas…

 

«Tiago Rodrigues, actor, encenador, dramaturgo e director do Teatro Nacional Dona Maria II, cancelou esta quinta-feira a sua participação no Israel Festival, em Jerusalém, que deveria acontecer nos próximos dias 4 e 5 de Junho

 

De imediato, o Embaixador israelita em Lisboa acusouTiago Rodrigues de ser apoiante do Hamas…

  

Com bem escreve Alexandra Lucas Coelho,

«Israel não tem a menor intenção de aceitar um estado palestiniano, a menor intenção de fazer a paz, a menor intenção de descolonizar, ao contrário. Se não pressionar Israel, o mundo é co-autor deste inferno. Israel tem de ser boicotado.

Poupem-se entretanto os desconversadores, e poupem-me, às acusações de anti-semitismo. Isto não tem nada a ver com anti-semitismo, e nada a ver com o Holocausto, aliás, só na medida em que o Holocausto tem sido vergonhosamente instrumentalizado pelo Estado de Israel para os seus desmandos, a sua imunidade, o seu estatuto especial entre as nações.»

 

Enfim, O mundo, as Nações Unidas, estão dependentes das opções dos Estados Unidos e estes estão dependentes dos ditames do governantes de Israel. Tudo o que mexe é para ser abatido. O Hamas justifica todos os crimes e o encarceramento de um povo. A Europa finge que intervém mas não mexe no quer que seja. Para a Europa Israel é Europa. Eis a explicação para a tolerância!