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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

19
Jul18

"ILHAS" DO PORTO – Investimento público em património privado?

JSC

Segundo ouvi hoje, está em estudo um protocolo entre a Câmara Municipal do Porto e a Secretaria de Estado da Habitação com vista a direcionar fundos públicos para a requalificação das ilhas do Porto.

 

Segundo julgo saber, nos últimos trinta anos as “Ilhas do Porto” terão sido a realidade mais estudada a nível local. A título de exemplo, em 2001, foi divulgado e publicado o trabalho promovido pelo Pelouro da Habitação.  «AS “ILHAS” DO PORTO ESTUDO SOCIOECONOMICO» 2000 exemplares, 128 páginas

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Em 2015, a Câmara em parceria com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto divulga e publica o trabalho « ”ILHAS” DO PORTO - Levantamento e Caracterização», 500 exemplares, 187 páginas.

 

Com a notícia de hoje parece que a Câmara está a pressionar o Governo para que este assuma “um forte investimento público na reabilitação das “ilhas”.

 

A ser verdade, há aqui qualquer coisa que não se entende muito bem. Primeiro, como pode a autarquia exigir, impor mesmo, que o Governo afecte recursos públicos, a fundo perdido, à recuperação e valorização de património privado?

 

Segundo, se a Câmara é proprietária de tanto património habitacional degradado, muito degradado – Bairro do Leal, Monte das Musas, ilhas municipais – não é mais razoável e natural que, a haver comparticipação do Governo Central esta se direcione para o património público local?

08
Jul18

A CLARA FALOU CLARINHO, PASSOU-SE…

JSC

Estou farto de ouvir falar da Madona. Não pela Madona, antes pelo prol de comentadores/jornalistas/políticos populistas que se servem da Madona para criticar e até insultar os portugueses.

 

Clara Ferreira Alves, escritora/jornalista/comentadora, no Eixo do Mal, até lembrou Byron e Eça para mostrar quanto os portugueses bajulam os estrangeiros. É de mais!

 

As Câmaras Municipais, todas as Câmaras, têm uma tabela de taxas e licenças ou de taxas e preços. As condições de ocupação do domínio público ou do domínio privado da autarquia estão lá definidas, incluindo as condições financeiras. Aprovadas pelo executivo e até pela Assembleia Municipal, cabe aos serviços aplicar a tabela de taxas e preços. Onde está o problema da ocupação precária em causa?

 

Mas a escritora/jornalista/comentadora vê problema. E o problema, segundo ela, está logo na cara de menino do presidente. Diz ela: “Medina tem um lado qualquer infantil, ele tem uma cara infantil”.   Com esta tirada, a comentadora Clara está ao nível daquele Senhor que disse que lhe bastava olhar para a cara… para ver que era pedófilo… e, por consequência, condenar…

 

Bom, também poderíamos dizer que bastar olhar para a cara e para os trejeitos da senhora para se ver quanto esganiçada é e toda a carga de pedantismo que transporta para o pedestal em que se põe.

 

A afirmação mais estapafúrdia que saiu daquela desenfreada corrente verbal foi quando acusou, disse: “foram buscar o contrato logo a seguir, fizeram o contrato no fim de semana para o apresentar”.

 

Estamos perante uma afirmação grave, feita por alguém que tem uma intervenção pública de largo alcance. Não pode ser mais uma afirmação. Deve ter consequências. O Presidente da Câmara deve pedir um inquérito à Procuradoria ou, em alternativa, a Procuradoria tomar a iniciativa de o realizar. Têm duas pessoas para ouvir, desde já. A Comentadora Clara e o Coordenador do programa, que parece ter informação sobre o caso porque afirmou que o facto de dizerem que o documento “tem data de janeiro não garante… que tenha sido feito em Janeiro.

20
Jun18

Não é só os direitos humanos que estão em causa

JSC

Numa altura em que os EUA não respeitam, minimamente, os direitos das crianças, eis que decidem sair da Comissão dos Direitos Humanos da ONU. A grande razão que apresentam é a dessintonia entre as decisões desta Comissão e as políticas dos Governos de Israel, que, como está à vista de todos, não atira e mata pessoas desarmadas, sobre crianças nem mantém ocupados territórios que não lhe pertencem nem amplia a sua ocupação territorial na Palestina, contra tudo e contra todos excepto os grandes defensores dos direitos humanos, os EUA, que, entretanto, deixam morrer dezenas ou centenas de jovens em Escolas, baleados por colegas…

 

A decisão de Trump de deixar a Comissão dos Direitos Humanos da ONU – e um dia destes a própria ONU – não nos deveria espantar, à luz do que tem sido a sua opção pelos aliados internos e externos. Desde aquele senhor Presidente que se gaba de ter matado, com as suas próprias mãos, centenas de pessoas, do que designa por marginais, até ao seu recente e louvado, por todos, encontro com o todo poderoso Presidente da Coreia do Norte, para não falar de alguns governos europeus que em matéria de refugiados e emigração estão colados a Trump e vice-versa. Nada a surpreender.

 

De Trump só se pode esperar o pior. E o pior ainda está para vir. O que surpreende é a atitude dos líderes Europeus, que estão a tratar estas matérias como se fossem coisas a contornar, a não olhar de frente. Ora, Trump e a sua política é hoje, seguramente, a maior ameaça à paz mundial e à Europa.

 

Neste quadro, o que seria esperar dos líderes Europeus? No mínimo, que ousassem falar mais alto, que reformulassem alianças de modo minimizar e combater as políticas agressivas de Trump – no plano social, económico e do que ele designa de defesa -  que apoiassem aqueles que nos EUA se opõem à política de cãos universal, a que Trump dá o rosto.

 

A saída dos EUA da Comissão dos Direitos Humanos da ONU é mais um sinal que a Europa deverá reter, um alerta para que a Europa faça o que deve fazer, retomar a sua autonomia e liderança política face aos EUA.

06
Jun18

COMO O FUTEBOL TRAMOU OS PODEROSOS…

JSC

Desta vez a coisa correu mal para o Sr. Netanyahu. O jogo amigável com a seleção da Argentina estava marcado para a cidade de Haifa. Contudo, o Governo de Israel pretendeu dar um brilho especial à comemoração dos 70 anos. Vai daí transferiu o jogo para a Cidade ocupada de Jerusalém. Depois do show da família Trump tinham agora o show de Messi e C.ª. Até pretendiam que a estrela fosse beijar o muro das Lamentações. E o mundo a assistir, a validar a ocupação.

Sucede, porém, que nem todos são capachos do Governo de Israel. A seleção Argentina fez o que tinha a fazer: Não há jogo.

Netanyahu acusa os argentinos do habitual: estão a fazer política, a favorecer os inimigos de Israel.

E a transferência do jogo para Jerusalém foi o quê?

26
Mai18

O Congresso, Sócrates e os Jornalistas

JSC

É natural que Sócrates  seja, ainda, notícia por razões que se prendem com o andamento do processo judicial e com a gestão que a Justiça faz do mesmo.

 

Contudo, os jornalistas não abandonam o Sócrates na política. Nos últimos dias Sócrates é tema central para os jornalistas. Os jornalistas, sem qualquer mandato, insistem em dizer queos portugueses querem saber”.

 

Mas, querem saber o quê? Segundo eles, agora queremos saber se Sócrates vai ser o “elefante no meio da sala do congresso”; queremos saber se Sócrates vai ser o ”grande tabú”, e coisas igualmente importantes para a cabeça dos jornalistas, mas que nada acrescentam ao interesse dos portugueses sobre o assunto.

 

Depois de ouvir a resposta de vários congressistas, questionados sobre a presença do “caso” Sócrates, só se pode concluir que Sócrates só é tema com interesse para os jornalistas. E quando todos responderam que “não há tabu”, que não há elefante”, que “a justiça dará a resposta”, mesmo assim, uma jornalista, no caso da RTP, conclui: o elefante está lá mesmo que muitos não o queiram ver. Ou seja, só a grande visão da jornalista vê o elefante onde todos dizem que não há elefante.

 

Sempre que ouvirmos os jornalistas, à falta de melhor argumento, dizerem “os portugueses querem saber”, só podemos concluir que eles estão a enviesar a conversa, a forçar o entrevistado a dizer o que eles querem que ele diga. E se o entrevistado não cai na esparrela, então, não têm pejo em transformar parcelas das respostas ou até das perguntas para forçarem o sentido do que disseram. E a Entidade Reguladora, qual o seu papel?

 

Os últimos Congressos do PS têm sido marcados por “casos”. Casos que aparecem aos trambolhões e, por coincidência, caiem na véspera do Congresso. O mais recente é o “caso” do Ministro Siza Vieira.

 

Compreende-se que seja noticia, que já tivesse sido noticia. O que já não me parece certo é que as noticias não digam que a tal empresa não teve nem tem qualquer actividade, não facturou. Os jornalistas tratam isto como se fosse a burla do século, negócio de milhões e com isso estão a “lavar”, a pôr no mesmo saco as fraudes, os crimes efectivos muitos dos quais passam pela Justiça e terminam com brandas condenações cobertas com o manto da “pena suspensa”.

 

Os jornalistas deveriam definir melhor os alvos. Dar relevo ao que merece ter relevo e não tratar por igual o que não é igual. Acima de tudo, os jornalistas deveriam cobrir acontecimentos, dar notícias e não quererem transmitir o que pensam dos acontecimentos, das noticias. Por sua vez, a Entidade Reguladora não pode ouvir, ler e calar como se nada se passasse.

 

Não precisamos da opinião do jornalista para formar opinião.

19
Mai18

Abandonados por todos

JSC

Israel é um Estado abençoado pelos poderes ocidentais. Israel faz o que faz porque o ocidente resguarda-lhe as costas, permite-lhe todos os atropelos às leis internacionais, às dezenas e dezenas de condenações na ONU, os governos de Israel reagem com desdém e fazem o que sempre fazem, alargam a ocupação nos territórios palestinianos, encurralam as populações, condenam todo aquele povo ao degredo, ao exílio, à morte em crescendo.  A ONU vê-se desautorizada e só tem a dizer ou a pedir para que sejam mais brandos, não tão desproporcionados no uso da violência, violência que cresce, como cresce a hipocrisia que acumula com as palavras do Papa.

O Governo de Israel tem um enorme manto negro que cobre a sua acção. Chama-se Hamas. Matam e matam gente desarmada? É porque são do Hamas. Colocam drones a gasear populações que estão no seu território? É porque são do Hamas. Quem quer que discorde da acção do Sr. Netanyahu? É porque é apoiante do Hamas. Veja-se os seguintes casos:

 

« Natalie Portman recusa 'Nobel judaico' e prémio de dois milhões de dólares»

 

Recusou-se a receber o prémio para que não confundissem com o seu eventual apoio às políticas do governo de Netanyhau.

A reação oficial não se fez esperar. Foi acusada de estar a apoiar o Hamas…

 

«Tiago Rodrigues, actor, encenador, dramaturgo e director do Teatro Nacional Dona Maria II, cancelou esta quinta-feira a sua participação no Israel Festival, em Jerusalém, que deveria acontecer nos próximos dias 4 e 5 de Junho

 

De imediato, o Embaixador israelita em Lisboa acusouTiago Rodrigues de ser apoiante do Hamas…

  

Com bem escreve Alexandra Lucas Coelho,

«Israel não tem a menor intenção de aceitar um estado palestiniano, a menor intenção de fazer a paz, a menor intenção de descolonizar, ao contrário. Se não pressionar Israel, o mundo é co-autor deste inferno. Israel tem de ser boicotado.

Poupem-se entretanto os desconversadores, e poupem-me, às acusações de anti-semitismo. Isto não tem nada a ver com anti-semitismo, e nada a ver com o Holocausto, aliás, só na medida em que o Holocausto tem sido vergonhosamente instrumentalizado pelo Estado de Israel para os seus desmandos, a sua imunidade, o seu estatuto especial entre as nações.»

 

Enfim, O mundo, as Nações Unidas, estão dependentes das opções dos Estados Unidos e estes estão dependentes dos ditames do governantes de Israel. Tudo o que mexe é para ser abatido. O Hamas justifica todos os crimes e o encarceramento de um povo. A Europa finge que intervém mas não mexe no quer que seja. Para a Europa Israel é Europa. Eis a explicação para a tolerância!

08
Abr18

Um mundo de convicções

JSC

Hoje para se ter uma opinião final não são precisos factos, provas, aquelas coisas que em tempos próximos eram necessárias, estritamente necessárias, para se tomar uma decisão, para avaliar as opções que governantes e órgãos de soberania tomavam.

 

Hoje, aliás, desde há algum tempo (não muito) basta usar a comunicação social, as redes sociais e lançar um apontamento, uma insinuação, escolher os canais certos e logo a mentira ou pseudo verdade se transforma em facto sério, propagado, replicado e tomado por todos como “a verdade”.

 

Foi assim com a descoberta dos laboratórios de armas químicas que Sadam teria no deserto. Até nos mostraram camiões-laboratório a saírem de Búnqueres. Depois foi o que se sabe. Não havia laboratórios nem arma químicas. Contudo, o objectivo tinha sido atingido. A invasão do Iraque e toda a mortandade que perdura até hoje.

 

Foi mais ou menos assim na Líbia. Mentiras reais levaram aos bombardeamentos, ao desmantelamento da Líbia e a toda a mortandade que perdura, mas que deixou de ser notícia.

 

Foi mais ou menos assim na Síria. Inventou-se uma pseudo primavera, apoiou-se a rebelião. O resultado é que se sabe, milhares de mortos e o país árabe, de usos e costumes, mais ocidentalizado completamente arrasado.

 

Sem provas nenhumas os órgãos de comunicação social reproduzem o discurso de sempre, a Síria usa armas químicas e lá estão, como outrora, as fotografias, as imagens chocantes, para convencer por esse meio o que não provam com factos.

 

A Inglaterra, os mesmos que integraram o trio que inventou as armas químicas no Iraque, sem provas, mas por convicção criaram a guerra dos embaixadores com a Rússia. Os media assumiram essa verdade e, ainda, foram mais longe, passaram a apontar a dedo aos países que não seguiram os mentores ingleses.

 

Lula acaba de ser preso. Pelos vistos o delator que o acusou agiu assim porque negociou com o Juiz a redução da pena a que poderia ser condenado. Não terá apresentado provas apenas terá apontado Lula como o proprietário de um apartamento.

 

Para a Justiça a palavra do delator vale mais que a palavra do ex-Presidente. Apartamento que nunca esteve em nome de Lula nem de ninguém. Continua propriedade da empresa construtora e até está dado como garantia por dividas.

 

Mesmo assim Lula foi preso. Com que fundamento? Por convicção. A justiça brasileira não precisa de provas, basta-lhe  a convicção. O mesmo para Teresa May. O mesmo para Trump. O mesmo para a comunicação social que reproduz, magistralmente, as convicções de quem hoje desgoverna o mundo.

26
Fev18

A OUTRA LUTA DA ORDEM DOS MÉDICOS

JSC

A Ordem dos Médicos acusa o Governo de ameaçar a saúde dos portugueses porque o Governo pretende criar um curso que vai conferir o grau de licenciado em medicina tradicional chinesa.

 

É contra isto que o bastonário Miguel Guimarães se propõe mobilizar os médicos, com "formas de inéditas de luta" porque entende que as práticas da medicina tradicional chinesa não têm base cientí­fica, constituem um perigo para a saúde e para as finanças dos portugueses.

 

Por tudo isto, o Bastonário acusa o Governo de "irresponsável", de "estar a contribuir para um retrocesso sem precedentes", de agravar o desconforto e descontentamento dos médicos. Em claro confronto, garante que a Ordem se propõe "liderar um processo de oposição firme de todos os médicos.

 

Não disponho de conhecimentos que me permitam contrariar as teses da Ordem dos Médicos. Contudo, disponho da experiência, na perspetiva do utente, de algumas destas práticas que a Ordem e o seu Bastonário contestam, em nome da saúde dos portugueses.

 

Conheço médicos, licenciados por Universidades de Medicina portuguesas, que tiraram cursos de medicinas alternativas e que praticam as duas medicinas, com excelentes resultados para os doentes.

 

Os grânulos homeopáticos, se bem administrados e tomados, revelam-se mais eficientes no combate a alergias e a encefalias do que remédios habitualmente receitados pelos médicos dos SNS.

 

Sei de médicos que, em crises agudas, recorrem a osteopatas e que louvam os resultados obtidos com a intervenção.

 

A defesa corporativa que a Ordem se propõe travar talvez fosse melhor assegurada com a integração da designada medicina tradicional chinesa nos cursos de medicina, abrindo aos jovens médicos outras perspectivas de carreira e garantindo aos doentes opções diferenciadas no seu tratamento.

 

Provavelmente, a Ordem dos Médicos está a enveredar por um caminho cada vez mais estreito, corporativo, do que julga ser a salvaguarda dos interesses especí­ficos dos médicos. A defesa da saúde dos portugueses seria melhor garantida se as duas medicinas dialogassem entre si e se complementassem.

 

Ao invés do que mobiliza a Direcção da Ordem dos Médicos, o perigo para a saúde pública advem mais ou pode advir da situação actual que permite que qualquer pessoa se autoproclame e exerça a profissão de "osteopata", "acupuntura", "homeopata", etc.

 

A criação de regras, de cursos especí­ficos validados pelo Ministério da Saúde e a constituição de um organismo, tipo INFARMED, que controle e valide a produção e comercialização dos remédios homeopáticos e outros actos clí­nicos próprios da medicina tradicional, só pode ajudar e melhorar as boas práticas do sistema de saúde.

 

Não será por a Ordem dos Médicos estar contra a legitimação da medicina tradicional chinesa que esta vai deixar de existir, de haver oferta e utentes. Então, parece-me bem mais racional e inteligente defender a sua legitimação, enquadramento e controlo pelas entidades que gerem o sistema de saúde.

07
Fev18

OS CTT do nosso descontentamento...

JSC

Os CTT são mais uma das empresas de referência que, em nome do interesse nacional, foi alienada. Os compradores levaram como brinde um banco - o Banco CTT. O problema dos CTT (correios e transporte de mercadorias) é que o brinde (Banco) tende a tornar-se no centro do negócio.

 

Antes da alienação, os CTT (correios e transporte de mercadorias) davam lucro e bons dividendos para o Estado. Hoje, os CTT dão prejuízo, ano após ano. Contudo, isto não tem impedido a distribuição de dividendos pelos accionistas. Dividendos que são pagos não com os resultados da actividade económica da empresa, mas com os proveitos obtidos com a alienação de património. É o que se lê das noticias. Ou seja, os CTT (correios e transportes de mercadorias) são cada vez mais uma empresa descapitalizada.

 

Acontece que não são bem estas as razões que têm trazido os CTT para as primeiras páginas das noticias. Estas focam-se no imediato, no encerramento das lojas ou estações dos correios. Ao apelo das populações que reclamam a presença local das lojas, para manter o recebimento de pensões, pagamento de facturas, etc., os autarcas vêm a terreiro propor alternativas.

 

Perante isto, a administração dos CTT já viu o filão da redução de custos. Anunciam o encerramento de determinadas estações, depois, é aguardar a reacção das populações, a intervenção dos autarcas - Presidentes de Câmara e/ou de Juntas -  negociar com estes e estabelecer um protocolo, através do qual as Juntas asseguram a prestação dos serviços em causa.

 

Ou seja, os CTT deixam de ter uma boa parte dos custos, mas mantêm o negócio. Como é que o Estado, a nível Central, pode contrariar esta estratégia?

 

Uma das intervenções possí­veis, com grande impacto na actividade económica e financeira dos CTT, passaria por retirar aos CTT o negócio do pagamento das pensões. Na verdade, se os CTT podem protocolar com as Juntas a transmissão para estas da prestação destes serviços, então, por maioria de razão, o Estado poderá transferir essa competêcia para as Juntas, conferindo-lhe, directamente, os correspondentes meios financeiros.

 

Se os CTT forem confrontados com a perda potencial deste negócio, com grande probabilidade que passarão a ponderar melhor o encerramento de serviços e a cumprir a missão de serviço público que lhe é intrínseca.