Voto Seguro

Votei até hoje apenas em dois candidatos presidenciais: Mário Soares e Jorge Sampaio. E fi-lo com empenho e convicção. Nas eleições seguintes o meu voto foi em branco por não reconhecer aos candidatos que se apresentavam o pleno cumprimento de todos os requisitos que considero essenciais para o exercício da presidência da República.
Tratando-se de um cargo uninominal, o Presidente da República deve reunir na sua pessoa atributos únicos de experiência política, envergadura intelectual e solidez ética. Deve pugnar pela defesa dos valores democráticos e constitucionais, cumprindo e respeitando o primado do Estado de Direito.
Nas eleições presidenciais do ano em curso, António José Seguro foi o único candidato proveniente do espaço do centro-esquerda e do socialismo democrático. Venceu a eleição na primeira volta, depois de uma campanha eleitoral conduzida com serenidade e elevação, tendo agora de disputar a segunda volta contra o candidato que lidera a extrema-direita populista em Portugal, que beneficiou da fragmentação dos votos na área do centro-direita e acabou por ser o segundo mais votado.
André Ventura representa tudo o que não deve ser um Presidente da República: do propósito de romper com o regime democrático que construímos às campanhas de ódio e de mentiras que tem veiculado enquanto líder partidário, do desrespeito pela separação de poderes à tentativa de manipulação dos sectores judiciários, da castração química à segregação e perseguição de imigrantes. Tudo é demasiado mau!
O voto em branco, que de alguma forma coloca os dois candidatos no mesmo patamar, não é solução razoável nesta eleição porque acaba por contemporizar com André Ventura e as suas ideias extremistas.
António José Seguro é o voto que deve unir todos os democratas na segunda volta das eleições presidenciais. Garante aos portugueses o absoluto cumprimento da Constituição e o respeito pelos restantes órgãos de soberania e demais instituições. Ao contrário do seu adversário, que fomenta a divisão, António José Seguro pretende ser o presidente de todos os portugueses, respeitando-os e defendendo-os de quem visa atacar os fundamentos do nosso regime democrático.